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ASPAS
PULITZER &
MENTIRA
Sérgio Dávila
"Biógrafo que levou Pulitzer mentiu sobre a própria vida, acusa jornal", copyright Folha de S. Paulo, 19/06/01
"Joseph Ellis, ganhador do Prêmio Pulitzer de História deste ano, mentiu aos seus alunos quando disse que lutou na Guerra do Vietnã e exagerou seu envolvimento no movimento pacifista que se seguiu ao conflito.
A informação foi publicada ontem pelo jornal norte-americano ‘The Boston Globe’. Ellis foi premiado com o Pulitzer, um dos mais prestigiosos do mundo, pelo livro ‘Founding Brothers: The Revolutionary Generation’, publicado pela Alfred A. Knopf.
Sua biografia ‘American Sphinx: The Character of Thomas Jefferson’ ganhou o National Book Award em 1997. O historiador é professor da faculdade Mount Holyoke e vinha despontando como um dos principais biógrafos norte-americanos de personalidades históricas.
Joseph Ellis dizia aos alunos de seu curso, batizado justamente de ‘Vietnã e a Cultura Americana’, que havia estado no Vietnã em 1965 como líder de pelotão e pára-quedista e servira junto ao staff do general William C. Westmoreland em Saigon. Dizia ainda que na volta tinha sido um membro ativo do movimento pacifista e de direitos civis nos EUA.
Segundo registros militares obtidos pela publicação e entrevistas feitas com seus colegas, no entanto, não só Joseph Ellis jamais esteve na região, nem na época da guerra nem depois, como também nunca participou dos protestos que aconteceram nos EUA no começo dos anos 70.
Na época, afirmou a reportagem, Ellis deu aula na Academia Militar de West Point e teve participação discreta no campus da Universidade Yale. ‘Joe era um aluno excelente, mas ativista antiguerra? Não me lembro de nada parecido’, disse Gaddis Smith, ex-professor do historiador e teórico do movimento.
O acadêmico teria exagerado até em aspectos mais prosaicos de seu currículo, como o fato de ter sido autor de um ‘touchdown’ (principal pontuação do futebol americano) decisivo durante a faculdade, embora os registros mostrem que ele nem sequer fazia parte do time.
‘Acredito que eu seja um homem honrado’, disse o historiador ao ‘Globe’. ‘Terei de sofrer as consequências disso’, completou. Joanne V. Creighton, reitora da Mount Holyoke, defendeu seu funcionário: ‘Ellis é um dos acadêmicos, escritores e professores mais respeitados deste país’.
Não é a primeira vez que um premiado do Pulitzer se envolve em fraude. Em 1981, Janet Cooke, então jornalista do ‘Washington Post’, recebeu o prêmio pela reportagem ‘Jimmy’s World’, sobre um menino de oito anos que seria viciado em heroína.
Três dias depois, a repórter devolveu o prêmio e disse que não existia nenhum ‘Jimmy’ e que a história era uma peça de ficção que usava fragmentos de histórias de drogados menores de idade de verdade. Demitida do jornal, foi trabalhar como vendedora e depois vendeu sua história por US$ 700 mil para Hollywood."
CENSURA NO PR
O Bagual
"Poder econômico e a Justiça tentam sufocar jornal Impacto", copyright O Buagual (www.bagual.com.br), 25/06/01
"Decretaram a censura prévia ao Jornal Impacto, tablóide semanal que circula em Curitiba região metropolitana e nas principais cidades do Paraná. Colocaram um oficial de justiça na redação do jornal cuja a missão é censurar o jornal que está proibido de citar a Fundação Boticiário e seus sócios: Miguel Krigsner, Célia Helen Grynbaum, Arthur Grynbaum e também a Scorpius Assessoria e Marketing, dona da marca Boticário.
O jornal Impacto foi invadido na noite de sexta-feira passado pela Polícia Militar, um oficial de justiça com um mandado de busca e apreensão. Recolheram 300 exemplares na sede do jornal, na rua Nilo Peçanha, e outros 200 jornais nas bancas de Curitiba e região. O dono do jornal foi condenado a pagar uma multa de R$ 310 mil, que devem ser depositados nesta sexta-feira, sob pena de sofrer arresto dos bens. Toda essa violência é para impedir que o jornal volte a publicar matéria revelando as aquisições de vastas áreas de terras pela Fundação Boticário no litoral do Paraná. Suspeita-se que a Fundação O Boticário fraudou escrituras para se apossar de uma área que era da União. Outra denúncia que já foi feita na imprensa é que O Boticário pode estar se aproveitando da biodiversidade existente no litoral para a indústria de perfumaria.
Toda essa violência contra o jornal está sendo desfechada sob o silêncio da imprensa do Paraná. Exceto um e outro meio de comunicação, ninguém denunciou a censura prévia imposta ao Impacto. A Fundação O Boticário vem despejando rios de dinheiro para comprar espaços de primeira página e desmentir as notícias divulgadas até agora. Hoje mesmo saiu um anúncio de meia página na capa da Gazeta do Povo. A imprensa do Paraná se acovardou para o poder econômico e esqueceu de denunciar as medidas de exceção tomadas pela Justiça do Paraná. Estamos vivendo tempos piores do que da ditatura militar. Antes eles colocavam um oficial do exército para proibir ataques ao regime. Hoje eles colocam um oficial de justiça para dizer o que pode ou não ser publicado. A censura prévia imposta ao jornal e a multa de R$ 310 mil foi decisão da juiza Astrid M. Carvalho, da 10ª vara Cível de Curitiba."
MÁ INTENÇÃO NA FOLHA
Folha de S. Paulo -
Painel do Leitor
"Motoboys", copyright Folha de S. Paulo, 23/06/01
"Ao ter uma carta publicada de forma parcial e indevida na seção ‘Painel do Leitor’ em 20/6, o senhor editor transformou-me naquilo que a linguagem política designa de ‘inocente útil’. Primeiramente, não enderecei a carta ao ‘Painel do Leitor’, mas, sim, à jornalista, via seu e-mail. Se tivesse a intenção de vê-la publicada, teria -como conhecedor das normas e exigências da seção-, informado meu endereço, telefone etc. e enviado também cópia da carta a essa editoria. Na carta originalmente escrita à sra. Gancia, ficava claro que -com isenção e objetividade- reconhecia os méritos de seu artigo sobre os ‘motoboys’, mas nem por isso deixava ali de fazer reparos críticos aos seus escritos no jornal. O que fez então o senhor editor? De forma intelectualmente inaceitável, atribuiu-me, no início da carta publicada, palavras que literalmente não escrevi. Qual a razão dessa artificiosa montagem? Certamente para contrabalançar a crítica que a colunista sofrera numa das cartas publicadas na seção de ontem, o editor de painel reproduziu, parcialmente, trechos da minha carta, omitindo deliberadamente as críticas ao jornalismo praticado pela sra. Gancia. As críticas, pouco amenas, diziam o seguinte: ‘Faço esse registro elogioso, apesar de discordar frequentemente da colunista, que sempre tem sido pródiga em escrever futilidades e em difundir preconceitos arraigados em nossas elites endinheiradas, ociosas e deslumbradas’. Estranho jornalismo esse, que usa da tesoura e deixa os manuais de redação e a tal da ética no fundo do baú. (Caio Navarro de Toledo, professor da Unicamp (Campinas, SP)"
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