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MONITOR DA IMPRENSA

CHECHÊNIA
Babitski vivo no Daguestão

Fabiano Golgo
, de Praga

A mulher do jornalista Andrei Babitski, Lyudmila, finalmente ouviu a voz do marido, desaparecido há mais de 40 dias, enquanto cobria o conflito russo na república separatista da Chechênia. O telefonema foi recebido dia 25/2, sexta-feira, à noite, na sede da Rádio Liberdade, em Praga, onde Lyudmila vinha se hospedando por medo de ficar em Moscou, depois que agentes da polícia especial russa invadiram seu apartamento, em janeiro. Babitski está na capital do Daguestão, Makhachkala, preso, sob circunstâncias desconhecidas.

Segundo o presidente da Rádio Liberdade, Thomas A. Dine, Babitksi não pôde falar abertamente. Lyudmila confirmou que a fala do marido não soava natural e que ele não respondeu a várias perguntas, se limitando a dizer que estava bem e que logo poderia voltar, mas não sabia dizer quando. Um rastreamento da origem do telefonema, feito por um sistema especial em Washington, apontou a sede do Ministério do Interior da Confederação Russa no Daguestão. Para mostrar que descobrira o ponto exato, a rádio ligou para lá. Soube-se então que Babitski poderia ser liberado no sábado, 26.

O Ministério do Interior russo informou à Rádio Liberdade que Andrei Babitski foi preso na fronteira do Daguestão com a Chechênia, durante a verificação rotineira de documentos. Segundo a versão oficial russa, Babitski portava passaporte falso do Azerbaijão, e está sob custódia por falsificação e tentativa de entrada ilegal no país, podendo ser condenado a 2 anos de prisão. Colegas do serviço russo da Rádio Liberdade, financiada pelos Estados Unidos para transmitir programas em 26 línguas a países sem liberdade de expressão, lembram que esta acusação era corrente na era soviética. O nome que consta no suposto passaporte falso de Babitski, segundo um repórter da Rádio Liberdade no Azerbaijão, é Ali Musayev (tão comum no país quanto João da Silva, no Brasil).

Lyudmila tentou sem sucesso um visto para voar para o Daguestao. Foi aconselhada pela Embaixada da Rússia em Praga a ficar quieta na capital tcheca "para evitar complicações". Mas a Rádio Liberdade a mandou de volta a Moscou no sábado acompanhada por um representante da CIA, que supervisiona as operações da emissora. O governo americano informou oficialmente ao Kremlin que um de seus agentes estaria com Lyudmila e os dois filhos do casal.

Pouco depois, um representante do Ministério das Relações Exteriores, Vikto Kozin, disse que "a Rádio Liberdade é a única responsável pelo destino de Andrei Babitski", e que o Kremlin deverá analisar se a emissora continuará transmitindo em seu território, por ser perniciosa aos "interesses nacionais". Segundo ele, Babitski cometeu crime ao entrar na Chechênia sem credenciamento e que, portanto, "não pode reclamar das conseqüências".

A Reuters e a Associated Press afirmam que Babitski na verdade foi preso em uma cafeteria de um hotel com o tal passaporte falso. A informação faz sentido, pois a capital não fica na fronteira. Sonya Winters, da Rádio Liberdade, disse que também recebeu esta informação no sábado à tarde. Babitski confirmou ter concordado com sua troca por soldados russos, mas mudou de idéia quando percebeu que os supostos chechenos usavam capuz preto, que não é seu hábito. Magomed Omarvo, do Ministério do Interior do Daguestão, disse que Babistki não sabia quem o levou para Makhachkala, porque o grupo usava capuz. Oleg Kusov, também correspondente da Rádio Liberdade, que viajou ao Daguestão para servir de testemunha, foi questionado duas vezes e viu Babitski na cela. Ele informou à TV privada russa NTV que o jornalista está em boas condições físicas.

 

AFRICA DO SUL
Propriedade branca

Depois de terem sido intimados a testemunhar perante uma sindicância que investiga racismo na mídia, cinco editores de jornais sul-africanos acusam a Comissão de Direitos Humanos da África do Sul de estar impedindo o debate racial pós-apartheid no país.

A Comissão, instituída após o fim do regime de segregação racial para assegurar que os direitos humanos sejam garantidos de acordo com a nova constituição, está analisando se os jornais Cape Argus, Cape Times, Die Burger, Sunday Times e Mail & Guardian estão sendo racistas. No ano passado, a Comissão produziu um estudo no qual defende que os negros sul-africanos continuam sendo retratados pela mídia como criminosos, incompetentes e irrelevantes.

Segundo matéria do website de notícias BBC News <http://news.bbc.co.uk> de15/2/00, o Fórum Nacional de Editores sul-africanos (Sanef) disse que concorda com a avaliação da comissão de que há racismo na mídia e afirma estar contente por o assunto ganhar atenção nacional. O Fórum discorda entretanto das intimações, afirmando que elas irão restringir o debate racial realizado pela mídia. "Nós acreditamos que as intimações são negativas para um debate anti-racismo", afirmou um documento do Fórum.

Pelo menos dois editores afirmaram que irão ignorar as intimações, apesar dos riscos de serem presos ou pagarem multa.

A mídia sul-africana continua sendo analisada de perto na questão da discriminação racial porque todas as grandes empresas de mídia do país continuam tendo como proprietários apenas homens brancos.

