|
MONITOR DA IMPRENSA
CORTE DE GASTOS
Emissoras dormem com o inimigo
Ted Koppel, âncora do programa da ABC Nightline, e Chris Bury, seu correspondente, aparecerão em um especial sobre a administração de Clinton de duas horas na PBS, em janeiro.
O especial, que estrelará no programa Frontline, está pagando o Nightline por seus vídeos e reportagens. Produtores noticiosos do Nightline armaram e venderam o especial ao Frontline, enquanto sua equipe fez a reportagem.
O acordo entre programas, segundo matéria de Jim Rutenberg [The New York Times, 27/11/00], é uma das crescentes parcerias noticiosas antigamente desprezadas. Foram formadas como tentativa de solucionar o problema da dispersão da audiência da TV aberta para a TV a cabo. Assim, organizações noticiosas estão buscando caminhos baratos de fazer o que fazem, e às vezes isso implica dormir com o inimigo. Outro exemplo disso foi a recente aliança da CBS, da ABC e da Fox para dividir vídeos comuns de eventos de plantão, os quais cada um, tradicionalmente, cobriria por conta própria.
A busca de economia de custos também levou os principais canais noticiosos a formar o Serviço de Informação de Eleitores (VNS) para coletar dados de pesquisa na noite eleitoral. Antes, esse serviço era independente e custava caro a cada emissora. A confusão da emissão de informações do VNS durante as eleições, no entanto, apenas validou o medo de que esses arranjos colaborativos podem fazer proliferar notícias errôneas. A notícia não apenas se tornará mais homogeneizada, mas também crescentemente vulnerável ao erro.
Algumas ironias acabam se elevando nas entrelinhas desses acordos. O dinheiro que o Nightline está recebendo do Frontline para seu especial sobre Clinton, por exemplo, está ajudando a subsidiar o custo da série de cinco noites da Nightline sobre a administração, que será transmitida uma semana antes do programa da PBS.
BALANÇO DO CAOS
CNN quer avaliar cobertura
A CNN montou uma equipe consultiva independente para avaliar sua cobertura nas eleições. Em uma das corridas presidenciais mais apertadas de todos os tempos, a CNN e as principais emissoras de notícias erraram duas vezes ao apresentar o novo presidente dos Estados Unidos sem que a apuração na Flórida, principal campo de batalha dessas eleições, houvesse chegado ao fim.
De acordo com matéria da Reuters (21/11/00), a CNN nomeou para analisar a noite de cobertura das eleições Joan Konner, reitor emérito da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Colúmbia; James Risser, duas vezes vencedor do prêmio Pulitzer de Jornalismo; e Bem Wattenberg, sócio sênior do American Enterprise Institute.
O republicano Billy Tauzin, diretor da House Commerce Telecommunications Subcommittee, disse em meados de novembro que assistirá a auditorias do Congresso, em dezembro ou janeiro, sobre possíveis reportagens tendenciosas na cobertura noticiosa da TV na noite eleitoral.
Volta ao índice
Monitor da Imprensa – próximo texto
Monitor da Imprensa – texto anterior

|