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JORNAL DE DEBATES
MORDAÇA & "CALA A BOCA" Alberto Dines O Brasil muda mas o senador eleito ACM é o mesmo. Quando não consegue cooptar jornais e jornalistas manda bater e prender desafetos e opositores do coronelismo. A novidade é que antes de estrear novo mandato, ACM resolveu reequipar-se nos arsenais canalhas do nazi-fascismo hitlerista e da Inquisição medieval. Com este tipo de violência tenta responder a todos aqueles que tentam revelar aos brasileiros os culpados por seu sofrimento. Na qualidade de articulista do Jornal do Brasil, este observador escreveu o artigo "Fome, o gargalo de Sarney e o medo de ACM" chamando a atenção dos leitores para o fato de que a fome e a miséria não acontecem por acaso, sobretudo num país potencialmente rico como o nosso. Fome e miséria são conseqüência direta dos desmandos e desvios que as oligarquias, sobretudo as do Norte-Nordeste, promovem à revelia da lei e eternizados graças ao controle político e mediático que exercem em seus currais. O senador José Sarney enfiou a carapuça e calou-se porque seu sonho de voltar a presidir o Senado só poderá materializar-se com uma lavagem "progressista" no currículo e a imperiosa quarentena de silêncio em torno da escandalosa coleção de notas de 50 reais de propriedade da filha e genro, numismatas consumados. O quase-senador ACM, apavorado porque agora tem pelo menos dois adversários no primeiro escalão do governo federal, sacou da velha truculência para encerrar o assunto. E, ao invés de refutar o mérito do artigo – a relação miséria/corrupção – tentou eliminar o seu autor: ** qualificando-o como judeu e, portanto, confinado ao gueto dos cidadãos de segunda categoria. ** desqualificando-o moralmente como alcagüete do antigo SNI. As duas agressões já estão sendo encaminhadas à Justiça e ao Ministério Público. A primeira envolve o preceito constitucional que proíbe o racismo e a discriminação racial. Mesmo como senador eleito mas ainda não diplomado ACM goza da imunidade parlamentar e foro privilegiado. Mas não pode repudiar os fundamentos políticos do Estado brasileiro. Todo cidadão é igual perante a lei, portanto qualquer cidadão de qualquer cultura, etnia, raça ou religião tem o direito de exercer o seu direito de manifestar-se. A segunda envolve danos morais. O acusador terá que apresentar provas de que este Observador foi alcagüete do SNI. Tarefa fácil: homem da copa e cozinha do general Golbery e um dos que armaram sua penetração no alto comando das principais redações do país, ACM certamente conseguirá reunir a documentação e os depoimentos para confirmar sua acusação. Se não o conseguir, pagará caro pela insanidade. Os ritos judiciais não impedirão que, entrementes, discutamos amplamente alguns aspectos da ação golberiana, inclusive no Jornal do Brasil, a partir de dezembro de 1973. No que concerne a este Observatório – na opinião pessoal deste observador – o que importa é a volta do "cala a boca". O senador virtual quer emplacar a mordaça real. [Clique abaixo em PRÓXIMO TEXTOpara ler a carta de ACM e o artigo que a provocou.] | ||