 

ESTADOS UNIDOS
Violação de normas

Uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo, a New England Journal of Medicine, que circula há 188 anos, publicou em 23 de fevereiro uma carta aos leitores na qual pede desculpas por ter violado 19 vezes uma de suas determinações éticas sobre conflitos de interesses. A revista revelou ter permitido que médicos que possuíssem vínculos financeiros com empresas farmacêuticas escrevessem artigos sobre novas drogas.

De acordo com matéria de Lawrence Altman [The New York Times, 24/2/00], a determinação da revista, criada para evitar matérias tendenciosas, determina que médicos que possuem acordos com empresas produtoras das drogas não estão habilitados a escrever sobre o medicamento.

Em todos os 19 casos pelos quais a revista se desculpa, editores foram informados sobre os acordos com empresas farmacêuticas pelos próprios médicos antes de escreverem os artigos. "Houve falta de cuidado da nossa parte", afirmou a médica Marcia Angell, editora-chefe desde setembro.

A violação da determinação foi denunciada pelo jornal Los Angeles Times em setembro e outubro de 1999. O jornal norte-americano detectou na época oito casos. Depois das acusações, Journal of Medicine decidiu investigar seus próprios artigos e concluiu que outros 11 textos também haviam sido escritos por médicos ligados financeiramente às empresas produtoras das drogas que eles comentavam.

"Este é o erro mais grave que já cometemos e nós tínhamos que nos desculpar", disse Marcia Angell, uma dentre os três editores que assinam a carta. Ao final do documento, os editores afirmam que o lapso foi resultado de uma "pobre coordenação entre os editores e falta de cuidado com todo o escritório".

Além de trazer a referência de cada um dos 19 artigos que violam a determinação ética, a carta revelou também o nome das empresas que produzem as drogas mencionadas nos artigos. Os três editores afirmaram que irão incentivar a comunicação entre os responsáveis pela linha editorial da revista e que tornarão a relação entre a redação e as determinações éticas mais estreitas.

 

IRÃ
A voz do fundamentalismo

A provável vitória dos chamados reformistas nas eleições parlamentares de meados de fevereiro no Irã foi considerada pela mídia independente do país como uma vitória também dos veículos impressos sobre os programas noticiosos do rádio e da TV.

Isso porque toda a mídia radiofônica e televisiva iraniana está sob a jurisdição do líder máximo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Desde a revolução islâmica de 1979, elas têm sido meios propagandistas do regime fundamentalista, sem realizar nenhuma cobertura sobre as mudanças exigidas pelas mulheres e jovens, e praticamente ignorando a vitória dos reformistas na última eleição parlamentar.

De acordo com matéria do website BBC Monitoring <http://www.monitor.bbc.co.uk>, semanas antes das eleições, o parlamento iraniano, atualmente dominado pelos fundamentalistas, aprovou uma lei que baniu a propaganda eleitoral de qualquer meio de comunicação. Entretanto, em todas as emissora de rádio e TV, somente os governistas tiveram voz e puderam expor sua candidatura.

O espaço dos liberais e reformistas foi garantido pelos jornais impressos não-governamentais. Apesar da repressão do regime – o jornal reformista Khordad foi fechado no fim de 1999 e seu diretor sentenciado a cinco anos de prisão por insultar o islamismo [veja as remissões abaixo] – muitos impressos foram o meio de divulgação que os reformistas encontraram para expor suas propostas e divulgar sua candidatura.

Ainda que o resultado final das eleições seja divulgado apenas no fim de fevereiro, os resultados apurados até 22/2 estimam que 137 das 191 cadeiras serão ocupadas por reformistas. Enquanto os jornais independentes cobriam a apuração dos votos e analisavam os possíveis resultados, as emissoras do governo se limitaram a anunciar listas com os nomes dos candidatos mais votados até o momento.

Mohamad Reza Khatami, irmão do presidente reformista, será provavelmente o membro do parlamento com o maior número de votos. Ele afirma que irá lutar pelo fim da condenação de jornalistas por tribunais religiosos.

 

INTERNET
Folia virtual

A rainha do carnaval brasileiro neste ano será a internet. A aposta, do jornal The New York Times (25/2/00), foi feita um dia depois que os maiores provedores de acesso à rede do Brasil anunciaram suas estratégias e acordos que garantem transmissão de fotos, imagens e entrevistas durante os cinco dias de festa.

O porta-voz do provedor Zip.net, recentemente adquirido pela empresa portuguesa PT Multimídia, afirmou que o provedor irá transmitir ao vivo os desfiles do Rio de Janeiro e promoverá chats com celebridades que participam do carnaval. "Teremos um cybercafé com dez computadores para que as pessoas possam ter acesso à rede, enviar e-mail e fotos digitais", declarou o porta-voz.

O maior provedor brasileiro, Universo Online (UOL), oferece em seu website letras das músicas e detalhes sobre as escolas de samba e trios elétricos de Salvador. O UOL também afirma que irá transmitir os desfiles de diversas regiões do país.

O provedor espanhol Terra, que adquiriu no ano passado adequiriu o ZAZ, a segunda maior empresa de acesso à internet do Brasil, também anunciou que irá transmitir imagens dos desfiles do Rio, Salvador e Olinda.

Quem parece estar por fora da festa é o peso-pesado AOL. O provedor anunciou que ainda está negociando a cobertura do carnaval.

 

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