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MONITOR DA IMPRENSA
VEXAME AMERICANO
Com um pé atrás
A edição de 28 de novembro do Boston Globe pareceu adotar a declaração de George W. Bush de que é o próximo presidente, mas com um pequeno detalhe tipográfico: "Bush vence eleições * – * recusas de Gore pendentes; possível decisão da Suprema Corte."
A Newsweek decorou sua manchete de capa com moda similar: "537 *". As eleições presidenciais mais estranhas dos tempos modernos produziram um resultado com asteriscos, ou seja, a informação assumidamente incerta.
Não havia dúvidas de que o governador do Texas declararia vitória no domingo à noite, após as autoridades da Flórida certificarem-no como vencedor da luta presidencial no estado por 537 votos. De acordo com matéria de Howard Kurtz [The Washington Post, 28/11/00], a questão era se a mídia acompanharia o processo a contento.
Dizer que a Flórida designou Bush vencedor de suas urnas é descrever uma ação governamental que pode ou não ocorrer, dependendo da decisão da Corte. "Parece-me que, se ele não é o presidente eleito, é o mais próximo disso sem concessões. Isso é beneficiar Bush até certo ponto, com um asterisco", afirma Matthew Storin, editor do Globe.
Enquanto as TVs foram dominadas por notícias confusas a cada hora, pareceu mais vantajoso a jornais e revistas cristalizar o momento com a permanência do impresso. Três jornais importantes propositalmente evitaram a construção, nos título principais, de que Bush houvesse se proclamado o 43º presidente: o New York Times – "Bush é declarado vencedor na Flórida, mas Gore promete contestar os resultados"; o Washington Post – "Flórida oficializa Bush vencedor; campanha de Gore promete contestar"; e o Los Angeles Times – "Flórida oficializa Bush como vencedor; Gore contestará os resultados em Corte".
Muitos outros veículos, no entanto, abordaram o assunto de forma diferente. A manchete do USA Today dizia que "Bush declara vitória e Gore promete lutar contra". A do Chicago Tribune afirmava que "Bush assume a Casa Branca". Talvez a mais chamativa seja a do New York Daily News: "Eu venci". "Começamos com ‘preparado para governar’, passamos para ‘acabou’, e de repente nos ocorreu que o rapaz levantou e disse ‘eu venci’", diz Ed Kosner, editor do News.
Revistas de informação tomaram a incomum medida de atrasar sua chegada aos assinantes para domingo à noite. A U.S. News & World Report, com pequenas imagens de Bush e Gore em luta judicial, chegou às bancas com a manchete mais inconclusiva: "Argumentos finais". Stephen Smith, editor da U.S. News, disse que brincou com "é Bush (talvez)", mas que, com a indecisão da Suprema Corte, "pareceu muito incerto exibir um único rosto na revista".
Uma questão permanece: à medida que Bush começa a chamar pessoas para sua administração, deve a imprensa pôr mais peso ao processo cobrindo extensivamente o novo recrutamento? A Associated Press e as emissoras já estão especulando sobre possíveis indicações no Gabinete.
Lucros eleitorais
O drama das eleições norte-americanas rendeu uma modesta herança financeira às emissoras de TV. Emissoras de TV a cabo dedicadas unicamente ao telejornalismo lucraram com o alto índice de audiência no resultado da saga eleitoral. A CNN e a Fox News disseram já ter abocanhado 1 milhão de dólares em anúncios extra desde a noite eleitoral.
A média de espectadores da CNN ultimamente tem sido de cerca de 923 mil, o triplo da média do terceiro trimestre deste ano. O aumento da média da Fox, por sua vez, é ligeiramente maior que o da CNN; e o da MSNBC, pouco menor.
Programas jornalísticos noturnos e matinais também tiveram aumento de audiência considerável. No entanto, segundo matéria de Elizabeth Jensen [The Los Angeles Times, 25/11/00], a capacidade de essas emissoras conseguirem grande resultado financeiro é limitada porque boa parte dos intervalos comerciais é vendida previamente. Fox teve menos que 15% de seu tempo disponível a anunciantes de última hora.
Além disso, parte do rendimento obtido está sendo utilizada para financiar a cobertura da história que se desenrolou na Flórida, em que alguns correspondentes se fixaram regularmente. Até agora, estima-se que as emissoras tenham gastado, cada uma, de 1 a 2 milhões de dólares para cobrir o evento do começo ao fim, com todos os plantões a que as eleições tiveram direito.
Os gastos foram menos pronunciados em emissoras a cabo 24 horas. A Fox gastou pouco mais que o geralmente calculado para sua cobertura de troca de administrações. Os grandes beneficiários foram os anunciantes que alcançaram muito mais espectadores que o estipulado quando compraram o horário da propaganda.
As emissoras de TV também estão usando o sucesso de público da novela eleitoral para aumentar a freqüência de seus sítios na web. A noite eleitoral atraiu 27 milhões de internautas à página da ABC News, comparados aos 4 a 5 milhões internautas que, em média, visitam o sítio diariamente.
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