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Pregação religiosa na "biblioteca" do UOL
Francisco Moreno de Carvalho

grande rede mundial pode ser vista como uma imensa biblioteca. Algo bem próximo da célebre "Biblioteca de Babel" de Borges. Neste sentido, é sempre bem-vindo qualquer serviço que facilite a busca, ou ordene determinado tipo de informação, facilitando a consulta. O UOL, que se autodenomina "o maior provedor de conteúdo em português" de toda a rede, oferece como uma de suas opções consulta a uma Biblioteca do UOL, que no entender simples e claro do termo "biblioteca" parece vir mesmo a auxiliar o trabalho de selecionar e ordenar a informação do grande oceano da rede.
Na dita Biblioteca do UOL temos dois itens relacionados ao tema da Bíblia, o Bíblia em bytes e o Bibliaworld. A leitura do Livro dos Livros é cultuada por pessoas que professam as mais diversas religiões e também por aqueles que não são filiados a nenhuma. O estilo literário da Bíblia, em prosa e verso, seu conteúdo histórico, ético e até seu lado de crônica de costumes fazem dela um patrimônio de todos. Por isso, é bem-vinda a iniciativa de colocá-la acessível a quem quiser consultá-la e desfrutar de toda a sua beleza.
Contudo, o que o UOL fornece sob a aparência de informações sobre a Bíblia é um serviço de pregação religiosa pura e simples. Em vez de um serviço de pesquisa e leitura, o internauta desavisado é levado a atracar numa praia onde é informado de que "Deus mandou seu filho nos salvar" (um dos pilares da religião cristã, mas que não diz nada a quem professe outra religião ou nenhuma), além de outras preciosidades sobre a necessidade de se "nascer de novo", de se "controlar a carne" e pérolas da pregação evangélica de extrema direita, como o caráter "pecaminoso e depravado" do homossexualismo, da necessidade de um matrimônio regido pelo "amor de Cristo". Sem esquecermos as pregações de cunho político, como aquela que pretende analisar o conflito árabe-israelense como resultado da luta entre Deus e Satanás, Israel do lado de Deus, os árabes do lado do Demônio.
Não se trata de propor qualquer tipo de censura. Há coisas bem piores na Internet, como nazistas e pornografia infantil. Qualquer grupo ou pessoa tem o direito de expressar suas idéias sobre crenças, visões de mundo ou preferências culinárias. Neste aspecto, a pregação religiosa na Internet não faz mal a ninguém e quem quiser ouvi-la ou vê-la que a acesse.
O verdadeiro problema aqui é o engodo a que é submetido o usuário deste serviço do UOL. Desde os enciclopedistas franceses, a idéia de uma enciclopédia, ou de uma biblioteca que ofereça um serviço de seleção de fontes de informação facilitadora de consulta (pois se não for assim, que interesse tem em existir na Internet?), é fornecer informação ampla e geral sobre diferentes assuntos, da maneira mais objetiva e "neutra" possível. Sendo assim, uma enciclopédia do futebol deve poder ser consultada por todos os interessados, sem que um palmeirense tenha que, ao acessá-la, ler que o Corinthians é o maior ou vice-versa.
Ao colocar estes sites de pregações religiosas (neste caso, de algumas confissões evangélicas), o UOL presta um enorme desserviço a todos. Antes de mais nada, porque demonstra desleixo e preguiça em escolher algo melhor para abarcar o tema de interesse em questão. Há diversos softwares de busca na Bíblia, há sites de institutos de pesquisa respeitáveis, nos quais o consulente pode acessar as informações que quiser sem ser exposto a qualquer forma de pregação.
Um outro aspecto é que ao colocar estes sites ligados ao serviço de "Biblioteca", o UOL dá a eles, e a seus conteúdos, uma publicidade mais ampla daquela que encontrariam se estivessem só registrados em algum serviço de busca na Internet. Ao englobá-los como parte de uma "Biblioteca do UOL" deve este provedor, e não os fundamentalistas religiosos em questão, responder pelas graves idéias preconceituosas veiculadas e pela agressão à inteligência e à sensibilidade daqueles que, desavisados e enganados, chegam a estes serviços de pregação religiosa, travestidos de "sites de conteúdo".
