Antonio Beraldo
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Mauro Malin
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Dionisio Rulli
Alexandre Pelegi
Victor Gentilli
Nilson Lage
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O número-notícia
Antonio Fernando Beraldo - ESTRÉIA (*)
"There are three kinds of lies:
Lies, bloody lies and statistical lies"
A divulgação de cifras e estatísticas, nos meios de comunicação, tende a distorcer a compreensão da realidade dos fatos, seja por falta de conhecimento das técnicas aplicadas na Estatística, seja por um mascaramento intencional das informações, buscando o sensacionalismo e a tendenciosidade.
A citação acima, ora atribuída a Mark Twain 1 , ora a Disraeli 2 , deve ter uns bons cem anos, mas continua viva e passando muito bem, obrigado. A seara é vasta, com as "mentiras estatísticas" proliferando na mídia, com fumos de verdades absolutas, por se tratar de números revestidos (ou travestidos) de palavras – o que é, para dizer o mínimo, inadequado, apesar de fornecer a estes números uma certa aura de autenticidade que poucas pessoas se dão ao trabalho de investigar. A mídia é enfática, apelativa, e, claro, precisa destes recursos para tornar seu produto atraente e vendável. Já a Estatística não precisa de palavras. Tem condições de descrever, de maneira segura, qualquer fenômeno, qualquer porção da realidade, seja do mundo ao nosso redor, seja das dimensões macro ou micro, imperceptíveis, porém capturadas pela aplicação de métodos matemáticos. E justamente por ser uma das Matemáticas, submete-se ao seu rigor e às suas amarras, controlando até suas próprias imersões no acaso, apontando sua própria "margem de erro", validando (ou não) seu próprio processo. A Estatística pode se dar ao luxo de desconfiar de seus caminhos, de duvidar de sua objetividade, descartando seus excessos em busca de uma precisão que é a medida e, por que não dizer, o orgulho de sua confiabilidade. Esta qualidade anda ausente da mídia, que precisa de palavras, sons e imagens para dar sua versão dos fatos.
De alguns anos para cá, os jornais, revistas, rádio e TV criaram ou associaram-se a institutos de pesquisa estatística, e desde então as notícias vêm recheadas de cifras e gráficos que, em quase todas as vezes, mais distorcem que esclarecem. Tabelas foras de norma, gráficos absurdamente errados, medidas incompletas, números disparatados saltam das manchetes e induzem a um entendimento apressado, simplista e freqüentemente falso. A mídia evidencia seu despreparo e irresponsabilidade em lidar com estatísticas ao confundir milhões com bilhões, misturar diferentes unidades de medida, comparar grandezas sem nenhuma correlação. Não é raro aparecer uma manchete do tipo "Rombo nas contas do governo está entre 3 e 5 bilhões" 3 , ou "OMS avalia em 500.000 o número de prostitutas infantis no Nordeste" 4. Chegou-se até a criar o neologismo "infográficos", para um tipo de ilustração (?) da notícia envolvendo números.
A questão é: como informar fatos que envolvem dados estatísticos? Ou melhor: como noticiar números? Números não necessitam, a priori, de adjetivos ou advérbios que os "ajudem" a se expressar. Números falam por si, para quem sabe ler, mas carecem de atrativos, quando transmitidos sem exclamações ou letras imensas nas chamadas de primeira página. Pouca gente tem paciência, ou conhecimento, para ler uma tabela e, menos ainda, de seguir uma dissertação fria, repleta de percentuais e expressões como "assimetria moderadamente positiva" ou "tendência assintótica". Por isso, a mídia desvia-se para o exagero, incha de hipérboles e mascara o fato. Este mascaramento é que é a mentira estatística da epígrafe deste texto.
