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MONITOR DA IMPRENSA DANIEL PEARL A origem israelita do jornalista Daniel Pearl foi mantida em segredo pela mídia americana até a confirmação de sua morte. Ruth Andrew Ellenson [Forward, 1/3/02] revela que o Wall Street Journal pediu a outros veículos que não divulgassem a religião e a cidadania dos pais do repórter enquanto durasse o seqüestro. "Fizemos tudo o que pudemos para tentar assegurar o retorno seguro de Daniel Pearl, e como parte disso pedi às redes que não revelassem a tradição de sua família", afirmou Steve Goldstein, da Dow Jones Co., dona do jornal. O executivo e os funcionários envolvidos na investigação decidiram que divulgar a identidade do repórter poderia comprometer sua segurança, mesmo avaliando que sua ligação com o judaísmo tenha sido irrelevante no seqüestro. A Reuters, no entanto, informou que um dos quatro suspeitos do assassinato declarou que o jornalista foi raptado porque era um judeu anti-Islã. A mesma agência revelou que as últimas palavras de Daniel, gravadas em vídeo, confirmavam que ele era judeu. A maioria dos veículos atendeu ao pedido; apenas a CNN International levou ao ar o comentário de um analista de segurança dizendo que os pais de Pearl eram israelenses, mas deixou de transmitir o trecho depois da primeira exibição. "A mídia foi extremamente cooperativa e merece elogios por ter colocado a segurança de Danny acima dos índices de audiência e do ambiente competitivo em que trabalham", disse Goldstein.
CBS e NBC acusaram o programa Good Morning America (ABC) de não ter agido corretamente ao transmitir a primeira entrevista televisiva de Marianne Pearl, viúva de Daniel Pearl. Segundo Elizabeth Jensen [Los Angeles Times, 27/2/02], o Wall Street Journal combinou que a entrevista seria exibida primeiro pelas redes CNN e BBC, porque ambas são transmitidas no Paquistão; depois disso, a filmagem ficaria disponível para outras emissoras. Good Morning America, no entanto, levou ao ar a entrevista da BBC ao mesmo tempo em que a CNN, classificando-a como "exclusiva". "Eles estão cometendo uma fraude contra o público", reclamou Steve Friedman, produtor executivo da CBS. Os produtores de Good Morning alegaram que a ABC tem um acordo com a rede britânica que permite gravar a programação de Londres e exibi-la imediatamente em Nova York. Quanto ao "exclusivo", explicam que foi "o único programa matutino americano a ter a entrevista da BBC às 7h". A BBC caracterizou o incidente como um "mal-entendido". Na entrevista, Marianne, grávida de sete meses do primeiro filho, contou que dirá à criança que o pai morreu como um herói. "Seu espírito, sua fé e suas convicções não foram derrotadas. E eu estou muito orgulhosa dele."
Desde a aposentadoria do editor Ben Bradlee e da morte da grande dama Katherine Graham, o Washington Post carecia de liderança. Embora não aspire ao cargo, o ouvidor Michael Getler tornou-se defensor das tradições do jornal, profissional respeitado por colegas e colunistas. Representando a visão e os interesses do público, Getler virou uma voz poderosa no jornal. Sua crítica interna questiona matérias, fotos, ralha com o Post por ter sido furado e elogia redatores. Na casa desde 1970, ex-editor do International Herald Tribune, ele se recusa a comentar a suposta liderança. Mas para Harry Jaffe [Washingtonian Magazine, março 2002], sua coragem e independência são evidenciadas em colunas como a de 3 de fevereiro, em que Getler dá a entender que a farta cobertura do jornal sobre o presidente Bush beira a propaganda. Ao louvar a série co-escrita por Bob Woodward sobre a Casa Branca e a guerra, o ombudsman também sugere que o lendário repórter investigativo deixou de expor os segredos do governo (como fez no caso Watergate) para simplesmente anotar a versão dos eventos dada pelo presidente. Getler pode ser a alma do jornal, mas não tem poder de contratar ou demitir, lembra Jaffe. Sua crítica ao colunista de fofocas Lloyd Grove pode ter fundamentado a demissão de muitos colegas em outros jornais, mas no Post, "que não gosta muito de mexericos mas sente que precisa de um colunista do ramo", Grove continua inabalável no cargo.
O Massachussets Institute of Technology (MIT) está testando o primeiro repórter-robô e já tem um nome para a engenhoca: Afghan Explorer. Trata-se de uma teleconferência sobre rodas, segundo descrição do sítio The Lost Remot <lostremote@reply.mb00.net>. Tem uma tela e microfones e é guiado pela internet. A turma do MIT diz que "se os militares podem ter os seus próprios sistemas robóticos de localização e destruição, por que não os jornalistas?" Eles esperam testar em breve a traquitana no Afeganistão. Os americanos realmente adoram testar novas tecnologias em suas guerras. Guerra de imagens e de tecnologias. | ||