O que é interessante é como o UOL entende o conceito "Biblioteca". Uma rápida visita pelos itens que compõem a dita "biblioteca" mostra uma conjunção de sites agrupados sem critérios muito definidos, a não ser talvez por uma taxa de aluguel cobrada de qualquer interessado, independentemente de conteúdo, formato e propósito de seu site. Ao lado de serviços que realmente cabem numa biblioteca virtual, como os arquivos da Folha, da Veja e da Exame e do Almanaque Abril, temos os já citados sites de pregadores online, o Cimm (Centro de Informação Metal-Mecânico) que - em que pese sua seriedade e importância, ao explicitar-se como "ferramenta de marketing destinada a multiplicar os negócios..." e como "fonte de consulta, referência e principalmente (grifo do autor) de vendas" - poderia estar em vários outros lugares do mundo virtual, menos numa biblioteca. Temos, ainda, o Charlô, of course, que está num serviço de biblioteca assim como um papagaio tem seu habitat nas profundezas oceânicas. Isto para citarmos apenas alguns exemplos.
De tudo isto fica um quadro muito triste. O UOL loteia sua "biblioteca" a quem pague, sem critério. Talvez por não fazer nenhuma idéia do que seja e para que serve uma biblioteca de fato, o "maior provedor de conteúdo" pode lucrar muito mas certamente não faz nada para engrandecer a cultura do país e do nosso idioma. A cultura não costuma florescer em meio ao bradar do fundamentalismo religioso e do oportunismo travestido de cultura.
Crianças e "erotismo"
num Universo sem fronteiras
M.M.
Nem só de fundamentalismo (vide texto acima), pedofilia e pornografia (vide lista de textos abaixo) se alimenta o capítulo dos embustes e descaminhos do UOL.
Existe, do lado direito da home page do UOL, uma coluna de opções em que o item "Compras" antecede, seguindo a boa lógica do alfabeto, o item "Crianças" (entre os dois, "Corpo e Saúde").
Se você for criança e clicar em "Criança", tudo bem. Encontrará coisas devidamente infantis, como "Brinque de Jogo da Velha no site da Ruth Rocha".
No dia 6/2/99, os assinantes do UOL (não existe limite inferior de idade para sê-lo) receberam um Boletim. O 14° item era: "*** tem novos produtos eróticos".
Se você fosse criança, tivesse recebido o Boletim do UOL e por curiosidade tivesse navegado até o tal diretório ***, seria recebido com o seguinte aviso:
"Atenção. Este site contém material orientado sexualmente [ha, ha, ha] para adultos, destinado a indivíduos maiores de 18 anos. Se você não atingiu ainda 18 anos, se este tipo de material ofende você, ou se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, NÃO PROSSIGA!!! Os autores e patrocinadores deste site não se responsabilizam pelas conseqüências da decisão do visitante de ultrapassar este ponto."
Adiante (crianças vão se deter diante de avisos, se não houver ninguém por perto?), um convite:
"Feche os olhos. Lingeries ***. Para mulheres de verdade. Compre aqui as mais lindas lingeries eróticas do mundo, navegando com segurança e privacidade pelo catálogo ***. O catálogo *** apresenta uma enorme variedade de modelos, para satisfazer suas fantasias e estimular o seu desejo. Uma completa linha feita exclusivamente para quem procura o prazer, com luxo e sensualidade. Você pode comprar seus produtos com total segurança, pois trabalhamos com protocolo de segurança, e pagar com os seguintes cartões de crédito:..."
Até aí, digamos que a descrição não difere muito do que se vê em horário nobre de televisão. Mas ao lado há uma caixa de opções para "Acessórios íntimos". Onde se pode, por exemplo, tomar conhecimento de um produto chamado "Anal Strip", assim recomendado: "Desfrute deste costume milenar do Extremo Oriente. Diversas bolinhas gelatinosas que permitem uma fácil inserção anal ou vaginal."
