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MONITOR DA IMPRENSA

ESTRÉIA
Revista NO está no ar

Está na rede desde 27/4 a revista online Notícia e Opinião <www.no.com.br>, editada por Marcos Sá Corrêa, Flávio Pinheiro e Dorrit Harazim – trio que trabalha junto há pelo menos três décadas. Diz o texto de apresentação que o grupo procurará combinar na internet as virtudes das mídias impressa e eletrônica. "Das revistas, o critério para escolher assuntos, filtrando das notícias diárias o que é efêmero demais para merecer atenção e extraindo o conteúdo que dá perspectiva à informação e sentido à semana. Dos jornais, o compromisso de se atualizar todo dia. Sobre ambos, a vantagem que a Internet lhe faculta de se renovar várias vezes por dia, tantas vezes quanto for indispensável para cobrir com presteza acontecimentos relevantes."

Notícia e Opinião nasceu de um projeto financiado pelo Opportunity e a GP Investimentos, explica o texto. "Mas essas empresas não influenciarão sua postura editorial. Nela, caberá exclusivamente aos jornalistas definir o que será publicado e como será publicado. Haverá sempre limites explícitos entre a publicidade e o jornalismo. Sua redação terá liberdade para informar, opinar ou fazer humor, cuidado para evitar erros e modéstia para corrigi-los claramente quando não puder evitá-los."

São diretores da revista Manoel Francisco Brito, Flávia Velloso e Nelson Baptista, tendo como colunistas Ancelmo Gois, Arthur Dapieve, Tutty Vasques e Villas-Bôas Corrêa. Colaboram Arnaldo Cohen (Inglaterra), Cacá Diegues, Francisco de Oliveira, Frédéric Pagès (França), Heloísa Buarque de Hollanda, Hermano Vianna, Inês Pedrosa (Portugal), João Moreira Salles, Jonhantan Kandell (EUA), José Augusto Pádua, Jurandir Freire Costa, Kenneth Maxwell (EUA), Leandro Piquet Carneiro, Maria Rita Kehl, Nizan Guanaes, Paulo Lins, Renato Lessa, Sérgio Bermudes, Sérgio Miceli, Silvio Meira. Os editores-executivos são Carla Rodrigues e Pedro Doria, auxiliados por Guilherme Fiúza e Morris Kachani. Onze repórteres integram o elenco da revista, que, em fase de testes, ainda não teve lançamento oficial.

Detalhe: embora o Opportunity também financie o iG, a revista não é ligada ao provedor de acesso grátis à internet.



MR. PRESIDENT E A MÍDIA
Clinton fala sobre jornais

A assessoria de imprensa do presidente Bill Clinton publicou a íntegra de seu discurso no dia 13 de abril, durante almoço da Sociedade Americana de Editores de Jornal (ASNE), no J. W. Marriott Hotel, Washington.

Introduzindo o discurso com piadas descontraídas, Clinton provocou risos para depois adentrar numa questão fundamental ao público presente. Respondendo à terceira e última questão dos jornalistas, Clinton foi "intimado" a dar sua crítica construtiva ao jornal impresso em tempos de notícia instantânea em volumes nunca vistos antes.

"Antes de tudo, devo dizer que acho difícil rodar jornais hoje, num ambiente em que se compete com noticiários de TV, internet, rádio e até com entretenimento" disse, "e até jornais que estão sendo feitos menores, ou mais ‘legíveis’, também estão entrando na internet". Clinton julga o fenômeno algo positivo. "Acho que vocês devem maximizar isso."

O presidente disse que os editores devem lutar contra cair no buraco do sensacionalismo, cuja prática pode trazer uma diferença mercadológica mas foge à proposta fundamental dos jornais. "Creio ser difícil circular um bom jornal à moda antiga, em que as notícias estão na primeira página e a opinião editorial em sua respectiva seção, sem que haja mistura entre ambas", afirmou.

Reconhecendo-se como "antiquado" e "troglodita", Clinton confessou que, por causa de sua agenda, normalmente sua única fonte de informação são os jornais. "Assisto apenas à CNN, pois posso ligá-la a qualquer hora."

Clinton afirmou que "em um balanço geral, toda essa revolução da informação é positiva, mas traz o risco de dar à população mais informação que ela jamais teve sem fornecer também perspectiva, pano-de-fundo, ponderações e previsões adequados".

"O que mais me preocupa é o fato de as pessoas terem todas as informações do mundo, mas não terem como avaliar se são verdadeiras e, se forem, como colocá-las em perspectiva adequada", disse. "Isso é o que considero o desafio mais significante para vocês."

Exemplificando, Clinton citou o seqüenciamento no genoma humano, a ser anunciado em alguns meses. "Quanto custará rodar longas séries sobre exatamente o que é, quais as implicações, como aconteceu e para onde vai?", questionou, "Quanto capital foi reservado ao assunto? E, depois que as coisas começarem a acontecer, como lidarão com isso?"

