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JORNALISTA ASSASSINADO
O Globo
"Jornalista é morto em emboscada em Magé um dia antes de depor", copyright O Globo, 18/8/01
"Um dia antes de prestar depoimento na 105 DP (Petrópolis), o jornalista Mário Coelho de Almeida Filho, de 42 anos, diretor do jornal ‘A Verdade’, foi morto com quatro tiros de pistola calibre 45. O crime aconteceu anteontem à noite, em Magé. O delegado Ricardo Hallak, da 65 DP (Magé), suspeita de assassinato por encomenda. O jornalista prestaria depoimento no inquérito a que responde por causa de uma ação de injúria movida pelo prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, e pela mulher dele, a prefeita de Magé, Narriman Zito.
O assassino, segundo testemunhas, passou quatro dias observando os passos de Mário. Para o pai do jornalista, Mário Coelho, de 72 anos, o filho pode ter sido vítima de um crime político.
– Meu filho há cinco meses denunciou no jornal que estava sendo ameaçado. Ele não quis revelar quem o ameaçou por telefone. Para mim foi crime político.
O crime aconteceu por volta das 18h. Mário estacionava seu Fiat na porta de casa, no bairro Barbuda, quando foi alvejado por um pistoleiro. O bandido, que aguardava a chegada de Mário bebendo cerveja numa padaria próxima, disparou o primeiro tiro, acertando o vidro lateral do automóvel. O jornalista abriu a porta do carona e correu. Perseguido, foi alcançado e morto num terreno baldio com tiros nas costas, no pescoço, no peito e na cabeça. Depois, o assassino embarcou num Omega de cor escura e fugiu.
Polêmico, Mário costumava usar o jornal ‘A Verdade’ para atacar políticos da Baixada Fluminense. Por isso, acabou sendo processado pelo menos oito vezes. Atualmente, era acusado de injúria por Zito e Narriman.
– Na verdade, quem entrou com a ação foi a Narriman, e não eu. Não o conhecia bem, mas ele (Mário) estava respondendo pelo que escreveu. Ele deu a entender que minha mulher tinha um caso com um segurança e se referiu a nós como uma quadrilha de Caxias que estava invadindo Magé – disse Zito.
A prefeita de Magé distribuiu nota oficial lamentando a morte do jornalista, mas não quis comentar o caso.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) informou que está acompanhando as investigações para saber se o crime pode ser caracterizado como um atentado à liberdade de imprensa. De 1995 a 1998, a ANJ registrou sete assassinatos de jornalistas em atentados no país."

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