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ASPAS
CENSURA CHINESA
Erik Eckholm
"China fecha jornal marxista que criticava governo",
copyright The New York Times / O Estado de S. Paulo, 17/8/01
"Os censores fecharam um pequeno, mas influente, jornal marxista por atacar o plano do presidente Jiang Zemin de atrair capitalistas para o Partido Comunista. Este é um sinal de que Jiang terá pouca tolerância com a dissidência vinda de qualquer facção, num momento em que tenta consolidar seu lugar no panteão dos grandes líderes.
O fechamento do jornal A Busca da Verdade foi a atitude mais evidente de Jiang até agora contra os marxistas linha-dura, muitos deles veteranos revolucionários idosos contrários a seu plano de expandir o partido, que, pela sua Constituição, é a ‘vanguarda da classe trabalhadora’.
Jiang tornou público seu plano em um discurso em 1.º de julho, quando anunciou que novos grupos de destaque, como proprietários de empresas privadas, inovadores de alta tecnologia e diretores de empresas estrangeiras estavam ajudando a construir o socialismo chinês e deveriam ser bem-vindos no partido.
Para muitos cidadãos chineses comuns, que prestam pouca atenção à ideologia, o debate parece acadêmico. Eles sabem que muitos membros do partido estão envolvidos em negócios e empresários de sucesso em alguns regiões há anos vêm sendo convidados para o partido, mesmo que esta não seja uma política oficial.
Agora, Jiang argumenta que, se o partido não encontrar uma forma sistemática de incluir novos grupos, poderão surgir ameaçadoras forças de oposição.
Mas alguns marxistas ferrenhos chamam isso de traição do socialismo. O debate efervesceu na surdina, mas, para especialistas em política, a desaprovação da esquerda não apresenta uma ameaça grave. Até agora, Jiang tinha tolerado as críticas deles, tanto por causa do status dos velhos guardiães, mas também porque proporcionavam uma resistência conveniente contra idéias liberais indesejáveis.
Mas A Busca da Verdade publicou ataques excepcionalmente virulentos às idéias de Jiang. Trata-se de um entre uma meia dúzia de jornais comandados pelos chamados esquerdistas. Estes afirmam que a disseminação desenfreada de empresas privadas levará a mais corrupção e à exploração de operários e agricultores.
Jiang ficou particularmente enfurecido com um artigo divulgado na edição de maio, escrito por Lin Yazhi, um subsecretário do partido da Província de Jilin e filho de um dos fundadores do regime maoísta. Nele, Lin argumentou:
‘Temos de manter a pureza do partido e, se os capitalistas forem incorporados, tomarão o poder no partido e mudarão sua natureza.’
Nas últimas semanas, um ataque ainda mais ferrenho a Jiang circulou na Internet. Dezessete destacados esquerdistas acusaram-no de não só colocar em risco o socialismo, mas também de alimentar um ‘culto à personalidade’ e de tentar ‘um golpe de Estado teórico’ com seu plano de permitir a entrada de capitalistas no partido."
RÁDIO AMEAÇADA
David Filipov
"Rádio independente ameaçada na Rússia",
copyright The Boston Globe / Jornal do Brasil, 18/8/01
"A emissora Ecco de Moscou, a última rádio ainda fora do controle do governo russo, está sob cerco fechado. Se seu destino ainda não está totalmente selado, o Kremlin, ansioso por tirar das empresas de comunicação qualquer traço de discordância com o poder do presidente Vladimir Putin, tem apertado tenazmente um bloqueio financeiro à estação.
A Gazprom, empresa que representa o monopólio estatal sobre o gás natural, está tentando estabelecer seu controle sobre a principal fonte de notícias independentes da Rússia, da mesma forma como já fizera com a cadeia de televisão NTV.
Nos apertados estúdios da rádio, os jornalistas aguardam ansiosos o desfecho da sucessão de batalhas legais, acertos de bastidor e intimidações. A luta para permanecer independente é um contraste com os áureos tempos de dez anos atrás. A rádio estava do lado vencedor, junto com Boris Yeltsin e Mikhail Gorbachev, e o apoio à democracia imperava. Mas as coisas mudaram.
Centralização - Putin se tornou figura popular, especialmente entre os conservadores, prometendo restaurar a força militar e econômica do país. Os de tendência liberal garantem ele quer restaurar o controle central dos tempos soviéticos sobre os governadores, empresários, ONGs e a imprensa.
Alexei Venediktov, editor chefe da Ecco, afirma que tal controle do Estado é um retrocesso. ‘Putin vê a mídia como um instrumento, não uma instituição. Quando afirma Me ajudem a construir uma Rússia forte, mostra que considera a mídia como mero órgão de propaganda’.
Criada por jornalistas da Universidade de Moscou, a Ecco ganhou reputação de veículo isento e preciso, o que lhe garantiu respeito generalizado, apesar da pequena audiência. Foi comprada há sete anos por Vladimir Gusinsky, o dono da empresa Media-Most, outrora o maior grupo multimídia do país.
Expansão - Durante o último ano, contudo, a Gazprom se espalhou, começando pela NTV. Os executivos da Gazprom afirmam que só encamparam a NTV porque Gusinsky devia dinheiro à empresa. No mês passado a estatal ganhou uma decisão judicial que lhe dá 52,5% do controle acionário da empresa, fazendo com que diversos editores e repórteres se demitissem.
A rádio ainda tem um trunfo, contudo: Putin é um ouvinte constante e Venediktov, um interlocutor franco com quem ele gosta de conversar. ‘Este país tem uma geração de gente jovem que é completamente livre’, diz o editor. ‘Gente que acredita que o poder não é o Estado, mas a possibilidade de ouvintes confrontarem seus líderes, como fazem aqui’."
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