10/06/2003 7/14

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FALTA DE CRÉDITO
Até tu, Washington Post?

A fim de poupar trabalho, repórteres de grandes jornais americanos usam informações e depoimentos provenientes de matérias de jornais menores sem citar a fonte, aponta o Washington City Paper [5/6/03]. A reportagem usa como exemplo o caso do chefe de polícia de Tacoma (estado de Washington), David Brame, que matou a ex-mulher e depois se suicidou. As equipes dos jornais locais News Tribune e Seattle Times encontraram trechos em matéria de Blaine Harden, correspondente do Washington Post em Seattle, que se pareciam estranhamente com material que haviam publicado e com informações que ele dificilmente teria conseguido por conta própria. Saíram no Post, sem citação apropriada de fonte, por exemplo, declarações do prefeito de Tacoma, Bill Baarsma.

No fim de maio, o editor do News Tribune, David Zeeck, e o editor da seção metropolitana do Seattle Times, Suki Dardarian, enviaram carta ao Post indagando sobre a origem das informações de Harden. Poucos dias depois o diário da capital americana publicou correção admitindo que utilizara "declarações do prefeito sem citação apropriada" e mencionando de onde Harden as havia conseguido. Omitiu, no entanto, outras coisas que o repórter simplesmente copiou. Na verdade, esconde o fato de que ele praticamente não fez trabalho algum de reportagem, apenas um clipping, pois teve três horas e meia para apurar e bater a matéria.


THE CHICAGO TRIBUNE
Cartunista acusado de anti-semitismo

Uma charge da página de editoriais do Chicago Tribune suscitou a ira de leitores, que mandaram e-mails e ligaram para a redação para manifestar descontentamento, e até de um colunista do próprio jornal que considerou o desenho anti-semita. O concorrente Chigago Sun-Times também protestou em um editorial.

No dia 30/5, o cartunista Dick Locher desenhou George W. Bush sobre uma ponte onde se lia "Ribanceira do Oriente Médio", e na qual o presidente americano dispunha notas de US$ 1 em frente a Ariel Sharon [veja o cartum abaixo]. Sob o "estímulo" americano, o premiê israelense diz "pensando bem, o caminho para a paz parece um pouco mais claro agora", mirando as cédulas dispostas por Bush.

Em coluna no dia 1o/6, Don Wycliff, editor público do Tribune, pareceu apoiar os leitores descontentes. "O cartum é brutalmente anti-semita, reforçando a imagem preconceituosamente atribuída aos judeus, de avarentos e gananciosos", disse um leitor, citado na coluna de Wycliff.

O colunista, segundo reportagem de Don Babwin [AP, 2/5/03], revelou que sua reação também foi parecida. Wycliff disse acreditar que não havia intenções de "contrabandear um cartum anti-semita no jornal". No entanto, afirmou que a imagem "de fato possui elementos ofensivos a muitas pessoas boas."

Locher, de sua parte, discorda das acusações e defende seu cartum. "Eu estava tentando dar a cara a tapa em nome do cidadão americano", disse Locher a Dave Astor [Editor & Publisher, 3/6]. "Israel é um bom amigo, mas vamos contabilizar para onde o dinheiro está escoando." Locher é ganhador de um prêmio Pulitzer de 1983. Ex-funcionário fixo do Tribune, agora trabalha para o jornal como free-lancer.

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