Se em dias normais a imprecisão é dominante, em épocas de campanhas eleitorais torna-se um verdadeiro carnaval e, como nas guerras, a verdade é a primeira vítima. Nestes tempos, a natural incompetência em trabalhar com números alia-se a uma indisfarçada tendenciosidade, e o número-notícia é intencionalmente deformado e exposto para desviar nosso entendimento. Como exemplo, imagine a seguinte situação:
Tabela 1 - Intenção de voto em 15-11-1997
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Candidato |
Intenção de voto |
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José |
60% |
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João |
40% |
Fonte: IBPE
A tabela nos diz que o candidato José possui, a mais, 20% da intenção de votos que o candidato João. Para alguém mais afeito a percentuais, que o candidato José possui 50% de intenção de votos acima do candidato João, ou ainda, que o candidato José possui uma vez e meia a intenção de votos do candidato João. Até aqui, foi claro o entendimento. Mas se o jornalista quiser causar uma "impressão" diferente da realidade, desviando o fluxo desse entendimento, há um imenso arsenal de truques maldosos à sua disposição. Pode, para começar, "transmitir" essa estatística por meio de um gráfico de barras verticais, ou colunas, em 3 dimensões:
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Note que a ausência de eixos (vertical e horizontal), causa um certo incômodo. Os volumes das duas barras não representam bem a ordem de grandeza dos percentuais. A impressão que fica é que a barra da direita é mais "gorda" do que a da esquerda, e que o candidato João não está tão atrás de José.
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Outra sugestão:
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Utilizando pirâmides, então, aí é que se perdem as finalidades do uso de gráficos: comparar grandezas e representar tendências.
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Para piorar de vez,
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Chocado? Pois esta idéia foi utilizada à exaustão na campanha eleitoral de um certo ex-presidente, retirado convenientemente do cargo por um processo de "impeachment". Nos três exemplos utilizamos os mesmos dados constantes da tabela 1, que apenas foram "representados" por volumes, soltos na página, com propósito de desviar a percepção da ordem de grandeza, criando uma espécie de ilusão ótica.
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Nosso olho percebe muito bem medidas lineares e, com alguma dificuldade, áreas. Medidas angulares - e volumes - só com muita prática. Veja esta página: podemos medir mentalmente sua altura e sua largura, com facilidade (estamos habituados a isto). Já medir sua área requer certo esforço, pois temos que multiplicar dois valores com certa imprecisão, obtendo um "erro ao quadrado". Estimar o volume da revista, muito mais difícil: tente calcular o volume, em cm3 , de uma lata de refrigerante ou de um maço de cigarros. Volume de figuras não regulares, então, é impossível. Artistas lidam com esta nossa incapacidade, causando efeitos de surpresa, ou de desconforto, como os relógios "derretidos" de Salvador Dali, ou a arquitetura deformada (ou hiperformada, talvez) de Gaudi. Veja a catedral da Sagrada Família, em Barcelona, por exemplo. Não existe uma linha reta, sequer, apenas um belíssima seqüência de formas retorcidas que se acumulam no espaço, desanimando qualquer tentativa de "endireitar", cartesianamente, seus volumes. Este efeito perturbador pode ser (e é) espetacular; mas na transmissão de fatos medidos em números, absolutamente catastrófico. Ainda utilizando os dados da tabela 1, elaboramos um gráfico de setores, comumente chamado de gráfico de pizza:
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Note que, além de distorcer a comparação entre os valores (pela utilização de volumes e pelo rebatimento no plano), forçamos uma outra percepção da ordem de grandeza com a utilização de tons de cinza e preto, chamando a atenção para o setor de João (40%). |
Este efeito pode ser ainda acentuado, modificando a posição dos setores:

Mesmo utilizando figuras planas, com gráficos construídos devidamente com eixos orientados, podemos induzir uma idéia errônea do fenômeno. Veja abaixo:
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Este é o gráfico correto a ser apresentado. O eixo vertical apresenta escala de 0% a 100%, as barras possuem bases iguais, são preenchidas com a mesma cor e padrão. Temos a idéia correta das grandezas expressas e, o que é importante, podemos medir visualmente a diferença entre os valores. |
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Aqui começa o mascaramento da representação gráfica dos valores. Com a mudança de escala, de 0% a 60%, a impressão visual que fica é que o candidato João não está tão afastado de José. Imagine a barra que representa João preenchida em vermelho, e a barra do candidato José em cinza...
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O efeito inverso é conseguido quando a escala, agora, vai de 30% a 60%. Repare como a diferença entre João e José aumenta, visualmente, enquanto os números permanecem os mesmos.
