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MEMÓRIA

ASPAS

no.

"Morre diretor de Jornalismo da TV Globo", copyright no. (www.no.com.br), 25/06/01

"O diretor de Jornalismo da TV Globo, Evandro Carlos de Andrade, morreu na manhã desta segunda-feira,no Rio. Ele passou mal em casa e às 5h da manhã foi levado ao Hospital Samaritano, onde faleceu às 8h15, em conseqüência de uma doença hematológica rara, a policitemia vera (que aumenta a produção de glóbulos vermelhos e leva à redução das células disponíveis para a renovação).

Num curto comunicado, em nome da família Marinho e dos funcionários das Organizações Globo, o departamento de comunicação da emissora ressaltou o ‘exemplo de competência, profissionalismo, ética e dignidade’ de Evandro e lamentou ‘acima de tudo a perda do amigo leal, dedicado e engrandecedor, um privilégio que só quem conviveu com ele pode avaliar’.

Com mais de 50 anos de carreira, 24 dos quais como diretor de redação do jornal ‘O Globo’, Evandro, de 69 anos, completaria seis anos à frente da Central Globo de Jornalismo em agosto, num período em que, como disse o também jornalista Armando Nogueira, apresentou à televisão o jornalismo investigativo.

Carioca do Maracanã (Zona Norte do Rio) e flamenguista, Evandro consagrou-se como um dos melhores profissionais de sua geração e do jornalismo brasileiro - embora considerado dono de personalidade autoritária e obsessiva. Era implacável com o erro e intransigente com a precisão das informações que os veículos sob sua direção publicavam. Apesar de um começo de carreira não muito animador, chegou a um dos cargos mais cobiçados, poderosos e influentes da imprensa brasileira. Sua primeira experiência como repórter foi no jornal ‘Correio Radical’, descrito por ele mesmo, em entrevista ao jornalista Vítor Sznejder, como um ‘jornal ordinário, de polícia, chantagista, para tomar dinheiro de bicheiro’. Uma convivência que não durou mais que dois meses, no início dos anos 50.

Pouco depois, Evandro chegou à redação do ‘Diário Carioca’, um dos principais jornais do país, que reunia nomes consagrados como Carlos Castello Branco, Armando Nogueira, Jota Efegê e Paulo Francis. Aos 24 anos, ele já assumia como chefe de redação do diário.

Na sua trajetória ascendente, Evandro ocupou, entre outros, os cargos de assessor de imprensa do presidente Jânio Quadros, quando de sua renúncia ao cargo, e de diretor do ‘Estado de S. Paulo’, em Brasília. No meio dos anos 70, ingressou nas Organizações Globo, como diretor de redação do jornal da empresa no Rio e foi o grande responsável pelo sucesso editorial do jornal. Vinte e quatro anos depois, em agosto de 95, assumiu a Central Globo de Jornalismo da emissora no Jardim Botânico.

Indagado por Sznejder se algum dia escreveria sua biografia, Evandro foi taxativo: ‘Toda autobiografia é um grande equívoco. Porque é cheia de omissões e bastante incompleta, já que nunca li a narrativa da morte do autor, escrita por ele mesmo’.

O corpo de Evandro será velado na capela B do cemitério do Caju, zona Portuária do Rio, das 15h às 18h30, e cremado amanhã numa cerimônia restrita à família."



Leandro Mazzini

"José Roberto Marinho diz que Evandro foi chefe brilhante e vigoroso", copyright Jornal do Brasil Online, 25/06/01

"O vice-presidente das organizações Globo, José Roberto Marinho, acompanhou o pai Roberto Marinho e a mulher dele, Lili, na capela B, durante o velório do jornalista Evandro Carlos de Andrade.

Ele lamentou muito a morte de Evandro, a quem considerava um grande profissional. ‘Comecei no jornal com 17 anos e ele era um chefe brilhante e rigoroso. Não me distinguia entre os outros pelo fato de ser filho do dono, mas era extremamente carinhoso e afetivo’.

Perguntado sobre a sucessão do cargo de diretor de jornalismo da Rede Globo, José Roberto apenas respondeu que a sucessão é natural, dando indícios de que, provavelmente, Merval Pereira, diretor do Info Globo, ocupará o cargo.

Ainda é grande o movimento na capela B do cemitério do Caju e a presença de personalidades marcou a cerimônia. O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, também presente ao velório, disse considerar Evandro um grande amigo que chegou a visitá-lo em sua casa, na Ilha de Itaparica, na Bahia.

