|
ASPAS
O PARADIGMA HIPÓLITO
Folha Online
"Imprensa Oficial de São Paulo reedita o primeiro jornal brasileiro", copyright Folha Online, 18/06/01
"A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em parceria com o jornal ‘Correio Braziliense’, lança amanhã a coleção fac-similiar do ‘Correio Braziliense’ ou ‘Armazem Literario’, primeiro jornal brasileiro, editado em Londres por Hipólito José da Costa, que circulou no Brasil e em Portugal entre 1808 e 1822.
O lançamento acontece amanhã, dia 19, às 11 h, no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília. Na ocasião, estarão à disposição do público os volumes 1 e 2 - que trazem textos de apresentação da coleção e a reprodução integral do jornal referente aos dois primeiros anos de vida da publicação - e o volume 31, com índice remissivo.
A coleção completa terá 31 volumes - 29 com os textos originais do jornal, um com o índice e outro com textos e comentários de pesquisadores.
O programa de reimpressão prevê a publicação de um volume por mês, até janeiro de 2003. O volume 30 trará textos complementares sobre a importância da publicação, além de ilustrações e bibliografia. A coordenação editorial da coleção ficou a cargo do jornalista Alberto Dines.
Junto com o primeiro volume da obra, o leitor vai encontrar uma litografia (gravura sobre pedra) em sépia, no formato de cartaz com uma reprodução direta de uma imagem de Hipólito da Costa, datada de 1811. A Imprensa Oficial imprimiu 5 mil peças para distribuição em escolas e bibliotecas.
A tiragem de cada volume da coleção será de 3.500 exemplares, que serão destinados a universidades, escolas de jornalismo, bibliotecas públicas e centros de estudo; 800 exemplares serão vendidos sob a forma de assinatura ou avulsos. O exemplar avulso custa R$ 20. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0/xx/11/0800.123401."
Agência JB
"O jornal de Hipólito da Costa", copyright Agência JB, 15/0601
"O ano era 1808. O pensamento iluminista decretava o fim das trevas na Europa. Só a sombra de Napoleão ameaçava o continente. Acuado, Dom João VI abandona Portugal. O Brasil começa, enfim, a se organizar como país. Com o objetivo ambicioso de ilustrar a elite emergente, Hipólito da Costa dá início, em Londres, à edição do Correio Braziliense. O resto desta história -- ou pelo menos boa parte dela -- pode ser acompanhado na coleção dos originais do Correio, que será lançada na próxima terça, dia 19 de junho, no Museu da Imprensa, em Brasília. A edição, em 31 fascículos mensais, é uma iniciativa da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e do jornal Correio Braziliense.
Para muitos historiadores, o Correio, editado por Hipólito até 1822, foi o primeiro jornal brasileiro. Mas a coleção não revela apenas a movimentação política e cultural no período que antecedeu a Independência. Os livros mostram como foi o surgimento da imprensa no país e revelam muito do gênio do autor. Há quem diga que Hipólito da Costa foi o primeiro formador de opinião do Brasil. Outros reconhecem a importância da iniciativa pioneira, mas criticam a vinculação dele aos interesses expansionistas da Inglaterra.
Iluminismo - Logo no primeiro artigo do Correio, Hipólito assume a responsabilidade de levar luzes ao Brasil, país onde nascera em 1764. Mais adiante, afirma o tom analítico da publicação ao lembrar que não pretende ser um mero ''despertador dos fatos''. Hipólito da Costa estava mesmo interessado em discutir idéias, elaborar teses.
Entre os temas mais recorrentes do Correio estavam as denúncias de corrupção contra os ministros da coroa, a defesa da abolição dos escravos e a exaltação do progresso. ''Ele era um homem do seu tempo. Um filho do Iluminismo'', atesta o jornalista Alberto Dines, editor da coleção. Para Dines, Hipólito informou e, sobretudo, formou a elite brasileira. ''Ele estabeleceu um processo de civilização que permitiu a criação do estado brasileiro''.
A distância entre o público leitor e o editor facilitou a circulação das idéias. Até 1821, toda a imprensa era censurada no Brasil. Mas, o Correio, que nunca deixou de ser impresso em Londres, escapou da vigilância, mesmo nos períodos em que era distribuído clandestinamente. ''Estima-se que eram tirados entre 500 e 1 mil exemplares. Poucas pessoas eram alfabetizadas no Brasil, mas, naquele período, as leituras públicas eram freqüentes'', lembra a historiadora Isabel Lustosa, co-editora da coleção e autora de Insultos impressos, a guerra dos jornalistas na Independência.
Nomes influentes - A reedição dos originais mostra ainda o que mobilizava os leitores. Os ensaios políticos do autor conquistaram nomes influentes, como José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos mais fiéis colaboradores de dom Pedro. Assim como José Bonifácio, Hipólito da Costa era ligado à maçonaria.
A relação com a maçonaria foi, aliás, determinante para a formação do jornalista. Depois de terminar seus estudos em Coimbra, para onde foi ainda menino, Hipólito empregou-se numa tipografia em Lisboa. Em busca de inovações tecnológicas, viajou aos Estados Unidos. Lá, conheceu as idéias abolicionistas e travou contato com Benjamin Franklin. Por influência do herói da revolução americana, filiou-se à maçonaria e lançou o livro Diário de minha viagem a Filadélfia.
Depois de voltar a Lisboa, Hipólito seguiu para Londres, onde participou de reuniões da maçonaria inglesa. Por conta desses encontros, foi preso pela inquisição ao desembarcar em Portugal. Ao todo, foram três anos de cárcere, até conseguir fugir para o exílio na Inglaterra. Em Londres, deu aulas de português, fez traduções e se dedicou ao projeto da vida dele: o Correio Braziliense. A grande identificação com a cultura inglesa e a conseqüente rejeição aos preceitos mais democráticos da Revolução Francesa levantaram suspeitas sobre as motivações de Hipólito.
''Ele representa a presença dos ingleses no Brasil'', afirma o jornalista e historiador Marco Morel, que assina um ensaio em um dos fascículos da coleção. Segundo Morel, ao defender a adoção de uma política econômica liberal, Hipólito estaria defendendo o crescimento das relações comercias entre os dois países. ''Ele também demora a defender a independência. A verdade é que o discurso do Hipólito não era muito panfletário. Ele gostava mesmo era de levantar discussões''. Com a Independência, Hipólito acreditou que sua missão havia chegado ao fim. Ele se despediu dos leitores na última edição do jornal e morreu, alguns meses depois, sem nunca voltar ao Brasil."

|
|