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FITAS & ROLOS
O denuncismo nunca
mais será o mesmo
Alberto Dines
Todos embrulhados no mesmo imbróglio. A saber:
** O denunciador, ACM, passou a denunciado.
** Seu assessor para assuntos de fitas & grampos, Fernando César Mesquita, saiu das sombras e está na ribalta conhecido como mestre fiteiro.
** A revista IstoÉ detinha a exclusividade para a divulgação de denúncias gravadas. Agora terá competidores. Não basta emprestar equipamento às autoridades para gravar conversas que um veículo conseguirá habilitar-se para receber, de mão beijada, um bem público – informações sigilosas.
** Idem: não basta ter taquígrafos e digitadores para transcrever fitas. E editores para verificar sua exatidão. É preciso também alguma disposição para investigar o que está sendo denunciado.
** Idem, quanto aos foneticistas de plantão. Uma conversa arranjada para produzir revelações pode ter os interlocutores devidamente identificados, mas isso não valida o teor do que dizem.
** A mídia: compraz-se em ecoar as transcrições daqueles que ganharam a exclusividade das fitas. Agora terá que fazer algo mais para não parecer cúmplice passiva, tipo maria-vai-com-as-outras.
** O Ministério Público: terá que inverter seus procedimentos. As denúncias terão de ser minimamente investigadas antes de divulgadas. Quando isto se der convoca-se TODA a imprensa e TODOS terão que sair correndo para buscar a comprovação. Recorte de jornal ou revista não é prova, ainda mais quando a fonte é o próprio MP.
Quando este rolo desenrolar, então acabará o denuncismo. Em seu lugar, teremos jornalismo.
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