"Creio que os jornais impressos voltarão a adquirir sua importância, à medida que muito do que as pessoas precisarão absorver do novo século será avanços em ciência e tecnologia, os quais são difíceis de serem noticiados e explicados no limitado tempo das notícias na TV", disse o presidente. Afirmou crer também que "a natureza se encarregará de fazer os jornais antigos mais importantes nos próximos anos".

"Se fosse vocês, em vez de me perguntar qual a minha crítica, eu sentaria e tentaria organizar uma discussão honesta sobre a proposta fundamental do jornal, como mantê-la e como fazer dinheiro dessa forma", concluiu "as pessoas precisam de mais que fatos. Precisam saber que os fatos são precisos e terem uma perspectiva do que sigificam e como se desenrolarão."



ELEIÇÕES NOS EUA
Guerra de clipping

Quando o New York Times afirmou, no começo de abril, que George Bush deveria ser levado a sério na Califórnia porque está preocupado com os latinos e enfatizando a educação, seus apoiadores gostaram tanto do trecho do discurso que enviaram-no em um e-mail para diversos jornais.

Alguns dias depois, a mesma equipe enviou outro e-mail, dessa vez mais seco, dizendo que um "artigo do NYTimes revela uma equivocada e imprecisa figura sobre cuidados com a saúde no Texas". A respeito do mesmo artigo, a campanha do vice-presidente Gore foi bem mais receptiva: "NYTimes detalha falha de Bush no cuidado com a saúde do Texas".

De acordo com matéria de Howard Kurtz [The Washington Post, 22/4/00], ambos os candidatos estão usando matérias de jornais como munição ontra a oposição em propagandas eleitorais, contrastando com a maneira com que os candidatos costumam tratar os repórteres desses mesmos veículos. A mídia é "preconceituosa em relação ao conservadorismo", disse Bush em entrevista ao NYTimes no ano passado. Até dia 21 de abril, Gore não havia concedido entrevista coletiva à imprensa. Nenhum dos candidatos, no entanto, deixou de aproveitar as notícias e reportagens quando lhes conveio.

Ari Fleischer, porta-voz de Bush, afirma que "fatores externos são fundamentais para aumentar o fator credibilidade", justificando o uso da mídia na campanha. Kathleen Begala, porta-voz de Gore, diz que "notícias de jornais importantes dão validade ao que é feito".

Esse fenômeno pode ser fruto do longo período até as eleições gerais. Além disso, o e-mail é uma forma mais contida de circular informações negativas sobre o concorrente que a TV.

"Há dois candidatos apresentando diferentes visões do futuro", disse Chris Lehane, secretária de imprensa de Gore. Isso fica mais evidente quando se utiliza a internet, em que a transmissão e a capturação de notícias está disponível ao se pressionar um botão.

O clipping de reportagens é há anos praticada nas campanhas políticas norte-americanas, mas o uso da internet para isso acelerou o processo e tornou-o mais eficiente; e bem mais ameaçador, à medida que não há limites para ofensas de ambos os lados. Exemplo disso é a nota regular que a campanha de Bush oferece, chamada "O detector de Gore". Até o final da campanha muitas tesouras vão cortar. Tanto reportagens, quanto oposições.



AOL / TIME-WARNER vs. DISNEY
ABC fora do ar

A Walt Disney Co. tirou a rede ABC, de sua propriedade, da Time Warner Inc. – sistema a cabo em 11 cidades dos Estados Unidos. Segundo a Warner, a decisão deu-se pelo fato de não terem chegado a um acordo de novo contrato.

De acordo com matéria de Mark Weinraub [Reuters, 1/5/00], a Time Warner disse que 3,5 milhões de casas foram afetadas. "A Disney está tentando impropriamente usar sua posse das estações de TV da ABC para extrair termos para seus canais a cabo", disse Fred Dressler, vice-presidente sênior de programação da Warner.

Tom Kane, presidente da WABC (filial da ABC em Nova York), disse que a Warner, prevista para fundir com o provedor de Internet AOL, é responsável pelo ocorrido. "Demos à Warner o consentimento de sustentar nossa programação até 24 de maio, então não havia razões para isso", afirmou. "Eles, unilateralmente, nos tiraram de seus sistemas". A recusa da Warner motiva-se no pedido de estender por oito meses o prazo das negociações, o que viria calhar "coincidentemente" com o fechamento do acordo com a AOL. Até o dia 24, os índices de audiência estarão sendo usados para estabelecer publicidades locais.

A Time Warner, que conta com 12,7 milhões de assinantes, disse que fez uma série de propostas razoáveis à Disney, na semana passada, mas a Disney rejeitou todas.

