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MONITOR DA IMPRENSA
LESTE EUROPEU
Mídia tcheca faz história
Fabiano Golgo, de Praga
A República Tcheca está às vésperas de um momento histórico. Ecos do passado autoritário vêm emergindo nos últimos meses, e isto fez com que a imprensa local desse uma guinada enorme em sua atuação, que vinha cada vez mais se adaptando aos manuais importados do jornalismo sem opinião e aos workshops americanos, ensinando editores a abusar de gráficos e a economizar palavras.
O conceito de notÍcia vinha se confundindo com o de entretenimento, seguindo a tendência mundial. No entanto, graças a um descontentamento geral da população com os rumos da política atual, os jornais puderam trazer de volta o velho e sumido jornalismo. E sem contradizer as forças de mercado, pois a população é que passou a se interessar mais ativamente pelos rumos da política. A mídia simplesmente atende ao público. E o resultado, em termos de qualidade de textos e reportagens, é surpreendente. Dormiam nas redações excelentes profissionais, que agora podem mostrar seu trabalho. As matérias com corpo crÍtico, neutras em termos de tendência política mas recheadas pela retórica do bom senso e pelos vetores da ética na política, inaugurados pelos livros e discursos do ex-dissidente e dramaturgo, hoje presidente, Vaclav Havel, tomaram conta de diários e semanários.
Os políticos estão sendo acusados, pelo público e pela imprensa, de manterem a mesma distância da população que o autoproclamado regime comunista, que durou 41 anos. Aliás, puristas recentemente propuseram que os antigos regimes do Leste europeu e a URSS passem a ser "totalitarios autoproclamados comunistas", para que não mais sejam confundidos com o ideal marxista.
Tom religioso
Durante os 20 anos em que a antiga Tcheco-Eslováquia, dividida em dois países em 1993, viveu em paz e independente, até a entrada de Hitler, as liberdades democráticas eram exemplo para o mundo. Jornais e revistas funcionavam sem a menor censura. A imprensa entre-guerras era crítica, de alto nível intelectual, responsável.
Esta tradição foi cortada a fuzil pelos administradores nazistas do Protetorado de Hitler, entre 1939 e 1945, quando a imprensa ressurgiu, limitada pela realidade econômica do pós-guerra. Em 1948, os soviéticos chegaram, agrupando comunistas e oportunistas em uma Frente Nacional Única. Depois, veio a emenda constitucional que determinou um futuro socialista para o país e a ilegalidade dos demais partidos.
Foram 41 anos de imprensa oficial, com o Rude Pravo (nome bem apropriado: Verdade Vermelha ou Alegação Vermelha) desfilando as maravilhas do glorioso governo comunista e seus amados aliados soviéticos. O tom dos textos desse diário era mais que panfletário, era religioso. A imprensa deixou de existir por quatro décadas, dando lugar a um fantoche da propaganda formulada em Moscou. Esta distância do escritório central da censura provocou casos hilários de confusão cultural, o que desnudava o desacreditado jornal local.
Primavera de Praga
Veio a Revolução de Veludo, o Rude Pravo foi privatizado e virou apenas Pravo. Mas toda uma tradição jornalística bem-exercida do inicio do século foi perdida. Jornalistas haviam sido assassinados a varejo e seus filhos proibidos de estudar, afogando seu legado.
Quando o povo foi às ruas, em novembro de 1989, apenas três repórteres da TV estatal e uma dúzia de rádio enfrentaram o poder e furaram a censura, botando no ar notícias e imagens da revolta, de inicio nem citada na mídia única. Mas, como a Globo em nossas Diretas Já, o alcance dos protestos foi tão grande que os censores tiveram que abrir os portões.
Rude Pravo tinha duas edições diárias: uma distribuída pela máquina governamental, a outra por estudantes universitários, liderados pela faculdade de cinema, a Famu. Eles produziam imagens e as botavam no ar, de forma pirata. Este tipo de sabotagem para fornecer informação verdadeira à população já funcionara em 1968, na invasão soviética. Desde 1967 a Tcheco-Eslováquia se aproveitava do tédio geral em relação ao comunismo para arriscar reportagens com verdades sobre o regime, além de filmes de gente do porte de Milos Forman. Surgia o "socialismo de face humana" do eslovaco Alexander Dubcek, conhecido como Primavera de Praga, que deu lugar a uma imprensa de voz livre, embora pouco profissional e improvisada, que pintou e bordou até a entrada dos tanques do Pacto de Varsóvia.
