MONITOR DA IMPRENSA


OBSERVATÓRIO FRANCÊS
Marcação sob pressão

Todo domingo, ao meio-dia, Arrêt sur Images examina como a mídia pode deformar informações, comercializar reportagens e sensacionalizar a cobertura de eventos. Daniel Schneidermann, ex-crítico de TV do Le Monde, conduz o Arrêt sur Images desde seu lançamento, em 1995.

De acordo com matéria de Bruce Crumley [Time Europe, 4/12/00], o processo de filtragem é feito toda semana em programas que comparam descrições de eventos selecionados e provocam debates entre jornalistas, produtores e executivos de TV que são convidados a explicar e justificar seus trabalhos. Repórteres do Arrêt sur Images pautam-se e conduzem suas próprias investigações nos variados caminhos da cobertura das notícias, atentando para evidências de manipulação.

Fazendo o papel de cão-de-guarda da mídia de maior voz na França, Arrêt sur Images recebeu amplo apoio de críticos. No entanto, não fez tremer necessariamente o chão das equipes de TV. Transmitido no canal público educativo La Cinquième, Arrêt sur Images goza de liberdade de implicações comerciais – o que lhe permite maior franqueza em relação a grandes operações, preocupadas (e presas) à audiência. À medida que a TV comercial injetou suas prioridades nos programas noticiosos, Arrêt sur Images ampliou seu alvo para incluir as pseudo-notícias do "info-entretenimento" ("infotainment"), programas atuais que tendem a tratar notícia como diversão. Incomodado com a desatenção e a desonestidade intelectual freqüentemente evidente em tais programas, Schneidermann e sua equipe conduzem contra-investigações que se revelaram no horário nobre de no mínimo duas emissoras sensacionalistas – incluindo a que incorretamente isentou de culpa neonazistas na profanação de um cemitério judeu no sul da França.

O foco regular de Arrêt sur Images, no entanto, está na cobertura convencional de notícias e em como espectadores podem ter sido mal conduzidos por ela, tanto acidental quanto intencionalmente. Por exemplo, sua análise de reportagens da guerra em Kosovo – e mais recentemente em Israel – apresentou jornalistas explicando como seu trabalho se tornou, inadvertidamente, instrumento de propaganda dos combatentes. Similarmente, um programa em novembro discutiu como a compulsão por ser o primeiro a dar as chamadas breaking news (notícias de última hora) levou diversos canais a repetidamente fornecer a espectadores de todo o mundo resultados errôneos nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

No auge do frenesi da Nova Economia na França, no começo deste ano, Arrêt sur Images analisou a cobertura econômica – e seu uso de jargão norte-americano sem qualquer explicação – e encontrou montes de exageros em negócios franceses pouco notáveis, em esforço de aumentar a mania pontocom. O programa também examinou como programas noticiosos favorecem certos convidados em detrimento de outros, e pôs lenha da fogueira dos conflitos de interesse envolvendo reportagens – e até colocação de produtos – que beneficiam companhias em uma organização proprietária de canal.

Apesar de honrado por sua integridade e eficácia, Arrêt sur Images tem muitos críticos. Segundo eles, a base de audiência do programa é relativamente pequena – apenas 5% de um total de 13 milhões de espectadores ao meio-dia dos domingos. Mas esta diminuta parcela é, também, uma das mais valiosas em termos de índice de audiência, representando espectadores de camadas mais educadas e ricas. Alcançar tal público é considerado tão importante que poucos convidados resistem aos convites de Arrêt sur Images para ser interrogados sob fogo cruzado por uma hora.



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