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Voltando aos números, e às publicações de notícias com medidas estatísticas, sobram exemplos da manipulação de dados reais, objetivos, interpretados segundo a ótica de quem edita a notícia. Recentemente, os jornais publicaram os resultados de uma pesquisa sobre a condição socioeconômica dos alunos das universidades federais, efetuada pela Andifes. Essa pesquisa dividiu os estudantes nas classes socioeconômicas, de A até E, utilizando um questionário desenvolvido pela Abipeme. Deixando de lado as contradições e imperfeições existentes neste questionário 5 , a publicação destes resultados, entre outras considerações forçadas, cometeu um erro de análise bastante grosseiro. Imagine a seguinte distribuição de freqüências, para uma universidade qualquer:
Tabela 2 - Classes Socioeconômicas dos alunos da Universidade
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CLASSE SOCIOECONÔMICA |
% |
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A |
23 |
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B |
32 |
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C |
31 |
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D |
10 |
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E |
4 |
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Os jornais prontamente "denunciaram": "Elite é maioria nas universidades". Chamavam a atenção para o fato de que cerca de 55% dos alunos pertencem às classes A e B, o que é verdade, segundo a tabela, e 55% representam mais do que a maioria. Até aqui, tudo bem, apesar do termo "elite" suscitar a desconfiança de que algo está errado. O problema é que os jornais se esqueceram de que a soma das percentagens das classes B e C também é maioria, com 63%, e que apresenta um percentual maior do que o das classes A+B... E também se esqueceram de comentar que as proporções divulgadas são relativas a quase todas as universidades públicas do país, não levando em conta as imensas diferenças regionais existentes. E também se esqueceram de dizer que a margem de erro da pesquisa foi de quase 5%, e que os percentuais divulgados são estimativas pontuais, e não intervalares, como manda a boa norma da inferência estatística. Esses "esquecimentos", é claro, são muito úteis para reforçar a idéia, já plantada na cabeça das pessoas, de que o ensino superior público é um grande desperdiçador de dinheiro – ou, como disse recentemente um conceituado economista, a universidade transfere renda das classes mais pobres para as mais ricas, porque é mantida com o dinheiro arrecadado dos impostos (desde quando pobre paga imposto?). Na realidade, os números foram: classe A – 12,61%; classes B+C, 73,65% ; e classes D+E, 13,75%. São números referentes a 44 amostras colhidas (44 IFE’s), num total de 32.348 questionários. É claro que estes percentuais variam conforme a região da universidade pesquisada.
Outra manchete recente que revela esse tratamento inadequado dos resultados das pesquisas estatísticas foi "Maioria dos alunos da USP usou droga" (Folha de S.Paulo, 22/09/97, pág. 3-1). Passado o susto (e ainda com o impacto da manchete na mente), lê-se, no corpo da reportagem, que o álcool e o tabaco são considerados "drogas", junto com as injetáveis e a cocaína. E que, se alguém tomou uma cervejinha alguma vez na vida (90% dos estudantes da USP), é considerado usuário de droga .Quanto aos fumantes da USP, 23,5% dos estudantes, seu índice se aproxima do percentual de fumantes no Brasil. O que é preocupante mesmo, e que deveria ser a manchete do jornal, é o índice de 18,9% de usuários de drogas injetáveis. Será que o redator da notícia achou este número pequeno demais para ser manchete?
Um erro muito comum, em se tratando de números-notícia, está ligado ao uso de variáveis qualitativas misturadas com variáveis quantitativas. Por exemplo, pesquisas que envolvem grande dose de subjetividade, como classificar determinado governo (ou um show de rock, ou um jogo de futebol) como "ótimo", "bom", "regular", "ruim" e "péssimo". Não só pela subjetividade (o que é "bom" para mim pode ser "regular" para você), como também pela flutuação da opinião das pessoas, a mídia insiste em mostrar um resultado num instante fixo, quando o correto seria analisar a trajetória ao longo do tempo, como fazem alguns poucos jornais. Ou, o que seria mais apropriado, substituir as categorias (variáveis qualitativas) por classes de valores (variáveis quantitativas). Ao contrário de perguntar "Você acha o atual governo ótimo-bom-regular-ruim-péssimo?", bem mais adequado seria perguntar "Que nota, entre 0 e 5, você daria ao governo?". É claro que a subjetividade ainda não foi eliminada, mas bastante reduzida, e diluída na margem de erro e no nível de confiança da pesquisa. Aliás, "margem de erro" e "nível de confiança" são dois termos técnicos, utilizados indiscriminadamente pela mídia (quando utilizados), até como sinônimos! Nem é bom falar da utilização de outros termos técnicos, como "média", "mediana", ou "maioria". Com freqüência alarmante nos deparamos com bobagens do tipo "a grande maioria" (não existe maioria "grande", nem "pequena", nem "absoluta": maioria é 50% do conjunto, mais um); "média alta" (médias não são altas nem baixas, podem apenas ser iguais, maiores ou menores que outras médias); "a taxa de inflação deu um salto de 0,22% para 0,37%" (as duas taxas são, em termos estatísticos, iguais; estão dentro do intervalo de confiança da pesquisa) etc. etc. Exageros ainda piores acontecem quando o redator abusa dos verbos "de impacto", como: "Bolsa despenca 0,18%" ou "Candidato A atropela, com 5% de diferença de votos". Ou capricha nos adjetivos e advérbios: "Média de crimes contra a mulher dispara espetacularmente no Rio".