Resistência e alma
Apesar de heróicas, essas faiscas de jornalismo independente estavam mais para liberdade absoluta de oposição verbal ao regime que para reportagem responsável.
Aos poucos, foi-se formando a banca local de jornais e revistas independentes. Pravo enveredou para o espectro oposto de sua história: acabou um jornal ranzinza, de direita neoliberal, cheio de opiniões fortes atracadas a interesses pessoais. Para piorar, manteve o projeto gráfico antigo e confuso. É um jornal cheio de poluição visual e ataques à esquerda.
O titulo que se firmou como respeitável, com credibilidade, foi o Mlada Fronta Dnes (Frente Jovem Hoje), ou simplesmente Dnes (Hoje), como seu logo destaca (era um painel oficialesco da juventude comunista). Foi o que mais resistiu ao jornalismo sem alma propagado pelos americanos. Mesmo assim, vinha aumentando suas seções de entretenimento, cidade (com aquele monte de factóides pitorescos), esportes e polícia, ainda que sem cortar o espaço de política e economia. Com o começo da crise política de 1998 – um parlamento estagnado pela aliança de dois partidos de ideologias opostas, que nada vota e paralisa o país –, contratou excelentes investigadores (literalmente detetives, pois a República Tcheca apenas recentemente formou a primeira classe da faculdade de Jornalismo, que não existia até 1993).
Pressões a galope
O resto da imprensa só assumiu postura crítica com o manifesto de repúdio à classe política lançado por um dos estudantes que começaram a revolução de 1989, o cineasta e escritor Igor Chaun. Em 17 de novembro de 1999, na comemoração dos 10 anos dos protestos que derrubaram o regime, Chaun apresentou documento intitulado "Obrigado, mas adeus!", pedindo a renúncia em massa das lideranças políticas, inclusive do presidente Havel, alegando que o país caíra no oportunismo político de antes.
O revolucionário que derrubara o regime anterior pedia a cabeça do atual. A população aproveitou o embalo, foi de novo para as ruas e o barulho segue até hoje. Os jornais Mlada Fronta Dnes, Lidove Noviny (Jornal do Povo), Pravo, Zemske Noviny (Jornal Nacional), Vecernicek (Da Tarde), Vecernik Praha (Noturno Praga), Svobodne Slovo (Palavra Livre), Hospodarske Noviny (Jornal da Economia) e Metro (distribuído gratuitamente no metrô) não deixaram a poeira baixar e seguem cobrindo as andanças parlamentares, para frustração dos políticos.
Frustração tão grande que eles tentaram de todos os modos acabar com a onda de análises desfavoráveis e ataques à estagnação e à politicagem dos dois grandes partidos em conluio. Pressões desavergonhadas vieram a galope. Repórteres começaram a ser cortados de coletivas, parlamentares passaram a negar entrevistas aos que julgavam detratores, festinhas de políticos tiveram jornalistas vetados.
As gafes da primeira-dama
Mas a mídia não arredou pé. Como as rádios, sete delas do grupo Cesky Rohzslas, estatal (cabides de emprego desde os tempos autoritários), são antiquadas e burocráticas, os líderes políticos se concentraram na TV – um tiro que deu certo. Há cinco canais abertos na Republica Tcheca, dos quais dois estatais – Ceska Televize 1 e 2 (sustentados por 2 dólares opcionais na conta de luz) –; um popularesco, a TV Nova, espécie de SBT; um dedicado à mulher, TV Prima; e a fraca TV Galaxie.
A Galaxie tem um telejornal sofrível, de 15 minutos, geralmente destacando "a última aquisição do zoológico". A Prima tem três edições de 15 minutos de notícias rápidas, pouca política. A todo-poderosa Nova reza pela cartilha neoliberal thatcheriana, mostra Havel como um ultrapassado e destruiu a imagem da segunda mulher dele (a primeira, a companheira de lutas Olga, morreu após 30 anos de casamento), a atriz pop de TV Dagmar Veskrnova, a figura feminina mais odiada da República Tcheca. Ela exigiu a oficialização do cargo de primeira-dama, com salário, motorista e assessores.