Ups!
Como disse, cavalheiro?
Não disse, copiei do site do UOL.
Muito bem. Estamos de palmatória em punho para castigar os desatinados?
Sim.... e não.
Primeiro, a palmatória é metafórica, felizmente.
Segundo, o desatino começou faz muito tempo. Na verdade, o "desatino" antecedeu o conceito de desatino. Pode muito bem ser que o desatino esteja no conceito. Mas o conceito é levado a sério, na organização atual do mundo. Está logo no início (Gênese) do código de valores que norteia o Ocidente judaico-cristão, a Bíblia (A Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Edições Paulinas, 1992):
"Ao homem, ele disse:
‘Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti! Com sofrimentos dele te nutrirás todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e cardos, e comerás a erva dos campos. Com o suor de teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás’."
Fiquemos na mídia, para não perder o foco.
Se quisermos entender por que o UOL não se impõe limites éticos, decorrentes de sua responsabilidade social, mesmo quando se dirige a (presumivelmente) inocentes criancinhas, precisamos discutir, sem trocadilho, a gênese do "liberou geral" reinante.
A pesquisa iria longe.
Como a paciência do leitor já se esgotou linhas acima, sugiro, pedestremente, pensar, por exemplo, em: Mulata Globeleza (nada contra a linda e simpática moça, pelo amor de Deus!).
Sim, já está aí há anos. Mas isto não impede que se pense no assunto.
Ou, numa linha aparentemente mais sutil: por que os cadernos dos dois grandes jornais paulistas cobrem o Carnaval evitando seios de fora nas capas e os exibem (com ou sem silicone) em páginas interiores?
Alguém reclama que a CNN, do nosso Carnaval, só mostrou nudez. E nossas emissoras, mostram o quê?
E as crianças, que podem deduzir do bizarro mundo dos adultos, onde proibições e estímulos se sucedem, antes de cair nele para todo o sempre?
Psiconomia, bolsite e neurastenia
Flávio Eustáquio Bertelli
Temos acompanhado, tanto pela mídia impressa quanto principalmente pela eletrônica, um considerável exagero no espaço dedicado ao chamado "jornalismo econômico". A desmedida ocupação talvez possa ser explicada pela realidade brasileira nos últimos vinte anos, cheia de vicissitudes, tornando o cidadão um assustado ser humano que dorme sob determinadas regras de política econômica e acorda, após algumas horas, num cenário completamente diferente, não raras vezes contrário àquele sob o qual dormiu.
Assim, a primeira tarefa do cidadão brasileiro é ouvir o noticiário do rádio pela manhãzinha, ou ler o jornal enquanto toma café, ou ligar a televisão no telejornal, bem cedinho, quando não realiza as três quase que concomitantemente, avidez sôfrega determinada pela insegurança crônica de nossa vida do dia-a-dia.
O modismo tem se caracterizado por uma linguagem pasteurizada, clichês e decorebas, como se a fonte fosse um mesmo manual, tornando a reflexão desnecessária, porque a divergência, o contraditório, praticamente desapareceram do cotidiano jornalístico. Importa, sim, aconselhar, a nós, pobres mortais, confusos e inertes ante as decisões dos "grandes investidores", como nos comportarmos ante o perigo de desobedecer aos ditames do mercado, onipotência própria dos autoritários, sábios prepotentes desta era modernosa às vezes chamada erroneamente de pós-modernidade.
Nossa grande imprensa - os jornalões - dedica, no mínimo, duas páginas exclusivas para noticiar o que estão pensando colunistas, consultores e tantos experts estrangeiros ou brasileiros que falam a mesma língua, sobre a situação econômica brasileira.
Indicam a posição das bolsas de valores de Wall Street, Londres, Frankfurt e outras grandes economias indutoras da tão propalada globalização, até da importantíssima Tailândia, integrante dos tigres asiáticos, outrora modelos/paradigmas de bem-sucedidas economias receptoras do dever de casa para se tornarem fortes, hoje gatinhos domésticos que comem na mão dos grandes especuladores internacionais para não morrer de inanição.