A questão do número-notícia exige uma atitude mais honesta e técnica por parte dos profissionais de mídia, que, enquanto persistirem em sua desatenção e na sua impropriedade no tratamento das estatísticas (e da Estatística), estão colaborando com sua própria falta de credibilidade, e contribuindo também para o descrédito das estatísticas (e da Estatística). É preciso ressaltar que:
- A Estatística, e as estatísticas, não explicam nada, somente descrevem. A explicação das causas e efeitos dos fenômenos é própria das ciências, que utilizam a estatística como ferramenta.
- A interpretação de um dado, a análise de uma informação, deve ser feita por quem realmente conhece e tem prática e estudo nesta área. Não basta apenas saber as quatro operações: quem quiser utilizar a Estatística deve conhecer Estatística. Infelizmente, disciplinas da Estatística não são ministradas na Faculdade de Comunicação.
Se a mídia e seus profissionais estão realmente preocupados com a exatidão e a veracidade, pressupostos de sua credibilidade, devem dirigir sua atenção também para os números, e aprender com eles.
Quanto ao consumidor da mídia, sua consciência crítica é diluída não apenas por sua ignorância preguiçosa, como também pela massa excessiva de informações que é despejada a todo momento sobre nós todos. O que, poucos anos atrás, se limitava a jornais, revistas, além de alguma coisa no rádio e quase nada na TV, hoje explode com a multiplicidade de canais pagos, especializados, e com a Internet, na qual a criação de espaços e tempos virtuais nos dissocia da realidade. Na exuberância desses novos meios, o número-notícia continua sacrificado – e a crítica a esses números, embotada. Ao consumidor da mídia, gente da "elite", como eu e você, resta a arma poderosa, afiada com a prática – o pensamento crítico, a reflexão, a razão.
(*) Professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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1. Pseudônimo de Samuel Clemens , escritor e jornalista americano (1835-1910), autor de Tom Sawyer, e Huckleberry Finn, entre outras obras.
2. Benjamin Disraeli, novelista e político inglês (1804-1881), foi primeiro ministro em 1868.
3. Isto dá idéia do nível de precisão das estatísticas governamentais, reproduzido (ou repassado) pela imprensa.
4. Esta foi tão absurda, que me impressiona que até jornalistas tarimbados a tenham acatado, sem fazer as contas. Veja bem: no NE, a população total feminina (censo de 1991) era de 21.701.330 pessoas. Supondo que 60% destas morem nas grandes cidades, temos o total de 13.020.798 mulheres. A notícia não relata a faixa etária de uma prostituta infantil, mas vamos supor que seja dos 10 aos 14 anos (cerca de 15% da população). Desta forma, temos cerca de 1.900.000 meninas. Será que uma entre quatro meninas do NE é uma prostituta infantil? Fazendo as contas, por outro lado, ainda utilizando os dados do censo de 1991, foram observadas, no NE, cerca de 2,5 milhões de crianças, de 7 a 14 anos, fora da escola. Supondo que a metade é do sexo feminino, temos 1,25 milhões de meninas fora da escola, em todo o Nordeste. Será que 40% das meninas fora da escola, no NE, são prostitutas infantis?
5. Este questionário procura situar o elemento da amostra em uma das classes socioeconômicas, atribuindo pontos ao número de veículos, eletrodomésticos, empregados, etc., de que o elemento dispõe, além de considerar também a escolaridade do chefe de família. Trata-se de um instrumento em contínuo aperfeiçoamento, mas que ainda deixa bastante a desejar. Para se ter uma idéia, a posse de um aparelho de vídeo cassete eqüivale, em pontos, a duas empregadas mensalistas; o questionário atribui o mesmo número de pontos a um fusquinha 66 e a uma BMW último tipo...
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