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OBSERVATÓRIO ELEITORAL ECOS DA CAMPANHA Alexandre Martins (*) Luiz Inácio Lula da Silva foi praticamente carregado no colo pela imprensa entre os dias 7 e 27 de outubro, durante a campanha para o segundo turno. Como mostra o quadro abaixo, o agora presidente eleito teve a seu favor um noticiário quantitativo e qualitativo por parte da imprensa que acabou por completar o excelente trabalho dos seus publicitários.
A festa da democracia amplamente noticiada pelos veículos a partir da segunda feira (28/10) tem data e hora para acabar. Depois de se esgotarem todas as formas de amplificar o feito histórico de um torneiro mecânico ter-se tornado presidente da República, de bisbilhotarem os detalhes sobre sua vida pessoal e sindical, o novo governo tem início em 1º de janeiro. Depois da posse e de nomeados os ministros, os presidentes de estatais, e finalizadas as composições a partir de uma hierarquia de poder, inicia-se, de fato, a cobertura jornalística sobre governo e sua política – ou seja, começa o chamado "pau". É sempre assim, com qualquer governo, em todos os níveis de poder. Existe um caminho sistemático por parte da imprensa para cobrir, avaliar e criticar governos, sejam eles bons ou ruins. A imprensa monta uma agenda de assuntos que devem ser abordados que mais parece planejamento de pauta para a cobertura dos Jogos Olímpicos... O IBEC acompanhou a cobertura jornalística sobre o governo FHC durante três anos, de 1999 a 2001. O mesmo foi feito durante os três primeiros meses da prefeita Marta Suplicy no comando da maior cidade do país. Ambos os casos seguiram o mesmo ritual: festa,festa, pau e pau. Até é possível entender o fenômeno, pois, no início dos mandatos, os jornalistas criam suas fontes, recebem e distribuem agrados aqui e ali, matérias a favor etc. O que nenhum político brasileiro aprendeu até hoje é governar com a mídia. E se Lula não montar um excelente time de comunicação, o novo presidente entrará na agenda viciosa da imprensa e começará a ser atacado antes mesmo dos primeiros 100 dias de governo. Metodologia O Índice IBEC é calculado segundo fórmula que considera os centímetros positivos e negativos de cada candidatura sobre o volume total das centimetragens de todas as candidaturas. Entenda-se por centímetro o resultado de ponderações acrescidas aos centímetros quadrados medidos de cada fragmento de notícia publicada, analisados segundo a candidatura, o personagem, o assunto e a abordagem (positiva ou negativa) e considerando:
Universo pesquisado: Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Correio Braziliense, Estado de Minas, Zero Hora, A Tarde, Diário de Pernambuco, Veja, IstoÉ, Época, Exame. (*) Jornalista, diretor de pesquisas do Instituto Brasileiro de Estudos da Comunicação (IBEC) Leia também O poder do papel impresso – Osvaldo Martins A imprensa escolheu seu voto – Alexandre Martins A imprensa e os candidatos – A.M. As escolhas estão feitas – A.M. Prato feito para a imprensa-show – A.M. Imprensa impõe concorrentes do 2º turno – A.M. IBEC antecipa Ibope – A.M. A presença dos candidatos na imprensa – A.M. Notícia ou publicidade, o que vale mais? – A.M. O espaço das candidaturas na imprensa diária – A.M. A imprensa como campo de batalha – A.M. Editoriais condenam atitudes de Serra – A.M. O que é auditoria de imagem – A.M. | ||