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OBSERVATÓRIO NA TV

 

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 232-3271

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

 


CENSURA
Contra grampo, mordaça
(*)

Alberto Dines

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Você pode contar: de 1998 até hoje já tratamos de grampos telefônicos sete vezes, a mais recente foi em nossa última edição ao vivo, quando da demissão do colunista do Globo Ricardo Boechat, por causa de uma gravação clandestina. Não emitimos sentenças porque não somos um tribunal, mas o saldo das discussões deste Observatório aponta numa direção: a utilização abusiva de transcrições de grampos ilegais compromete tanto a noção de jornalismo investigativo como a própria eqüidistância da imprensa, convertida em joguete de interesses contrariados, em geral escusos. Agora, surpreenda-se: o grampo que vamos examinar hoje foi utilizado com todas as cautelas pelo jornal O Globo para denunciar o governador Anthony Garotinho. Não foi transcrito, mas serviu de base para investigações tecnicamente corretas. Então qual a novidade? A novidade é que O Globo foi impedido de publicar as fitas por uma decisão judicial. E aqui a coisa muda de figura: em vez do grampo, temos a mordaça.

Isso é grave, gravíssimo. A mídia reagiu em uníssono contra o ato censório e dias depois, ludibriando a decisão, o Jornal do Brasil publicou parte da transcrição. Não nos interessa o teor das denúncias contra o governador fluminense. Este Observatório trata da imprensa, e neste sentido Anthony Garotinho presta um enorme serviço, 16 anos depois do fim da censura. Este Observatório entende que a decisão de divulgar ou não divulgar gravações ilegais de interesse público deve ser de foro íntimo do jornalista. Livre arbítrio. Consciência ética ou código deontológico, mas nunca imposição de qualquer poder, inclusive do Judiciário. A praga do grampo deve acabar, mas não pelo uso da mordaça.

Como você sabe, este Observatório não é um tribunal. É no máximo um fórum de debates, um tempo para reflexões. E, nesta condição, indispensável que todos os pontos de vista estejam representados. Infelizmente, apesar de insistentes convites e solicitações, não teremos as manifestações da parte do jornal O Globo. Não consideramos esta nova recusa como agravo ao programa. mas sim como desapreço pelos telespectadores. Embora não tenhamos procuração explícita para defender a causa do Globo, ela transcende ao jornal, é uma causa da imprensa que novamente se vê ameaçada pela sombra da censura. É, portanto, uma causa deste Observatório. Também o governador Garotinho, homem público, pré-candidato à sucessão presidencial, comunicador profissional, recusou-se a dar satisfações à sociedade brasileira. No entanto, seu advogado Sérgio Mazillo, acaba de nos enviar uma longa carta de escusas. A íntegra estará em nosso site. Aos ausentes continua oferecida a oportunidade de participar por telefone.

(*) Editorial do programa Observatório da Imprensa na TV, nΊ 160, no ar em 17/7/01



DOS TELESPECTADORES
EMAILS
J. Fernandes Junior

O Jornal do Brasil passou dos limites ao revelar o conteúdo das fitas obtidas por meios criminosos envolvendo o governador Garotinho, que a Justiça havia determinado serem impublicáveis justamente por sua forma criminosa de obtenção... O engraçado (trágico) é que o JB foi além do Globo, que acabou por pautar o JB.



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O triste fim do jornalismo fiteiro – Alberto Dines

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Quem não tem grampo vai a Miami – A.D.



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