Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

MONITOR DA IMPRENSA

JORNALISMO ON LINE
Os jornais na rede

 

Antonio Caetano (*)

Acho que não existe mais jornal que não tenha uma versão digital pendurada na Rede... Pelo menos todos aqueles que têm pretensões nacionais estão lá. É desses que quero falar. Jornal do Brasil, O Globo, Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e Gazeta Mercantil: cinco estilos diferentes e bem característicos de jornalismo digital.

Antes, uma observação fundamental: na Rede, essa conceito "nacional" não depende mais de nenhum fator geográfico ou econômico: qualquer jornal – impresso ou não – pode ter a pretensão de ser nacional.

Estes cinco jornais se impõem então como nacionais por razões muito bem definidas. Tradição é o primeiro. Todos têm longa história de participação ativa no cenário político, econômico e cultural do país. Outro fator: por força do poder da tradição, e que se traduz em assinaturas e vendas avulsas, todos têm condição de cumprir o propósito definidor do grande jornal: cobrir com qualidade todos os assuntos.

Nesse sentido, a única característica comum é que todos apresentam na Rede a edição completa que está nas bancas: o que está na Rede é o que foi impresso. No mais, cada um tem a sua cara, ou melhor, o seu retrato quase fiel.

Comecemos pela Folha, que é o jornal que me dá mais raiva. Quer saber por quê? Tente acessá-la... Se você não for assinante da Folha ou do UOL, vai descobrir. É, tem senha de acesso! Um jornal, uma publicação – que, como o nome já diz, é algo aberto, público – privada!

Em um universo de talvez uns 10 milhões de brasileiros – aqui e lá fora – conectados à Rede, a Folha escolhe ser um clipping dos tais 350 mil assinantes do UOL. Do UOL, sim, preferencialmente. Pois, há seis meses, quando assinei a Folha, tive que trocar e-mails desaforados com eles para conseguir – eu, assinante da Folha! – acesso à versão digital, que era então – pasmem! – exclusividade dos assinantes... do UOL! Isso mesmo: a Folha na Internet reduziu-se a um instrumento de marketing do provedor – e não dava livre acesso nem aos seus próprios assinantes. É uma mentalidade provinciana. Em vez de escolher 10 milhões, eles escolheram 350 mil. E, aí, claro – como todo poder no Brasil – pouco se lixando para os direitos do cidadão/assinante que, no caso, é quem paga para que aquelas notícias sejam feitas.

Enfim, hoje os assinantes da Folha já têm acesso, mas sempre mediante o uso da marca da burrice em um meio inteligente, que é a senha.

Então, claro, a Folha na Rede não é exatamente um jornal. Ela é... uma folha. Que devia ser o que ela era lá no começo: uma folha, não um jornal, da cidade de São Paulo... Mas, por dentro, ela é muito boa. E é isso o que me dá mais raiva – e pelo que pude conversar com o pessoal do jornal, a eles também. Mas uma raiva paulistana, da Folha: caladinha e bem educada. Uma raiva com curso de telemarketing.

Visualmente é a que mais me agrada: classuda, econômica, limpa. Boa de navegar, bom conteúdo. E excelentes fotos, sempre. Aliás, parabéns ao editor de fotografia da Folha. Um artista. Deveria "assinar" as fotos que escolhe. Merecia.

Acho que já era tempo talvez de alguns ajustes na concepção visual e partir para a elaboração de cadernos especiais sobre assuntos de maior peso. Reputo esse atraso à estagnação que a tal exclusividade acaba por produzir...

Azul-bebê

A Gazeta Mercantil segue o mesmo modelito burro da Folha – de acesso restrito. Nem há muito o que dizer. Há, sim, a esperança de que a ameaça do Frankenstein que Folha e Globo irão produzir a partir do ano que vem para concorrer com eles os obrigue a rever essa estratégia, democratizando o acesso. Acho inevitável. E merecido. Quem conhece a Gazeta na versão impressa sabe da qualidade do jornal. Sobretudo nos finais de semana, quando circula com seu caderno de cultura.

O Globo é, sem dúvida, o mais navegável. Simples, rápido, com links complementares precisos. Muito bem editado, sempre com históricos – denominados sugestivamente de "Fio da meada" – para as matérias que ganham suíte ou se estendem numa cobertura mais longa. Deviam transformar esses históricos em cadernos especiais.

É também o único com pique de tempo real, alterando as manchetes da primeira página segundo o correr das notícias do dia. Ou seja: a versão digital de O Globo não está atrelada á versão impressa – tem personalidade própria.

Só não me agrada muito a concepção visual. Não gosto das cores, dos tipos, das vinhetas. Tudo muito mocinha. Mas certamente não é algo que comprometa os dois fatores básicos: qualidade de informação e navegabilidade.

Aproveitando o gancho, um editor de navegação e conteúdo mais eficiente é o que falta ao Estadão. Materialmente, o Estadão é o que oferece o maior volume de informação. É, disparado, o melhor para quem procura conteúdo. O problema é essa procura. Como é ruim de navegar, como é pesado, o Estadão! E seu sistema de busca em arquivo não é grande coisa.

Para resolver as coisas dentro de casa, bastaria dar ao Estadão – com todo o seu conteúdo – uma concepção visual semelhante à do Jornal da Tarde. Aliás, só não incluí o JT entre os maiores porque ele é tributário em grande parte das informações geradas pelo Estadão. Mas seus cadernos são excelentes. O de sábado é um luxo de inteligência e qualidade. Seus colunistas também são muito bons.

Mas, ainda sobre o Estadão, ele é o único que tem por hábito oferecer extensos cadernos especiais sobre assuntos que ganham relevância na mídia. Poderia citar, de cabeça, pelo menos uns oito... Todos muito bonitos e bem feitos. Acho que virou já uma tradição.

É também o único que dá destaque a seus fotógrafos, com exposição permanente das melhores fotografias produzidas pela equipe do jornal.

Aliás, esse é o ponto crítico de todos os jornais na Rede: não há destaque para fotos. O argumento do "peso" das fotos seria facilmente contornável, e não justifica a falta de imagens que caracteriza todos eles. A Folha, volto a dizer, com o editor que tem daria um banho.

Finalmente, do Jornal do Brasil só é possível dizer: "Uma pena". Precursor em tudo, o JB ainda mantém um estilo de navegação de priscas eras, um negócio horroroso, tipo papiro interminável – parece discurso de um Fidel Castro egípcio (se você acha estranha a imagem, tente imaginar um César Maia...). Isso sem falar nas cores – é azul-bebê o fundo das colunas! Tudo é muito ruim.

Por outro lado, seria facilmente um dos jornais que mais poderiam se beneficiar da Internet: a maioria dos assinantes do JB certamente tem micro, e o jornal poderia usar a Rede para recuperar parte do terreno perdido pela versão impressa (impressa?), criando uma interatividade maior com os leitores. Mas está lá, o pobre JB On line, esquecido como um produto que não dá lucro. Uma pena mesmo. Quem sabe o acordo com O Dia traga os donos da empresa de volta à realidade...

(*) Editor de conteúdo do Café Impresso <www.cafeimpresso.com.br>

 

Alan Cowell

The New York Times

"Londres – Peter Martins, editor-chefe, anda com passos largos e rápidos pela redação do The Financial Times, gesticulando para terminais de computadores nos quais jornalistas escrevem matérias para FT.com, o website do jornal.