Quando os deputados votavam a reeleição de Havel, em 1998, ela foi para o parlamento e interrompeu o discurso de um deputado, contrário a seu marido, batendo os pés e assobiando feito torcedor em partida de futebol. Encerrou o espetáculo aos berros de "cai fora, seu fascista!". A mídia se aproveitou. Teve até caderno especial sobre a primeira-dama e suas gafes.
A volta dos releases
Mas os políticos estavam de olho na TV estatal. O jornalismo da excelente Ceska Televize, oficialesco, mudara a partir de 1998, sob o comando de um jovem de 28 anos, Jakub Puchalsky, que conseguiu o que parecia impassível: telejornalismo com critica e fundamento, atrelado ao interesse público.
Quando fui expulso do Castelo de Praga pelo secretário de imprensa do presidente, Ladislav Spacek, por fazer uma pergunta que incomodou Margareth Thatcher [ver remissão abaixo], ele quis caçar minha credencial para o palácio de governo. Puchalsky resistiu, escancarando para o público o comportamento do assessor. No dia seguinte, Spacek avisou a Puchalsky que ele tinha cometido um erro "fatal" e estava com os dias contados.
Puchalsky acabou obrigado a renunciar. Na segunda quinzena de janeiro foi escolhido seu sucessor: um afiliado do partido do ex-premier Vaclav Klaus, que mudou completamente o jornalismo das estatais, tirando repórteres do comando dos telejornais e usando meros ledores de prompter. Dois jornalistas já pediram demissão, denunciando que matéria sobre um projeto do partido de Klaus foi posta no ar e o texto integral do release foi lido como notícia.
Cumprindo o dever
Um projeto indecente que cerceia os poderes do presidente – que ameaça renunciar, se for aprovado –, antes debatido e denunciado pelo jornalismo das estatais, sumiu do noticiártio, às vésperas de ser votado.
Fazendo jornalismo, portanto, sobra a mídia impressa. E jornalismo bom. Os textos são muito bem escritos, bem embasados, argumentação objetiva. Mas a população ainda segue tradição pacífica, quase fleumática, reclamam os impacientes com a situação atual. É que a economia, apesar de estagnada, ainda assegura um bom nível de vida para boa parte do povo, em comparação às dificuldades do passado.
A análise crítica de jornais e revistas tem denunciado a postura desavergonhada dos políticos. É o jornalismo cumprindo seu dever, com responsabilidade. Vamos esperar para ver se tem mesmo a força que dizem.
BRILL’S CONTENT
Independência sob suspeita
A companhia Brill Media Holdings, que publica um dos media watch mais conhecidos e tradicionais dos Estados Unidos, a revista Brill’s Content, concordou em participar de parceria com veículos da grande imprensa – que geralmente fazem parte da cobertura crítica da revista – para a produção de um novo website.
De acordo com matéria de Alex Kuczynki para o New York Times (2/2/00), a Brill Media Holdings será parceira dos canais de televisão CBS e NBC, da revista Primedia, da distribuidora de livros Igram e da companhia EBSCO para a produção do site Contentville.com. Previsto para ser lançado no segundo semestre, o Contentville venderá livros, assinaturas de revistas, transcrições e acesso ao arquivo de artigos antigos de revistas, entre outros conteúdos.
Junto com a CBS, Brill Media Holdings estará entre os maiores acionistas do website. Para ser detentora de 35% da parceria, a CBS gastará 40 milhões de dólares em propaganda pelos próximos três anos. A Brill Media, detentora de 34%, será um parceiro administrativo. NBC, Premedia, Igram e EBSCO terão cada uma entre 5% e 10% do negócio.
O acordo entre a editora do media watch e veículos da grande imprensa levantou muitas discussões sobre a possibilidade de Brill’s Content estar comprometendo sua integridade. De acordo com Robert McChesney, professor de comunicação da Universidade de Illinois, citado por Kuczynki, a revista não poderá evitar a idéia de conflito de interesses. "Não se pode passar a aparência de conflito de interesses quando se é um crítico de imprensa. E alianças com redes de televisão parecem ser conflitos", afirmou McChesney ao New York Times.
