MONITOR
CBS paga pelas dicas
Alberto Dines
O departamento de jornalismo da CBS acaba de criar um precedente extremamente perigoso: está oferecendo US$ 1.000 (mil dólares) a qualquer jornalista da mídia escrita por dicas que possam resultar em matérias nos seus telejornais ou no famoso 60 Minutes.
Os profissionais que receberam o e-mail da produção da CBS são majoritariamente repórteres de polícia ou forenses. A inovação foi confirmada pelo porta-voz da empresa.
O fee será pago apenas a jornalistas, "nunca aos protagonistas ou interessados nos episódios", disse o porta-voz.
A maioria das organizações jornalísticas americanas condena o pagamento às fontes por considerá-lo um procedimento antiético. Algumas, no entanto, admitem a contratação de jornalistas free lance ou stringers para ajudar em investigações.
(The New York Times, Negócios, 6/10/97.)
O que é bom para cereais...
A.D.
Pediu demissão o editor-chefe do mais importante jornal da Costa Oeste dos EUA (o quarto maior do país), Shelby Coffey III, e o novo publisher (diretor empresarial) vai indicar uma nova equipe de jornalistas cuja principal tarefa será a derrubada de todas as barreiras entre a redação e os departamentos de publicidade e marketing.
O novo mandachuva autor da confusão é Mark Helms, importado diretamente da General Mills, um dos maiores fabricante de cereais e matinais dos EUA e cuja proposta é simples: mostrar que jornais podem ser comercializados com o mesmo sucesso dos produtos dietéticos.
Sinalizando para o que virá, foi indicado como gerente geral da Divisão de Jornalismo o antigo gerente de marketing, Jeffrey Klein. A antiga vice-presidente de publicidade foi transferida para supervisionar o jornalismo feminino.
"Isto faz parte de um esforço para inventar fórmulas mágicas e impor padrões de comportamento às redações" reclamou Michael Janeway, diretor de um dos programas de treinamento da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia (Nova York). "O problema do jornalismo é que metade é negócio e metade, alguma coisa muito efêmera que não pode ser confinada em fórmulas".
O presidente da empresa Times-Mirror declarou que estas movimentações indicam um espírito de parcerias e garantiu que a integridade editorial do jornal jamais será afetada.
(The New York Times, Negócios, 10/10/97; revista Time, Negócios, edição americana, 20/10/97.)
Mais um: sai o editor do Inquirer
A.D.
Foi anunciada a saída do editor e vice-presidente do The Philadephia Inquirer, Maxwell King, funcionário há 25 anos da Knight-Ridder Inc. Não deixará a empresa mas ocupará uma função "que seja 90% jornalística", provavelmente como opinionista ou editor associado.
O problema com o Inquirer é diferente: relaciona-se com o esforço dos proprietários em aumentar a lucratividade. Em outras palavras: cortar custos e qualidade editorial. Os conflitos entre o vice-presidente demissionário e a direção da empresa começaram há dois anos.
O jornal é um dos mais importantes diários regionais, com um reconhecido padrão de excelência.
(The New York Times, Caderno de Negócios, 10/10/97.)