Em alguns meses, conta Martin a um visitante, aquela relativa pequena unidade irá desaparecer, e será substituída por algo muito mais inovador, muito mais amplo do que qualquer jornal britânico – e irá apagar o que ele chama de barreira entre notícias online e notícias impressas. Neste lugar, afirma, será projetada uma redação integrada, onde jornalistas irão trabalhar para alimentar tanto o website quanto o tradicional jornal britânico impresso em cor de salmão. E isso não é tudo, diz Martin, que além de editor-chefe é diretor editorial do FT Internet Business. O website será reprojetado para funcionar como um portal da Internet, que possuirá um sistema de busca para leitores interessados em negócios, uma agenda e serviço de e-mail eficientes e fornecerá constantes comentários de colunistas de analistas. ‘Nós imaginamos nosso website como um portal global para negócios’, afirmou Martin.

O desenvolvimento do Financial Times, que espera este ano empregar cem novos profissionais e gastar U$ 70 milhões na sua expansão online, reflete tanto o forte empurrão dado por seu dono, Pearson PLC, como as competições que estão sendo travadas no ramo dos negócios na Internet – uma resposta clara a websites como TheStreet.com, do qual The New York Times é investidor.

Mas a ambição de expansão do Financial Times está sendo apagada por um conhecido pano de fundo. Com os jornais britânicos investindo na Web, a competição tradicional mudou de rumo, e as antigas "guerras" conhecidas da ‘Fleet Street’ estão agora acontecendo no ciberespaço. Hoje em dia, quem visita um sites de ‘Fleet Street’ pode esperar ser seduzido não somente por matérias requentadas do dia, mas por algo mais amplo, incluindo o que George Brock, editor do The Times of London, chama de ‘jornalismo rolante’. Esse tipo de jornalismo é caracterizado pela velocidade, similar ao que é desenvolvido nas agências como Reuters, Bloomberg News ou The Associated Press.

Na verdade, os jornais online britânicos estão oferecendo uma gama de coisas interconectadas – todas dirigidas pela propaganda – utilizadas para atrair desde pessoas que procuram por empregos até executivos de alto escalão. E eles não estão apenas competindo entre si. ‘Nos casos online, os britânicos estão competindo com um mercado difícil, composto por toda a mídia’, afirmou Danny Meadows-Klue, editor da versão eletrônica de The Daily Telegraph. ‘Nós não competimos apenas com jornais. Há TV, rádio, especialistas em áreas como futebol e, por exemplo neste caso, competimos também com as homepages dos próprios clubes.’

É óbvio que o formal ‘Fleet Street’ não está sozinho. Serviços e provedores da internet, como Compuserve ou Yahoo, já oferecem notícias em tempo real e são alimentados por grandes agências de notícias. Jornais norte-americanos como The Washington Post e The New York Times estão tentando não apenas fornecer notícias de minuto a minuto, mas também estender jornalistas do meio impresso para a versão online.

Nunca as mudanças de relacionamento entre as páginas online e impressas foram mais claras do que depois da batida de trens em Londres, na semana passada. O pior acidente de trens em quatro décadas colocou editores frente a um quebra-cabeça: como servir os leitores com análises e notícias novas sem minar o valor da edição impressa do dia seguinte.

Três horas depois do acidente, disse Simon Waldiman, editor de Guardian Unlimited, o website do jornal The Guardian, ‘nós tínhamos tudo pronto’ no site – incluindo fotos e a contagem inicial de vítimas. Mike Butcher, da New Media Age, afirmou: ‘Uma coisa que os jornais têm que engolir é que a Web não atrapalha a circulação de impressos. As pessoas utilizam esses meios de maneiras diferentes. Elas não lêem profundamente artigos online. São meios diferentes.’

São diversas as diferenças entre o que está acontecendo na imprensa britânica e norte-americana. Os jornais dos Estados Unidos estão enraizados em uma forte tradição local, muito diferente quando comparada à predominância nacional que distingue os jornais britânicos. E aqueles foram no geral mais rápidos para aderir à versão online do que os jornais britânicos. Os jornais americanos foram beneficiados tanto pelo baixo preço da ligação telefônica, que estimula o acesso à internet, quanto pelo potencial mercado que possuem. ‘O rendimento da Web não é o mesmo e isso explica as diferentes velocidades que as coisas acabam se desenvolvendo’, afirmou Brock.

Desse modo, o rendimento dos jornais britânicos online foi de desprezíveis U$ 31,3 milhões, em 1998. Mas, segundo alguns gerentes online, isso representa um crescimento de 140% sobre 1997. Alguns sites, como The Daily Telegraph, com seis sites interconectados, estão construindo network para estudantes e navegantes para conquistar novas gerações que ficarão no lugar das velhas.

Tão grande é o desejo de evitar ficar de fora que The Independent recentemente atraiu especialistas em Web de rivais como a Rupert Murdoch’s News Corp. – dona do The Times of London – para fazer um novo projeto de seu website. O esforço pretende elevar o número de visitas a páginas individuais, hoje nos baixos 3,6 milhões por mês. The Times of London também está prometendo novidades. Eles recebem 12 milhões de visitas por mês, o mesmo que The Financial Times, o qual descobriu que 40% de seus visitantes vinham dos Estados Unidos. E, com cinco sites interligados que oferecem desde novas besteiras até busca por empregos e clube de aficionados por cinema, The Guardian Unlimited, que começou em janeiro, está tentando se expandir além dos ásperos 10 milhões de visitantes por mês.

A estratégia agressiva de The Financial Times levantou algumas dúvidas entre os especialistas, principalmente depois que a empresa afirmou que daria bastante atenção à propaganda – não para conseguir assinaturas, mas para atingir maior faturamento. Noah Yasskin, analista da Jupiter Communications, disse que recrutar cem pessoas ‘soa como um exagero de corpos para o mercado de propaganda britânico pagar’. Jaime Wood, analista de mídia européia da J. P. Morgan, disse que não tem ‘certeza de que Pearson tenha planejado’ onde tal expansão pode se encaixar em uma companhia cujas atividades incluem a publicação de livros, televisão, informação de negócios e publicações educacionais. Mas Martin tem uma resposta. ‘O risco de não se fazer nada é muito maior’, afirmou."

"Barreiras tradicionais caem como papel britânico", copyright The New York Times, 11/10/99. Tradução: Isabela Nogueira

 

Howard Kurtz

The Washington Post

"Matt Drudge, o solitário menino de Hollywood que espalhou sua conduta controversa pela internet, TV a cabo e rádio, está invadindo outra área. Drudge acabou de assinar um acordo, algo próximo a meio milhão de dólares, com Penguin Putnam para escrever um livro – Deixe o Futuro Começar – sobre sua breve carreira como jornalista digital e criador de problemas.