Em Nova York, a ABC transmitiu, no canal reservado à emissora, uma explicação do porquê da ausência da emissora. "A Disney tirou a ABC de você", dizia a mensagem, "oferecemos uma proposta que manteria a ABC para nossos clientes. A Disney disse não. Lamentamos o transtorno, apesar do esforço para evitar a situação." A explicação ainda entra em detalhes de acordos, prazos e ameaças.

A única forma de se assistir ao canal, segundo matéria da AP (1/5/00), seria enganando a TV utilizando as antigas antenas.

A ABC/Disney estendeu cinco vezes o deadline após o pacto de trasmissão nacional original. O último prazo, oferecido em março, deu à Disney a autoridade de parar suas programações da Warner se não houvesse acordo até dia 1º de maio. Dito e feito: às 00:01h, horário do prazo final, a Warner começou a bloquear os sianis das estações da ABC.

A Disney solicitou que a Warner apresentasse o Canal Disney como parte do pacote básico. A Warner concordou, mas retrocedeu ao verificar a quantia de dinheiro que a Disney pretendia alcançar.

"Estamos chocados com a Warner fazendo isso aos seus próprios clientes", disse Henry Florsheim, presidente da ABC de Houston. "Isso é uma punição".

Segundo matéria de Jim Rutenberg [The New York Times, 1/5/00], as partes afirmaram que os sinais das estações não voltarão até que se chegue a um acordo mútuo, a não ser que a Comissão de Comunicação Federal (FCC) intervenha e resolva o impasse.

Cada lado foi rápido ao culpar o outro pela remoção das estações da ABC. Um disse que o outro menosprezou regulamentos federais e provou falta de maleabilidade em negociações, as quais começaram em dezembro do ano passado. Na ocasião, a Disney exigiu várias concessões da Warner – entre elas a presença do Canal Disney no pacote básico - em troca de permissão à emissora de continuar contando com sete estações da ABC.

As negociações continuaram e, disseram executivos, a Disney ficou preocupada com a fusão AOL/Warner pelo excesso de poder na nascente era da televisão interativa. Segundo eles, os clientes terão acesso a mais canais e oportunidades de adquirir mercadorias por suas televisões. Preston Padden, intermediário da Disney em Washington, disse que sua empresa teme o impedimento da Warner de outras companhias de entretenimento oferecerem programação interativa em suas linhas a cabo.

Monopólio sem controle

O editorial do New York Times de 2 de maio concentrou-se na frustração dos nova-iorquinos ao tentarem ligar suas televisões no canal ABC, no dia anterior. No lugar da programação usual, havia a mensagem da Warner explicando que a Disney, empresa-mãe da ABC, foi a responsável pela falta de programação. Os telespectadores acordaram sem Good Morning America, sem ABC News e sem o programa de Regis Philbin, os programas mais populares da emissora.

A Disney queria mais dinheiro. A Warner recusou e tirou a ABC do ar, justamente na época em que o número de telespectadores é medido para se fixar o preço dos anúncios. Os combatentes reconheceram que há um componente de serviço público em seus atos, e que paciência pública e política tem limites para os bloqueios de informação.

O que aconteceu no dia 1º de maio é apenas um alarme, ainda fraco, do possível futuro das telecomunicações. A Warner e a Disney são namoradas se levare em consideração a ABC; mas inimigas no que diz respeito à concorrência mútua pela audiência, principalmente agora que a Warner foi incorporada pela AOL. A Disney teme que a Warner ofereça maior tecnologia interativa em canais que possui – como CNN e HBO, por exemplo – que em canais da própria Disney. A Warner, por sua vez, não aliviou a tensão de sua "parceira", alegando que deve pagar por benefícios adicionais.

A opinião do New York Post é a mesma. Segundo o editorial de 2 de maio, o blackout é um claro exemplo de monopólio fugindo ao controle. A briga é entre a Warner e a Disney, mas quem sofre são os milhões de assinantes da TV a cabo.

Ainda é cedo para criar regras. Mas talvez não seja tão cedo para noticiar que, onde for tecnicamente possível, operadores de cabo serão exigidos para que se façam serviços equivalentes disponíveis a todos os canais. Nesse meio tempo, os espectadores de notícias e entretenimento da ABC não devem acanhar-se em protestar contra a interrupção sem consideração e desnecessária da TV a cabo pela qual eles pagam.

A ABC voltará ao ar, mas o problema fundamental permanecerá. É por isso que a fusão AOL / Warner merece exame mais detalhado do que tem recebido.



ÉTICA
Conflito de interesses

Alexander Niemetz, âncora do telejornal noturno Heute-Journal, em Frankfurt, certa vez autodescreveu-se como praticante do "clássico jornalismo norte-americano", que sempre mantém objetividade ao tratar de determinado assunto. Há duas semanas, no entanto, Niemetz é centro de um debate na Alemanha sobre o limite obscuro entre jornalistas e suas práticas de ganhar dinheiro fora da redação.

