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Não é jornalismo
tudo o que sai no jornal
Mauro Malin

ometem-se com alguma freqüência equívocos acerca do conceito de "jornalismo". Que ele é amplo, não há dúvida. Mas não se confunde com o de "jornal", muitíssimo mais amplo.
Jornal publica muita coisa que não é jornalismo.
Por exemplo, anúncios.
Mais especificamente, anúncios classificados.
Eventualmente, anúncios desclassificados, como bem denominou Lira Neto (ver abaixo).
Digamos, este:
"[X]. Linda morena, 18 aninhos, seios durinhos, rostinho encantador, corpo violão, olhos claros, liberal, casais, cavalheiros, realmente bonita [telefone] (40,00)."
Publicado, com dezenas de outros, em O Globo, 17/8/98, página 8 do Caderno A dos Classificados.
A redação declina de qualquer responsabilidade na marcha das relações mercantilizadas?
Não é bem assim.
O jornal não abdica de sua fachadinha hipócrita de consciência social, ainda que inteiramente surrealista, ao fazer preceder da seguinte advertência os anúncios da categoria 576, "Encontros pessoais" (subcategoria de "Lar & Cia"!):
"Todo encontro com desconhecidos pode ser arriscado. É aconselhável marcar o primeiro encontro em lugar público e conhecido. Além disso, convém informar a uma pessoa amiga hora e local do encontro".
Para o bem de todos e felicidade geral da nação, vamos, por favor, evitar a confusão entre jornalismo e conteúdo da imprensa.
De televisão, nem é bom falar.

Classificados & desclassificados, Lira Neto
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