‘Sua capacidade de liderança e inovação eram infindáveis, mas ele não mudava o jeito de ser’, concluiu.

O velório segue até às 18h e o corpo do jornalista será cremado amanhã em cerimônia exclusiva para os familiares."



Folha Online

"Morre diretor de jornalismo da TV Globo", copyright Folha Online, 25/06/01

"A Rede Globo divulgou uma nota oficial na manhã de hoje comunicando a morte do jornalista Evandro Carlos de Andrade, diretor de jornalismo da emissora. O jornalista morreu hoje pela manhã, no Rio de Janeiro. O motivo da morte foi uma doença hematológica, da qual vinha se tratando há cerca de um ano.

Evandro Carlos tinha 69 anos de idade e 50 de carreira. Trabalhou durante 30 anos no jornal ‘O Globo’ e na TV Globo.

Leia a nota da emissora:

‘A família Marinho e os funcionários das Organizações Globo lamentam informar o falecimento do jornalista Evandro Carlos de Andrade, diretor de Jornalismo da TV Globo, ocorrido hoje pela manhã.

A carreira de mais de 50 anos de Evandro - da qual passou três décadas no Jornal O Globo e na TV Globo - é um exemplo de competência, profissionalismo, ética e dignidade, mas acima de tudo sentimos a perda do amigo leal, dedicado e engrandecedor, um privilégio que só quem conviveu com ele pode avaliar.’

Central Globo de Comunicação

Rio de Janeiro, 25 de junho de 2001"



Globo Online

"Falece o jornalista Evandro Carlos de Andrade", copyright Globo Online, 25/06/01

"O jornalista Evandro Carlos de Andrade, diretor de jornalismo da TV Globo, morreu na manhã de hoje no Hospital Samaritano, no Rio. Ele se sentiu mal em casa e às 5h, foi levado ao hospital, onde faleceu às 8h15h. em conseqüência da doença hematológica policitemia vera, que vinha tratando há pouco mais de um ano. A policitemia vera aumenta a produção de glóbulos vermelhos levando a uma diminuição de células disponíveis.

O corpo do jornalista será velado na capela B do Cemitério do Caju, no Rio, onde das 13h às 18h30m. Ele será cremado amanhã, às 9h30m, só na presença da família.

Por 24 anos, Evandro Carlos de Andrade foi diretor de redação do jornal O GLOBO. Há seis, estava à frente da Central Globo de Jornalismo. Tinha 69 anos, era carioca e flamenguista. Ele teve dois casamentos e deixou seis filhos e nove netos.

A respeito do falecimento, a Central Globo de Comunicações divulgou a seguinte nota:

‘A família Marinho e os funcionários das Organizações Globo lamentam informar o falecimento do jornalista Evandro Carlos de Andrade, diretor de Jornalismo da TV Globo, ocorrido hoje pela manhã.

‘A carreira de mais de 50 anos de Evandro - da qual passou três décadas no Jornal O Globo e na TV Globo - é um exemplo de competência, profissionalismo, ética e dignidade, mas acima de tudo sentimos a perda do amigo leal, dedicado e engrandecedor, um privilégio que só quem conviveu com ele pode avaliar.’

Central Globo de Comunicação

Rio de Janeiro, 25 de junho de 2001"

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"Evandro: um jornalista com talento, rigor e isenção", copyright Globo Online, 25/06/01

"Evandro Carlos de Andrade dirigia a Central Globo de Jornalismo desde 1995. Aos 63 anos, depois de quase três décadas dirigindo a redação do jornal O GLOBO, o jornalista assumiu o cargo com o compromisso de modernizar a maior emissora do país. Em seu curto texto de posse, resumia suas intenções dizendo que faria ‘um jornalismo isento e objetivo’.

Conhecido pela maneira clara de escrever, pelo modo enérgico de chefiar e o talento para descobrir e publicar notícias, Evandro reproduziu na TV a reforma editorial que já havia imprimido com êxito no jornal da família Marinho.

Muito jovem pisou numa redação de jornal e a imprensa se tornou sua grande paixão. Carioca da zona norte do Rio, torcedor apaixonado do Flamengo, Evandro Carlos de Andrade começou no jornalismo aos 18 anos no ‘Correio Radical’, um pasquim de vida curta, onde escreveu sua primeira reportagem, em 1951. Dali, foi trabalhar como repórter no ‘Diário Carioca’, onde assumiu logo depois a posição de chefe de reportagem.

