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Em cima do lance
A equipe do OI acompanhou o desempenho maiores veículos noticiosos brasileiros. Eis o relato dos observadores, retirado da correspondência trocada na ocasião.
Luiz Antonio Magalhães – "Do que eu acompanhei, os netjornais cobriram bem. Ontem, quarta, o Panorama abriu o dia manchetando a decisão de terça à noite. Outros jornais deram ainda de manhã. Porém, ninguém foi categórico em afirmar que a decisão significava a vitória do Bush, até a hora que saiu a notícia de que o Gore ia falar à noite e reconhecer a derrota. Desta vez, acho que os sites se comportaram bem, agiram com prudência. Afinal, depois de tantas indas e vidas, podia pintar alguma surpresa e virar o jogo, vai saber..."
Kerly Tanaka – Informou que a Folha Online mencionou o assunto ainda no dia 12, terça-feira, mas com a ligeireza típica do noticiário real time. E teve o cuidado de transcrever a nota:
"Suprema Corte da Flórida dá decisão favorável a Bush", copyright Folha Online, 12/12/00 – 19h46
"A Suprema Corte da Flórida deu parecer favorável ao republicano George W. Bush e julgou não haver irregularidade na apuração dos votos enviados pelo correio nos condados de Seminole e Martin.
Com isso, o democrata Al Gore acumula a segunda desvantagem do dia, depois que a Câmara dos Representantes da Flórida escolheu, por 79 votos contra 41, os 25 delegados que votarão no republicano no dia 18 de dezembro. As informações são das agências internacionais."
Victor Gentilli – "A Agência Estado deu faltando dois minutos para as três da manhã de quarta [transcrição abaixo]. Mas não explicou o significado. Deu Bush saudando o resultado duas horas depois. Mas só foi anunciar que Gore desistia, sem vincular com a decisão do Supremo, muito mais tarde. Das minhas lembranças eletrônicas, todos os demais netnoticiários deram do mesmo jeito. Todos foram dando a informação de que Gore desistiria, mas sem mostrar que a decisão do Supremo já fechara as alternativas."
"Eleições: Supremo dos EUA devolve caso para Flórida", copyright Agência Estado, 13/12/00 – 02h58
Washington - A Suprema Corte Federal dos Estados Unidos devolveu na madrugada desta quarta-feira à Suprema Corte da Flórida o caso da recontagem de votos nesse Estado, que deve emitir uma nova decisão respeitando a Constituição. Para a Suprema Corte, o tribunal estadual da Flórida errou ao ordenar a recontagem manual de milhares de votos da acirrada eleição presidencial no Estado. Os magistrados pediram ao Supremo da Flórida que estabeleça um ‘mecanismo uniforme’ que proteja os interesses de todos os eleitores e dos candidatos presidenciais, o republicano George W. Bush e o democrata Albert Gore. A decisão, no entanto, não resolve a batalha legal pela Casa Branca e deixa nas mãos do Supremo da Flórida a responsabilidade de contornar a crise.
Na avaliação da Suprema Corte dos EUA, a recontagem violou os direitos de igualdade e não havia tempo para realizar uma nova recontagem que tivesse respaldo constitucional. A decisão, que foi anunciada pelas televisões locais, favorece os interesses do republicano George W. Bush, segundo analistas políticos.
‘Como é evidente que qualquer nova recontagem buscando respeitar a data de 12 de dezembro seria inconstitucional (...) revertemos a decisão da Suprema Corte da Flórida de ordenar o prosseguimento da recontagem’, destaca a Suprema Corte em seu veredicto.
Por 7 votos a 2, os magistrados do Supremo indicaram que a recontagem ordenada pelo Tribunal da Flórida contêm problemas constitucionais e, por 5 votos a 4, a solução ideal é ordenar a recontagem com um mecanismo que respeite a Constituição. Sete dos nove magistrados indicaram que há problemas constitucionais na forma em que o Supremo da Flórida decidiu a recontagem manual de 43 mil votos, porém os juízes não chegaram a um acordo sobre como resolver o problema."
Marinilda Carvalho – "A decisão saiu à 1h de quarta. O Jornal do Brasil deu segundo clichê, como também O Globo. Gore tinha direito a recursos variados, mas só ontem à noite [quarta-feira, 13] desistiu, configurando o novo presidente."
Alberto Dines – "A mídia brasileira vinha dizendo há vários dias que a decisão da Corte seria a vitória de Bush. As críticas que a mídia americana fez aos repórteres de TV (que na noite de terça não conseguiram interpretar a decisão) é prova de que todos, sem exceção, sabiam da importância daquela votação."
ASPETAS
Anotou Pedro Doria, no artigo "O golpe supremo", copyright no. <www.no.com.br>, 13/12/00:
"(...) E o resultado com o qual todos terão que se conformar é que cinco juízes, contra o voto de quatro, escolheram o presidente dos Estados Unidos. Isso apesar de nem todas as cédulas terem sido contadas e de o derrotado ter tido, nacionalmente, 200 mil votos mais."
DITADOR OU PRESIDENTE?
Esquizofrenia na Folha de S.Paulo
Luiz Antonio Magalhães
A turma de jornalistas que fechou a edição do dia 28/11 da Folha de S. Paulo caprichou na primeira página. Acima da dobra, uma foto em 4 colunas do presidente Fernando Henrique Cardoso com a bela Gisele Bündchen. Abaixo da dobra, outra grande foto, em três colunas, de Lula e Fidel Castro, durante a estadia do líder petista em Cuba.
Não foi o aspecto gráfico, porém, que faz desta uma edição para colecionadores. A legenda da foto de Lula e Fidel deliciou os leitores atentos. Em uma das versões, o matutino paulistano chama Fidel Castro de "presidente de Cuba". Em outra, de "ditador de Cuba". As versões do jornal apontam o mesmo horário de fechamento – 23 horas –, de modo que não há como saber qual das versões foi a última a ser realmente fechada. Nas páginas internas, a matéria sobre o encontro qualifica o cubano como "ditador".

O Manual de Redação da Folha apresenta um verbete para que os seus jornalistas não se atrapalhem na hora de qualificar os líderes mundiais:
"Ditador, líder e dirigente – A Folha usa o termo ‘ditador’ para designar o dirigente principal de um regime sem liberdades democráticas e com poderes concentrados nas mãos de um único líder, diferentemente, por exemplo, de uma junta militar ou de outro sistema de direção colegiada. Recomenda-se a palavra ‘ditador’ na primeira menção no texto, alternando depois, para evitar repetições, com o cargo formal. Os ditadores Fidel Castro e Saddam Hussein, por exemplo, são presidentes cubano e iraquiano. Os ex-ditadores Augusto Pinochet (Chile) e Alfredo Stroessner (Paraguai) ocuparam também a Presidência de seus países. O ditador líbio Muammar Gaddafi não ocupa nenhum cargo formal. Para os casos de regimes ditatoriais não-pessoais, como os casos atuais da China e do Vietnã, usa-se o termo dirigente ou líder na primeira menção, buscando acrescentar um adjetivo que descreve o sistema em questão. Exemplo: o dirigente comunista Jiang Zemin. Para evitar a repetição e o empobrecimento do texto, recomenda-se alternar o termo ‘líder’ ou ‘dirigente’ com o cargo formal. Novamente o exemplo Jiang Zemin: o presidente chinês, Jiang Zemin. Nesse caso, Jiang também pode ser descrito como secretário-geral do PC (ele acumula os dois cargos). Recomenda-se checar os casos não mencionados e manter atualizadas as descrições acima."
Mais claro, impossível...
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