De acordo com matéria de Edmund L. Andrews [The New Yorke Times, 1/5/00], a ZDF, rede de televisão pública da Alemanha, suspendeu Niemetz após a publicação detalhada de um fax de uma agência de relações públicas numa revista industrial. No fax, a agência agradecia Niemetz por enviar material sobre uma companhia médica e sugeria que contatasse uma gravadora para obter mais idéias para sua reportagem sobre a cantora Melissa Etheridge.

Niemetz explicou que nunca aceitou dinheiro da agência ou permitiu que influenciasse seu programa, mas mesmo aceitando as explicações, a ZDF afastou o jornalista por manter empregos secundários.

O fato atraiu a atenção para a prática comum no respeitável jornalismo televisivo alemão. Há cinco anos, um dos âncoras mais celebrados na televisão do país, Ulrich Wickert, foi fortemente criticado depois de apresentar um vídeo promovendo a companhia de seguros Deutsche Herold. Wickert desculpou-se e doou o dinheiro que ganhou, 33 mil dólares, para caridade.

Após a experiência, Wickert mostra ter aprendido: endossou publicamente um novo código de honra proposto pela Associação Alemã de Jornalistas, sob o qual jornalistas deveriam recusar voluntariamente propostas de propagandas. O código, no entanto, não foi bem compreendido, ou não levado a sério como deveria: a prática torna-se cada vez mais comum no país.

"Esses casos são expressão de subdesenvolvimento da ética jornalística", disse Siegfried Weischenberg, representante da Associação Germânica de Jornalistas em Hamburgo, "a transparência dos limites entre jornalismo e atividades extras não está nem próxima à dos estados Unidos". A comparação, no entanto, não é feliz. Jornalistas americanos de renome já fizeram muito dinheiro dando palestras em grupos comerciais e industriais, mesmo com salário muitas vezes maior que de jornalistas alemães.

"Âncoras da TV são, geralmente, pessoas famosas", afirmou Weischenberg, "e a fama aumenta o número de ofertas e tentações". O dinheiro que ganham fora, porém, muitas vezes supera o salário na emissora, não muito atraente.

Jornalistas permanecem divididos sobre onde está desenhada a linha de relações aceitáveis e inaceitáveis com corporações. O caso específico de Niemetz está sendo comentado por tratar-se de um jornalista que se propõe independente e é acusado de manter relações com agências. Acusação que ele nega e recebe o crédito da emissora, à medida que não há provas concretas de um segundo trabalho.

A ZDF não criticou Niemetz por realizar trabalho fora da rede. Simplesmente disse que o âncora violou regras ao não pedir permissão da emissora para ter diversos empregos. Niemetz reassumirá seu trabalho na ZDF nessa semana.



ZIMBÁBUE
Explosão à moda colonial

Após meses de ocupação de fazendas de proprietários brancos por invasores negros e de violência policial, uma explosão chacoalhou o escritório do único jornal independente do Zimbábue no sábado, 21/4. Segundo matéria de Angus Shaw [Associated Press, 22/4/00], há suspeitas de ter sido uma bomba.

A explosão, perto da entrada dos empregados no prédio da editora do Dailing News, causou pouco estrago, mas quebrou janelas de um prédio vizinho. O edifício do jornal estava vazio, pois não há impressão do veículo nos finais de semana. A causa da explosão é desconhecida, mas a polícia local crê ter sido realmente uma bomba. A área foi isolada e a unidade militar especializada em explosões apareceu.

As tensões têm sido grandes no país. No dia 6 de abril, dois jornalistas do Dailing News foram ameaçados de morte e feitos reféns de ativistas do jovem partido governante por duas horas. Não houve danos.

O presidente Robert Mugabe, que descreveu os proprietários brancos como "inimigos do povo", tem sido criticado por usar a crise de ocupação das terras para amedrotar seus oponentes políticos.

Mugabe, contra ordens judiciais, usou a polícia para ajudar os invasores em suas jornadas. Segundo disse, os invasores são veteranos da guerra de independência do país e reclamam da má distribuição de terra.

O país é governado por sistema colonial, em que um terço da produção agrícola concentra-se nas mãos de 4 mil fazendeiros.

Suspeito de plantão

Odeb Zilwa, fotógrafo da Associated Press, foi liberado sábado da prisão em Harare, Zimbábue, depois de três dias enjaulado. Zilwa recebeu ordens para comparecer a audiência com autoridades nesta terça, e seu passaporte foi confiscado. O promotor geral do Zimbábue circulou um documento dizendo que o governo não tem interesses em processá-lo.

O deadline da decisão judicial de liberação ou acusação do fotógrafo na prisão era de 48 horas. "Fiquei preocupado com meu destino", afirmou Zilwa, "especialmente depois que o prazo de 48 horas passou sem que qualquer atitude tenha sido tomada".

O fotógrafo disse que não foi mal tratado, apesar das desconfortáveis condições da cela. A higiene, segundo descreveu, não está acima do padrão. Zilwa passou frio após a remoção de seus sapatos, até que colegas levaram-lhe roupas quentes e cobertores.