Para Tom Goldstein, reitor da Escola de Jornalismo da Columbia University, entidade que edita a Columbia Journalism Review, não se pode determinar se Brill’s Content terá sucesso em manter sua independência. "Você pode estabelecer todo tipo de estrutura com antecedência, mas isso terá de ser trabalhado por tentativa e erro. Todas essas estruturas não garantirão a crítica independente até você testá-las", disse ao NYT.
De acordo com o presidente da Brill Media Holdings e editor-chefe da Brill’s Content, Steven Brill, a revista não será influenciada pela parceria no website. Os parceiros já teriam inclusive assinado um acordo que determina que nenhum deles poderá exercer influência sobre a revista. Brill acrescentou que Bill Kovach, que critica a Brill’s Content mensalmente na revista Primedia, irá monitorar possíveis conflitos de interesses no website. Segundo Brill, a Primedia, única revista que fará parte da parceria, também não sofrerá conflitos de interesses e não será mais beneficiada do que outras revistas que venderão suas assinaturas e artigos no novo website.
Brill reconheceu que alguns membros da equipe editorial e de negócios da revista Brill’s Content trabalharão em conjunto com membros da equipe do Contentville e ainda dividirão os mesmos andares nos novos escritórios da companhia Brill Media Holdings.
INTERNET
Crise de crescimento
Com cerca de 3 milhões de usuários, o Brasil é hoje responsável por 54% dos acessos à internet na América Latina. Nos próximos dois anos, estima-se que este número chegue aos 5 milhões de usuários, os quais deverão gastar 200 milhões de dólares por mês no comércio online.
O levantamento e as estimativas, feitos pela empresa de consultoria e pesquisa norte-americana InfoAmericas, estão disponíveis no website <www.infoamericas.com>. Apesar de concluir que os números são suficientemente grandes para atrair investimentos diversos, a empresa afirma que tanto o Brasil quanto a América Latina estão muito distantes dos países desenvolvidos em tudo que se refere às comunicações online. O Brasil responde apenas por 2% dos acessos à rede mundial de computadores, e a América Latina inteira representa 4% desses acessos.
Canibalização dos preços
Deixando de lado as apostas, já é certo hoje, no Brasil, que a competição entre os provedores de acesso por conexões mais baratas deve trazer muitos novos usuários domésticos. De acordo com dados da InfoAmerica, apenas 1/3 dos 8 milhões de PCs em uso no país estão conectados à rede mundial de computadores.
O Brasil conta atualmente com 340 provedores. O preço médio de acesso é de 20 dólares mensais, com tempo ilimitado de conexão. Os provedores gratuitos irão, de acordo com a InfoAmerica, "canibalizar" os preços de acesso.
O levantamento da InfoAmerica concluiu também que o UOL (Universo Online), parceria entre os grupos Folha e Abril, continua sendo o maior provedor do país. Ele detém 23% mercado de acesso à rede no Brasil e iniciou sua expansão por outros países latino-americanos.
O ZAZ segue em segundo lugar, com 13% do mercado. No segundo semestre de 1999, o provedor foi comprado pela Telefónica de España, também proprietária de provedores na Argentina, Chile, Peru; e do Grupo O1, que atua na Colômbia, Venezuela, Peru e Chile.
Dados sobre o desempenho da AOL (América OnLine), maior provedor do mundo que começou a oferecer serviços no Brasil em janeiro, ainda não foram apurados pela InfoAmericas.
Dificuldades de conexão
De acordo com o levantamento, o mercado brasileiro de internet depara-se repetidamente com problemas de preço e infra-estrutura que emperram seu desenvolvimento.
Um deles é a pouca penetração de PCs no país, já que a maioria dos 8 milhões de microcomputadores encontra-se em escritórios, e não nas casas. Segundo a InfoAmercias, computadores novos no Brasil estão entre 12 e 15 meses tecnologicamente atrasados em relação aos Estados Unidos, e entre 30 e 50% mais caros.
