MONITOR

CBS paga pelas dicas

Alberto Dines


O departamento de jornalismo da CBS acaba de criar um precedente extremamente perigoso: está oferecendo US$ 1.000 (mil dólares) a qualquer jornalista da mídia escrita por dicas que possam resultar em matérias nos seus telejornais ou no famoso 60 Minutes.

Os profissionais que receberam o e-mail da produção da CBS são majoritariamente repórteres de polícia ou forenses. A inovação foi confirmada pelo porta-voz da empresa.

O fee será pago apenas a jornalistas, "nunca aos protagonistas ou interessados nos episódios", disse o porta-voz.

A maioria das organizações jornalísticas americanas condena o pagamento às fontes por considerá-lo um procedimento antiético. Algumas, no entanto, admitem a contratação de jornalistas free lance ou stringers para ajudar em investigações.

(The New York Times, Negócios, 6/10/97.)



Mande-nos seu comentário

Jovens franceses desconfiam da imprensa

A.D.


Pesquisa publicada pelo Le Monde revelou que os franceses entre 18 e 34 anos são muito céticos e críticos diante da imprensa. Mais de 75% acham "anormal" a imprensa publicar os nomes de suspeitos em casos sob investigação e 84% opinaram que os jornalistas não dedicam tempo suficiente à verificação das informações. Outros 72% acham que jornais e revistas só abordam escândalos para aumentar as vendas. Mas 87% admitiram que sem a imprensa o público não teria informações sobre esses escândalos. "Em toda a pesquisa, as pessoas jovens foram as que mais duramente criticaram a imprensa".

(Le Monde, 6/10/97, JB, 7/10/97.)



Mande-nos seu comentário

O que é bom para cereais...

A.D.


Pediu demissão o editor-chefe do mais importante jornal da Costa Oeste dos EUA (o quarto maior do país), Shelby Coffey III, e o novo publisher (diretor empresarial) vai indicar uma nova equipe de jornalistas cuja principal tarefa será a derrubada de todas as barreiras entre a redação e os departamentos de publicidade e marketing.

O novo mandachuva autor da confusão é Mark Helms, importado diretamente da General Mills, um dos maiores fabricante de cereais e matinais dos EUA e cuja proposta é simples: mostrar que jornais podem ser comercializados com o mesmo sucesso dos produtos dietéticos.

Sinalizando para o que virá, foi indicado como gerente geral da Divisão de Jornalismo o antigo gerente de marketing, Jeffrey Klein. A antiga vice-presidente de publicidade foi transferida para supervisionar o jornalismo feminino.

"Isto faz parte de um esforço para inventar fórmulas mágicas e impor padrões de comportamento às redações" reclamou Michael Janeway, diretor de um dos programas de treinamento da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia (Nova York). "O problema do jornalismo é que metade é negócio e metade, alguma coisa muito efêmera que não pode ser confinada em fórmulas".

O presidente da empresa Times-Mirror declarou que estas movimentações indicam um espírito de parcerias e garantiu que a integridade editorial do jornal jamais será afetada.

(The New York Times, Negócios, 10/10/97; revista Time, Negócios, edição americana, 20/10/97.)



Mande-nos seu comentário

Mais um: sai o editor do Inquirer

A.D.


Foi anunciada a saída do editor e vice-presidente do The Philadephia Inquirer, Maxwell King, funcionário há 25 anos da Knight-Ridder Inc. Não deixará a empresa mas ocupará uma função "que seja 90% jornalística", provavelmente como opinionista ou editor associado.

O problema com o Inquirer é diferente: relaciona-se com o esforço dos proprietários em aumentar a lucratividade. Em outras palavras: cortar custos e qualidade editorial. Os conflitos entre o vice-presidente demissionário e a direção da empresa começaram há dois anos.

O jornal é um dos mais importantes diários regionais, com um reconhecido padrão de excelência.

(The New York Times, Caderno de Negócios, 10/10/97.)



Mande-nos seu comentário

Início da página





Observatório | Índice da edição | Cadernos | Objetivos | Purposes
Caixa Postal | Edições anteriores | Observatório impresso
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você