Segundo matéria de Angus Shaw [Associated Press, 29/4/00], o fotógrafo sul-africano foi preso na quarta-feira da semana passada, quando esperava seu vôo de volta à África do Sul no aeroporto local, sob acusação de ter sido responsável pela explosão ocorrida no jornal independente Daily News. Zilwa, que fotografou o estrago da explosão após perguntar aos policiais o que havia ocorrido no local, afirmou repetidamente ser inocente, e organizações internacionais de imprensa solicitaram sua libertação imediata.

Policiais acharam estranho o fato de jornalistas estrangeiros chegarem tão rápido ao prédio do jornal. Muitos profissionais, no entanto, estavam no hotel Meikles, próximo ao local do acidente. Zilwa passava de carro com alguns colegas e parou para perguntar à polícia da área sobre o tumulto na região. "Fiz isso como jornalista", disse Zilwa, "voltei ao hotel e peguei minhas tralhas".

Sua prisão foi vista como uma tentativa de intimidação da imprensa estrangeira, ultimamente envolvida com o conflito político da ocupação violenta de fazendas de brancos por negros sem terra. "O ocorrido foi claramente relacionado a questões políticas", disse o fotógrafo, um dos jornalistas responsáveis pela cobertura do conflito de terras.



ELIÁN GONZÁLEZ
Fotonovela americana

A tradicional maratona da mídia norte-americana deu mais um exemplo de como tornar a "eficiência" de coberturas em verdadeira novela. O cubano de 6 anos, Elián González, e sua família que o digam. Foram horas de cobertura televisiva e muitas páginas de jornais, mas entre todas, duas fotos destacaram-se: a de um agente federal armado confrontando um amigo da família, o pescador e salvador do garoto Donato Dalrymple, que carregava o assustado Elián no colo; e a do menino sorrindo nos braços do pai.

Segundo Martha T. Moore [USA Today, 23/4/00], a batalha de relações públicas foi acirrada com a publicação da primeira imagem, obtida pela Associated Press, após a invasão da casa da família de Elián, em Andrews Air Force Base, Washington. Daí, desdobrou-se outra saga novelística: o tratamento dado ao caso pela mídia.

Eric Burns, analista de mídia da Fox News Channel, comenta que "uma reportagem política e emocionalmente complicada tornou-se, para algumas pessoas, cristalizada em uma simples imagem". "Isso não é bom", disse Burns, "não acredito que uma foto valha mil palavras. Acredito que uma imagem requer mil palavras para explicar o contexto".

O impacto de imagens é bem conhecido entre o público norte-americano. Prova disso foi a repercussão da foto do atentato terrorista em Oklahoma, cuja foto do bombeiro carregando um bebê ferido ficou famosa no mundo inteiro. Cientes disso, os advogados do pai de Elián liberaram novas fotos, mostrando a família reunida e sorrindo.

A ABC, por exemplo, foi a emissora que menos tem coberto o caso Elián. No entanto, interrompeu sua programação no sábado (22/4) para mostrar a foto do garoto com seu pai.

A CNN foi a única emissora transmitindo ao vivo a invasão, apesar de muitas outras também estarem acampadas no local. Diversos jornais transmitiram ambas as fotos lado a lado. O Boston Globe publicou as fotos na primeira página, sob a machete "Uma invasão, depois uma reunião".

Um jornal merece destaque especial pela polêmica que vem causando no tratamento do caso. Segundo matéria de Felicity Barringer [The New York Times, 24/4/00], o Miami Herald foi considerado o cúmulo da ousadia por sua primeira página da edição do jornal de 23 de abril. "Eu tenho vergonha do Herald – reservando sua primeira página para a tragédia de Elián" foi um dos 500 e-mails e faxes que o editor do jornal, Tom Fiedler, teve que ler no dia da publicação.

A capa do exemplar de domingo exibia o termo "agarrado" em letras garrafais. A foto do garoto sorrindo com seu pai estava próxima, e, abaixo, estava a do agente armado confrontando o amigo da família.

Desde o dia de Ação das Graças, os jornalistas do Herald publicaram cerca de mil artigos sobre o caso Elián. Segundo Fiedler, essa foi a grande chance de refutar constantes críticas ao jornal de fraca cobertura em assuntos que interessam a maioria cubana em Miami. Desde janeiro, o Herald tem publicado tantos textos sobre o caso que, para manter seu orçamento anual, terá que cortar notícias mais tarde.

O jornal tem sido atacado por leitores e redatores do Herald que pertencem a etnias marginalizadas. Na semana passada, o colunista negro Robert Steinback recebeu e-mails de cubanos de Miami exaltados com o abismo étnico. Com algumas variações, o conteúdo dos e-mails questionava ao jornalista "quem é você para conversar conosco? Você deveria conversar com seu povo".

