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O vexame brasileiro

Só na manhã de quinta-feira, dia 14, quando viu a primeira página de três dos quatro jornalões, é que o cidadão brasileiro medianamente informado teve a certeza de que Bush ganhara (o Jornal do Brasil, que produziu um segundo clichê no dia anterior sobre a votação da Suprema Corte, não se animou a dar a desistência de Gore na edição nacional que circulou em São Paulo no dia 14/12).

Nossa TV, teoricamente capacitada para dar informações em cima dos acontecimentos, só conseguiu afirmar alguma coisa 24 horas depois das congêneres americanas. (A.D.)



Telejornalismo platinado

A internet brasileira já estava informando no meio da noite de terça-feira o resultado da votação na Corte Suprema. Mas o Jornal da Globo, que costuma entrar por volta da meia-noite, não conseguiu atualizar o seu conteúdo. De acordo com pesquisa da repórter Lília Martins, no 3º bloco daquele dia o último telejornal da grade global apresentou matéria com 1’46" (cabeça da âncora e reportagem da correspondente em Nova York), na qual, no meio de informações triviais, informava que os nove juízes ainda não haviam decidido se a recontagem dos votos na Flórida era legal ou não. Mas no texto da matéria afirmava-se que se os juizes decidissem pela ilegalidade da recontagem estaria "selada a vitória de Bush".

** Àquela hora já havia a decisão.

** Àquela hora estava selada a vitória de Bush.

** A matéria estava pronta, os editores não quiseram se incomodar. (A.D.)



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