A velocidade das conexões também estaria impedindo o crescimento do mercado de internet. A maioria dos computadores brasileiros rodam em velocidades entre 28 e 56 Kps, e outras possibilidades de conexão além da linha de telefone deverão demorar ainda 3 ou 4 anos para se tornarem comuns.
O último problema apontado pela InfoAmericas refere-se ao idioma, uma vez que cerca de 80% do conteúdo veiculado pela internet está em inglês. É provável que a questão não tenha representado uma grande barreira para os 2,6 milhões de brasileiros que hoje têm acesso à rede, mas certamente é intransponível para a maioria da população.
MERCADO
Revistas tiram o time
O anúncio feito no início de fevereiro de que uma revista norte-americana de médio porte estava suspendendo sua circulação deixou assutados muitos donos de veículos. Isso porque Icon, que vendia 175 mil exemplares mensais, foi, desde o início do ano, a terceira revista voltada para o público masculino a fechar as portas nos Estados Unidos. Em janeiro, a revista Bikini, da editora Raygun, e a P.O.V. já haviam anunciado o fim de suas atividades.
De acordo com matéria de Keith Kelly para NYPost.com (2/2/00), diretores da revista admitiram prejuízos de cerca de 5 milhões de dólares, desde o lançamento de Icon. Vinte 20 funcionários, em média, estavam há várias semanas trabalhando para a revista sem receber salários. O editor-chefe de Icon, David Getson, reconheceu que muitos free lancers e fotógrafos também estão aguardando seu pagamento. "Eu gostaria de pedir desculpas a todas as pessoas que foram colocadas em má situação por causa de problemas com dinheiro", declarou Getson.
De acordo com Getson, o crescimento da internet está dificultando o trabalho das pequenas revistas na sua busca por anunciantes. "A indústria está com sérios problemas", avisa.
Escândalos ma non troppo
O tablóide norte-americano The New York Post, que construiu sua reputação com coberturas sensacionalistas sobre crimes, esportes e escândalos, nomeou como editora-executiva uma jornalista que passou toda sua carreira cobrindo assuntos econômicos.
De acordo com matéria de Felicity Barringer para The New York Times (2/2/00), Xana Antunes ocupou o cargo em outubro de 1999, depois que Kenneth Chandler, ex editor-chefe, trocou a correria da redação diárias pelo posto de publisher do jornal.
Desde que ocupou o cargo, Xana Antunes introduziu seções especiais de mídia e tecnologia e dobrou o número de páginas sobre negócios. De acordo com a editora, a nova proposta procura tanto agradar os leitores acostumados com a cobertura econômica quanto aproveitar o aumento da popularidade de líderes do mundo dos negócios, como Bill Gates, Michael Eisner e Gerry Levin, da Microsoft, Walt Disney e Time Warner, respectivamente.
A editora não nega, entretanto, que são grandes as dificuldades de se produzir uma manchete sobre o mercado financeiro em um tablóide. "Temos muitas pessoas que compram o jornal tarde, depois que já estamos em um novo dia do mercado financeiro", afirmou Xana Antunes.
Casamentos de conveniência
Ao formar parcerias com tradicionais empresas de mídia, os websites de notícias estão conseguindo se livrar do estigma de serem superficiais e de correrem atrás apenas de boatos. A avaliação é de Felicity Barringer, do New York Times (31/1/99), ao analisar a parceria firmada entre a agência de notícias Associated Press e o website Cnet News.
A agência de notícias de 151 anos utilizará pela primeira vez matérias de uma organização de notícias não tradicional. O Cnet, sítio especializado em assuntos financeiros online, com apenas quatro anos de existência, irá incrementar a cobertura da AP sobre internet. Em troca, a agência deixará disponíveis no Cnet suas notícias online, que abragem cobertura nacional, internacional e de entretenimento.
Assim como o acordo firmado no ano passado entre a rede de televisão CBS News e o site de notícias financeiras MarketWatch.com, a parceria entre AP e Cnet representa, de acordo com Felicity Barringer, o desejo das grandes organizações de competirem mais agressivamente nas novas mídias – "um mundo bem conhecido pela Cnet News, que nasceu online". Este é também um mundo que a Reuters, principal rival da AP, está tentando conquistar. Em 1998, 55% dos rendimentos da Reuters no continente americano vieram de websites como Yahoo, Excite@Home e Walt Disney’s Go.com.