O homem que levou o escândalo de Monica Lewinsky para conhecimento do mundo ofereceu um sumário de suas aspirações literárias: ‘Eu vejo esse livro como uma obra fundamental’. É claro que Deixe o Futuro Começar será facilmente difundido pela ABC, que deu a Drudge um programa de rádio, e pela Fox, que criou um talk show para o rapaz. Ele que se autoproclama um intruso terá algo mais em comum com a elite da mídia, já que pode entrar para a lista dos que têm renda superior a US$ 1 milhão neste ano. Louise Burker, editora da New American Library, diz que os fãs de Drudge irão abocanhar o livro, planejado para o segundo semestre de 2000. ‘Eu o considero um dissidente’, afirma Burke. ‘Parte da imprensa fala muito mal dele, mas ele não merece. Este livro irá realmente valorizá-lo.’

Os críticos podem não concordar. Drudge, que é famoso por escrever sobre pessoas sem solicitar suas observações, não pretende utilizar seu livro para reconhecer seus próprios erros. Ele afirma que irá imprimir e-mails para mostrar como consegue suas informações secretas e irá contra-atacar as críticas que recebe do Columbia Journalism Review e do The New York Times, os quais, Drudge afirma, ‘saem de suas rotinas para sujar meu bom nome. Eu irei documentar meu trabalho. Darei nomes às experiências que tive com esses palhaços.’

O tempo tem induzido Drudge a ajustar sua visão de um futuro em rede. Depois de espionar na Web feito um revolucionário, ele afirma estar escrevendo um livro porque ‘muitas coisas desaparecem na internet, parece vapor. Você apaga e continua navegando".

Drudge já se proclamou como vanguarda de uma nova era de jornalistas-cidadãos na internet. Agora ele está preocupado porque titãs da mídia, como o chefe da CBS Mel Karmazin, acabarão possuindo tudo em um piscar de olhos. ‘Eu não sei onde os rebeldes estão’, Drudge admite. ‘Afinal, onde estão os indivíduos nesse novo e genial meio?’"

"Matt Drudge’s Magnum Oopus?", copyright The Washington Post, 13/09/99. Tradução: Isabela Nogueira

 

The New York Times

"Bill Kovach, tutor da Fundação Nieman de Jornalismo da Universidade de Harvard, entregou sua demissão para a comissão consultiva essa semana, tornando-se o terceiro tutor de programas de jornalismo de grandes universidades a se demitir nesse ano.

A demissão de Kovach, James V. Risser, da Universidade de Stanford, e Marvin Kalb, diretor do Centro Shorenstein de Imprensa, Política e Políticas Públicas de Havard, deixa vazio três lugares dos mais importantes da profissão, em um momento em que cresce a preocupação sobre o futuro do jornalismo.

Kovach, 67, disse que acredita que é tempo do programa ser tocado por alguém mais próximo às revoluções tecnológicas que estão varrendo a profissão por causa da Internet. ‘As novas tecnologias, seus impactos e as mudanças que tanto organizações de notícias econômicas quanto o jornalismo estão sofrendo’, afirmou Kovach afirmou, são tão significativas que ‘eu acredito que alguém mais familiarizado, ou com uma melhor idéia dos impactos que essas tecnologias podem trazer para dentro das organizações de notícias, pode estar melhor preparado’.

Risser, 61, que como Kovach irá partir em meados do ano que vem, fim do ano acadêmico, afirma que as mudanças na profissão devem ser enfatizadas em programas como o de Kovach. Ambos os programas trazem jornalistas em meio de carreira para um ano de estudos intensivos sobre tema escolhido pelo próprio profissional."

"Um terceiro programa perde seu diretor", copyright The New York Times, 1/10/99

 

DIREITO AUTORAL & JUSTIÇA
Felicity Barringer

The New York Times

"Nova York – Em uma decisão judicial a respeito do copyright que estabelece novas regras para os veículos eletrônicos, um recurso federal na corte de Nova York determinou que três editores não podem incluir o trabalho de free lancers em banco de dados sem a permissão dos mesmos.

A unânime decisão judicial foi tomada por três juizes e derrubou os argumentos do New York Times Co., Newsday Inc., Time Inc. Magazine Co., Universidade Internacional de Microfilmes e Mead Data Central Corp., o dono formal do banco de dados Lexis-Nexis. Os donos argumentavam que banco de dados eletrônicos como Nexis são análogos a antologias ou outros ‘trabalhos coletivos’ e que podem ser alterados sem a permissão individual dos autores. Mas o recurso dos juizes determina que ‘o privilégio dado a autores de trabalhos coletivos não permite que editores alterem estes trabalhos e os incluam no banco de dados eletrônicos’.

A decisão, determinada na sexta e que se refere a muitos free lancers, mostra como publicações online estão explodindo e como muitas delas estão aumentando o número de free lancers para complementar o trabalho da equipe formal. Isso poderia forçar as companhias a oferecer direitos eletrônicos por tudo, desde pedaços de opiniões até matérias inteiras, fotos e gráficos. Isso também poderia fazer, por outro lado, com que os editores voltassem a seus banco de dados para tirar trabalhos de free lancers que são cobertos pela lei.

A maioria dos trabalhos desenvolvidos até agora está fora da determinação, uma vez que muitas organizações de mídia, como New York Times Co., Newsday e Times Inc. têm por muitos anos pedido a free lancers que assinem contratos que permitem veículos eletrônicos republicarem seus materiais sem compensação adicional. Outras companhias – não é claro quantas – não fizeram isso, e utilizam-se de contratos que não mencionam os direitos eletrônicos.

O impacto da decisão em companhias de mídia poderia ser ‘devastador’, disse Leonard Rubin, conselheiro da Playboy Enterprises. ‘Publicações que se apressaram para tirar vantagem da era eletrônica e tem uma quantidade imensa de artigos interessantes e outros trabalhos e que queiram colocá-los em seus websites para o bem dos pesquisadores terão que voltar para seus banco de dados e fazer os ajustes. Isso será incrivelmente caro e irá consumir muito tempo’, afirmou Rubin.

O juiz Ralph Winter, ao escrever para os três juizes que tomaram a decisão, defendeu que ‘Nexis é um banco de dados que contém milhões de artigos individuais tirados de centenas ou milhares de periódicos. É um tanto difícil determinar uma revisão para cada artigo que cada periódico contém’.

Ainda que o caso se refira apenas a publicação de materiais em banco de dados, advogados envolvidos no caso afirmam que elas poderiam ser aplicadas para material de websites também. ‘Esse é um tema de regulamentação nos contratos que envolvem veículos eletrônicos’, disse Elizabeth Mc Namara, especialista em leis de copyright. ‘Mas é discutível, já que todo freelancer poderá dizer para seu editor que ele tem que ser compensado.’

Os especialistas em copyright afirmam que as opiniões sobre o tema foram muitas porque muitos casos de copyright estão surgindo pelo país. Advogados das empresas que podem se prejudicar disseram que ainda estavam estudando se iriam apelar ou não.

George Freeman, do Conselho do New York Times Co., disse que ‘certamente no caso do The New York Times os artigos guardados são arquivos históricos. Se alguém tomar a decisão nesse ponto e sem um acordo com os free lancers, nós teremos que apagar os artigos desses arquivos. Isso seria muito problemático.’

Jonathan Tasini, presidente da União Nacional dos Escritores, estava jubilante com a decisão tomada. ‘Todos os provedores de dado agora estão correndo risco. Nós poderíamos ir à Corte amanhã e pedir para que todos os bancos de dados fossem fechados.’

