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MONITOR DA IMPRENSA

SEM TV
...sem nada para fazer

Cerca de 18 milhões de russos ficaram sem TV após o incêndio da torre de trasmissão Ostankino, em Moscou, no dia 27 de agosto. O colapso, coincidentemente próximo à tragédia do submarino Kursk, levou russos a apelidar o mês de "agosto negro".

No dia 30 à noite, a RTR e a ORT, ambas estações estatais, iniciaram transmissão conjunta, mas podem passar semanas e até meses até que os serviços sejam completamente restaurados, segundo a repórter Sarah Karush [USA Today, 31/8/00].

Enquanto o incidente não for corrigido, a população parece estar fadada a afundar em tédio. Os russos assistem em média a três horas diárias de TV. Em pesquisa realizada após o incêndio pela agência Romir, 56% dos entrevistados afirmaram que a falta de TV é "uma perda significativa". O tablóide Moskovsky Komsomolets julga a TV tão importante para a população que alertou para uma onda de crimes decorrente do incidente.

Alguns críticos sociais, no entanto, acham de certa forma positivo o blackout televisivo. "As pessoas terão descanso de toda a baboseira", afirmou Alexei Pankin, editor da Sreda, revista de crítica da mídia. Mas o ponto de vista de Pankin não foi bem-vindo: viciados em TV não querem mudar seus hábitos.

Os que têm dinheiro não perderam tempo e já fizeram assinatura de transmissão via satélite. "Estamos com cerca de 1.500 assinaturas diárias, apesar de só podermos instalar 100 por dia", afirmou Marina Levashova, porta-voz da NTV Plus, companhia de TV via satélite. Outros estão comprando filmes piratas a 3,5 dólares em barracas do centro da cidade.

No dia 29, o jornal Komsomolskaya Pravda ofereceu aos leitores resumos dos episódios de quatro novelas populares da América Latina e dos Estados Unidos. De acordo com matéria de David Filipov [The Boston Globe, 31/8/00], os telespectadores também reclamam da ausência de noticiários. "Não há mais políticos com suas promessas, nem programas analíticos", escreveu Avtandil Tsuladze, colunista do jornal Segodnya. "Até o presidente desapareceu."




JORNALISMO FINANCEIRO

Informação é lucro certo

O novo livro do crítico de mídia Howard Kurtz, The Fortune Tellers, diz que a máquina da imprensa da Wall Street está sendo alimentada por rumores e informações errôneas, proferidos secretamente por comerciantes, editores-chefes e analistas tendenciosos.

Se a CNBC está envolvida nos negócios de notícia em tempo real, ninguém faz subir ou descer o valor das ações de empresas quanto Maria Bartimoro, de acordo com matéria da Newsweek (4/9/00). Manhã após manhã, Maria trabalha em seu telefone, contatando suas fontes e informando altas e baixas antes mesmo de os corretores entregarem as informações a seus clientes. Aos 32 anos, Maria é a mulher mais famosa das notícias financeiras, a repórter a que todos na Wall Street chamam pelo primeiro nome.

A pergunta que assalta milhões de investidores, no entanto, é o quanto valem as dicas da jornalista. A explosão de conselhos "fique-rico-rapidamente" está abastecendo a volatilidade do mercado. Administradores de fundos e analistas de corretagem não apenas se contradizem, mas também estão freqüentemente errados. Pior, a mídia financeira ignora conflitos incômodos de interesses ao trombetearem as recomendações das firmas da Wall Street.

O que torna alguns analistas "videntes" é o poder de ecoar na mídia suas avaliações sobre o que está em alta e o que está em baixa no mercado financeiro. Em um mundo confuso onde todos apostam em maior inteligência e em compras ou vendas, informação é lucro e poder.

Apesar da importância da informação, não há penalidade aos jornalistas, comentaristas e analistas que erram em suas previsões. Eles apóiam-se na premissa de que o mercado é imprevisível, e rapidamente voltam-se às notícias quentes do dia seguinte.

Nesse ambiente tumultuado, a CNBC é tão importante à Wall Street quanto a CNN o é à Casa Branca. Uma única matéria negativa, mesmo que baseada em falsos rumores, pode instantaneamente queimar bilhões de dólares de uma companhia. A CNBC é tão extraordinariamente influente porque muitas pessoas importantes e ricas lhe dão ouvidos, além de contar com audiência do crescente exército de investidores que ficam em casa.

