MONITOR DA IMPRENSA


CANADÁ
Monopólio da notícia

Depois que investigações nos anos 70 e 80 concluíram que a concentração dos meios de comunicação afetava o conteúdo editorial publicado no Canadá, as recomendações de então desapareceram. Segundo a Editor & Publisher (3/04/01), o assunto voltou à tona depois do agito que alguns processos de aquisição causaram no ano passado, especialmente a transferência de mais de 100 jornais da Southan Inc. e a metade da propriedade do National Post da Conrad Black’s Hollinger Inc. para a CanWest Global Communications Inc., de Israel Izzy Asper, o maior dono de estações de TV e rádio do país. Quando o acordo foi anunciado, a ministra Sheila Copps prometeu nomear uma nova comissão para discutir o monopólio na mídia, mas até hoje não o fez.

O assunto poderia ter passado batido, não fosse o artigo de David, filho de Izzy Asper, em defesa do primeiro-ministro Jean Chrétien, enrolado num escândalo sobre um pedido de empréstimo ao presidente do Banco Central canadense para um hotel. David publicou seu artigo em todos os jornais da Southam e no National Post, enfurecendo a oposição. "Não seria essa uma prova convincente do perigo de informações políticas serem transmitidas segundo o ponto de vista do primeiro-ministro?", questionou um deputado no Parlamento.

Depois da promessa não-cumprida, a ministra afirma agora que os jornais e as demais mídias serão estudados quando houver uma revisão da lei federal que regula o setor (Broadcast Act). Indignados, os jornalistas parecem ter perdido as esperanças de que possa haver uma efetiva diversidade na imprensa canadense.



RÚSSIA
O povo contra a censura

Uma multidão se reuniu em Moscou no dia 31 de março em defesa da única emissora de TV independente do país, informou Ron Popeski (Reuters, 31/3/01). A NTV corre o risco de ser fechada, enquanto Vladimir Gusinski, seu fundador, luta contra um processo de extradição na Espanha, sob acusação de fraude fiscal. Para os manifestantes, os dois fatos evidenciam a falta de liberdade de expressão na Rússia atual.

Renomados liberais discursaram na Pushkin Square para cerca de 10 mil pessoas, que desfilavam cartazes contra o presidente Vladimir Putin e balões verdes com o logo da NTV. Eles afirmavam que a censura e o processo contra a emissora são a resposta de Putin à cobertura crítica da rede sobre a guerra russa contra a separatista Chechênia, e portanto movidos apenas por motivos políticos. "Sabemos que eles querem destruir a NTV. Desta forma nada saberemos sobre os milhões de dólares tirados do país, sobre como uma guerra que dizem ser parte da luta contra o terrorismo e a corrupção está sendo realmente conduzida", disse Grigori Iavlinski, líder do partido Iabloko.

Ievgeni Kiseliov, diretor-geral e âncora do programa de notícias da emissora, afirmou que a NTV pode ser fechada em breve. A manifestação, uma das maiores de Moscou nos últimos anos, após a efervescência política dos anos 80 e início dos 90, foi amplamente divulgada na NTV e nas rádios e nos jornais do grupo Media Most, de Gusinski. As outras duas redes nacionais russas, RTR e ORT, ignoraram o acontecimento em seus noticiários de sábado.



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