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ASPAS

AINDA ACM
Leila Reis

"Prossegue o namoro do poder com a TV", copyright O Estado de S. Paulo, 23/06/01

"Como um astro pop, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães tem desfilado por quase todos os vídeos e sido reverenciado como autoridade nacional. Passar a história de sua queda a limpo com Boris Casoy (Record) ou encarar Marília Gabriela na Rede TV! combina com o perfil do ex-presidente do Senado e ex-governador da Bahia, mesmo que a participação tenha sido extemporânea.

Quente mesmo seria entrevistar ACM no período em que ele respondia processo no Senado por violação do painel eletrônico de votação e estava sob ameaça de cassação.

Esquisito é ACM freqüentar programas de auditório para tirar (ou não) o chapéu ou dar notas (de 0 a 10) para figuras públicas, como ocorreu no Programa Raul Gil (Record) e no Programa do Ratinho (SBT). Do ponto de vista do personagem, o périplo é compreensível.

ACM dever sentir falta dos holofotes e dos microfones que tinha à sua disposição na época em que reinava em Brasília. Por questões pessoais ou políticas - ou pelas duas -, o senador deve estar precisando de exposição fora da Bahia.

Mais esquisito, no entanto, são os programas impingirem a seu público uma figura que não faz parte do seu universo. Tanto que na aparição no SBT, Ratinho se viu obrigado a justificar a presença do senador. ‘Ele está aqui porque dá audiência. O Raul Gil teve 26 pontos de Ibope quando ACM esteve lá.’ Justificou, mas não disse a verdade.

O Programa Raul Gil de que o senador baiano participou registrou audiência média de 11 pontos. O Ratinho alcançou a média de 14 pontos no Ibope (na Grande São Paulo) de sempre. Ou seja, em termos de audiência, o convidado ilustre não fez diferença para os programas. A opção deve estar ligada à necessidade de prestígio nos segmentos que não fazem parte do público usual.

O problema é que essa atração que os programas de auditório exercem sobre personalidades é um entrave para a melhoria da qualidade da TV. Como tomar providências contra o baixo nível - sim, sempre que se toca no assunto a referência são os programas de auditório - se, em algum momento, a autoridade vai precisar ‘falar’ com o público que pesa na hora de uma eleição e que compõe a massa da audiência desses shows?

É por causa disso que não há código de ética ou manual de qualidade da TV capaz de sair da gaveta dos gabinetes incumbidos da missão de zelar pela programação de cada dia. Quando as coisas escapam dos limites - quer dizer, quando a imprensa escrita registra os excessos no vídeo -, surgem medidas inócuas, como a classificação dos programas por faixa etária. De resto, é o namoro de sempre."



Folha de S. Paulo

"Globo renova contrato com TV de ACM", copyright Folha de S. Paulo, 23/06/01

"Com 14 meses de antecedência, a Rede Globo renovou por mais seis anos o contrato que garante à Rede Bahia e a mais cinco afiliadas do grupo a exclusividade na retransmissão da programação da emissora no Estado.

Nos últimos meses, circularam boatos em Salvador (BA) informando que a família do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) -controladora da Rede Bahia- poderia perder os direitos de retransmissão da Globo para a TV Aratu (SBT).

Filho do jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho fez uma visita a ACM antes da assinatura do contrato.

O novo contrato vence em 2007, mas pode ser renovado automaticamente por mais seis anos. Maior grupo de comunicação do Norte/Nordeste, a Rede Bahia tem 1.100 funcionários e registrou um faturamento de cerca de US$ 100 milhões em 2000.

Os boatos indicando que ACM perderia a concessão da Globo na Bahia ficaram mais acentuados no ano passado, quando a emissora colocou no ar uma entrevista com Nicéa Pitta, acusando ACM de solicitar um pagamento para a construtora OAS, que tem como um de seus sócios César Matta Pires, ex-genro do ex-senador."



JORNALISMO & DIREITO
Janio de Freitas

"Boa notícia", copyright Folha de S. Paulo, 19/06/01

"A Seção Judiciária Federal de 1ª Instância em São Paulo inova com uma providência admirável: lança o excelente ‘Noções de Direito para Jornalistas - Guia Prático’.

Os juízes sentem no nome e na alma os males da ignorância do jornalismo brasileiro em noções mínimas de direito. A não ser no nome, na alma todo leitor padece os efeitos do mesmo problema. Se até colunista de economia evidencia que não leu nem a Constituição, fará bem o leitor que se defenda procurando um exemplar no Núcleo de Comunicação Social da Seção Judiciária Federal em São Paulo."



FUTEBOL & IMPRENSA
Tostão

"Técnicos e imprensa", copyright Folha de S. Paulo, 24/06/01

"Para ser um bom treinador da seleção brasileira é necessário, além de conhecimento técnico, conviver bem com a grande responsabilidade e com os inúmeros problemas extracampo, como o relacionamento com a imprensa.

