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MΝDIA & ELEIΗΥES 2002 MÍDIA & ELEIÇÕES 2002 Alberto Dines Foi um marco a série de entrevistas apresentadas pelo Jornal Nacional de 8 a 11 de julho com os quatro presidenciáveis. Não apenas no campo específico do jornalismo. Já é uma referência no vasto painel das responsabilidades sociais que a televisão pode assumir seja ela pública ou privada, aberta ou paga. Pela primeira vez vemos a TV retribuindo ostensivamente, com competência e seriedade, os régios benefícios oferecidos pela sociedade na concessão de canais. Pela primeira vez testemunhamos como os formidáveis recursos e talentos da mídia eletrônica podem ser colocados a serviço da difusão de conhecimentos. O horário eleitoral gratuito tem falhas mas foi um avanço em matéria de democratização da informação política. Imposto pelo Judiciário e unanimemente combatido pela mídia eletrônica e impressa, a pretexto de preservar sua liberdade. O fórum da Globo, ao contrário, foi gesto voluntário, demonstração da capacidade do setor privado em tomar a iniciativa para prestar um serviço público desinteressado. Foi também uma exibição da capacidade de isenção do jornalismo brasileiro. Num panorama onde primam a ferocidade, o engajamento e o patrulhamento, a série de entrevistas mostrou que o jornalismo político pode ser conduzido sem veemências, a serviço do esclarecimento. Claro que houve queixas de todos. Melhor prova não pode haver do esforço pelo equilíbrio. Se o primeiro entrevistado foi menos pressionado do que os demais, isto certamente deveu-se ao fato de ser o primeiro. A eventual benevolência não se refletiu nos índices de audiência que, aliás, mostraram-se bastante equilibrados. O telespectador acompanhou todas as entrevistas, sem partidarismo e preconceitos, para compará-las e preparar suas decisões eleitorais. Mostrou-se mais curioso, mais aberto e menos comprometido do que muitos cronistas políticos (veja abaixo os índices de audiência das entrevistas). Se o Grupo Globo iniciou um processo para penitenciar-se dos pecados passados sobretudo no debate Lula-Collor, em 1989 pode-se dizer que começou com o pé direito. A série de entrevistas foi um recurso jornalístico mais legítimo e mais maduro do que, por exemplo, a recente fascinação com colaboradores de esquerda para limpar a barra de antigas simpatias à direita. Emenda tão parcial quanto o soneto. Prova de imaturidade deram os jornalões que praticamente ignoraram, durante quatro dias seguidos, fatos políticos de primeira grandeza ocorridos na véspera apenas porque provocados por um concorrente (O Globo foi a exceção óbvia). Se foi problema de horário então é melhor desistir de fazer jornalismo diário. Duas reações chamaram a atenção: a nota editorial de Época, que ignorou a celeuma em torno do debate Lula-Collor e a atitude da Folha de S.Paulo, evidentemente incomodada com a perspectiva de lhe arrebatarem o cetro da imparcialidade. Que faz questão de exibir mas não de honrar. Os números da audiência A seguir, os resultados da audiência alcançada pelo Jornal Nacional nos dias em que exibiu as entrevistas com os quatro principais candidatos à presidência da República. Os números referem-se à audiência medida no momento da entrevista e à audiência média do JN naquele dia. Os índices relativos ao share indicam o porcentual de aparelhos ligados no mesmo horário. Ciro Gomes 2ͺ feira (8/7) Entrevista: audiência 38; share 53% JN total: audiência 38; share 54% Anthony Garotinho 3ͺ feira (9/7) Entrevista: audiência 37; share 51% JN total: audiência 37; share 52% José Serra 4ͺ feira (10/7) Entrevista: audiência 36; share 51% JN total: audiência 35; share 51% Luiz Inácio Lula da Silva 5ͺ feira (11/7) Entrevista: audiência 40; share 55% JN total: audiência 39; share 54% Fonte: Rede Globo de Televisão | ||