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NEVADA WOMAN
Notícia patrocinada

A linha tênue que separa jornalismo de publicidade foi definitivamente rompida na edição de junho da revista Nevada Woman. A revista introduziu o patrocínio de artigos de capa: traçou o perfil de três executivas do alto escalão do banco Wells Fargo. Até aí, tudo bem, não fosse o detalhe de que o banco pagou por isso.

Em momento algum da reportagem, a revista menciona que o Wells Fargo pagou. Quem noticiou o patrocínio, segundo Allison Fass [The New York Times, 30/7/01], foi o lvcitylife.com, um sítio sobre Las Vegas. Paige P. Fleming, executiva-chefe e publisher da Nevada Woman, disse que tem vendido capas da revista já faz alguns anos. "Se surgem oportunidades de gerar renda conciliando-se com assuntos interessantes que beneficiem empresas com uma ferramenta promocional, atinjo meu objetivo, que é sobreviver nesse mercado maluco", disse Paige.

"Não estamos lidando com assuntos controversos", afirmou a executiva, cuja revista é publicada bimestralmente e tem circulação de 30 mil exemplares. Ela disse que nunca aceitaria pagamento de políticos para que fizesse capas que beneficiasse seu ponto de vista. Afirmou, também, que não achou necessário avisar aos leitores sobre o patrocínio.

Tanto Paige quanto Lindsey Coghlan, porta-voz do banco, recusaram-se a revelar o valor da negociação. Lindsey, no entanto, discorda da parceira quanto aos procedimentos adotados. "Os leitores devem ser sempre muito bem informados sobre a diferença entre conteúdo editorial e propaganda em qualquer meio de comunicação", disse.

 

SITCOMS
Feminismo distorcido

A revista The New Republic, em sua edição de 30 de julho, publicou uma reportagem criticando o modelo de fêmea exemplar divulgado por personagens na TV que a National Organization for Women (NOW), organização feminista dos EUA, defende.

O ensaio de Amanda Fazzone critica o segundo anuário "Feminist Primetime Report Update", que lista os 59 programas de TV mais amigáveis ao feminismo. A série Felicity – que passa na Warner nos EUA e na Sony no Brasil – ficou em 3o lugar. A protagonista, interpretada por Keri Russell, tem seu cotidiano de estudante de medicina exposto para o público.

A escolha do programa, segundo Alex Kuczynski [The New York Times, 30/7/01], incomodou Amanda. Para a jornalista, Felicity não é um modelo. Desde o piloto, o programa continua mostrando a mesma coisa: uma garota que vai para uma faculdade em Nova York para seguir seu amor colegial. Três anos depois, diz Amanda, ela ainda faz com que sua vida gire em torno do mesmo garoto.

A pesquisa da NOW também indicou Buffy, a Caça-Vampiros, Charmed e Sétimo Céu. Amanda critica a dualidade de Buffy, personagem que tenta passar força ao lutar contra inimigos e, ao mesmo tempo, reitera embustes femininos em situações cotidianas. Nas séries em que mulheres são heroínas, o que conta, afinal, é o sex appeal.



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