A maior parte dos treinadores (e também dos jogadores) é evasiva nas respostas e menospreza o conhecimento dos repórteres que fazem a cobertura diária da equipe nacional. Acha que não tem a obrigação de dar explicações detalhadas.

O comportamento dos técnicos de outros esportes é totalmente diferente. São mais educados e têm prazer em explicar os detalhes técnicos e divulgar os conhecimentos do esporte.

Por outro lado, parte da imprensa que cobre a seleção valoriza excessivamente questões rotineiras e pouco importantes. Na ansiedade e em busca de uma grande notícia, de um furo, tira conclusões precipitadas e equivocadas.

Nesta semana, falou-se muito no nome do capitão da seleção -confundem capitão com líder- e sobre as declarações de Roberto Carlos.

O lateral disse que não existe amor à camisa, e sim profissionalismo. Depois desmentiu. O mundo caiu em sua cabeça.

Querem antagonizar a expressão amor à camisa com o profissionalismo. Quanto mais profissional, no sentido de responsável, mais o jogador terá orgulho e dedicação à camisa que veste, principalmente a da seleção brasileira.

As entrevistas do treinador da seleção não deveriam ser tão raras, formais e frias, como na Europa e na Argentina, nem tão massacrantes e diárias, como no Brasil. Um técnico não precisa dar tantas entrevistas. Não tem o que falar.

O treinador, os jogadores e a comissão técnica da seleção brasileira deveriam falar pouco, mas com clareza e objetividade. Explicar suas condutas. A falta de sinceridade e transparência estimulam a imaginação da imprensa no país.

As entrevistas coletivas da seleção são, normalmente, um péssimo espetáculo teatral. Um faz-de-conta. Técnicos e jogadores estão, frequentemente, de mau humor, cumprem a obrigação e respondem sempre as mesmas coisas. Pouco se aproveita. Os repórteres vão e voltam nos mesmos temas.

Com a imprensa, Parreira tinha uma relação distante, fria, formal, mas educada e de respeito. Falava pouco e não se perturbava com as críticas. Não se expunha. Preservava sua intimidade e a da seleção. Para a imprensa, não era bom.

Zagallo, ao contrário, não sabia conviver com as críticas. O ‘vocês vão ter de me engolir’ reflete bem isso. Mas era sincero, franco e emotivo. Falava pelos cotovelos. Chorava diante das câmeras de televisão. Dava audiência.

Inicialmente, Wanderley Luxemburgo tentou ser unanimidade nacional. Agradava a todos, depois cobrava elogios. Quando apareceram as críticas, refugiou-se em sua vaidade. Suas palavras eram dissimuladas e vazias. Enrolava.

Sucessor de Luxemburgo, Leão também enrolava. Não em razão de ele ser enrolado, mas porque era confuso. Não conseguia explicar suas idéias. Tropeçava nas palavras.

Felipão é um dos poucos treinadores brasileiros que falam com objetividade e dão explicações após as partidas. Ele não tenta enganar nem inventar desculpas. Seu grande problema nos clubes foi o intermitente mau humor e as respostas agressivas e grosseiras.

O novo técnico sabe que a seleção é diferente. Em sua primeira semana de trabalho, foi educado, agradável, dócil, contundente e franco. Essas qualidades não são incompatíveis."



Fernando Rodrigues

"ACM, Internet e audiência: números sobre esses mitos", copyright Política UOL (www.uol.com.br/politica), 25/06/01

"Agora sem mandato, que tipo de influência na mídia terá o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA)? Qual a audiência considerada alta e baixa na Internet para notícias ‘nobres’ da área de política?

Números recentes ajudam a entender um pouco mais esses assuntos do parágrafo anterior, embora sejam ainda necessários estudos científicos mais definitivos a respeito.

No caso de ACM, é quase chover no molhado dizer que o cacique baiano perderá espaço na mídia gradativamente. Aos 73 anos, sem mandato, sem sucessor aparente e tendo de recompor sua base na Bahia, ACM é hoje uma figura crepuscular -o que não o impede de disputar com chances de vencer a eleição para uma vaga no Senado, em 2002.

Há três números sobre a audiência de ACM que chamam a atenção aqui no Universo Online. Durante o processo em que esteve para ser cassado, o ex-senador foi tema de bate-papos comandados pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. Eis a duração dos bate-papos e audiência de cada um, medida em número de participantes (pessoas que entraram no site do bate-papo):

Bate-papos no UOL cujo tema foi ACM

Data e duração do bate-papo
Tema do bate-papo
Audiência (em participantes)
03.mai.2001 - 4 horas
Acareação de ACM, Arruda e Regina Célia
21.816
30.mai.2001 - 2 horas
Renúncia de ACM
7.113
19.jun.2001 - 1 hora
Entrevista com ACM
4.552
Fonte: UOL

Há duas observações a serem feitas sobre os números acima.

