Indice A imprensa em questao O circo da noticia Caderno da cidadania Entre aspas Caderno do leitor

OBSERVATÓRIO LITERÁRIO

SHINDÔ REMEI
A história merece mais respeito

Jeffrey Lesser e Roney Cytrynowicz (*)

Uma reportagem publicada na Folha de S.Paulo [23/5/00] anunciou o novo livro do jornalista Fernando Morais. O tema é a Shindô Remei, organização surgida nas comunidades de imigrantes japoneses e nikkeis no interior de São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial. A Shindô Remei recusou-se a aceitar a derrota militar do Japão e cometeu uma série de homicídios e atentados, após a guerra, contra membros da sua própria comunidade acusados de "derrotistas", por terem aceito o fato da derrota militar japonesa.

A história da Shindô Remei, bastante conhecida dos historiadores que trabalharam com a Segunda Guerra Mundial e com a história da imigração japonesa – e que já é tema de vários estudos – precisa, no entanto, ser tratada com mais discrição, respeito e seriedade. Seriedade não é silêncio nem esquecimento, ao contrário dos que pensam que os temas de história só existem quando são tratados com sensacionalismo. Além disso, o tema, embora tabu, é largamente conhecido no interior da "comunidade japonesa" (para utilizar o termo mais comumente empregado) e o silêncio está relacionado à memória desta dolorosa ferida que dilacerou internamente essa mesma comunidade.

Ao contrário do que diz Morais, e como pesquisas de história já mostraram, o conflito interno na comunidade japonesa era muito mais complexo do que a ação de um grupo assassinando os acusados de derrotistas.

O que não faz sentido é escrever apenas sob o prisma policial e do terrorismo, dos detalhes escabrosos das execuções. Nem tampouco como um fato isolado da guerra, como sugere a entrevista de Fernando Morais. Esta história precisa ser conhecida e analisada diante do contexto da história da imigração japonesa, do Estado Novo e, mais especificamente, das história das comunidades de imigrantes e de nikkeis durante os anos da Segunda Guerra Mundial.

Idioma proibido

Os imigrantes japoneses e seus descendentes foram duramente reprimidos por parte do governo de Getúlio Vargas, e alvos de uma violência dirigida. Primeiro foram sujeitos a restrições que atingiram a todos os grupos estrangeiros, como falar línguas consideradas "estrangeiras" e ensiná-las em escolas. Mas no caso específico da comunidade japonesa em São Paulo, a repressão foi mais direta e violenta, porque havia um racismo específico por parte do Estado Novo contra o grupo – o que está muito explícito, por exemplo, na obra de Francisco Campos, um dos ideólogos do governo Vargas.

Nas décadas de 20 e 30, os japoneses constituíram o grupo que mais emigrou para o Brasil. Em 1934, uma nova lei, restringindo a entrada de imigrantes, teve como alvo direto os japoneses. O racismo era, de certa forma, o terrível inverso do desejo de conhecer e partilhar da cultura japonesa e do admirado modelo de desenvolvimento do Japão, além das inovações de seu tipo de cooperativismo e do sucesso da produção em pequena propriedade de base familiar alcançada pelos imigrantes nos anos 40, em São Paulo.

A eclosão da Segunda Guerra Mundial, o ataque japonês a Pearl Harbour e o alinhamento do Brasil aos aliados constituíram o cenário para o governo Vargas agir com violência contra os imigrantes. Além de serem constantes vítimas de batidas policiais arbitrárias, eles foram expulsos da cidade portuária de Santos, de regiões da cidade de São Paulo, como as redondezas da Rua Conde de Sarzedas, e deportados para o interior do estado.

A proibição de falar japonês, de ensinar a língua e de ler jornais em japonês isolou completamente os imigrantes do ambiente à sua volta, porque muitos, talvez a maioria, viviam em pequenas localidades rurais no interior, onde provavelmente a distância em relação à capital não era maior do que a dos habitantes não-imigrantes.

As restrições e o isolamento criaram uma barreira intransponível que impedia os imigrantes japoneses de tomar conhecimento dos acontecimentos que envolviam a guerra. Para eles, transmitir a língua japonesa era condição sine qua non para a continuidade de sua cultura e organização social. Isto porque era por meio da língua que se transmitiam valores – como respeito aos pais e aos mais velhos – que garantiam a própria estrutura econômica da agricultura dos imigrantes, baseada no trabalho familiar sobre a liderança do pai.