Um artigo de Manny Garcia da semana retrasada, traçando o perfil do tio avô de Elián, também trouxe reações negativas da população cubana local. "Metade disse ‘você é anticubano, é um mau cubano’, e a outra metade disse ‘você é um entojo para seu próprio povo’", disse Garcia.

Todo artigo e toda manchete deve passar pelo filtro de duas crenças prevalecentes. Quando os repórteres do Herald se comprometeram a traçar o perfil do tio avô do garoto, falharam ao tornar pública as convicções de que ele dirigiu alcoolizado. "Fomos acusados de esconder informações por alguns antipáticos à família em Miami", disse Martin Baron, novo editor executivo do jornal. Por outro lado, os cubanos de Miami denominaram pecado o fato de o veículo tratar com exclusividade as hospitalizações de Marisleysis González, prima próxima de Elián.

O tratamento de assuntos que envolvem questões não só políticas, mais étnicas e pessoais, torna complicada a conciliação entre diferentes e delicadas sensibilidades, dentro e fora das redações. A tensão sempre recai sobre os jornais que, seja qual for a notícia, sempre receberão críticas.



O.J. SIMPSON
Vitória do New York Post

Um dos advogados de O.J. Simpson, Johnnie Cochran, perdeu ao recorrer na justiça à acusação de difamação feita pela colunista do New York Post Andrea Peyser. A jornalista escreveu que Cochran "faria ou diria qualquer coisa para ganhar, mesmo em detrimento da verdade".

Cochran dispôs de 10 milhões de dólares no processo contra o jornal e Andrea, dizendo que ela insinuou ser o advogado um mentiroso antiético, em matéria publicada em 29 de agosto de 1997. A acusação foi rejeitada em agosto de 1998, sob alegação de que o artigo estava protegido pela livre opinião garantida na Constituição.

Segundo notícia da Reuters (28/4/00), a Corte Judicial afirmou que a descrição de Peyser estava protegida pela Primeira Emenda. "Não há provas de que a opinião de Peyser implica falsas asserções e omissões de fatos baseando seuas colocações", concluiu a equipe do terceiro julgamento. "O descarte da ação de Cochran é, assim, apropriado."



PLAYBOY
Surras e mentiras

O Dia da Mentira trouxe realidades desagradáveis ao grupo da Playboy. Conhecida por suas mulheres nuas e, claro, também por seus artigos, a revista enfrenta sujeira em seu famoso nome e desentendimentos com a edição de abril da Romênia (uma das 16 publicações internacionais do grupo) que questionou os 46 anos de filosofia da Playboy contra textos e figuras que reproduzem violência contra mulheres.

Em acordo com a empresa Playboy, a companhia romeno Media Pro Group publica desde outubro uma edição nacional da revista americana. Segundo matéria de Alex Kuczynski [The New York Times, 24/4/00], a edição de abril do exemplar romeno superou os limites da Playboy americana e criou tumultos de grupos femininos no prédio local do veículo. O motivo foi a matéria entitulada "Como bater em sua mulher… Sem deixar marcas em seu corpo".

Dan-Silviu Boerescu, editor-chefe, disse que a reportagem era uma brincadeira do Dia da Mentira. O artigo descreve, passo a passo, o procedimento de agressão, acompanhado por figuras de uma mulher sendo espancada por seu suporto marido. "Você decidiu espancá-la, então faça-o", dizia o texto. "Bata firme e forte, pois você não sabe quando terá segunda chance." Depois, "você notará que às vezes sua esposa gostará de ser espancada".

Para embaraço das empresas Playboy, organizações feministas da Romênia, país que enfrenta problemas de abuso físico em mulheres, organizaram um protesto na semana passada. "Acreditamos que esse artigo é uma clara incitação à violência conjugal", dizia a declaração assinada por 14 grupos.

Christie Hefner, presidente e chefe-executiva das empresas Playboy, disse que a matéria não era um indicativo da atitude da revista frente à mulher e que Boerescu foi repreendido. Ele arrepende-se de ter publicado a reportagem.

Cindy Rakowitz, porta-voz da Playboy, afirma que "os editores romenos deveriam ter nos alertado dessa ‘peça’, mas não o fizeram". Segundo ela, o presidente da revista viajou para a Europa Oriental na semana retrasada para repreender a equipe. O contrato com a empresa romena, no entanto, não será cancelado.

O fato levanta uma questão mais ampla. Com a globalização das companhias de revistas, como controlar o conteúdo de cada veículo que carrega o nome da empresa?

George J. Green, presidente da Hearst Magazines International, disse que esse é um problema crescente. "A única maneira de evitá-lo é saber com quem se está negociando", disse. Green promove todo ano um encontro com editores de todas as suas publicações internacionais para discutir a filosofia da empresa.



