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JORNAL DE DEBATES
ELES MUDARAM A IMPRENSA O engenheiro Jaime Rotstein não gostou do que este observador disse a seu respeito na pág. 102 do livro Eles mudaram a imprensa – depoimentos ao CPDOC, de Alzira Alves de Abreu, Fernando Lattman-Weltman e Dora Rocha (organizadores), 400 pp (Editora da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2003. E encarregou seu procurador de gestionar junto à FGV para retirar o livro das livrarias e fazer os necessários reparos. O departamento jurídico da editora não aceitou a imposição mas admitiu encartar uma carta do reclamante ou seu procurador desde que acompanhada de uma réplica do autor do depoimento. Como o livro está praticamente esgotado, veja este pós-escrito que poucos tiveram o privilégio de receber. (A.D.) *** Carta remetida pelo advogado Samuel Auday Buzaglo em 25 de agosto de 2003, em nome de Jaime Rotstein, com relação ao depoimento de Alberto Dines publicado no livro Eles Mudaram a Imprensa. . "O tópico publicado na página 102, do livro do CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas, de autoria do jornalista Alberto Dines, que inseriu acusação criminal com relação à honra do ilustre Engenheiro Jaime Rotstein, apontando-o como ex-presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro e, mais grave ainda, como ‘engenheiro picareta’, representa inverdades facilmente comprováveis. Primeiro, porque o Engenheiro Jaime Rotstein jamais exerceu a presidência da Federação Israelita do Rio de Janeiro, como constata o atual presidente da FIERJ, Dr. Osias Wurman (doc. Junto), e muito menos fez parte da ‘conversa’ a que o tópico se refere. Afastando-se da crítica especializada e da fundamentação do conhecimento técnico profundo, o jornalista Alberto Dines fez observações injuriosas se expressando em linguagem ofensiva, com gíria e deselegância de estilo, imprópria e inadequada a um jornalista. Ao atribuir ao ilustre Engenheiro Jaime Rotstein a ficha de ‘picareta’, afastou-se o jornalista da liberdade de informar e opinar, fazendo-o incidir nos crimes de injúria e difamação. O jornalista Alberto Dines faltou com exatidão, o que é o elemento-chave da informação que se reveste o interesse jornalístico, como puro registro dos fatos sem comentário e interpretação. O jornalista Alberto Dines, não deveria utilizar desses expedientes. Cumpre registrar que o engenheiro Jaime Rotstein, sempre pontuou sua vida por uma conduta ética irreparável, presidindo a empresa Sondotécnica que fundou há 50 anos. Melhor dirá o seu denso currículo que acompanha a presente.
Aos interessados em conhecer algumas Alberto Dines Carta remetida pelo jornalista Alberto Dines em 1º de setembro de 2003 em resposta à carta do Dr. Samuel Buzaglo Reafirmo os termos, conceitos, opiniões e informações constantes na transcrição do depoimento que serviu de base ao capítulo "Alberto Dines" às páginas 68-175 do livro Eles Mudaram a Imprensa, da FGV Editora. Além das ameaças, o que chama a atenção na carta acima é a extensão que o autor dedica ao julgamento de meus atributos pessoais e profissionais enquanto omite inteiramente o episódio e sequer tenta oferecer outra versão dos fatos. Ao invés de esclarecer, a velha tática do achincalhe. Como procurador, o signatário não poderia estrear de forma mais desastrada. É irrelevante se Jaime Rotstein era presidente ou ocupava outra função na diretoria da Federação Israelita ou alguma entidade comunal em dezembro de 1968 e janeiro de 1969 (as duas ocasiões em que fui encarcerado por ordem do general César Montagna). Importa é que naquela ocasião, em seguida à decretação do AI-5, o meu pai Israel Dines – Louvada Sua Memória – desesperado com a prisão do seu filho, foi procurar uma figura legalmente representativa da comunidade. E o fez por que o país estava submetido a um estado de exceção, a justiça manietada e a imprensa sob censura. Nem o Jornal do Brasil manifestou-se a respeito da violência perpetrada contra o seu editor-chefe. Aos 69 anos, gozando de perfeitas condições físicas e psicológicas, e depois de quase quatro décadas de intensa atividade na comunidade judaica brasileira, Israel Dines dirigiu-se ao supra-citado não apenas em função do cargo que ocupava mas, sobretudo, porque circulava nos ambientes empresariais próximos ao regime militar. Isto ficou subentendido no adjetivo que tanto incomoda o missivista e seu cliente mas que, a bem da verdade, precisa explicitado aqui. A resposta desumana e cínica que deu a meu pai está à pág. 102 do livro que a FGV em boa hora teve a coragem de editar e o missivista tentou interditar. Leia também Depoimentos marcantes e definidores – Victor Gentilli Eles mudaram a imprensa – Alzira Alves de Abreu Uma nova linha nos estudos de comunicação – Ana Arruda Callado | ||