Será preciso lê-las para saber quem é a "bola da vez", neste sádico jogo de sinuca, onde as bolas não têm o mesmo peso, não têm o mesmo tamanho nem a mesma circunferência... e nem mesmo as caçapas são iguais: todas as escolhas são dos "bookmakers" globais. Será preciso lê-las para saber dos diversos indicadores, do simples e trivial rendimento da caderneta de poupança até os complicados fundos com taxas de fazer inveja aos agiotas, estes, considerados caso de polícia, aqueles, sofisticados instrumentos da econometria científica.
Será preciso lê-las para saber, enfim, o que teremos de colocar na centrifugadora para homogeneizar valores de nossa cultura, pedaços de nossa história e até a liberdade de nosso povo, porque tais valores da diversidade tornaram-se crimes inafiançáveis, cuja pena única é a pobreza.
Será preciso lê-las, também, por causa de alguns - poucos - que teimam em refletir sobre temas de interesse de nossa sociedade, com opiniões diferentes, via de regra menosprezadas como antigas, jurássicas ou perdedoras.
A televisão, miraculoso instrumento neste espaço midiático em que hoje vivemos, coloca no ar comentaristas econômicos em todos os telejornais, não importando horário ou público. Canais abertos ou por assinatura exibem programas sobre economia, negócios e contas-correntes (!), trazendo speakers de chavões saudados como criativos, trovadores de frases feitas e piadas dignas de um antiquíssimo almanaque Semancol dos tempos idos, mas que trazem risos inovadores...
Afora a importância inegável de tais notícias, estamos tratando aqui de um fenômeno que transcende à escolha dos leitores. O baixo grau de escolaridade dos brasileiros é, sem dúvida, um importante causador do pouco alcance da mídia impressa sobre o povo. Parece que nossos editores e chefias de redações desconhecem tal dado, sucumbindo, consciente ou inconscientemente, ao fato de alienar o leitor de informações mais próximas do seu cotidiano, sobretudo com reportagens elucidativas dos grandes problemas da realidade brasileira.
A televisão, ao contrário, atinge à quase totalidade da população, não importando o estamento ou a classe social, fundindo todos num amálgama com ênfase proposital nas divisões por padrões de consumo, num critério mercadológico muito competente. Certamente por isto nossos comentaristas de economia da TV funcionam como conselheiros, em alguns casos até mesmo como gurus de milhões de telespectadores
Não se julgue pelo dito que o autor deste texto seja um desafeto da modernidade ou mesmo da pós-modernidade. Pelo contrário, o incômodo se manifesta é quando os textos ou falas tornam-se substitutivos do não dizer, discursos vazios com que servem a si e aos outros os escreventes de nossa mídia, na videoesfera transformada pela tecnologia em uma virtualidade desértica do conhecimento, da reflexão, mas sobretudo pela ausência da ética.
Nesta autêntica inflação de espaço e de pessoas, é interessante observar como nos textos escritos ou falados estão presentes termos da psicopatologia. Talvez isto se dê pela característica de mistério que sempre envolveu essa área do conhecimento: decifra-me ou te devoro, metáfora universalizada, agora globalizada ante o enigma do futuro e a insegurança com relação ao economês psicologizado.
A economia já não é mais política, a sociologia também não, a sociedade é um aglomerado (pobre Gurvich!) representada pela soma das consciências individuais, os direitos dos cidadãos estão praticamente reduzidos aos códigos de consumidores. "Voilà", o que dizer ou escrever sobre o tema?
A quantidade de variáveis envolvidas no processo econômico da sociedade hodierna, os entrelaçamentos tortuosos da economia globalizada, os parâmetros econométricos perseguidos como representantes de uma verdade "científica", porque numérica, como modernos pitagóricos, e atuais sofistas, estão levando nossos colunistas de economia a se socorrerem de termos ou conceitos que parecem mais um texto de psicologia ou psicanálise, com um agravante: metem-se a dar conselhos, chegando a um comportamentismo de dar inveja aos ratinhos do Dr. Skinner..