Ondas de sensacionalismo

A Shindô Remei surge, assim, neste contexto de intensa disseminação de boatos e notícias falsas (isto em tempo de guerra, quando as notícias têm ainda menos credibilidade); de um processo de incredulidade coletiva e do reforço dos laços com o Japão. É nesse ambiente que se pode explicar o surgimento de um grupo que passou a assassinar lideranças e membros da comunidade que eram considerados "derrotistas". O impacto dos ataques da Shindô Remei foi tão forte que a Constituinte de 1946 votou um projeto de proibição total à imigração japonesa – que só foi rejeitado pelo voto de Minerva do seu presidente.

A violência com que esses conflitos eclodiram não pode ser explicada sem se considerar a política xenófoba e racista do governo de Getúlio Vargas, que deixou os imigrantes e os nikkeis violentamente isolados tanto do Japão quanto do Brasil, que os deixou suspensos entre dois nacionalismos, que os expulsou de suas casas e que fechou suas escolas e jornais, forçando a desestruturação das atividades comunitárias.

Antes da formação da Shindô Remei, a ação de grupos que destruíram plantações de hortelã e galpões de criação de bicho da seda de imigrantes (ambos produtos utilizados no esforço de guerra aliado) tornou-se um caso policial a ocupar as manchetes dos jornais. Eram apresentados com exemplos de ações da chamada quinta-coluna, contrárias os interesses brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Manchetes garrafais como "Pena de morte para os japoneses" eram freqüentes, associando todos os imigrantes aos grupos que cometiam atentados. Durante o processo judicial contra os terroristas, houve ondas de sensacionalismo e de imagens anti-japonesas.

Pode-se interpretar de outras formas o surgimento da Shindô Remei e analisar este episódio como uma resposta ou estratégia étnica de setores da comunidade japonesa diante de uma série de dilemas e possibilidades colocados pelos e para os imigrantes. Mas o importante, de qualquer forma, é não repetir o sensacionalismo da imprensa de 1944, e dos anos seguintes, contra os imigrantes e os nipo-brasileiros.

A Segunda Guerra Mundial é o marco trágico da história e da memória coletiva dos imigrantes e da comunidade japonesa no Brasil. Tratar com respeito e seriedade esta memória e esta história é o mínimo que se espera daqueles que querem escrever publicamente sobre este episódio. Sensacionalismo não pode ser o contrário de silêncio. Os imigrantes japoneses e seus descendentes merecem respeito para que as feridas da guerra não sejam reabertas de uma forma inconseqüente.

(*) Professor de História na Emory University (EUA) e autor dos livros O Brasil e a Questão Judaica (Imago, 1995) e Negotiating National Identity. Immigrants, Minorities, and the Struggle for Ethnicity in Brazil (Duke University Press, 1999), a ser editado em português pela Editora da Unesp.

(**) Historiador, doutor em História pela USP, autor de Memória da Barbárie. A história do genocídio dos judeus na Segunda Guerra Mundial (Edusp, 1991) e de Guerra sem guerra. A mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial (Edusp/Geração Editorial, no prelo).




ASPAS

JOÃO UBALDO EM BITS
Haroldo Ceravolo Sereza

"Ubaldo eletrônico é simples e saboroso", copyright O Estado de S.Paulo, 16/7/00

"O livro eletrônico de João Ubaldo Ribeiro, Miséria e Grandeza do Amor de Benedita (Nova Fronteira, 117 págs., R$ 3,80), disponível no site <www.submarino.com.br>, atraiu bastante atenção da imprensa - que, no entanto, deu prioridade à discussão do formato em vez do conteúdo. É até natural, uma vez que Ubaldo vinha de um sucesso de público, com A Casa dos Budas Ditosos, lançado no ano passado pela Objetiva na coleção "Os Sete Pecados Capitais", que, além das resenhas habituais, foi motivo para extensas entrevistas e reportagens.

Antes de tudo, é preciso dizer que Miséria e Grandeza funciona como livro eletrônico. A edição é caprichada, podendo ser lido com razoável conforto na tela do computador (aí, a qualidade do monitor faz diferença). Além disso, também é um romance suficientemente pequeno para ser impresso e carregado em folhas avulsas.

Mas estamos voltando ao aspecto técnico. No novo livro de Ubaldo, no entanto, o que menos importa é o suporte: não há links, hipertexto ou coisa parecida. Sem a utilização desse gênero de recurso, a Internet funciona apenas como um novo modo de entrega - tem tanta importância quanto o motoqueiro que carrega a pizza: quem realmente interessa é o pizzaiolo e a execução da receita. Portanto, cabe muito pouco falar da tecnologia. Já gastamos três parágrafos, não vamos além.

O novo livro de Ubaldo pode ser visto como um belo exercício de retórica. Utiliza-se de Itaparica, da radioatividade natural e da história da ilha baiana para defender uma tese: a de que homens e mulheres podem ser igualmente grandes em suas realizações e virtudes, mas não podem escapar de seus pecadilhos e prevaricações, se se querem grandes.