Primeiro, que ACM conseguiu se manter na mídia no momento seguinte ao seu afastamento do Senado. Quando renunciou, 7.113 internautas participaram do bate-papo de 2 horas. Já sem mandato, o ex-senador participou pessoalmente de um bate-papo de 1 hora na sede do UOL e teve uma audiência de 4.552 participantes.

Essa entrevista de ACM fez parte de uma via sacra que o baiano fez por emissoras de rádio e TV de São Paulo, tentando higienizar a imagem depois do caso da violação do painel eletrônico do Senado.

É evidente que esse grau de exposição na mídia tende a diminuir a partir de agora. Mas é necessário aguardar novas aparições do baiano para fazer uma aferição científica de sua eventual caminhada para o ostracismo. E também sobre o grau de interesse do público.

Por enquanto, é incorreto imaginar que ACM aparece na mídia apenas porque jornalistas assim o desejam. O baiano teve superexposição até há pouco tempo porque soube criar fatos e factóides de conteúdo jornalístico. Não era nem é possível ignorar quando algum político de expressão nacional afirma que o presidente da República ‘rouba’ (ACM fez isso recentemente). Por mais absurdo que seja ou não, há notícia nessa declaração.

Além disso, por amor ou ódio, os leitores (no caso, internautas) parecem ter um interesse grande pelo que ACM diz. Aí chega-se ao segundo item de relevância sobre a audiência recente do baiano.

Eis abaixo outras audiências captadas pelo UOL em bate-papos com personalidades que supostamente seriam mais interessantes do que ACM:

Bate-papos do UOL

Data e duração (*) do bate-papo Tema do bate-papo Audiência (em participantes)

18.jan.2001 Luciano (cantor sertanejo) 3.386

02.fev.2001 Isadora Ribeiro (atriz) 2.043

26.fev.2001 - 6 horas Especial dos camarotes da Sapucaí 6.508

05.mar.2001 Ratinho 6.970

22.mar.2001 Danny Bananinha (capa da Playboy) 3.801

17.abr.2001 Enfermeira do Funk (Playboy) 4.431

25.mai.2001 Ísis Fischer (atriz pornô) 5.848

11.jun.2001 As Mallandrinhas (Playboy) 3.207

Fonte: UOL (em alguns casos não está disponível o tempo de duração do bate-papo)

Como se observa, nem algumas peladonas de revistas masculinas conseguem ficar muito à frente em audiência em relação a ACM. Esses números também são reveladores sobre o perfil do usuário do UOL: existe uma parcela dos internautas interessada em assuntos mais, vamos dizer, sérios em detrimento de ‘fait divers’.

No geral, o internauta parece sempre ter algum interesse por notícias mais quentes. Quando esta página é atualizada (normalmente, uma vez por semana) sempre tem uma audiência maior do que a média dos outros dias. Se o tema da atualização é uma nova pesquisa mostrando se a popularidade de FHC subiu ou caiu, a freqüência de participantes é maior do que para textos apenas analíticos (embora quando a análise seja sobre o PT, a audiência também dispare; há muitas teorias para explicar esse fenômeno petista, mas é um tema que fica para outro dia).

Ainda no caso de ACM, há mais dois números que ajudam a compreender o grau de interesse dos internautas.

Um deles é a enquete que ficou um mês no ar perguntando qual deveria ser a punição para o baiano. De 24.abr.2001 a 24.mai.2001, a enquete teve 22.476 visitantes únicos. Desses, 93% disseram que ACM deveria ser cassado. Em resumo, trata-se de um político que a quem as pessoas adoram odiar. Mas não lhe negam audiência. Pelo menos, os internautas que freqüentaram esta página.

A título de comparação, uma enquete sobre quem venceria a eleição para prefeito na cidade de São Paulo no ano passado, em plena campanha eleitoral, teve apenas 12.657 visitantes únicos -apesar de ter ficado no ar por 27 dias, de 02.out.2000 a 29.out.2000.

Para finalizar, eis um número revelador do Ibope a respeito da audiência da até agora mais popular TV a cabo de notícias do Brasil, a GloboNews:

GloboNews Mês Audiência diária (nº médio de domicílios sintonizados)

Mar.2001 4.730

Abr.2001 5.240

Mai.2001 6.580

Fonte: Ibope

É necessário ressaltar que os números acima se referem à audiência média da GloboNews, ao longo das 24 horas da programação da emissora (inclusive, portanto, as enfadonhas repetições das madrugadas). Ainda assim, é interessante saber que a audiência média desse canal de TV é semelhante a alguns picos de freqüência de internautas em sites de assuntos relativamente complexos no UOL.

Resumo da ópera: ACM ainda parece não estar enterrado, a audiência do UOL se assemelha muitas vezes à de canais fechados de notícias e internautas (pelo menos os do UOL) não se interessam apenas por amenidades e mulheres peladas."



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