Não se pode duvidar da mutação histórica em curso. Privatização ampliada, identidades sociais erodidas, resistências infecciosas às ideologias e à política, ambas quase sempre defensoras de soluções coletivas, a psicologização dos processos sociais, tudo isto gerando comportamentos exacerbados de individualismo, formam o universo complexo da sociedade narcísica. Usemos então da tecnologia psi para nos comunicar.
Homens e mulheres ululando nos pregões das bolsas, na China, na Coréia, no Japão, em Hong Kong, em Milão, Londres ou Paris, em São Paulo ou no Rio, não importa onde, evidenciam negociações nervosas ou tensão no mercado, que oscila para baixo e para cima, como achaques de depressão ou euforia(mania?), na busca do equilíbrio de entradas e saídas, como ingestão e excreção de dinheiro. Somas astronômicas, inimagináveis, mas virtuais, nos assustam todos os dias, tanto nos vídeos quanto nos jornais.
Nossos colunistas informam, sem nenhum constrangimento, a quantidade de ansiolíticos e antidepressivos que o mercado, ou quem dele dependa, estão necessitando, citando inclusive o nome comercial de remédios, de acordo com a situação das bolsas ou das expectativas dos grandes negócios mundiais ou nacionais. Negócios astênicos ou hipertônicos demandam medicação diferenciada.
Expectativas criadas por cenários ideais ou imaginários, como fantasias de neuróticos anônimos que não admitem ser tratados, porque presumem, ou mesmo têm a certeza, de que as tratativas devem estar na normalidade buscada sofregamente pelo mercado, ente vivo com reações próprias, no mínimo idiossincráticas, onde predomina a perversão, ampla e naturalmente noticiada pelos nossos comentaristas.
Investimentos somente são importantes quando ingeridos pela economia e excretados pela banca financeira ou pelo governo que "só pensa naquilo": mega inversões, mega fusões, projeções que somente agradam o Outro, em que o que importa é o delírio de alguns em detrimento da imensa maioria, lógica perversa de uma ética cínica onde somente sobrevivem as empresas transformadas em transnacionais ou investidores individuais agrupados em clubes, em busca das migalhas, de forma a não engrossarem a taxa de mortalidade daqueles que perderam a batalha da competição, nem sempre exercida com lealdade.
Enquanto isto, seres humanos desempregados pela revolução tecnológica, ou sem emprego pela extinção dos postos de trabalho, engrossam os grupos dos sem casa, dos sem terra, dos sem auto-estima, dos sem dignidade, caminhando (ou retornando?) em direção à barbárie. Poucos, muito poucos de nossos jornalistas/comentaristas têm abordado tais assuntos com a freqüência e a importância merecidas.
Libido deslocada, ou tresloucada, investimentos sobredeterminados desembocando numa verdadeira psicose coletiva, onde o delírio é o real, a teimosia é paranóica e o narcisismo é obsedante, indicando a inveja como o norte, ficando a falência sempre ao sul do Equador. Coincidência ou repetição, eis a questão...
Exercitemos pelo menos a mente, voltando às palavras grifadas. Isoladas, como as lemos, ou as ouvimos em nossas casas, nada dizem, contextualizadas podem dizer muito e, estruturadas, certamente dizem.
Por detrás, como sombra fantasmática, o modelo do corpo hígido, sarado como um Adônis, sem marcas de tensões ou ansiedades, depressões ou manias, saudável porque engole e excreta de forma equilibrada, como se pretende seja o mercado, delusão regulatória da forma adequada de como deve se comportar a lei da oferta e da procura. Ao primeiro sinal de angústia, seda-se o sujeito, evita-se o pânico, controla-se a síndrome: imitemos e pratiquemos também a "cultura da sedação"!
Eis-nos pois exaltando, junto com nossos especialistas, comunicadores e conselheiros "do bem dizer", a criação de uma nova área do conhecimento, a psiconomia, para tratar, principalmente, como um substitutivo, das somatizações em forma de bolsite e da neurastenia como forma de viver o dia-a-dia.
(*) Sociólogo e psicanalista

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