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MEMÓRIA
ASPAS
Vitor Sznejder
Depoimentos sobre Evandro Carlos de Andrade, publicados em <http://www.vitorsznejder.com.br>
"‘Evandro é um dos melhores profissionais de nossa
geração. Com Evandro, idealizada e comandada por ele,
começou a grande transformação técnica
e ética que fizeram do Globo o jornal que ele é hoje,
um dos maiores diários do país. Graças também
a Evandro, à sua corajosa determinação, o jornalismo
de televisão passou a ser pensado, dito e feito por jornalistas.’
(Zuenir Ventura)
‘Evandro Carlos de Andrade é a encarnação
de um empenho profissional e existencial que está ficando
cada vez mais raro. A cada geração dilui-se a dosagem
no sangue dos jornalistas brasileiros desse misterioso fator que
mistura estado de espírito, cultura, zelo e esmero. Qualquer
que seja o nome deste elemento Evandro o tem em grandes volumes.’
(Alberto Dines)
‘Conheci Evandro pelo talento, antes de conhecer a pessoa. Um certo
sábado, às 11h, Pompeu de Souza me entregou um texto
para rever. ‘É intocável, não há o que
reescrever’, afirmei. Tratava-se de um perfil do então promotor
público Cordeiro Guerra. Pompeu confirmou minha avaliação
e me parece que este texto valeu ao Evandro o seu ingresso no jornal.
(…) Por trabalhar num clima de liberdade política que eu
não vivi, Evandro trouxe para a televisão as fontes
e o jornalismo investigativo.’ (Armando
Nogueira)
‘Tivemos muito contato (Evandro e eu) quando eu estava montando
a Veja. Nesse tempo ele estava em Brasília, e eu gostava
muito da pessoa e do jornalista. Depois ele veio para São
Paulo, para o Estadão, a gente se encontrava muito, ele vinha
em minha casa, batíamos papos muito íntimos sobre
nossas vidas particulares. (…) Ele foi para o Rio, mas ainda estivemos
juntos várias vezes. (…) Acho que uma vez ele ficou bravo
comigo porque baixei a lenha nas organizações Globo
– e ele estava lá…’ (Mino
Carta)
"Em 5 de maio de 1995, o empresário David Kogan foi
sequestrado. Em junho, a jornalista Vera Dias, sua mulher, mobilizou
os amigos, a Imprensa e o Governo para descobrir o seu paradeiro.
Em julho, houve uma manifestação à porta do
Palácio Guanabara. Toda a Imprensa acompanhava – exceto a
TV Globo. Era o primeiro dia de Evandro na emissora. Liguei para
ele. Evandro prometeu: ‘Em dez minutos uma equipe de reportagem
estará aí.’ Naquela noite Vera Dias apareceu no Jornal
Nacional. David Kogan foi morto em novembro de 1995 com um tiro
pelas costas, ao tentar escapar do cativeiro. (Vitor
Sznejder)"
***
Carta de Evandro Carlos de Andrade a um jornalista, publicada em
<http://www.vitorsznejder.com.br>
"Seu artigo (…) descreve com correção a reportagem
do Jornal Nacional sobre (…) Se não fosse precedido pelos
dois primeiros parágrafos, seria um justo reconhecimento
da qualidade jornalística daquela reportagem.
A senhora, entretanto, se sentiu na obrigação de
começar o seu texto com uma série de agressões
estúpidas e caluniosas ao trabalho em que se empenham os
jornalistas que produzem, editam e apresentam o 'Jornal Nacional'.
Conhecendo, como conheço, a ‘linha editorial’ do Otavinho,
compreendo seu receio de ser demitida se tratassse de assunto relativo
à TV Globo sem cumprir a obrigação, por ele
imposta, de, a título de criticar, mentir a nosso respeito.
‘(…)
Quanto a dizer em seu artigo que o 'Jornal Nacional' é o
mais antipático da TV brasileira, só posso atribuir
ao despeito essa sua opinião, que se choca com a da imensa
maioria do povo brasileiro, demonstrada a cada dia. Atenciosamente,
Evandro Carlos de Andrade, Diretor
da Central Globo de Jornalismo
P.S. - Como não disponho do endereço dele na Internet,
solicito que encaminhe cópia ao seu patrão. Afinal,
como no velho anúncio da RCA-Victor, a senhora também
é 'master's voice' e pode até arrancar um aumentozinho.
Mas como receio que não lhe encaminhe a cópia, por
segurança estou mandando para ele uma pelo fax" [E-mail
datado de 18/01/2000 e endereçado a uma colunista do jornal
Folha de S. Paulo]."
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