Em carta enviada pela União dos Escritores para 22 editores, Tasini argumentou que a decisão ‘potencialmente coloca nossa empresa em grandes riscos financeiros e legais’. Mas a carta acrescentou que ‘nós queremos enfatizar que nem NWU ou os free lancers estão pretendendo minar a distribuição de revistas e jornais pela Internet’. Ao contrário, a carta pede adoção de um sistema de licença que permitiria ao editores obter direitos eletrônicos para trabalhar pela Publication Rights Clearinghouse, um grupo que já lida com licenciamento para alguns escritores. O resultado, afirmou Tasini, seria algo parecido com o que acontece na música, já que organizações como BMI e ASCAP licenciam o uso da música para todos, desde danceterias até produções musicais em escolas.

Membros da Sociedade Americana de Editores de Revistas disseram que não tiveram tempo para rever a decisão e que não poderiam comentar até que o fizessem. Os advogados dos editores levantaram que a decisão da corte levou o caso de volta para a Corte Distrital, que tomará a decisão final. ‘Como você vê nós ainda não temos uma ordem determinada e não sabemos precisamente quais são as nossas obrigações’, disse Robin Bierstedt, do Conselho do Time Inc. Patricia Felch, advogada de Tasini e de outros escritores, discordou dizendo que ‘uma opinião é uma opinião’, e a decisão final não deve modificá-la, mas segui-la.

Na teoria, advogados envolvidos no caso disseram, a decisão dará aos free lancers a habilidade de negociarem contratos melhores. Como Rubn levantou, uma vez que a Web não obedece a geografia, os direitos eletrônicos são direitos mundiais. ‘Direitos mundiais sempre custam mais do que direitos domésticos’, ele acrescentou. Mas na prática, como Rubin e outros especialistas notaram, editores no geral podem fazer suas vontades se sobressaírem. ‘Na verdade, muitos escritores gostam de pensar que ele estão morrendo de fome e acabarão não seguindo os novos termos. Escritores importantes não farão isso.’

A maioria dos donos de veículos começaram a vender seus arquivos para banco de dados como Lexis-Nexis ou Dow Jones Interactive no começo dos anos 80. Lexis e Nexis eram propriedade do Mead Data Central e em 1995 foi vendida ara Reed Elsevier PLC, um conglomerado britânico e alemão que pagou US$ 1,5 bilhão pelo negócio.

Tasini disse em uma entrevista por telefone que se ‘quando tudo tivesse começado eles tivessem procurado pelos escritos e pedido permissão, a situação seria diferente. Agora vai custar mais, porque eles foram arrogantes e não se preocuparam em pedir permissão’.

Mas muitos advogados dos donos dos veículos afirmam que as violações de copyright duram apenas três anos; se as violações foram feitas em materiais colocados no início do banco de dados, em muitos casos escritores perderão sua chance de reclamar."

"Escritores freelancers vencem ação em processo jurídico’, copyright The New York Times, 28/09/99. Tradução: Isabela Nogueira.

 

Felicity Barringer

The New York Times

"O processo jurídico aberto por Richard Jewell contra The Atlanta Journal-Constitution sofreu um significativo retrocesso quando a corte da Geórgia determinou que Jewell, formalmente um segurança, tornou-se uma figura pública após a explosão do Centennial Olympic Park, em 1996, em Atlanta, que deixou duas pessoas mortas.

O processo aberto por Jewell defende que o jornal o difamou ao afirmar que ele estava na mira das investigações do FBI sobre a explosão de 27 de julho [durante os Jogos Olímpicos de Atlanta]. The Journal-Constitution e a companhia matriz Cox Enterprises Inc. continuam afirmando que a notícia do jornal foi cuidadosa e precisa. Os advogados da empresa argumentam dizendo que Jewell ofereceu-se para dar diversas entrevistas sobre seus esforços para limpar a área do parque onde ele encontrou uma sacola abandonada – a qual, como foi descoberto depois, continha a bomba. Antes de 30 de julho, quando o jornal publicou a matéria, Jewell já tinha se oferecido para jornalistas onze vezes, aparecendo no programa Talk Back Live da CNN e no Today Show da NBC, além de ser mencionado no USA Today, The Boston Globe e The Atlanta Journal-Constitution.

Na sua decisão, o juiz John Mather escreveu que em uma dessas entrevistas Jewell concordou que ‘seu passado fosse examinado e abriu a possibilidade para sua exposição, atendendo a interesses da mídia’. Jewell, afirmou o juiz, poderia então ser legalmente considerado ‘uma figura pública voluntária para um determinado objetivo’.

Os advogados afirmam que é pouco comum que alguém seja levado a público com o mérito legal de pessoa pública, já que tal condição é mais freqüentemente aplicada para membro do governo, ator ou atleta profissional. Ser uma figura pública é uma responsabilidade para qualquer pessoa que lança uma acusação, já que deve provar não apenas que a informação era falsa, mas que as empresas de notícias sabiam ou deveriam saber de tal falsidade.

Kevin Goering, advogado especializado em casos de mídia, disse que ‘figuras públicas involuntárias são pouco comuns’. Mas ele acrescentou que, se levarmos em conta a quantidade de informação que foi veiculada na explosão da bomba e todas as suas conseqüências, Jewell poderia até ser qualificado como figura pública.

L. Lin Wood, advogado de Jewell, disse que ainda não decidiu se irá apelar da decisão. ‘Nós já tínhamos uma montanha para escalar. A decisão do juiz torna a montanha ainda mais alta.’ Mas ele questionou a decisão do juiz ao destacar que as entrevistas dadas por Jewell focavam questões de segurança pública e evacuação do parque, e tinham pouco a ver com perguntas de quem tinha colocado a bomba.

A cobertura feita pelo jornal centrou-se em suspeitas de que Jewell poderia ter colocado a bomba para ganhar conhecimento público e ser clamado de herói. Peter Canfield, advogado do jornal, disse que ‘a corte reconheceu que a bomba posta no Olympic foi uma história importante e que Richard Jewell, devido às suas voluntárias aparições públicas, tornou-se parte de tudo isso, até mesmo antes de o FBI tê-lo feito o centro de suas investigações’.

As entrevistas dadas por Jewell nas horas que sucederam a explosão têm se voltado duplamente contra ele. Primeiro, elas podem sugerir aos investigadores que ele realmente tinha um motivo para colocar a bomba; segundo, elas oferecem bases para a decisão tomada pelo juiz.

Ainda assim, não está claro se a decisão do juiz acabará com o caso aberto por Jewell. Seu advogado, L. Lin Wood, afirmou que continua seguro. O juiz Mather já advertiu os autores do artigo original por terem identificado fontes confidenciais. Se o jornal não reverter esta última decisão com uma apelação, será provável que terá de enfrentar obstáculos que tornarão o caso mais difícil."

"Processo jurídico de Jewell retrocede com decisão do juiz de que ele era figura pública", copyright The New York Times, 6/10/99. Tradução: Isabela Nogueira

 

The New York Times

"Seul, Coréia do Sul (Associated Press) – O dono e editor de um dos maiores jornais coreanos foi interrogado por promotores públicos, sob a acusação de ter deixado de pagar US$ 23 milhões em impostos.

