| ||
|
IMPRENSA EM QUESTÃO
NOTAS DE UM LEITOR Luiz Weis Familiares e amigos de outros mortos que foram notícia e cuja privacidade foi então para o espaço hão de ter ficado com justa inveja da forma como a mídia contou a história do que a colunista Barbara Gancia, da Folha de S.Paulo, chamou "um acidente sem nexo" – o suicídio do jornalista Andrea Carta, diretor da Carta Editorial, que edita a revista Vogue.
Nota de 15 linhas no Estadão de 17/9 revela, como se lê no título, que "Justiça condena ‘Folha’ por caso da Escola Base". O texto informa que a empresa que edita o jornal foi condenada a pagar R$ 1,08 milhão por danos morais aos responsáveis pela Escola Base, de São Paulo. "Levada por falsas informações da Polícia, a Folha noticiou em 1994 supostos abusos contra alunos", esclarece a notícia. Perfeito, não fora o fato de que, só ao ler a mesma notícia na Folha, fica-se sabendo que os donos da Escola Base entraram com ações de iNdenização contra o governo paulista e "sete veículos de comunicação que divulgaram reportagens sobre o caso". Além da Folha, as revistas Veja e IstoÉ, as redes Globo, SBT e Bandeirantes – e O Estado de S.Paulo. (Veja também já foi condenada em primeira instância. A ação contra a Bandeirantes foi considerada improcedente. A ação contra a IstoÉ foi extinta por questões de prazo. As demais, diz a Folha, "ainda estão em fase de reunião de provas".) Nos tribunais americanos, os depoentes devem jurar que contarão "a verdade, toda a verdade, nada mais do que a verdade". No caso, o Estado contou a verdade. A Folha, toda a verdade. | ||