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FALA, LEITOR
No balanço da urn@
A urn@ eletrônic@ do Observatório da Imprensa online apareceu pela primeira vez na edição nº 77, de 20 de novembro de 1999. Já então não nutria pretensões de pesquisa dotada de metodologia científica, e contentava-se em apenas aferir o pulso do leitorado do OI sobre questões que freqüentam nossa pauta. À época, o assunto principal foi o acordo entre os grupos controladores dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo para o lançamento do diário Valor Econômico – o que efetivamente ocorreu no ano seguinte.
"Você acha que a associação entre empresas rivais como O Globo e a Folha, para lançar um terceiro veículo, diminui a diversidade de opiniões na imprensa?" – foi a primeira pergunta da sondagem, respondida por 412 pessoas, das quais 356 (86%) disseram que sim, diminui a diversidade, e 56 (14%) disseram que não.
Trata-se de uma sondagem, uma enquete – nunca uma pesquisa científica. Há uma evidente carga de subjetivismo nesse tipo de "pesquisa", ainda mais em meio virtual, mas isso é uma outra história. Importa que o intuito da urn@ é captar um sinal, uma indicação, uma tendência entre os leitores do OI sobre assuntos relativos ao desempenho da mídia. A partir de abril, as perguntas passaram a ser renovadas semanalmente, às terças-feiras.
Para alguns dos assuntos, os leitores do OI não deram a mínima. Em 3 de julho de 2000, por exemplo, apenas 41 pessoas tinham respondido à questão então proposta: "O jornalismo científico brasileiro apresenta os avanços da ciência de forma compreensível para você?". Quinze pessoas (37%) responderam que sim e outras 26 (63%) disseram que não.
O recorde de votos até agora foi na urn@ que tratou da proibição da partipação de crianças na novela Laços de Família, da Rede Globo, em meio à discussão sobre o controle da programação por faixa etária na TV brasileira: 857 leitores haviam respondido até 28/11/00 à pergunta: "Na sua opinião, foi censura o ato de impedir a participação de crianças em novelas ou a Globo está se fazendo de vítima?". O resultado foi 202 leitores (23,6%) dizerem tratar-se mesmo de censura; enquanto a maioria – 655, ou 76,4% – cravou que a Globo fez-se de vítima em toda essa história.
Até sua 34ª edição a urn@ havia computado um total de 8.578 votos, com média de 252 respondentes a cada uma. Para as dimensões e alcance desse tipo de sondagem é uma participação significativa, parruda até.
Entre a maior e a menor (em termos tão-somente numéricos) participação na urn@ muita água rolou debaixo da ponte. E os leitores manifestaram-se sobre violência na televisão, João Moreira Salles e Marcinho VP, imprensa e Nicéia Pitta, ensino de jornalismo, a cobertura das bandas podres da polícia, ACM versus Jader, 500 anos do Descobrimento, língua portuguesa, bandidos e mitos, mídia e ditadura, lusofonia, seqüestro e morte no Rio, mídia e propaganda de cigarros, gravações suspeitas, jornalismo na internet, horário eleitoral gratuito, Ministério Público e imprensa, No Limite, caso Pimenta Neves, pesquisite eleitoral, patrocinadores do esporte, classificação da programação de TV, prejulgamentos, impresa partidária, cobertura do Oriente Médio, eleições municipais, celebridades, eleições americanas, a mídia e a vida, o livro... A urn@ atira em todas. (Luiz Egypto)
Veja também
Clique aqui para ver o resultado consolidado da urn@ eletrônic@ em 2000.
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