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IMPRENSA EM QUESTÃO MÍDIA EM CRISE Luiz Antonio Magalhães Demissões, cortes, reestruturações, fusões e uma greve inédita. Tudo isso envolvendo os principais grupos de comunicação do país. A cada dia que passa, são maiores os sinais de que o setor de mídia brasileiro está passando por uma crise de dimensões ainda desconhecidas. Nas últimas semanas, esses indícios se avolumaram. Primeiro, os arqui-rivais Folha e O Estado de S. Paulo anunciaram uma esquisita aliança para distribuir os dois títulos em conjunto, além do diário Valor Econômico e demais publicações das duas empresas. A versão de que a medida foi "preventiva" e visava enfrentar a ofensiva das Organizações Globo em solo paulista, após a compra do Diário Popular e transformação deste no Diário de S. Paulo, não encobre um fato óbvio e dito pelos próprios acionistas dos dois jornais paulistanos: a união vai gerar "20% de economia" nas operações de distribuição de cada um deles. Mas a bruxa deve andar mesmo solta. Apesar dos tais 20% de economia na distribuição e de ter realizado, no início deste ano, uma ampla rodada de cortes na redação, o Estadão resolveu, na véspera do dissídio coletivo dos jornalistas, ampliar a facada nas suas despesas. De uma vez, dispensou cerca de 60 jornalistas ou 20% de sua folha de pagamento. Outra empresa que já anunciou, mas ainda não iniciou, a sua "reestruturação" foi a Editora Abril. Ao apresentar à imprensa Maurizio Mauro, contratado para ser o novo presidente-executivo da empresa, Roberto Civita comentou a reestruturação que está a caminho e afirmou que o objetivo principal é diminuir as dívidas da Abril. Ainda não está certo o que vai ocorrer, mas Civita não negou a possibilidade de que vários títulos da editora sejam fechados. Parte dos ativos da empresa, como a gráfica e a participação societária no provedor de internet UOL, também pode ser negociado. O alto endividamento parece ser preocupação também para as Organizações Globo. A família Marinho já admitiu passar para frente a Globo Cabo, empresa considerada deficitária e na qual foram investidos milhões de dólares. Outras mudanças podem ocorrer: já se fala no fim de alguns programas na TV Globo, com a conseqüente dispensa de vários profissionais. Muito delicada é a situação do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil. Durante o mês de outubro, os dois jornais negociaram uma associação – que chegou a ser anunciada, mas que foi rompida uma semana depois. Enquanto o diário econômico paulista enfrenta uma greve inédita e luta para fechar um acordo com investidores a fim de obter recursos para se reerguer, o diário carioca também vive dias confusos. A direção do JB achou por bem "terceirizar" a parcela da redação que ganha mais de R$ 4 mil por mês, dispensando os profissionais e recontratando-os como "pessoas jurídicas". Ricardo Boechat, diretor de redação do Jornal do Brasil, afirmou há poucos dias que o procedimento já "é praxe" em diversas empresas do setor, citando como exemplo as Organizações Globo. O caso mais agudo da crise parece ser mesmo o da Gazeta Mercantil, na qual mais de uma centena de jornalistas estão parados, aguardando a decisão da Justiça sobre a legalidade de um movimento grevista iniciado em 11 de outubro. A greve levou a direção da Gazeta a se manifestar publicamente, em editorial no jornal, repudiando o movimento. Se a situação é grave nos grandes veículos de comunicação do país, o cenário para os médios e pequenos é de incerteza ainda maior. Há rumores de que o mais antigo jornal esportivo do país, a Gazeta Esportiva, encerre suas atividades após a corrida de São Silvestre, na virada deste ano (veja em Aspas). Pelo andar da carruagem, dias piores virão. | ||