Em 1958, Evandro dividiu o cargo de chefe de redação do jornal com o jornalista Carlos Castelo Branco. Ele escrevia no jornal a coluna ‘Dia-a-dia do Catete’, que contava os bastidores do Palácio do Catete. Evandro tinha ainda um segundo emprego, o de conferencista na Casa da Moeda.

Quando deixou o ‘Diário Carioca’, Evandro Carlos de Andrade foi trabalhar em Brasília nas sucursais do ‘Jornal do Brasil’ e do ‘O Estado de S. Paulo’, onde, em 1967, assumiu a direção do Estadão na capital federal.

Em 1971, foi convidado para dirigir o jornal O GLOBO. Foi Evandro Carlos de Andrade quem comandou a reformulação gráfica e editorial do GLOBO, levando o jornal à liderança de vendas no Rio de Janeiro e a ser um dos de maior prestígio no país.

Outras inovações caracterizaram a personalidade idealizadora do jornalista. Em 1995, assumiu a direção geral da Central Globo de Jornalismo, implantando uma nova linguagem, maior agilidade e um novo perfil aos noticiários regionais da TV Globo. Evandro Carlos de Andrade participou da criação e implantação do primeiro canal de jornalismo brasileiro de notícias, a Globo News, que entrou no ar em 1996.

Evandro tinha 69 anos. Deixou 6 filhos e 9 netos.

As frases de Evandro Carlos de Andrade

‘Procure só dizer a verdade, eu acho que é o único conselho que se pode dar a um jornalista. Procure o impossível: só dizer a verdade.’

‘Esse risco (de se desgastar no poder) todos corremos. Principalmente nós, da esquerda, por sermos identificados com as lutas sociais, a luta contra a ditadura, a luta pela democratização dos espaços. Quando chegarmos ao poder, não podemos cometer o erro de achar que a nossa presença já é a participação popular.’

‘O nosso telejornalismo é sempre organizado com o propósito de levar ao público um produto informativo que tenha começo, meio e fim, como se fosse um roteiro, e com a preocupação de que esse produto, sem dourar pílulas ou forjar escândalos, seja do agrado do telespectador.’

‘Todo mundo dedicou páginas e páginas ou minutos e minutos ao enterro da princesa Diana - e eu gostaria de saber em que aquele show funéreo foi mais importante para a educação dos nossos filhos do que o parto da Xuxa. Isso para não falar de página inteira que li em um jornal de grande circulação sobre a última apresentação do seriado ‘Seinfeld’ nos Estados Unidos, que imagino seja ignorado por 99,99999% do povo brasileiro’

‘O telejornalismo da Globo se desenvolveu num período em que a censura exerceu a mais brutal opressão sobre os meios de comunicação. Se desenvolveu apesar dessa censura, muito mais pesada aqui do que em qualquer outra televisão de maior audiência, graças a seus méritos de empresa moderna, muito bem organizada e capaz de atrair e manter os melhores profissionais do ramo’

‘Oficiosa é inevitavelmente toda a imprensa quando se vive sob uma ditadura, e o máximo que se pode fazer, para resistir, é publicar, no lugar das notícias censuradas, poemas ou receitas ou exibir imagens ingênuas de bichinhos no zoo’

‘O ideal para mim é comer em pé, em cinco minutos. É disso que eu gosto’

‘Otto Lara Resende me convenceu que o vício de não fumar é muito melhor do que o de fumar’

‘A maior dificuldade do jornalismo televisivo é de responder como única fonte de informação da imensa maioria do povo brasileiro.’

‘Um órgão de imprensa, na minha opinião, é independente na medida em que for economicamente independente. Eu duvido que haja um jornal no Brasil tão independente quanto O Globo. Este jornal não precisa do governo para nada.’

‘No Brasil, a lei está muito desvalorizada. Essa é a doença do nosso tempo. Sem o império da lei é impossível viver civilizada e democraticamente. Nesse sentido, o atual desempenho da imprensa brasileira é extraordinário’

‘Toda semana, recebo cópias xerox das entrevistas feitas pelo Globo e mando, para cada entrevistado, uma carta minha, perguntando se a entrevista foi bem reproduzida, se teve o destaque merecido, se o titulo correspondeu ao principal ponto de interesse, se o assunto foi bem tratado, se o repórter se mostrou competente, etc. E o que me surpreende é o grau de satisfação dos entrevistados - 99% respondem que foi tudo ótimo, perfeito. Eles são mais felizes que eu, porque não tive essa sorte nas poucas entrevistas que eu tenho dado na vida.’"



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