REPRESSÃO
Apelo aos aiatolás

Em carta enviada no dia 24 de abril ao líder judicial do Irã, Sayyed Mahmoud Hashemi Shahroudi, o Human Rights Watch condenou a intimidação e punição crescentes nos jornais e editoras independentes do país. A correspondência incluia a enumeração dos jornais fechados e dos jornalistas intimados a comparecer a órgãos oficiais. Em sua lista de profissionais "na mira"do governo inclui-se Mohamed Reza Kathami, irmão do presidente do Irã.

"Os fechamentos dos jornais e as prisões de seus empregados parecem ser politicamente motivados e não originados de preocupação com a imparcialidade da lei", afirma Hanny Megally, diretor executivo da sucursal do Oriente Médio e da África do Norte do Human Rights Watch e autor da carta. "Tais procedimentos violam claramente a obrigação legal do Irã de sustentar liberdade de expressão e padrões de julgamentos justos."

"Nos últimos dias, as autoridades iranianas fecharam outra dúzia de publicações reformistas e prenderam mais redatores e editores por criticarem o governo", disse Megally. Segundo ele, o fechamento pode estar relacionado ao "esforço para punir a maioria que votou pela reforma política em fevereiro".

A carta pede ao líder judiciário para anular, com seu poder, as detenções e fechamentos injustos de jornalistas e jornais, e "assegurar que os órgãos sob sua autoridade não serão mais usados para intimidar e punir indivíduos que tentam exercer seus direitos de liberdade de expressão".



GAVETA
Uso e abuso da fotografia

O artigo "Dias perfeitamente inúteis" de Charles Gandee, novo editor de destaques da Talk, pareceu terrivelmente familiar a atentos leitores. A matéria que saiu na edição de maio da revista descreve, em detalhes, férias em Fire Island vividas por Sam Green, negociante de artes e amigo do jornalista.

A reportagem de Alex Kuczynski [The New York Times, 1/5/00] relata que as imagens, fotografadas por Scott Frances, mostram várias cenas idílicas em casas de férias. A familiaridade não é fruto de déjà-vu. Em abril de 1993, uma edição americana de Maison et Jardin, publicada pela Condé Nast, apresentou o artigo "Faça de novo, Sam", em que se descrevia as mesmas férias de Green em Fire Island.

O pacote foi produzido por Gandee, quando era diretor da House & Garden, irmã da Maison et Jardin. Todas as fotos no artigo da Talk vieram das sessões de fotografia daquela ocasião. Cinco das imagens, incluindo as duas maiores, também apareceram na reportagem da Maison.

Robert B. Wallace, diretor editorial da Talk, disse que a decisão de publicar as imagens ocorreu sem seu conhecimento. Wallace considera a matéria uma "publicação estrangeira".

Segundo Gandee, o editor da revista não se sentiu constrangido ao informar os leitores de que as fotografias tinham sete anos e foram publicadas juntas, acompanhadas de matéria sobre o mesmo assunto. "Se você for à banca de jornais e pegar todas as revistas que apresentam fotografias antes publicadas, terá um número substancial de exemplares", disse Gandee.

Gandee afirma não ter razões para não usar as fotografias em seu novo emprego. "Como estamos formando a edição de maio, sentimos que um local idílico de verão – com charme e rico em histórias – poderia adicionar um bem-vindo elemento escapista ao editorial", relatou. "E a composição de Green me veio à cabeça." Disse também que usou a publicação anterior porque quando a edição de maio estava sendo montada era inverno e as árvores do local estavam peladas.



PROFISSÃO PERIGO
Números macabros

Veton Surroi e Slavko Curuvija tinham muito em comum. Eram jornalistas que acreditavam no poder da imprensa livre contra a tirania. Hoje, porém, a diferença entre ambos não poderia ser maior. Surroi, editor do jornal mais lido por albaneses em Kosovo, curte sua liberdade antes impensável. Curuvija, editor de revista e jornal sérvios que criticaram Milosevic, está morto.

A reportagem de Kevin Cullen e Charles A. Radin [The Boston Globe, 1/5/00], diz que em muitos países jornalistas estão pagando com suas vidas por relatar uma corrupção oficial.

De acordo com o Instituto Internacional de Imprensa (IPI), 65 jornalistas morreram em 1999. Os números vêm crescendo de 1995 para cá. Isso prova que o fato de jornalistas presos ter decaído de 118 em 1998 para 87 no ano seguinte é indicativo de uma mudança na procedência oficial. Antes, prendia-se mais. Agora, mata-se. É mais fácil.

Em países em que a corrupção e desordens civis são corriqueiras, o jornalista investigativo é muito temido. Começa-se a limitar a atuação do profissional com intimidações e complicações. Se não resolver, acabará em assassinato.

Ann K. Cooper, diretor do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), disse que regimes autoritários estão usando crescentemente leis fiscais, controle da impressão de jornais e acesso às gráficas. "Isso pode ser tão eficaz quanto explodir a redação ou jogar repórteres e editores na prisão", disse, "mas faz com que a repressão não pareça tão ruim".

