MONITOR DA IMPRENSA


ASPAS

EXECUÇÃO À AMERICANA
Folha de S.Paulo

"Execução do autor do atentado de Oklahoma será transmitida por TV, copyright Folha de S. Paulo, 13/4/01"

"Os sobreviventes e os familiares das vítimas do atentado a bomba ocorrido em Oklahoma City (centro dos EUA), em 1995, poderão assistir à execução do autor do crime, Timothy McVeigh, por meio de um circuito fechado de televisão, de acordo com informação divulgada ontem pelo secretário da Justiça dos EUA, John Ashcroft.

Ao anunciar medidas excepcionais para a execução, que acontecerá em 16 de maio, Ashcroft pediu à imprensa que sua cobertura seja moderada para evitar que McVeigh ‘injete mais veneno na cultura americana’.

Chamando o ‘crime covarde’ de McVeigh de maior atentado terrorista da história dos EUA, Ashcroft afirmou que tinha concordado em permitir que os sobreviventes e os familiares das vítimas assistissem à execução de um lugar secreto situado no Estado de Oklahoma. Trata-se da primeira vez em que uma execução federal será transmitida por meio de um circuito fechado de televisão. Algumas execuções estaduais já foram veiculadas dessa forma, mas a de McVeigh será a primeira execução federal desde 1963.

‘Os sobreviventes do atentado de Oklahoma City são provavelmente o maior grupo de vítimas de crimes de nossa história. Assim, o Departamento da Justiça tem de tomar medidas especiais para garantir que seus anseios sejam atendidos’, disse Ashcroft.

McVeigh, 32, será executado, por injeção letal, numa prisão federal da cidade de Terre Haute, no Estado de Indiana. Ele foi condenado em 1997 pelo atentado, ocorrido em 19 de abril de 1995, contra o prédio federal Alfred P. Murrah, que deixou 168 mortos, incluindo 19 crianças, e centenas de feridos.

A transmissão da execução de McVeigh utilizará tecnologia de ponta para evitar que ela seja pirateada ou sofra interferências, de acordo com Ashcroft.

Os sistemas de áudio e vídeo serão transmitidos de Indiana a Oklahoma por linhas telefônicas digitais de alta velocidade. A transmissão em circuito fechado ocorrerá ao vivo, pois leis federais americanas impedem que execuções sejam gravadas.

Sorteio

Além da veiculação pelo circuito fechado de TV, Ashcroft disse que o número de pessoas que poderão assistir à execução em Terre Haute será aumentado de 8 para 10. Essas pessoas serão definidas num sorteio.

McVeigh confessou o crime num livro publicado recentemente: ‘American Terrorist’ (Terrorista americano). Ele chamou a morte das 19 crianças de ‘estrago colateral’, uma declaração que Ashcroft considerou particularmente ofensiva.

McVeigh disse ainda que tinha agido para vingar-se do ataque de forças governamentais contra o complexo pertencente à seita Ramo Davidiano, acontecido em Waco, Texas, em 1993.

Ele também afirmou que, com seu atentado a bomba, estava devolvendo ao governo americano a ‘sujeira’ de Waco."



O Estado de S.Paulo

"Circuito fechado de TV mostrará morte de McVeigh", copyright O Estado de S. Paulo, 13/4/01

"Os sobreviventes e as famílias das vítimas do atentado de 1995 em Oklahoma City, que deixou 168 mortos, poderão assistir, por circuito fechado de TV, à execução do autor do ataque, o americano Timothy McVeigh, marcada para 16 de maio, anunciou ontem o secretário da Justiça dos EUA, John Ashcroft. A medida atende à solicitação de cerca de 250 pessoas.