A acusação sob Hong Suk-Hyun foi acompanhada por uma investigação de duas semanas no Bokwang Group, do qual ele é o maior acionista. O jornal de Hong, The JoongAng Ilbo, não foi diretamente envolvido no escândalo.

O inquérito levantado pelos promotores foi iniciado com suspeita levantada pela Administração Nacional de Impostos. Se for considerado culpado, Hong pode pegar pelo menos cinco anos de prisão. O jornal de Hong, com circulação de 1,8 milhões de exemplares, disse que a investigação foi uma retaliação às críticas crescentes feitas pelo jornal ao governo. ‘Nós consideramos essa investigação contra uma organização de notícias. É uma conspiração política feita para acabar com a liberdade de expressão de opiniões’, afirmaram repórteres de Hong.

A Associação Mundial de Jornais, que representa 17 mil publicações em 93 países, enviou uma carta ao presidente Kim Dae-jung na quinta, protestando contra o interrogatório. Qualquer ação punitiva contra Hong ‘irá inevitavelmente estraçalhar com a credibilidade que apostamos na Coréia do Sul de que a democracia irá se instalar’, afirma a carta. Não houve nenhuma resposta imediata do governo.

A Administração Nacional de Impostos afirma que Bokwang abriu mais de mil contas bancárias sob nome falso e utilizou-se de outros nomes para desviar dinheiro para Hong e sua família, a maioria entre 1996 e 1998.

Hong também é suspeito de envolvimento em especulação. O Bokwang Group tem quarto subsidiárias especializadas em cadeias de lojas, componentes de TV, comunicação e finanças.

"Jornal da Coréia do Sul investigado por impostos", copyright The New York Times, 30/09/99. Tradução: Isabela Nogueira.

xxx

"Cincinnati (Associated Press) – Um advogado da Chiquita Brands International Inc. processou The Cincinnati Enquirer, acusando o jornal de quebrar uma promessa ao identificá-lo como fonte enquanto ele falava e apresentava a empresa de bananas.

George Ventura alega que os repórteres Michael Gallagher e Cameron McWhirter prometeram confidencialidade na troca por informações internas sobre Chiquita. Ventura disse que os repórteres violaram a promessa ao gravar secretamente a entrevista e depois ao apresentá-la às autoridades legais. Ventura tenta a punição e compensação dos prejuízos causados. Sua ação judicial federal acusa Enquirer e sua matriz, Gannett Co., de quebra de contrato, fraude e negligência.

Enquirer e Gannett negaram ter identificado fontes confidenciais. Em maio de 98, Enquire publicou uma série de histórias sugerindo que a Chiquita, baseada em Cincinnati, estava envolvida em práticas internacionais impróprias. No mês seguinte o jornal demitiu Gallagher, afirmando que ele empregou meios anti-éticos para conseguir as informações, e repudiou as histórias com um pedido de desculpas na primeira página. O jornal também pagou à Chiquita mais de US$ 10 milhões. Gallegher admitiu ter roubado e-mails dos executivos para escrever suas matérias e foi determinado que ele não pode exercer a profissão de jornalista por cinco anos. Ele também cooperou na suspensão de Ventura, que foi identificado pela corte como fonte dos artigos.

Em junho, Ventura foi acusado de dar as senhas secretas que Gallagher utilizou para entrar nos e-mails e foi condenado a dois anos de suspensão, sem poder exercer sua profissão. Ventura afirma que ao se revelado como fonte, ele perdeu seu emprego na empresa de advocacia Salt Lake City.

Lawrence K. Beaupre, então editor do Enquire que agora está na Gannett, negou as acusações da ação de Ventura. ‘Enquire e Gannetti nunca identificaram suas fontes’, afirmou Beaupre. O advogado de Gallegher, Patrick Hanley, disse que ‘nós não acreditamos que Gallegher quebrou nenhuma promessa com Ventura’. McWhirter é agora repórter do The Detroit News, outro jornal de Gannetti. Seu advogado afirmou que ele também não identificou fontes da história de Chiquita.

Em 1991, a Suprema Corte determinou que o primeiro artigo da Constituição não protege organizações de notícias de serem processadas quando divulgam nomes de fontes confidenciais.

A decisão veio a tona no caso de Dan Cohen, um executivo de relações públicas que trabalhava para o candidato do Partido Republicano pelo governo de Minnesota, em 1982. Cohen disse a repórteres do Minneapolis Star-Tribune e St. Paul Pioneer Press que o candidato democrata foi multado um dia por roubar material de costura de uma loja, avaliado em seis dólares. Os repórteres prometeram confidencialidade, mas os editores afirmaram que o nome deveria ser usado para deixar claro que a afirmação vinha de um opositor. O júri determinou uma compensação de US$ 700 mil, que, depois da apelação, viraram US$ 200 mil.

"Fonte confidencial processa jornal", copyright The New York Times, 28/09/99

 

EDIÇÃO & NEGÓCIOS
Leslie Kaufman

The New York Times

"Nova York – Mortimer Zuckerman vendeu a venerada revista The Atlantic Monthly de 140 anos para David Bradley, um milionário de Washington que tem se empenhado em construir um império da mídia. O preço da venda permanece desconhecido.

A venda da revista, conhecida por seus comentários políticos e sociais, vem sendo discutida há meses, mas eclodiu inesperadamente na semana passada. Bradley, que entrou para o mundo da mídia apenas dois anos atrás ao comprar The National Journal Group, aproximou-se de Zuckerman para tentar fechar negócio. Zuckerman, que ganhou fortunas com seus negócios, fez da revista sua primeira aquisição em mídia em 1980, e desde então comprou U.S. News & World Report, The Daily News e Fast Company, gerando um crescimento rápido no seu negócio de revistas. Zuckerman afirmou que sua decisão em vender, que ele chamou de ‘dolorosa’, foi baseada em motivos pessoais. ‘Em parte, eu quero passar mais tempo com minha família e me preocupar menos com meus negócios.’ Mas está claro que Zuckerman está tendo um ano difícil em setores partes do seu império. The Daily News está sofrendo uma ação trabalhista que poderia custar a Zuckerman milhões de dólares; e as ações de Applied Graphics Technologies, editora da qual Zuckerman possui grande parte, tem sido negociadas por preços muito baixos há dois anos. De acordo com um executivo da Conde Nast, Zuckerman estava discutindo seriamente neste ano venda de Fast Company para Conde Nast por algo em torno de U$ 200 milhões, mas as conversas não deram certo.

De acordo com o próprio Zuckerman e fontes da Atlantic Monthly, o dono não estava mais completamente envolvido com a revista. Alguém dentro das organizações de Zuckerman estava levando a revista, a qual não dava mais lucro e vinha tendo seu espaço ocupado pela Fast Company. O moral da revista estava baixa, disse o executivo, porque os administradores a abandonaram como um órfão.

Desde 1980 a revista tem sido editada por Willian Whitworth e venceu nove vezes o Prêmio de Revista Nacional e outra dúzia de elogios por seu editorial e design. Mas a publicação, cuja circulação era de 459 mil exemplares no fim de 1998, não tem mais grande penetração em grupos de intelectuais como tinha há duas décadas.