Assim, Benedita é mulher de Deoquinha Jegue Ruço, morto na primeira página do romance, cuja vida será então recontada. Deoquinha, ‘de pia Deoclécio Pimentel’, é um herói masculino. Tem seus incontáveis filhos, suas inumeráveis mulheres, mas apenas uma grande esposa, Benedita.

Ocorre que um desses filhos ‘ilegítimos’, César Augusto, encaminha-se para a vida religiosa. Nada complicado, se o padre Noronha não exigisse que, para ser enviado ao seminário, em sua certidão de batismo constasse o nome do verdadeiro pai, Deoquinha (e não de Rosalvo, ‘um desqualificado’), e da falsa mãe, Benedita - que, além disso, teria de acolhê-lo em casa, como se filho seu fosse.

A roda do enredo, que era até então um tanto estática, passa a girar. As mais intrincadas relações familiares, criadas e retomadas pelo sexo, passam a dar sentido à história, para que Benedita aceite a infâmia e o menino seja conduzido à vida religiosa. Depois de muito esforço de Deoquinha, em que o prazer vira dever, tudo dá certo.

O que parecia um conto sem um bom final ganha sentido com a entrada em cena do inesperado: um estrangeiro reencontra em Itaparica prostitutas que conheceu em Salvador. Acaba sendo acusado de difamar mulheres honestas da ilha. A surpresa, no caso, também revela um mistério, cujas pistas já estavam plantadas no correr do romance. E é esse mistério que, mais do que ‘comprovar’ a tese, completa a sua formulação.

Nesse interessante pequeno romance (ou conto grande, o leitor pode escolher), Ubaldo produziu não uma obra-prima, mas um bom trabalho. Voltando ao exemplo da pizza, pode-se dizer que a Internet está entregando uma pizza de mussarela, simples, é verdade, mas feita por um bom pizzaiolo - o que garante sabor e diversão."




INSULTOS IMPRESSOS

Mario Sergio Conti

"Imprensa brasileira educou elite do país", copyright Folha de S. Paulo, 15/7/00

"Ao nascer , a imprensa brasileira não se caracterizava pela publicação de notícias, pela objetividade no trato dos acontecimentos, pela publicação de comentários judiciosos ou pelo debate profundo de idéias. Longe disso. Em 1821, ao gozar pela primeira vez de liberdade, os jornalistas brasileiros se esmeraram nos xingamentos pessoais, na invenção de fatos, nos golpes baixos e no manejo de uma eloquência incandescente, que mascarava sua ignorância.

Em ‘Insultos Impressos’, a historiadora Isabel Lustosa, pesquisadora da Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, capta o nascimento tumultuado da imprensa nacional: os dois anos, de 1821 a 1823, nos quais d. João abandona o Rio para voltar a empunhar o cetro em Lisboa e nomeia d. Pedro príncipe regente, que proclama a independência nacional.

Em 1821, os ecos da eclosão da revolução liberal no Porto chegaram ao Rio e fizeram com que, na prática, a censura fosse abolida. Pela primeira vez na história da América portuguesa, houve liberdade de expressão e de opinião. Pela primeira vez, houve publicações que não emanaram da imprensa régia, inaugurada em 1808, quando a família real lusitana fugiu dos exércitos napoleônicos para os trópicos.

A imprensa surgida em 1821 consistia em publicações de periodicidade indefinida, tiragem diminuta (em poucos casos tiveram mais de 200 assinantes) e duração efêmera. Os jornalistas eram políticos que viviam à sombra do trono, clérigos recém-saídos do púlpito, militares de patente e comerciantes maçons de pouca intimidade com o idioma escrito. O público de jornais era formado, em primeiro lugar, pelos seus próprios autores, engalfinhados numa luta sem quartel pela defesa de seus interesses políticos. O lema deles poderia ser a frase que frequentemente repetiam: ‘Quem seus inimigos poupa nas mãos lhes morre’.

Isabel Lustosa trata o jornalista daquela época com simpatia, procurando entendê-lo. Ao descrevê-lo, parece estar falando de muito jornalista de hoje: ‘Quase sempre autodidata, é obrigado a se informar e a falar sobre tudo. Superestima, então, a própria capacidade e, como tem poucos a criticá-lo e a superá-lo, perde a autocrítica: sua ciência lhe parece realmente infinita, abrangendo todas as coisas sabíveis’.

Nesse meio, havia quem sobressaísse. É o caso de Hipólito da Costa, que, segundo o crítico Antonio Candido, ‘foi o primeiro brasileiro a usar uma prosa moderna, clara, vibrante e concisa, cheia de pensamento, tão despojada de elementos acessórios que veio até nós intacta, fresca e bela, mais atual que a maioria da que nos legou o século 19 e o primeiro quarto deste’.

