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MONITOR DA IMPRENSA
ISRAEL vs. PALESTINA
Cobertura tendenciosa
Israel reclamou à CNN sobre a maneira com que as matérias sobre a onda de violência entre palestinos e israelenses estão sendo abordadas. O que enfezou particularmente os israelenses foram as duas mulheres palestinas reportando do campo e utilizando a palavra "nós" – "como se a CNN tivesse se tornado agente dos palestinos", disse Gideon Meir, vice-diretor geral de relações públicas do Ministério do Exterior.
Segundo matéria de Greer Fay Cashman [The Jerusalem Post, 16/10/00], Meir afirmou que o chefe da sucursal da CNN em Jerusalém, Mike Hanna, concordou com alguns pontos e discordou de outros. "Não estamos pedindo para a CNN tornar-se agente do governo de Israel, mas para que essa importante organização midiática seja honesta – o que não estamos vendo agora", disse Meir.
A seqüência do linchamento de três soldados israelenses em Ramallah e o assassinato de Rabbi Hillel Lieberman, segundo Meir, também não receberam o destaque adequado pela mídia estrangeira.
Centenas de reclamações sobre a cobertura da CNN e sobre destaques anti-semitas na cobertura da BBC foram feitas por judeus do mundo todo.
O principal objetivo de Israel é "ter credibilidade, fornecer a reportagem correta", disse Meir. "Não temos problemas quanto ao outro lado fornecer sua história. O problema é que o outro lado está mostrando sua versão cheia de mentiras, e a mídia freqüentemente lhes dá a vantagem da cobertura."
TELEJORNAL LOCAL
Mais jornalismo, mais audiência
O telejornalismo local nos Estados Unidos sempre foi como fast food: baixa qualidade e uniforme em todo o território. Há sete meses, no entanto, a sucursal em Chicago da CBS, WBBM-TV, aboliu a equipe de marketing da redação, passando a deixar as decisões de pauta com os jornalistas.
A atitude, uma questão mais de necessidade que de princípio – segundo matéria da revista The Economist, 7/10/00 –, ameaçou roubar audiência não só de outros quatro noticiários locais como de reprises dos populares Friends e The Simpsons.
O primeiro passo foi contratar Carol Marin, uma jornalista de quase 30 anos, com experiência em TV e alguns prêmios na bagagem. Em 1997, pediu demissão do cargo de co-âncora da rival WMAQ, quando a emissora contratou Jerry Springer (um anfitrião de confusões por causas sem valor) para ser comentarista da emissoa.
Marin também aparece como uma âncora solteira, desafiando a fórmula enervante do telejornalista, que demanda homens de aparência rígida, paternal e artificialmente bronzeada, para dividir a mesa com belas mulheres uma ou duas gerações mais novas.
Em seguida, a WBBM aboliu coberturas sensacionalistas de crimes, marketings hollywoodianos travestidos de notícia, tomadas ao vivo de prédios obscuros em que se deu a notícia de horas antes, entre outros detalhes abomináveis. Em vez disso, introduziu reportagens que duram cinco minutos, entrevistas ao vivo com grandes nomes internacionais – como o primeiro-ministro de Israel Shimon Peres – assuntos em destaque no país e no mundo, um ou outro comentário editorial e pequenas matérias sobre o tempo, quando não há nada novo a dizer.
Em tempos de completo rompimento do limite entre notícia e entretenimento, em que Leonardo DiCaprio é convidado pela ABC para entrevistar Bill Clinton, pode-se dizer que o programa de Marin está remando contra a correnteza. A âncora, no entanto, afirmou acreditar que ainda há audiência para telejornalismo sério.
Apesar de aprovado, o novo formato não foi suficiente para impedir a queda contínua de audiência do telejornal para programas como Survivor, Entertainment Tonight, Friends, entre muitos, muitos outros.
PROFISSÃO PERIGO
Mulheres premiadas por coragem
Uma jornalista de Burundi que trabalhou continuamente, apesar de ameaças de morte, uma editora de jornal que foi presa no Quirguistão e uma correspondente de guerra norte-americana presente sob fogo em Kosovo e Chechênia, receberam os prêmios "Coragem no Jornalismo" no dia 10 de outubro.
A Fundação Internacional Feminina de Mídia honrou Agnes Nindorera, de Burundi, Zamira Sydykova, do Quirguistão, e Marie Colvin, uma americana residente em Londres, por lutarem pela liberdade de imprensa. Segundo matéria da Associated Press (10/10/00), o evento marcou o 11º encontro para distribuição de prêmios, em cerimônia com mais de 600 pessoas presentes. Cada jornalista recebeu 2 mil dólares.
"O fato de essas três jornalistas terem vivido momentos difíceis e arriscados fez com que espectadores, leitores e ouvintes de todo o mundo estivessem mais bem informados e espertos, menos vulneráveis à complacência", disse Narda Zacchino, do Los Angeles Times e presidente da cerimônia.
Nindorera cobriu a guerra civil de Burundi por mais de quatro anos. Foi presa diversas vezes, sua casa foi saqueada, seu equipamento foi confiscado pelo governo e um oficial do alto escalão do governo disse a ela que, se continuasse com suas reportagens, levaria um tiro na cabeça. Ela não se abalou e continuou trabalhando para o Voice of America e para a Agence France-Presse.
Sydykova, editora-chefe do jornal independente do Quirguistão Res Publica, fundado após a quebra da União Soviética em 1991, é uma das poucas mulheres a dirigir um jornal na região. Em 1995, foi acusada de difamação por escrever sobre contas do presidente em bancos estrangeiros e proibida de trabalhar como jornalista por 18 meses. Em 1997, foi acusada de crime por calúnia ao publicar artigos alegando corrupção em uma companhia estatal. Passou um mês em um campo de trabalho e foi, novamente, proibida de escrever por 18 meses.
Colvin, correspondente estrangeira do inglês Sunday Times, trabalhou por detrás do front line por 15 anos, mais recentemente em Kosovo, onde, de um carro-patrulha, apoiou o Exército de Libertação de Kosovo ao enfrentar forças militares sérvias, e na Chechênia, onde foi repetidamente atacada por russos enquanto escrevia sobre os rebeldes chechênios. Colvin também cobriu o conflito no Timor Leste.
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