O interesse de Bradley na publicação parece centrar-se no seu desejo de formar um novo império da mídia. Bradly conseguiu sua fortuna com a Corporate Executive Board Co., a qual administra e faz pesquisa de operações para indústrias. Bradley obtinha lucro de US$ 142 milhões quando lhe foi feito uma proposta pública de compra, segundo o The Washington Post. Bradley, que está viajando, não pode ser encontrado para comentar o assunto.

The National Journal Group é bem conhecido em Washington, mas não fora de lá. Essa polida publicação tem a pequena circulação 6.600 exemplares, mas é conhecida por ser séria, de alto nível e ter a política no centro da sua cobertura. Além disso o veículo possui uma série de serviços online que oferecem uma cobertura profunda da máquina política da capital.

O editor do National Journal, Michael Kelly, disse que Bradley estava comprando veículos de mídia ‘primeiramente porque ele ama revistas e é um leitor apaixonado’. Ele acrescentou que não acredita que Bradley queria se tornar ‘algum tipo de resplandecente dono da mídia’. Revistas sérias como The Atlantic e The National Journal costumam ser bem menos lucrativas do que consultorias. ‘Se você olhar para a história dos maiores donos de revistas, você não verá pessoas com muito dinheiro’, admitiu John Sullivan, presidente e editor do The National Journal. Sullivan disse esperar crescimento nos anúncios depois da aquisição. As duas revistas tem dividido grande parte dos anunciantes.

Mas Sullivan disse que nem ele ou Bradley estão esperando um crescimento fácil. Ele sabe que manter esse tipo de revista custa dinheiro, e disse que Bradley estava disposto a enfrentar o desafio. ‘Se você cria qualidade, o dinheiro virá’, afirmou Sullivan.

Ainda que National Journal não dê muito lucro, Bradley utilizou seus próprios recursos para manter a linha editorial. Nos últimos 18 meses a revista aumentou seus gastos em 60%, pagando também salários para uma equipe que cresceu de 125 empregados para 200. Willian Withworth, editor de The Atlantic Monthly, sairá de sua posição. Bradley ainda não nomeou ninguém para substituí-lo, mas Kelly tem sido visto como o favorito para o trabalho. O restante da equipe de The Atlantic Monthly ainda não foi alterada."

"Zuckerman vende, relutantemente, Atlantic Monthly para dono do National Journal", copyright The New York Times, 20/09/99. Tradução: Isabela Nogueira.

 

Felicity Barringer

The New York Times

"Houve uma mudança de direção no The New York Post, mas o novo editor se parece bastante com o antigo. O redator-chefe na ativa Ken Chandker, que entrou para o agressivo jornal em 1978 e que se tornou editor-adjunto há menos de um ano, foi nomeado editor-chefe pelo dono do jornal, Rupert Murdoch, acionista da News Corportation.

Martin Singerman, que foi tirado de sua aposentadoria cinco anos atrás para ressuscitar o jornal depois de brigas trabalhistas em 1993, está se aposentando mais uma vez, de acordo com anúncio feito pela News Corporation.

Durante o trabalho de Singerman, The Post decidiu investir US$ 200 milhões em impressão colorida, começou a vender exemplares na Flórida e lançou sua edição de domingo, inicialmente cobrando 25 centavos de dólar – uma punhalada no rival The Daily News.

Xana Antunes, jornalista de 35 anos da Escócia, foi nomeada editora-executiva. Antunes, que como editora de economia teve um papel fundamental no desenvolvimento da cobertura de negócios e tecnologia do The Post, irá supervisionar as operações diárias do jornal. A promoção de Antunes significa que os dois jornais terão mulheres nos altos postos editoriais. Debby Krenek é redatora-chefe do The Daily News.

The Post, que tinha circulação de 380 mil em 1993 quando Murdoch o comprou de volta, tem circulação de 434 mil, de acordo com os últimos números do Escritório Audit de Circulação. As vendas, entretanto, estão concentradas em Manhattan.

A edição de domingo do The Post tem circulação de aproximadamente 350 mil exemplares, um declínio de quase 4,7% desde que aumentou seu preço de 25 para 50 centavos de dólar.

Chandler não quer discutir as finanças do jornal, que analistas acreditam que está constantemente perdendo dinheiro."

"Novo editor é apontado para The Post", copyright The New York Times, 30/9/99

 

COBERTURA
Felicity Barringer

The New York Times

‘Qualquer jornalista que dê entrevistas a audiências leigas tem sempre a certeza de que escutará a pergunta: ‘Como você decide o que é notícia?’. Hoje em dia talvez a pergunta precise ser refeita. Há tantas organizações de notícia, ou pseudo-organizações, pipocando informação que tudo parece ser importante, ao menos por alguns momentos. Talvez, então, a pergunta mais interessante seja: ‘Como você decide que notícias devem durar?’

Os acontecimentos das últimas semanas ofereceram dois tipos de respostas diferentes. Em 29 de setembro, a Associated Press deu duas notícias perturbadoras. Primeiro eles apresentaram números próprios que indicam que tropas americanas massacraram milhões de civis nos primeiros dias da guerra da Coréia. Depois, revelaram que, em entrevista para a revista Playboy, Jesse Ventura, governador de Minnesota e líder mais visível do Partido da Reforma (Reform Party), atacou a devoção. ‘Religiões organizadas são enganadoras funcionam como muletas para pessoas de mente fraca e que precisam de força em números’, afirmou Ventura.

A história da Coréia, investigada por mais de um ano por três repórteres da Associated Press nos dois continentes, foi às alturas como um foguete. Eles valeram-se de depoimentos de sobreviventes do massacre do No Gun Ri e de soldados, todos com seus nomes citados. Os jornais das maiores praças, incluindo The New York Times, deram grande destaque ao assunto, assim como os programas televisivos da noite, dentre os quais CNN, Fox News e a Rádio Pública Nacional. Tanto a revista Time quanto a Newsweek produziram suas matérias. O secretário da Defesa Willian Cohen ordenou uma investigação.

Nada mal. Por quatro dias, as organizações de notícias acompanharam a reação do Pentágono e publicaram matérias sobre os dados da Associated Press. Mas logo após os primeiros números e editoriais, havia pouco para acrescentar. Os editoriais de arrependimento e pena foram desaparecendo, com exceção da resposta de quarta-feira de James Webb, secretário da Marinha e combatente na Guerra do Vietnã, que forneceu uma visão simpática dos soldados em matéria para The Wall Street Journal.

Compare agora a diferença entre a cobertura sobre No Gun Ri e a entrevista da Playboy. Breves notícias sobre a impetuosa briga arranjada pelo governador apareceram na quinta, 30/09, mas normalmente foram posicionadas no interior dos jornais. A entrevista foi mencionada naquela noite nos noticiários da NBC, Fox e ABC. Mas ela representou um item sem importância, se comparada ao episódio de No Gun Ri. Mas só no começo.

Na semana seguinte, enquanto cada vez menos falava-se sobre No Gun Ri, mais explorava-se o que foi dito por Jesse Ventura. O diretor nacional do Partido da Reforma censurou Ventura rapidamente após as primeiras notícias sobre a entrevista para a Playboy. Ventura se defendeu e não se desculpou. No domingo pela manhã, as palavras do governador foram rediscutidas no programa Meet the Press, da NBC.