"Quando um país é muito perigoso para a mídia, tende a ser pior para liberdade e direitos humanos em geral", disse Aryeh Neier, presidente da Fundação Soros, que organiza e promove debates sobre sociedade civil.

Além da Sérvia, países como Rússia, Serra Leoa, Colômbia e países do sul da África e do Oriente Médio (exceto Israel) são considerados os grandes perigos. Os índices da Colômbia, por exemplo, são assustadores: sete jornalistas mortos, 24 seqüestrados e 15 forçados a fugir do país, apenas em 1999. Já o Oriente Médio, apesar de apresentar novo governo, não houve perda de tempo: autoridades palestinas já empregaram métodos de controle da mídia.



LIFE
A vida continua

Após 64 anos de publicações, a revista fotojornalística Life está fechando as portas. Uma referência nacional que pintava o mundo aos americanos, Life não superou sua frustração com o aparecimento da TV e, mais tarde, da internet. De um pico de 8,5 milhões de exemplares vendidos em 1969, a circulação termina com queda de 7 milhões.

Não é, entretanto, o fim definitivo. Segundo matéria de Fred Tasker [The Miami Herald, 1/5/00], A Life não morrerá completamente. O website da revista, em <www.lifemag.com>, continuará vivo, exibindo o gigantesco arsenal de fotos arquivadas e permitindo ao público vê-las e comprá-las.

"As pessoas corriam para a Life para ver as imagens dramáticas do que acontecia no mundo", disse o porta-voz Peter Costiglio. "Mas com tantos outros lugares nos quais obter imagens instantâneas, a revista foi afetada."

Ray Fisher, fotógrafo freelancer, afirma que "a Life era o topo profissional para fotógrafos" e que "ter uma foto publicada lá era mais prestigioso que na National Geographic". Para Fisher, "um fotógrafo da Life era um rei".



GEORGE
Volta por cima

A revista de política e glamour fundada por John Kennedy Jr. em 1997, George, ganha novo editor e parece estar saindo do buraco. A decadência do veículo foi notada antes da morte de seu fundado em acidente de avião em julho do ano passado. Temendo que sua parceira, a cadeia de revistas Hachette Filipacchi, dispensasse George, Kennedy procurou alternativas financeiras em sua última semana de vida.

Segundo Alex Kuczynski [The New York Times, 1/5/00], no dia 30 de abril a revista promoveu um coquetel com estrelas da moda. Frank Lalli, novo editor-chefe da George, sorria ao observar as celebridades circundantes. Em suas três mesas, entre outros convidados, sentaram a modelo brasileira Gisele Bündchen, Patricia Hearst, o diretor John Waters e Kevin Spacey.

Lalli, que tem 57 anos, antes de assumir a chefia da edição de George era editor geral da revista Money. Mais tarde, tornou-se executivo sênior da Time Inc. Alguns meses depois, foi chamado para o desafio em que se encontra: levantar a George.

A festa deve-se ao reerguimento e reinauguração da revista. A publicidade por trás do acidente de Kennedy incitou novamente o interesse do público, esvaziando as estantes nas bancas. A mistura de política e entretenimento sempre deu à revista um tom peculiar e, até, bizarro. Como a mistura nunca realmente decolou, indústrias de revistas e agências publicitárias começaram a se sentir justificadas quando a revista estava "mal das pernas".

A tarefa do novo editor-chefe é fazer da revista um sucesso. A tradicional frase "política e entretenimento" de seu fundador foi substituída por uma de autoria de Lalli: "política, poder, cultura pop e gente", que, para ele, é uma fórmula para o sucesso. Ainda há, porém, um longo caminho. Após o boom do último semestre de 1999, a publicidade caiu 74% de janeiro a março deste ano, o que significa uma queda de 3,4 milhões de dólares para 1 milhão.

"Minha intenção não é reinventar a revista, é enfatizar a visão de Kennedy", disse Lalli. Segundo ele, "não teria aceitado o emprego se não acreditasse que a revista pode ser uma força política positiva, que engaja os leitores e, claro, que vende".

A edição de maio é a primeira que carrega seu carimbo. No editorial, Lalli enfatizou a mistura tradicional da revista para atrair maior massa de leitores. Há, porém, alguns momentos bobos em sua estréia. "Acho que esses pedaços servem nossa mistura não-política-como-usual", disse. "As pessoas querem ser informadas, mas também querem ser entretidas."

Apesar da inovação propagandística – os leitores são convidados a responder questões sobre os anunciantes – como "Ralph Lauren tem uma fragrância. Qual é ela?" –, muitas agências permaneceram pouco receptivas. Alan Jurmain, diretor da Lowe Lintas & Partners, um serviço de mídia, disse ser cético. "Qualquer anunciante gosta de estar numa revista popular, quente, mas George não é nada disso hoje", afirmou. "É um trabalho em progresso."

 



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