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MONITOR DA IMPRENSA
CAPTURA DE SADDAM A equipe do presidente Bush vinha reclamando que a cobertura da invasão do Iraque estava sendo retratada de forma negativa pela mídia. Com a captura de Saddam Hussein neste sábado, no entanto, a televisão dos EUA claramente se pôs a comemorar junto com o governo. Tom Brokaw, da rede NBC, anunciou que Saddam foi pego "literalmente como um rato numa toca", comentando que ele se entregou de forma "patética". Na ABC, George Stephanopoulos se disse surpreso com as imagens do ex-líder barbudo e chegou a questionar por que ele não "aproveitou a oportunidade para se matar". O âncora da CBS Dan Rather não perdeu tempo em concluir que a captura "dá um tremendo reforço às perspectivas de reeleição do presidente Bush". De acordo com Howard Kurtz, do Washington Post [15/12/03], a informação de que Saddam havia sido finalmente encontrado vazou na manhã de domingo. A primeira notícia de meio impresso no "mundo ocidental" saiu na Reuters, às 4h58, horário de Washington, e citava como fonte a agência estatal do Irã. O correspondente da CNN Alphonso Van Marsh acompanhou a unidade que prendeu Saddam, mas os militares não quiseram dizer se era mesmo ele. Desconfiado de que algo excepcional havia ocorrido, Van Marsh contatou, ainda na noite de sábado, o correspondente da emissora para o Pentágono, James McIntyre, que conseguiu confirmar a informação com alguns telefonemas. Às 5h03, a rede divulgou que diversos indivíduos haviam sido capturados no Iraque e "que funcionários americanos acreditavam que um deles seria Saddam Hussein". A Casa Branca declarou que o fato não foi divulgado antes do que o governo desejava. A imprensa penou com a falta de imagens, pois pouco material foi liberado. Os militares afirmaram que o vídeo do ex-ditador sendo examinado só foi liberado para que o mundo árabe visse que ele estava de fato sob custódia dos americanos, o que poderia reduzir os ataques rebeldes contra suas unidades. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, falou com repórteres somente com câmeras desligadas, pois não queria ofuscar o pronunciamento que Bush faria pelo meio-dia de domingo. Culto à imagem Em todos os cantos do mundo aos quais as imagens de Saddam capturado chegaram, provavelmente nenhum mereceu tanta dedicação quando o próprio Iraque. A reconstruída al-Iraqiya, emissora nacional atualmente sob supervisão americana, chega a estimados 93% de lares iraquianos, comparados a 33% da al-Jazira. Executivos de algumas emissoras americanas, segundo apurou David Bauder [AP, 14/12], disseram-se desconfortáveis tendo de transmitir imagens providas oficialmente pelo Exército. No entanto, as imagens eram tão estarrecedoras e cruciais que a fonte tornou-se irrelevante. "Essa é uma imagem tremendamente poderosa para o Iraque e o mundo", disse Brit Hume, da Fox News, referindo-se ao momento em que Saddam é examinado por um médico. Para Aaron Brown, da CNN, a última vez em que se viu imagens tão dramáticas foi na queda da estátua do ditador, no primeiro semestre.
As notícias causaram tanto furor que as revistas semanais Time e Newsweek decidiram refazer a edição que já havia sido impressa. Quando o telefone tocou às 5h da manhã no domingo, Jim Kelly, editor-administrativo da Time, pensou que receberia novamente más notícias, após os ferimentos graves sofridos por um correspondente, Michael Weisskopf, e pelo fotógrafo veterano James Nachtwey, em Bagdá. No final das contas, eram notícias da captura. Weisskopf e Nachtwey foram atingidos por uma granada atirada dentro do jipe militar em que circulavam. Weisskopf, que ficou em estado grave, teria salvado a vida dos outros passageiros tentando atirar o explosivo para fora. Ele teve a mão direita arrancada e foi levado a um hospital para fazer cirurgia. Nachtwey, conhecido e premiado por suas fotos de guerra e igualmente colaborador da Time, também foi atingido pela explosão. A condição dos dois, segundo informações do Washington Post [12/12/03], é estável. Os dois soldados que estavam com Weisskopf e Nachtwey e se feriram não tiveram as identidades reveladas. Segundo porta-voz militar, o repórter vestia colete protetor, o que teria evitado ferimentos mais graves. |
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