10/06/2003 2/2

Envie para um amigo  Imprima esta página  Procure no arquivo

ARAÚJO NETTO (1929-2003)
O caso do jornalista que morreu de tristeza

Alberto Dines

Ele esteve presente nos mais importantes momentos da imprensa brasileira na segunda metade do século 20: na melhor fase da Tribuna da Imprensa, na renovação de Manchete e O Cruzeiro, no lançamento de Senhor, na reforma do Jornal do Brasil e, em seguida, na sua consolidação como jornal de referência. Seus 32 anos como correspondente do JB em Roma ajudaram a estabelecer em nossa imprensa os paradigmas da cobertura internacional.

Também no JB Araújo Netto testemunhou – neste caso como vítima – um dos momentos cruciais da transformação do nosso jornalismo. A perversa substituição de uma geração de grandes profissionais para atender ao "rejuvenescimento" das redações interrompeu quatro décadas de dedicação exclusiva e alijou-o de uma casa que ajudou a construir.

O Globo, num gesto galante, contratou-o como free lancer, mas um acidente cardiovascular tirou-lhe grande parte da mobilidade.

Além da generosidade e da doçura, ele representa uma geração de jornalistas que fez do esmero sua razão de viver. Exímio no texto e na fotografia, capaz de brilhar na análise de uma partida de futebol ou nas avaliações sobre os meandros do Vaticano. Foi um dos remanescentes do jornalismo superior e multidisciplinar – preito ao leitor universal – cada vez mais esquecido.

Araújo Netto morreu de tristeza e desgosto.

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe