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MONITOR DA IMPRENSA
ANGOLA
Jornalistas condenados
"Jornalistas angolanos foram condenados", copyright Jornal de Notícias, Lisboa, 31/03/2000
"Os jornalistas Rafael Marques e Aguiar dos Santos vão aguardar em liberdade a decisão dos recursos apresentados pela defesa relativos às penas de prisão a que hoje foram condenados pelo Tribunal Provincial de Luanda. O juiz Joaquim Cangato decidiu aceitar os recursos apresentados pela defesa dos dois jornalistas, pelo que poderão aguardar a decisão em liberdade.
Os jornalistas eram acusados dos crimes de injúria e difamação ao presidente angolano José Eduardo dos Santos, na sequência de dois artigos escritos por Rafael Marques e publicados no semanário Agora, dirigido por Aguiar dos Santos.
Neste processo era também arguido o jornalista António Freitas, que foi absolvido. Rafael Marques foi condenado a seis meses de prisão e ao pagamento de 100 mil cuanzas (cerca de três mil contos= US$ 10.500) ao ofendido, o presidente angolano. O jornalista foi ainda condenado a pagar 10 mil cuanzas (cerca de 300 contos=US$ 1.150) de multa e outros 200 cuanzas (cerca de seis contos=US$ 30) de imposto de justiça.
Aguiar dos Santos foi condenado a dois meses de prisão, além do pagamento de 5 mil cuanzas (cerca de 150 contos=US$ 750) de multa e de 200 cuanzas de imposto de justiça (US$ 30)."
NOTÍCIA & NEGÓCIO
O furo fátuo
Os destaques e manchetes nos noticiários das TVs, websites e jornais impressos têm-se transformado em uma das grandes distinções entre as "novas" e "velhas" mídias. Em meados de março, a notícia de que as empresas de internet Yahoo e eBay estariam negociando uma fusão rendeu coberturas diferentes nos Estados Unidos. Enquanto o canal de televisão CNBC abria o noticiário do fim da tarde com furo de reportagem sobre a possível fusão, e seu website inundava a rede com manchetes de última hora, o jornal The Wall Street Journal, parceiro da CNBC, deu apenas cinco parágrafos para o caso.
Depois de apurar que a Yahoo e eBay estavam discutindo a possibilidade de se tornarem parceiras ou de se fundirem em uma só empresa, o repórter Steve Frank abriu o noticiário da CNBC com matéria exclusiva. Enquanto o website da rede de televisão continuava alimentando do furo, as agências Reuters, Bloomberg e Associated Press, e os websites CBS MarketWatch, SV.com e TheStreet.com, corriam atrás do prejuízo e para fornecer a manchete que conseguiam apurar.
Os resultados da cobertura chegaram a ter reflexos na bolsas no dia seguinte. As ações da eBay subiram de 218 para 239 dólares e as ações da Yahoo foram de 168 a 171 dólares.
O curioso, entretanto, foi a cobertura do The Wall Street Journal. Apesar de repetir exatamente a mesma notícia dada na noite anterior pela sua parceira CNBC (Steve Frank, repórter responsável pelo furo, também trabalha para o jornal), o diário restringiu-se a cinco parágrafos escondidos no miolo do jornal, sem direito a manchete, chamada na capa ou letras garrafais.
"Conforme o nosso deadline se aproximava, tornou-se claro que as conversas ainda eram muito preliminares", afirmou Paulo Steiger, editor-executivo do The Journal.
Segundo matéria de Jim Rutenberg [The New York Times, 20/3/00], a reportagem apresentada pela televisão poucas horas antes do fechamento da edição do jornal impresso também deixava claro que o acordo não era eminente, mas ainda assim mereceu destaque. Em entrevista ao jornalista do New York Times, John Pavlik, diretor-executivo do Centro de Novas Mídias da Universidade Columbia, afirmou que o aumento no número de canais de TV e websites cria uma supervalorização do furo de reportagem e uma tentativa de mostrar sempre sua autoria. "Quando há apenas um boato, há uma pressão incrível para que se corra atrás dele, porque se você não faz isso, há uma grande possibilidade de que outra pessoa o faça e obtenha o furo", diz Pavlik.
