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MORDAÇA PARA MÉDICOS
Uma resolução e dois problemas

Paulo Bento Bandarra (*)

Esconde dois problemas a pretensa intenção do Conselho Federal de Medicina de cercear a palavra da imprensa, que no fundo é para impedir a palavra do médico – ao impor que este exerça censura prévia ao jornalista, que deve se comprometer a usar o entrevistado como revisor.

O primeiro é o de inibir a manifestação dos profissionais sujeitos ao conselho, para mantê-los calados pela ameaça de punição por julgamentos totalmente arbitrários em crime de opinião, para o benefício de quem não se sabe. Quem vai julgar se o que foi dito era permissível ou não? Enquanto um erro médico tem o parâmetro científico para se analisar, opinião não tem. Pode ser simplesmente usado para perseguição de desafetos ou de grupos políticos contrários. O que é, sem dúvida, um retrocesso democrático: impõe, no caso do médico, a proibição de emitir opinião.

Soluções demoradas

O segundo denuncia um problema do entrevistado, que pode ter sua manifestação distorcida pelo jornalista, que por mais de um motivo não entendeu, quis usar o entrevistado como simples trampolim para suas idéias ou tratar a matéria pela sua ótica pessoal, baseado em simpatia ou antipatia pelo assunto. Este é um tema que preocupa há tempos quem se submete ao entrevistador. Que garantias tem de que suas opiniões serão respeitadas? É uma questão ética do jornalismo, nem sempre atendida, não só no campo da medicina, mas em todas as categorias.

Diante deste argumento, porém, o da censura ao profissional de imprensa, pode a mídia simplesmente deixar de procurar os médicos para opinarem, o que traria prejuízo muito maior à população.

Não me parece permissível a figura do censor do conselho para mediar esta questão. Mormente sua subjetividade, quando sabemos que os conselhos estão assoberbados de assuntos em que se demoram longamente a dar solução, apesar de muito mais objetivos e relevantes do que este.

(*) Médico

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