Na segunda, a cobertura sobre Ventura aumentou. Seus depoimentos foram dissecados em matéria de capa da Newsweek que, além dele, enfocava os prováveis candidatos a presidência Warren Beatty e Donald Trump. A discussão voltou na quarta durante as notícias da noite da ABC e foi destaque no programa Larry King Live, da CNN. Ventura recusava aparecer, mas seu colega Hulk Hogan sempre estava lá. Na quarta, 6/10, Ventura foi à Kennedy School da Universidade de Harvard gravar um trecho do programa da CNBC Hardball With Chris Matthews. Naquela noite, sua visita à Universidade foi destaque no noticiário da NBC.

As notícias sobre No Gun Ri e o depoimento para a Playboy surgiram no mesmo dia. Ambos foram incrementados com novidades um ou dois dias depois. Todos os comentários e desenvolvimentos seguintes foram gerados pela própria mídia. A notícia sempre foi alimentada por um sentimento de conflitos contínuos, o que coloca as revelação de No Gun Ri em desvantagem. Esses eventos aconteceram há muito tempo e são difíceis de serem reconstruídos. A Associated Press levou 14 meses pesquisando e escrevendo seus dados, e a lembrança do desastre de Tailwind, cometido ano passado pela CNN, trouxe precauções para a AP, de acordos com dois editores da agência.

Nos próximos dias as atenções devem voltar-se para No Gun Ri; correspondentes e produtores de Dateline NBC e do programa da CBS 60 Minutes continuam explorando o tema. Esse trabalho, iniciado pela AP, poderia fazer com que os americanos repensassem um pequeno trecho de sua história. O que é, afinal, um dos caminhos para se definir o que é notícia. Pela definição, a entrevista da Playboy seria notícia também. Ela pode fazer com que as pessoas repensem seus conceitos sobre o Partido da Reforma, o que poderia, por tabela, afetar a imagem do partido e sua corrida à presidência. Mas por que na segunda semana o acontecimento que envolvia Jesse Ventura foi coberto mais de perto do que No Gun Ri? Porque misturar controvérsias e celebridades chama a atenção. E as notícias que aumentam os índices de audiência são as notícias que duram."

"Cresce número de perguntas sobre o que é conservado da notícia", copyright The New York Times. Tradução: Isabela Nogueira

 

Howard Kurtz

The Washington Post

"Quando John McCain levou sua campanha presidencial para Nova York, recebeu uma calorosa recepção nos escritórios de notícias financeiras de Michael Bloomberg. O fundador do jornal Bloomberg News também doou dinheiro, conforme foi descoberto, para o senador do Arizona e contribuiu com o máximo de mil dólares em sua campanha para concorrer à Casa Branca. E para ser bipartidarista, ele doou os mesmos mil dólares para o democrata Bill Bradley. E para continuar sendo justo, doou dois mil dólares para comitês de campanha do vice-presidente Gore. Fica então a pergunta: deveria o chefe de uma empresa jornalística levantar dinheiro para aqueles que competem por um espaço na Casa Branca?

‘Era eu que estava tomando partido, e não o editor-chefe’, defendeu-se Bloomberg. ‘Nossos editores e repórteres não vieram à recepção. Afinal, isso é diferente das atitudes do The New York Times ou The Washington Post de apoiar alguém durante as eleições?’ Bloomberg afirma que os jornais lidam com um grande ‘conflito de interesses’ ao separar suas operações de notícias da página editorial. ‘Mas nós não cobrimos notícias políticas e não temos uma página editorial.’

McCain, que ocupa cadeira no Comitê de Comércio do Senado, deu uma entrevista para a Bloomberg TV durante sua visita. O editor-chefe Matthew Winkler não vê nenhum problema com a recepção e com as doações. ‘Eu não acredito que haja conflito de interesses. Isso não tem de maneira nenhuma comprometido nossa cobertura e não acredito que irá comprometer’, afirmou Winkler.

O ativismo político de Bloomberg tem precedentes. Rupert Murdoch, por exemplo, doou US$ 1 milhão para o Partido Republicano da Califórnia. Mas as publicações de Murdoch eram vistas como amplamente tendenciosas, enquanto os veículos de Bloomberg se pronunciam como independentes na cobertura dos negócios.

Nas disputas pelo Congresso desde 1995, Bloomberg contribuiu com US$ 27.500 para candidatos democratas e US$ 7.000 para os republicanos. Ele também já liberou US$ 95.000 para o Comitê Democrata Nacional e US$ 170.000 para a campanha para o Senado dos democratas. ‘Eu sou provavelmente mais liberal e democrata do que a maioria dos nosso púbico, e talvez isso não seja bom para os negócios’, afirmou Bloomberg."

"Os presentes de Bloomberg levantam dinheiro e sobrancelhas", copyright The Washington Post, 21/09/99. Tradução: Isabela Nogueira

 

ZIMBABWE
The New York Times

"Enquanto se empenha nas calamidades econômicas e em uma guerra impopular no Congo, o Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, está brigando contra a imprensa independente e com a possibilidade desta de questionar as regras autoritárias.

A mais odiosa violação de direitos humanos foi cometida contra dois jornalistas que estavam detidos e sendo torturados por militares, em janeiro. Mark Chavunduka, editor de The Standard, um jornal semanal, e Ray Choto, repórter do mesmo jornal, foram levados pelos militares depois de terem publicado matéria sobre a prisão de 23 membros do exército que estavam conspirando contra o governo de Mugabe.

Os dois jornalistas foram violentamente espancados, torturados com choques elétricos e quase afogados depois de terem suas cabeças mergulhadas em containers de água. O brutal tratamento foi uma tentativa de forçá-los a revelar as fontes que planejavam o golpe. Nenhum dos jornalistas forneceu os nomes. A corte ordenou que eles deveriam se soltos e entregues a autoridades civis, mas eles estão sendo submetidos a uma lei colonial que torna crime publicar informação falsa que possa ‘causar medo, alarme ou desespero’. Se condenados, podem sofrer sete anos na prisão.

Chavunduka, que é aluno da Universidade de Harvard durante este ano, terá que retornar ao Zimbabwe para uma audiência em 4 de outubro. Ele apelou para a Suprema Corte defendendo que as penas são inconstitucionais. Grupos internacionais de direitos humanos e de jornalistas têm pedido para que todas as penas contra ele e Choto sejam revogadas. Mas o presidente Mugabe tem criticado as notícias da mídia e os juízes que pedem a libertação dos jornalistas. A impresa independente no Zimbabwe é pequena e está sendo profundamente ameaçada. Se o governo de Mugabe não mudar o curso e trouxer os torturadores para a justiça, este caso provará que o governo está querendo destruir liberdades básicas para manter os dissidentes em silêncio."

Editorial "Liberdade de imprensa no Zimbabwe", copyright The New York Times, 25/09/99. Tradução: Isabela Nogueira

 

IUGOSLÁVIA
Steven Erlanger

The New York Times

"Belgrado, Iugoslávia – Quando um jornalista de Montenegro deu a entender que a imprensa sérvia precisava ‘deixar de ser nazista’, dois respeitados editores sérvios acharam que ouviram demais e deixaram a conferência da qual participavam com claro desgosto. Três semanas depois, Dragoljub Zarkovic, editor do jornal semanal independente Vreme, continua repudiando a acusação. ‘Estão acusando o povo sérvio e a imprensa independente do pior crime da história, traçando uma linha ultrajante e difamatória de igualdade entre o regime, nação e imprensa – a qual tem travado batalhas sangrentas contra as autoridades por dez anos. Eu senti então que não tinha outra opção senão sair’, afirmou Zarkovic.

