OBSERVATÓRIO DA PROPAGANDA
ASPAS
BENNETON
SE DESCULPA
Louise Jury
"Benetton se desculpa por
anúncio polêmico", copyright Folha de S. Paulo
/ The Independent, 19/06/01
"A Benetton pedirá desculpas às famílias
das vítimas de assassinato nos EUA que se revoltaram com
a campanha publicitária que provocou a queda do diretor de
criação da grife, Oliviero Toscani.
Além disso, vai depositar US$ 50 mil num fundo para as vítimas
da criminalidade no Missouri. A iniciativa faz parte do acordo selado
para resolver uma ação na Justiça lançada
no ano passado pelo procurador-geral do Missouri, Jay Nixon, depois
que a Benetton incluiu quatro dos condenados à morte do Estado
em uma série de anúncios.
Mas a empresa italiana de roupas se nega a aceitar que o teor principal
de sua campanha tenha sido equivocado e manifestou remorso apenas
limitado.
‘A Benetton lamenta qualquer dor adicional que possa ter sido causada
aos familiares das vítimas, mas não pretende renegar
a campanha que criou, financiou e apoiou’, disse uma porta-voz da
empresa. ‘O objetivo foi contribuir para a discussão sobre
a pena de morte.’
Vinte e seis condenados à morte nos EUA foram entrevistados
para um suplemento de 96 páginas da revista da empresa, publicado
no ano passado, e um ensaio fotográfico divulgado no site
da Benetton.
Houve reclamações contundentes no Missouri, onde
famílias disseram que a memória de seus parentes assassinados
estava sendo violada para fins de lucro comercial, e autoridades
do Estado alegaram que a Benetton mentiu para conseguir falar com
os presos.
Outras objeções à campanha, a mais recente
numa série destinada a gerar controvérsia, levaram
à saída de Toscani da Benetton, após 18 anos
nos quais ele levou a empresa a ser notada em todo o mundo.
Assassino ‘glorificado’
Em seu processo, Jay Nixon, o procurador-geral do Missouri, acusou
a Benetton e os responsáveis pelo projeto, incluindo Toscani,
de glorificar assassinos condenados.
Os preparativos para ir ao tribunal já estavam sendo encaminhados
quando as duas partes chegaram a um acordo.
Segundo Nixon, ‘foi uma resolução apropriada para
uma situação que provocou dor renovada para aqueles
que perderam seus entes queridos nas mãos desses assassinos’.
Mas a Benetton afirmou que o fato de ter assinado o acordo não
significa que se considere culpada de ter mentido para entrevistar
os presos. Segundo uma porta-voz, o acordo foi aceito ‘com o único
objetivo de pôr fim a uma ação na Justiça
que teria gerado custos legais cada vez maiores’.
A Benetton se acostumou a polêmicas durante vários
anos, ao produzir campanhas publicitárias com fotos de um
aidético à beira da morte, de uma cadeira elétrica
e de cavalos acasalando, por exemplo.
A campanha do corredor da morte, porém, custou caro: como
protesto, a cadeia de lojas americana Sears rescindiu o contrato
de US$ 70 milhões que tinha com a Benetton para a venda de
suas roupas. Agora, o novo ‘rosto’ da Benetton vem sendo formado
com imagens mais suaves e divertidas. (Tradução de
Clara Allain)"
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