Ashcroft justificou a decisão pelo fato de o crime de McVeigh ter sido o maior atentado cometido até hoje nos EUA. Ele destacou que a transmissão será feita por uma rede de alta segurança instalada pelo FBI (polícia federal) com a mais moderna tecnologia de codificação para evitar que seja interceptada. McVeigh, de 32 anos, havia declarado aos autores de um livro sobre sua ação no atentado que, se o governo permitisse a transmissão em circuito fechado, ele iria ‘exigir que o ato fosse televisionado para todo o país’.

O diário The Washington Post destacou os preparativos para a execução de McVeigh, por injeção letal, numa penitenciária do Estado de Indiana. O condenado terá direito a escolher sua última refeição, desde que não inclua bebidas alcoólicas nem custe mais de US$ 20.

Os cerca de 1.400 repórteres credenciados terão à disposição garrafas de água gelada, cadeiras estofadas, mesas especiais e transporte até o local por carrinhos como os usados em jogos de golfe, num pacote de US$ 1.146,50. Os que não quiserem pagar não terão nada disso. Somente dez repórteres serão escolhidos para acompanhar a execução, numa câmara que será usada pela primeira vez.

No livro com seu depoimento sobre o atentado, McVeigh adiantou que suas últimas palavras serão um trecho do poema Invictus, de William Ernest Henley, do século 19. ‘Eu sou o senhor do meu destino. Eu sou o capitão da minha alma.’ (Associated Press, France Presse e The Washington Post)"



O Globo

"Execução de McVeigh terá circuito fechado de TV", copyright O Globo, 13/4/01

"Os sobreviventes do atentado a bomba contra um prédio federal em Oklahoma City, em 1995, e os familiares das 168 pessoas mortas, poderão assistir por circuito fechado de TV à execução do terrorista Timothy McVeigh em 16 de maio. A decisão foi anunciada ontem pelo procurador-geral dos Estados Unidos, John Ashcroft, atendendo a pedidos de cerca de 250 pessoas que querem ver o fim de McVeigh, condenado em 1997. Entre as vítimas do atentado, o maior da história americana, estavam 19 crianças.

A execução, a primeira numa prisão federal desde 1963, será por injeção letal. A transmissão será feita utilizando-se tecnologia avançada de codificação para impedir que hackers tenham acesso a ela ou interfiram. O público ficará num local não divulgado em Oklahoma City. A transmissão começará quando McVeigh, de 32 anos, estiver já atado à mesa onde receberá a injeção letal na prisão federal de Terre Haute, em Indiana.

Ashcroft tomou a decisão de permitir a transmissão - a primeira de uma execução federal - após um encontro na terça-feira com um grupo de cerca de cem sobreviventes e familiares de vítimas. Segundo o procurador-geral, os sobreviventes de Oklahoma podem ser o maior grupo de vítimas de um crime na história dos EUA e as autoridades devem tomar as providências necessárias para atender às suas necessidades de acordo com a responsabilidade do Estado de fazer justiça.

- Este caso contém elementos únicos e circunstâncias únicas - justificou ele. - O tempo que passei com esses bravos sobreviventes certamente me modificou. Suas vidas foram abaladas e espero que possamos ajudá-los a fechar este capítulo.

Ashcroft pediu que a imprensa seja contida na cobertura do caso e evite tornar-se ‘co-conspiradora’ no ataque do terrorista à segurança pública dos EUA, injetando ‘mais veneno’ na cultura americana com suas opiniões.

- Como um americano que se preocupa com a nossa cultura, quero restringir o acesso de um assassino em massa à tribuna pública. Não quero que ninguém possa adquirir acesso à tribuna da América com o sangue de 168 vítimas inocentes - enfatizou ele.

McVeigh pedira que sua execução fosse pública, mas a requisição foi negada. Ashcroft disse que o acesso ao terrorista continuará sendo os 15 minutos diários pelo telefone previstos por lei.

McVeigh justificou o atentado como uma retaliação ao governo federal pela ação policial em 1993 contra a seita do Ramo Davidiano, em Waco, Texas, em que morreram mais de 80 pessoas num incêndio durante o cerco aos membros do grupo."



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