De acordo com Kevin Magee, produtor-executivo do Business Center – programa da CNBC que anunciou o possível acordo entre as empresas de internet –, a informação está se movendo mais depressa do que nunca, e é sua missão manter seus telespectadores atentos para mudanças futuras. "Se você fosse um acionista da eBay ou da Yahoo, você estaria interessado nesta notícia. Manter ou não a mesma importância doze horas depois não diminui o mérito do furo de reportagem."
LIBÉRIA
Recrudesce a censura
Dois importantes jornais da Libéria, costa oeste da África, publicaram em suas primeiras-páginas desenhos e palavras de ordem contra o fechamento de duas rádios independentes do país. Em 15 de março, o governo do presidente Charles Taylor decidiu suspender o funcionamento da Rádio Veritas e fechar a Star Rádio, acusadas de "disseminar mensagens de ódio" e "provocar insegurança" no país.
De acordo com matéria de Peter Kahler [Panafrican News Agency, 18/3/00], o jornal Independent News publicou, em toda sua primeira-página, uma grande bota de estilo militar quebrando uma caneta. Logo abaixo, a inscrição: "A imprensa está em risco". Enquirer, por sua vez, estampou um ponto de interrogação em toda a primeira página e perguntou, com as letras de ponta-cabeça: "A liberdade de imprensa está sendo ameaçada?" No dia anterior, estes dois jornais haviam noticiado o fechamento das rádios em uma página com fundo preto e letras em branco.
Em editorial, o Enquirer afirmou que o ponto de interrogação e o título de ponta-cabeça indicam "nossa veemente rejeição à atitude do governo contra as duas instituições de mídia independentes".
O governo afirmou que a Rádio Veritas, controlada pela Igreja Católica, só poderá continuar a funcionar se sua programação for totalmente religiosa e distante de "atividades políticas". A Igreja afirmou, entretanto, que sob "nenhuma circunstância" irá atender a exigência do governo. "É nosso direito constitucional disseminar informação para o público. Se nós abusamos desse direito, sejamos estão julgados pela corte, e não pelo poder executivo", afirmou, em declaração escrita, o arcebispo Michael Francis.
PRÊMIO GEORGE POLK
A investigação recompensada
A Universidade Long Island anunciou, em 16/3, as reportagens vencedoras do prêmio George Polk, uma das mais tradicionais premiações de jornalismo dos Estados Unidos. O prêmio, que leva o nome de um repórter da TV CBS morto enquanto cobria a guerra civil grega, será entregue aos vencedores durante solenidade marcada para 18 de abril.
Segundo matéria do website de notícias Yahoo News (18/3/00), o prêmio de melhor reportagem nacional foi para Jason DeParle, do New York Times, por suas análises sobre a reforma do governo de bem-estar social no estado de Wisconsin.
Três jornalistas da agência de notícias Associated Press levaram o prêmio de reportagem internacional por sua série de matérias sobre assassinatos em massa cometidos por soldados norte-americanos no início da guerra da Coréia.
O repórter Kevin Carmody, do Daily Southtown, também foi premiado por reportagens que requeriam pesquisa histórica. Ele mostrou que o governo sabia mas escondeu as mortes e doenças causadas a trabalhadores de uma empresa que ficaram expostos a metais tóxicos.
O jornal The Los Angeles Times ganhou seu segundo Polk consecutivo, desta vez pelas reportagens de Paul Watson sobre a guerra de Kosovo. Studs Terkel, escritor, historiador e profissional de rádio por mais de 40 anos, ganhou o prêmio Polk por seus anos de carreira.
Eis os outros prêmios e seus vencedores:
Reportagem financeira: Ellen Schultz, do Wall Street Journal
Editoriais: New York Daily News
Reportagem de criminalidade e justiça: Ken Armstrong, do Chicago Tribune
Reportagem médica: Andrea Gerlin, do Philadelphia Inquirer
Reportagem televisiva local: WWOR-TV, no estado de Nova Jersey
Reportagem regional: Todd Richissin (repórter) e Andre Chung (fotógrafo), do Sun Baltimore
Reportagem televisiva internacional: Olenka Frenkiel, Giselle Portenier e Fiona Murch, do BBC News
Prêmio Polk Especial: Arquivo de Segurança Nacional, que conseguiu a liberação de documentos importantes como as correspondências de Kennedy e Krushechev durante a crise dos mísseis em Cuba.
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