Descrita por Ted Turner como um "pedaço de lixo" ao ser lançada pela NBC, em 1989, a CNBC hoje ultrapassa os pontos de audiência do programa de Turner, na CNN.

Maria negou boatos recentes de que ela estrearia o programa Who Wants to Be a Millionaire. Segundo a jornalista, "Regis Philbin [apresentador do programa] tenta fazer milionários, mas eu faço bilionários".




TRAGÉDIA DO KURSK

A imagem do desastre político

Quando Vladimir Putin, presidente da Rússia, encontrou com parentes das vítimas do submarino Kursk, deixou claro que o culpado por sua má atuação diante da crise é a mídia russa independente. Seus proprietários, disse Putin "roubaram verbas e manipularam opinião púbica".

Segundo matéria de Christian Caryl [Newsweek, 4/9/00], Putin tem motivos para irritar-se. Faz meses que seu governo vem sendo criticado pelo tycoon da mídia privada, Vladimir Gusinsky, proprietário da emissora independente NTV.

A tragédia do Kursk deu à NTV novas forças de oposição. Em tom combativo, a emissora alimentou telespectadores com reportagens que contradiziam os pronunciamentos oficiais. Quando o governo dispensou ajuda estrangeira, o diário Izvestia publicou uma foto do submarino acompanhada da manchete "O preço do orgulho nacional – vidas humanas". Até a mídia provinciana expôs a perda de controle de poder do governo.

A verdade, no entanto, não é simples como parece. O repórter de maior destaque da tragédia, Arkady Mamontov, da TV RTR, relatou indiscriminadamente o que suas fontes militares lhe disseram, espalhando rumores pouco substanciais de que uma embarcação estrangeira poderia estar envolvida com o desastre.

Trechos de um videotape, amplamente divulgado pelo mundo – inclusive em primeira página de alguns dos principais jornais brasileiros –, mostrou Nadya Tylik, mãe de um dos tripulantes do Kursk, insultando oficiais do governo. Para estancar o protesto, Tylik recebeu uma injeção aplicada por uma enfermeira que surgiu às suas costas. Tylik continuou esbravejando por algum tempo e, em seguida, entrou em colapso.

A imagem lembra telespectadores os métodos utilizados pelo governo à época da União Soviética. Alguns dias depois, no entanto, Tylik anunciou que seu marido solicitou a injeção para acalmá-la. Segundo ela, sugestões da imprensa de que a injeção foi utilizada para calá-la são "um monte de mentiras."




DANÇA DAS CADEIRAS

Demissão revela crise da CNN

Em 1997, a emissora 24 horas de TV a cabo CNN estava falindo a olhos vistos. Os Estados Unidos iam bem, atravessando um longo período de prosperidade. Ao mesmo tempo, emissoras noticiosas a cabo como Fox e NBC surgiram para fazer pressão. Nessa época, Richard N. Kaplan, produtor da NBC News, foi contratado pela CNN como chefe de notícias nacionais na esperança de trazer à emissora programação noticiosa de alta qualidade para prender o telespectador, houvesse notícias importantes ou não.

Nesses três anos, no entanto, a audiência da CNN encolheu ao seu patamar mais baixo da última década. Anunciantes, apesar de em maior número, não têm grandes expectativas.

De acordo com matéria de Jim Rutenberg [The New York Times, 31/8/00], em 30 de agosto Kaplan demitiu-se e toda a estrutura executiva da emissora foi reajustada, contando com novas admissões. "É importante que a CNN faça grandes mudanças, que nos fortalecerão e nos tornarão mais competitivos no mundo da internet", disse Tom Johnson, presidente da CNN.

Kaplan soube que precisaria se demitir quando a nova agenda da CNN foi exibida e não o incluia. Segundo ele, a falta de promoção foi um fator fundamental no fracasso de NewsStand, seu programa na emissora. Alguns executivos da velha guarda da CNN previram que NewsStand não funcionaria em cabo, cujos telespectadores passeiam pelos canais e não têm paciência para acompanhar reportagens longas como as do programa de Kaplan.