Considerado o primeiro jornalista brasileiro, o fundador do ‘Correio Braziliense’, contudo, escrevia de Londres, onde estava exilado.

Num segundo plano, o alvo dos jornalistas improvisados eram pequenos proprietários, donos de escravos fugidos, funcionários públicos e uns poucos professores primários. Nenhum dos órgãos surgidos na época tinha a mínima viabilidade comercial. Tanto que todos morreram ao cabo de alguns meses.

Como produto da proibição da metrópole de que houvesse cursos universitários na colônia tropical, autores e público da imprensa eram, em geral, pouco letrados. Eles formavam uma elite xucra, cujo maior expoente era d. Pedro, um rapazola de 22 anos sem nenhum interesse em política e curiosidade cultural, que vivia a frequentar tabernas.

A maioria das publicações tinha como objetivo influenciar o pensamento de d. Pedro, que, com a volta de seu pai a Portugal, virou da noite para o dia a maior autoridade da nação que se formava, senão a única. D. Pedro, por sua vez, era autor que usava pseudônimos ou penas de aluguel para atacar pela imprensa os seus adversários. No mais das vezes, os ataques principescos eram sórdidos e resvalavam para a pornografia.

De certa forma, d. Pedro é um dos heróis de ‘Insultos Impressos’. Ziguezagueando e dando cabeçadas, mais atacando a liberdade do que a preservando, ele aprende com a crise política que, cada vez mais acesa, passa pelo Dia do Fico e desemboca na proclamação da independência. Se não a domina, e muito menos a lidera, d. Pedro se adapta a ela e a faz avançar.

No Dia do Fico, 9 de janeiro de 1822, por exemplo, de fato se recusa a cumprir a ordem das Cortes Constituintes de Portugal de que retornasse de imediato a Lisboa. Seus termos, porém, são protelatórios: ‘Convencido de que a presença da minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a Nação Portuguesa e conhecendo que a vontade de algumas províncias assim o requer, demorarei a minha saída, até que as Cortes e Meu Augusto Pai e senhor deliberem a este respeito com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido’. O texto terminava com uma exortação da Câmara de Vereadores do Rio no sentido de que a plebe mantivesse a calma.

No dia seguinte, no entanto, o texto do regente, modificado pelo Senado, é republicado. Dessa vez, com as palavras que entraram para os livros escolares: ‘Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico’.

No 7 de setembro, d. Pedro disse, com os pés nos estribos e com a espada desembainhada: ‘Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será ‘independência ou morte’!’. Os fatos no Ipiranga foram menos dramáticos do que reza a crônica ufanista, segundo o relato de uma testemunha, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira.

Foi o padre quem leu para o regente as cartas de sua mulher, d. Leopoldina, e de José Bonifácio, instando-o a romper os laços com Portugal. Depois da leitura, conta ele, d. Pedro, ‘tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os, deixou-os na relva. Eu os apanhei e guardei. Depois, abotoando-se e compondo a fardeta, pois vinha de quebrar o corpo à margem do riacho do Ipiranga, agoniado por uma disenteria, com dores, que apanhara em Santos, virou-se para mim e disse: ‘E agora, padre Belchior?’’. O reverendo também recomendou a separação de Portugal. Só então, na presença de menos de 40 pessoas, d. Pedro deu o grito do Ipiranga.

Ainda que não tenha cabimento julgar a imprensa de então pelos critérios de hoje, Isabel Lustosa demonstra que, com poucos meios, servindo-se dos instrumentos que a sua formação e a conjuntura lhes colocara ao alcance, os jornalistas contribuíram para situar e esclarecer o debate político. Um debate que se deu num quadro revolucionário: em apenas dois anos, tanto a casa de Bragança como a Constituinte de Lisboa foram levados a aceitar a independência nacional.

‘Esse jornalismo furioso, usando ora uma batida retórica revolucionária francesa, ora os bons e velhos aforismos portugueses, realizou de forma programática a missão educativa a que se propusera a imprensa brasileira no seu nascedouro’, escreve a historiadora. ‘Educou, talvez, nem tanto ao povo, mas à sua elite. Elite que, quase toda, frequentou as páginas dessa imprensa de insultos, onde se formou e aprendeu as manhas da política às custas da nação, como aprende o barbeiro novo na barba do tolo’. [Livro: Insultos Impressos. Autor: Isabel Lustosa. Editora: Companhia das Letras. Quanto: R$ 28,40 (512 págs.)]"



Mande-nos seu comentário

Início da página





Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores | Observatório impresso
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você