"Nós quereremos responder à explosão de interesse em internet e tecnologia", afirmou Jon Wolman, editor-administrativo da AP.
A agência de notícias serve hoje 1.549 jornais impressos em todo o mundo, dos quais aproximadamente 900 possuem sítio na web. De acordo com analistas, leitores online costumam ser bons consumidores de notícias financeiras, em especial aquelas relacionadas com internet. Ao incrementar seus serviços com os 45 jornalistas da Cnet especializados em assuntos financeiros de internet, executivos da Associated Press acreditam que poderão também agradar mais e aumentar o número de clientes.
MÚSICA NA NET
MP3 e direitos autorais
Duas ações judiciais movidas no fim de janeiro nos Estados Unidos contra websites que estariam burlando leis de direitos autorais trouxeram à tona o conflito entre a indústria tradicional de entretenimento e o mercado de mídia digital.
Sem dispor de mecanismos legais condizentes com a nova realidade midiática, as cortes estaduais e federais norte-americanas são obrigadas a fazer uma opção: ou se baseiam em leis de mais de 20 anos ou tentam se adequar aos novos estatutos pós-internet que começam agora a ser testados.
Em 21 de janeiro, a Associação Americana de Gravadoras moveu ação contra o website MP3, que além de oferecer uma variedade de músicas para serem ouvidas pelos internautas, abria a possibilidade de copiá-las e guardá-las. A associação baseou-se em uma lei de 1976 para mover a ação contra o website. A lei garante que os detentores do copyright são os únicos com direito de reprodução do material em questão.
Em carta enviada à diretoria do MP3, o diretor-executivo da associação das gravadoras afirmou não ser legal compilar músicas sem permissão ou licença. "Apesar dos direitos dos indivíduos de usarem sua própria música, vocês não podem explorá-la para o ganho comercial de sua própria empresa."
Também em 21/1/00, um júri distrital decretou uma decisão preliminar que proíbe três websites de distribuírem softwares que rompem códigos de defesa de copyright. Estes softwares foram inicialmente produzidos para converter arquivos para o sistema operacional Linux.
A decisão de proibir a distribuição baseou-se na nova lei Digital Millennium Copyright Act, segundo a qual é ilegal burlar tecnologias de proteção ao copyright.
"Os estatutos são terrivelmente complexos e não está claro como devemos aplicá-los à internet. O resultado aparece quando trabalhamos com esses estatutos e verificamos que eles talvez não sejam o que nós esperamos", afirmou Mark Lemley, professor especializado em direito da internet da Universidade da Califórnia. De acordo com Lemley, tem ocorrido um grande conflito entre os tradicionais meios de distribuição das mídias e os meios digitais. "As companhias de mídia têm preocupação com a perda de seus mecanismos tradicionais de distribuição", afirmou o professor.
FOGO CRUZADO
Repórter some na Chechênia
Somente doze dias depois do desaparecimento de Andrei Babitsky, repórter russo que cobria o conflito na Chechênia para a rádio Liberty (fundada e sustentada pelos Estados Unidos desde os tempos da Guerra Fria), o Departamento de Estado americano declarou seu empenho na localização do jornalista.
De acordo com matéria de 28/1 do site de notícias Russia Today (www.russiatoday.com), o último contato de Babitsky foi feito em 15 de janeiro, da capital chechena Grozny. Devido aos freqüentes seqüestros, Babitsky foi um dos poucos repórteres que atravessou a fronteira e tentou cobrir o conflito sem credenciais.
As notícias sobre o desaparecimento de Babitsky que chegam à Rússia pelas agências norte-americanas especulam muitas vezes se, na tentativa de impedir a cobertura do conflito, o próprio serviço de segurança russo foi responsável pelo seqüestro.
O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano não fez tal especulação, mas sugeriu que os russos estão dificultando o trabalho da imprensa. "Nós damos total apoio à liberdade de imprensa e insistimos para que o governo russo assegure que os jornalistas sejam capazes de realizar seu trabalho sem empecilhos na Chechênia", declarou o porta-voz.

Revolução vira abóbora e repórter paga o frete
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