Em entrevista, Kaplan disse que seu programa, como todos os outros da emissora, teria maior audiência se fosse mais divulgado ao público. "Acho que, em uma época na qual tudo é anunciado, o grande erro da CNN foi deixar de fazer qualquer propaganda", afirmou Kaplan. "Isso debilita e acho que a emissora sabe disso."

O produtor julga que a CNN planeja mudanças para elevar a audiência. "Gostaria que isso acontecesse enquanto eu estive lá."

Segundo executivos da CNN, a presença da AOL (que se fundirá com a Time Warner, da qual a CNN é subsidiária) no cenário é um dos maiores fatores para a demissão de Kaplan. "Não há dúvidas de que a emissora quer colocar a casa em ordem antes da fusão", afirmou Tom Wolzien, analista da Sanford Bernstein.

Segundo matéria de Reshma Kapadia [Reuters, 30/8/00], David Klatell, professor de jornalismo da Columbia University, crê que Kaplan não era alguém popular. "Organizações tolerarão líderes como ele em períodos brandos, mas quando a economia aperta e o modelo do negócio parece vacilar, tudo é analisado microscopicamente para excluir o supérfluo", disse.

Para Klatell, o problema de Kaplan foi tentar reestruturar a emissora e conquistar a audiência a custos muito altos. "O modelo adotado por Kaplan é claramente o fator essencial de sua partida."




JORNALISTA CANDIDATO

Quero ser prefeito

Geraldo Rivera, jornalista televisivo de longa data e âncora de um talk show na CNBC, quer concorrer à prefeitura de Nova York e não o incomoda se isso faz o povo rir.

"Sei que as primeiras reações serão ‘Geraldo para prefeito: ha, ha!’", disse o candidato. Segundo matéria de Bill Carter [The New York Times, 31/8/00], Rivera afirmou no dia 30 de agosto que está levando a sério sua campanha independente, após a petição enviada para incluir seu nome nas cédulas. De acordo com o jornalista, sua campanha é "totalmente autofinanciada".

Rivera quer realizar uma pesquisa para especular sobre suas chances. Quanto às qualificações, o candidato citou sua longa carreira cobrindo problemas relevantes da cidade, seu conhecimento como advogado e, como mencionou, o fato de Nova York estar "em seu DNA". "Sou porto-riquenho e judeu", disse.

Não é a primeira vez que um jornalista concorre à prefeitura da cidade, mas se Rivera ganhar será a primeira vez na história que uma figura da mídia assume o cargo. O jornalista prefere uma comparação diferente. "Acho que Jesse Ventura está bem mais próximo do que quero fazer: uma campanha verdadeiramente independente, com compromissos sérios."

Rivera reconheceu que sua história pessoal manchada por passagens em tablóides poderia causar problemas, mas o candidato não cede. "Desafio qualquer um a debater qualquer assunto referente a Nova York."




FRAUDE

Falso release balança Nasdaq

No dia 25 de agosto, a Emulex Corp., companhia de equipamentos de dados para rede, tornou-se vítima de uma das fraudes que mais afetaram o mercado financeiro dos Estados Unidos. Um release falso, divulgado no Internet Wire, um serviço de distribuição de notícias, dizia que o executivo-chefe da companhia demitiu-se e que a Emulex foi forçada a reapresentar seus ganhos em 1998 e 1999. A notícia afirmava, ainda, que a Emulex estava sob investigação da Comissão de Segurança e Bolsa.

A fraude, de acordo com matéria de Nicole Volpe [Reuters, 25/8/00], levou críticas ao mercado acionário da Nasdaq por não ser hábil o suficiente para suspender as vendas de ações e para chamar por segurança extra ao lidar com companhias noticiosas. A rápida queda de valor das ações da Emulex mostrou, também, quão vulneráveis à fraude tornaram-se as companhias no ambiente crescentemente frenético de mercados financeiros abastecidos pela internet.

A Internet Wire afirmou que quem escreveu o release assinou como representante de relações públicas da Emulex e utilizou o nome e o logotipo da empresa. A notícia foi pescada pela Bloomberg e pelo serviço de notícias da Dow Jones. "Vimos o release da Internet Wire e reproduzimos um alerta", disse Vickee Adams, porta-voz da Dow Jones. Segundo ela, a notícia divulgada pela Dow Jones foi publicada após a paralisação da bolsa. Chris Taylor, porta-voz da Bloomberg, disse que seu veículo estava avaliando a Internet Wire como uma fonte de informações. "Estamos preocupados em oferecer notícias confiáveis, de fontes confiáveis", afirmou.

