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MONITOR DA IMPRENSA
REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS Claudio Weber Abramo (*) A organização internacional de jornalistas Repórteres sem Fronteiras divulgou em outubro de 2002 o primeiro ranking mundial de liberdade de imprensa, englobando 139 países. De acordo com a RsF, o índice baseia-se num levantamento conduzido entre jornalistas, pesquisadores e advogados, os quais responderam a 50 perguntas relacionadas a violações da liberdade de imprensa (como assassinatos ou detenções de jornalistas, censura, pressões, presença de monopólio estatal em diversos setores, aplicação de punições por violação de leis e regulamentos referentes à imprensa). A íntegra do relatório, bem como comentários, pode ser consultada em <www.rsf.fr/article.php3?id_article=4116>. É interessante aquilatar a possível relação existente entre o índice da RsF e o Índice de Percepções de Corrupção (CPI) da Transparency International. O CPI de 2002 incluiu 102 países. Os países que ocorrem em ambos os índices totalizam 84. A tabela a seguir relaciona os dois conjuntos de números, organizados por ordem decrescente do CPI (o índice RsF foi transformado linearmente da escala original de 0-100 – em que 0 corresponde a máxima liberdade de imprensa – para uma escala de 10-0, semelhante à do CPI):
A correlação estatística entre CPI e RsF nesse conjunto é de 0,53. Eliminando-se Belarus, China, Israel, Jordânia, Malásia, África do Sul, Tunísia e Vietnã (países cujos índices situam-se muito fora do conjunto dos restantes), verifica-se que entre os 76 países restantes há uma forte correlação positiva, de 0,70, entre o CPI e o RsF. O gráfico ilustra o que acontece. É evidente que, quanto maior a integridade do país, maior sua liberdade de imprensa. No entanto, é interessante observar que se a atenção é restrita a países com CPI menor do que 5 (a área em destaque, que corresponde aos países com CPI abaixo da Hungria), então a correlação é muito menor, de 0,41 – ao passo que, no subconjunto dos países com CPI maior do que 5, a correlação é de 0,61. Tal conclusão tende a enfraquecer a relação, muito mencionada, entre uma imprensa atuante e a presença de padrões elevados de integridade, ao menos entre países situados nas regiões inferiores de ambas as escalas. (*) Secretário-geral da Transparência Brasil <http://www.transparencia.org.br>. E-mail: <cwabramo@uol.com.br> | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||