A conferência, promovida pela Organização para Segurança e Cooperação na Europa, tinha a intenção de possibilitar o encontro de jornalistas sérvios, montenegrinos e alguns albaneses e promover discussões sobre as coberturas durante o bombardeio da ONU sobre Kosovo, suas causas e conseqüências.

Afinal, a imprensa independente falhou ao tentar despistar a censura? Eles deveriam ter suspendido as publicações? Eles combateram o regime de Slobodan Milosevic ou de alguma maneira colaboraram com ele? Publicaram o suficiente sobre Kosovo e as atrocidades cometidas pelo exército sérvio e estão publicando o suficiente agora?

Durante a guerra, a imprensa sérvia teve de trabalhar sob forte censura, além do acesso a Kosovo ter sido bastante restrito. A atmosfera patriótica, influenciada pela mídia, levou os sévios a se oporem ao bombardeio, ainda que fossem contra o regime de Milosevic ou denunciassem a expulsão de albaneses de Kosovo.

O encontro, realizado em Montenegro – uma das duas repúblicas que está sob o controle da Iugoslávia – acabou gerando enorme amargor, e os jornalistas sérvios reclamaram de arrogância moral, sujeira e hipocrisia. ‘Os organizadores queriam que revivêssemos nossas consciências e nos forçaram a questionar nossas condutas e moral’, afirmou Veselin Simonovic, editor do tablóide independente Blic, ao retornar à discussão depois de ter se retirado.

Ao mesmo tempo, ele afirmou, ‘isso nos foi posto de maneira direta; eles deixaram claro que deveríamos nos auto proclamar cúmplices de um crime, com solgans e clichês prontos, e tentaram nos forçar a justificar nossas ações, para disséssemos que não éramos tão criminosos quanto eles diziam’. Ele acrescentou que ‘não poderia continuar com isso e sinto muito pelos colegas que continuaram’. De acordo com Simonovic, os organizadores fizeram um estudo complemente inadequado da cobertura, com poucas distinções entre a cobertura feita pelo Estado e pela imprensa independente.

Gerard Stoudmann, organizador chefe da conferência, disse que ‘o objetivo era fazer com que as preocupações sobre as responsabilidades e o papel do jornalista ficassem mais claros em uma sociedade civil. Houve por parte dos jornalistas enorme preocupação em se defender, o que mostra que a sociedade sérvia está ficando autista e paranóica’, afirmou. ‘Mas o objetivo principal foi atingido, pois temas reais foram discutidos e isso inicia um processo de reflexão.’

Mas Simonovic, cujo jornal não recebe dinheiro internacional ou do governo, disse que a discussão mais parecia um tribunal. Uma das organizadoras, Natasa Kandic, foi explícita. ‘Eles pagam vocês para eles terem o direito de questionar sua conduta durante a guerra.’ Kandic, diretora do Centro de Direito Humanitário de Belgrado, viajou para Belgrado por conta própria para investigar os abusos sérvios. Em uma entrevista, ela afirmou que a imprensa falhou em suas responsabilidades profissionais durante a guerra e estavam falhando agora ao abrir a questão de responsabilidade coletiva pelos crimes de Kosovo. ‘Temos a obrigação de nos doar para o nosso trabalho e lutar pela democracia na Sérvia, mas não com palavras vazias.’

Simonovic, reconhecendo que algumas críticas foram válidas, não acredita que Kosovo continue sendo um ‘assunto tabu’ na Sérvia. ‘Essa é uma discussão que deve ser aberta para o nosso próprio bem e a imprensa abrirá. Mas agora isso poderia fazer com que a fúria do regime caísse sobre nós e o governo nós nos proibiria de continuar trabalhando.’

Esta seria, ele afirmou depois de pressionado, uma das razões pelas quais seus repórteres ainda não cavaram fundo nas causas e táticas dos sérvios em Kosovo – respostas que serão dadas em Belgrado e não em Kosovo, onde já não é mais seguro para os jornalistas sérvios trabalharem. ‘Nossos esforços estão concentrados na cobertura do regime e em todos os esforços possíveis para tirá-lo ou mudá-lo de rumo’, afirmou Simonovic.

Mas tanto Simonovic quanto Zarkovic notaram que sob censura a imprensa independente não cedeu à linguagem histérica e agressiva da imprensa controlada pelo Estado. Jornalistas independentes traçaram distinções entre a campanha popular e patriótica contra o bombardeio da ONU e a campanha sustentada por Milosevic. Eles publicavam matérias sobre Kosovo vindas do ocidente e da ONU, que incluíam histórias de massacres e estimativas sobre o número de mortos.

Ambos os editores argumentaram que com o amplo acesso de rádios, TVs e veículos da internet, poucos sérvios ficaram sem as informações básicas do que estava acontecendo em Kosovo. Eles afirmam ser ridículo esperar que a imprensa independente dê assistência a um bombardeio em seu próprio território em tempos de guerra.

Eles e outros jornalistas chegaram a concluir que o Ocidente não estava nada interessado na conduta profissional dos jornalistas sérvios ou em proteger os albaneses de Kosovo; eles estariam preocupados apenas em encontrar erros cometidos pela ONU. ‘O Ocidente falhou ao tentar criar uma região pacífica com várias etnias em Kosovo, criando ao invés um sentimento anti-americano na Sérvia. Os orientais precisam culpar alguém: setores civis, os sérvios, a imprensa – todos, para eles, são colaboradores’, afirma Simonovic.

Oficiais americanos estão condenando a imprensa sérvia por ter se deixado censurar durante a guerra, disse Zarkovic, do jornal semanal Vreme. Kandic chegou a afirmar que recusar a publicar era a melhor posição a ser tomada. Isso seria, segundo Zarkovic, uma renúncia a sua responsabilidade. ‘Teria sido um grande erro se o governo tivesse fechado Vreme.

Para os americanos a guerra contra Milosevic continua. Operadores do governo Clinton disseram que estão criando um anel de mídia patrocinada ao redor da Sérvia, tanto na Bósnia como em Montenegro, com mais programas em servo-croata nas rádios Free Europe e Voice of America.

Isso ajudará veículos como o de Zarkovic a entrar na Sérvia com alguma facilidade. ‘O único resultado que interessa aos americanos é derrubar Milosevic’, afirma Zarkovic. ‘Os americanos vêem a mídia como uma arma política para derrubar Milosevic. Eles não se importam muito com o que acontecerá depois da queda. Eu até posso entender: os americanos não viverão aqui. Mas eu sim, e por isso publicarei o meu jornal’, afirmou Zarkovic."

"Jornalistas sérvios independentes defendem seu trabalho", copyright The New York Times, 6/10/99. Tradução: Isabela Nogueira



Mande-nos seu comentário

Início do Monitor da imprensa





Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores | Observatório impresso
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você