Dois agentes da FBI estão estudando o caso, segundo Joseph Valiquette, porta-voz da agência. Analistas disseram que os valores da ação de outras companhias de equipamentos de dados para rede foram atingidos pela fraude.

"O incidente faz parte da infância da Nova Economia e da habilidade instantânea de receber informações", disse Scott Bleier, estrategista da Prime Charter. "Em troca, há o risco de se disseminar informações falsas."

De acordo com matéria de Walter Hamilton [The Los Angeles Times, 26/8/00], não é a primeira vez que esse tipo de fraude balança o mercado financeiro norte-americano e, segundo John Coffee, professor de Direito da Columbia University, não será a última.

Michael Terpin, executivo-chefe da Internet Wire, insistiu que sua companhia tem políticas contra falsos releases – incluindo contatos via telefone para verificar a autenticidade da matéria recebida por internet. Seja quem for que cometeu a fraude, era alguém com "conhecimento sofisticado" das operações da Internet Wire, disse Terpin.




OLIMPÍADAS 2000

Mídia vigiada pela polícia

Empresas de internet foram banidas de cobertura dos Jogos Olímpicos de Sidney porque os contratos de transmissão das Olimpíadas proíbem companhias de vender vídeos ou áudios fora do território nacional australiano.

No entanto, qualquer um que possua câmera digital e acesso a internet pode enviar a transmissão original para qualquer lugar do mundo. Por isso, restrições à cobertura eletrônica dos jogos são vistas por alguns como ingenuidade, segundo matéria de Daniel Sorid [Reuters, 29/8/00].

"Creio que, de forma realista, não há como impedir alguém de filmar os jogos e, contra as regras, oferecer os vídeos via internet", disse David Bohram, executivo da Pseudo.com, sediada em Nova York.

Executivos da organização das Olimpíadas, porém, estarão vigiando a imprensa no mês de setembro. "Se alguém tem capacidade para distribuições em larga escala, trata-se de uma violação de copyright e acharemos uma forma de impedi-la", afirmou Richard Pound, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI). Apesar de decidido, Pound reconhece as dificuldades de brecar trasmissoras de internet. "Será difícil rastrear e encontrar quem reproduziu os vídeos", disse Andrew Toner, sócio da PrincewaterhouseCooper.

A decisão do COI não parece preocupar por não se tratar de assunto inédito. Desafiar regras de propriedade é atividade corriqueira para hackers e empreendedoras – haja visto o esforço de gravadoras para impedir downloads de música no Napster.




PARA JOVENS

Atraentes, mas violentos

Gravadoras de discos e produtoras de filmes e vídeo games estão fazendo propaganda agressiva de produtos de entretenimento violentos a crianças, mesmo rotulando o produto como impróprio ao público jovem.

A descoberta é da Federal Trade Comission. Relatos da investigação indicam que produtoras propagandearam filmes taxados de violentos durante programas de TV cuja audiência é composta por jovens. Mostram, também, que produtores de videogames violentos dispuseram seus anúncios em revistas voltadas aos jovens, indicando que o produto deve ser consumido por usuários "maduros".

Os investigadores analisaram milhares de páginas de documentos internos da indústria do entretenimento, incluindo pesquisas de mercado indicativas de que vender material violento é uma forma eficaz de aumentar consumo de entradas de cinema e compras de discos e videogames por adolescentes. Além disso, descobriram que filmes com censura de idade estavam sendo exibidos a adolescentes desacompanhados, de idade inferior à exigida.

Segundo matéria de Christopher Stern [The Washington Post, 27/8/00], a declaração da FTC proporcionará debates entre Hollywood e Washington sobre como a mídia influencia comportamentos violentos da juventude do país.

A investigação foi ordem de Clinton à FCT e ao Departamento de Justiça, no ano passado, quando a onda de agressões e homicídios dominou escolas norte-americanas.

Jack Valenti, chefe executivo da Motion Picture Association of America – responsável por estabelecer a censura de idade em filmes –, afirmou que a censura de idade é fornecida a jornais e emissoras de rádio e TV. "Damos todas as informações do mundo", disse. A MPAA possui um website em que há justificativas para cada censura.



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