|
OBSERVATÓRIO NA TV
Edição de Marinilda Carvalho
Amigos, esta seção está crescendo. Nas próximas semanas, será
definitivamente linkada (ou remetida automaticamente) à página do
Observatório da Imprensa TV. Passam a sair aqui os
artigos veiculados na mídia relacionados a Qualidade na TV – tema de
crescente interesse para quem faz e quem assiste ao programa de
Alberto Dines.
Outra novidade: todas as mensagens enviadas ao programa e
não-respondidas no ar, por impossibilidade técnica ou falta de tempo
hábil, ficarão neste espaço, abaixo dos artigos.
Será um desafio interessante para o O. I. Online dar
retorno ao telespectador do programa. Isto é que é um canal de mão
dupla, realmente interativo!
OBSERVATÓRIO NA
TV
TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30
Você pode participar ao vivo
DDG: (0800) 216-689 Fax: (021) 221-0566
E-mail: obstv@tvebrasil.com.br
Videoconferência: veja instruções em
http://200.18.184.210/participa/participe.htm
23/3/99 Panelas, marketing e
jornalismo descartáveis
Alberto Dines
O número de jornais impressos vem diminuindo em todo o mundo. Por
isso, no momento em que na maior cidade brasileira é lançado um novo
jornal só podemos nos alegrar. Mas será que devemos nos alegrar
mesmo? Veja por exemplo este comercial.
Qual é exatamente o produto que está sendo lançado? Panelas
importadas ou um novo jornal para defender os interesses da
população de baixa renda? Mas o pior é que este não é o primeiro
caso de lançamento de um veículo popular atrelado a um concurso de
panelas. A moda começou aqui, no Rio de Janeiro, há menos de um ano,
quando foi lançado o Extra, do grupo Globo. Acontece que o
jornal lançado ontem nas bancas, o Agora S. Paulo, é do Grupo
Folhas, adversário encarniçado do grupo Globo.
Este o grande problema. Os grupos jornalísticos se enfrentam e se
digladiam em matéria política, mas comportam-se de maneira idêntica
perante o público. Agem dentro dos mesmos princípios. Com o mesmo
desprezo pelos seus compromissos sociais. A competição jornalística
no Brasil não está criando diversidade, nem alternativas. Em vez de
estabelecer novos padrões, reforçam-se as experiências anteriores.
Não porque são boas, mas porque deram certo. Esse marketing de
resultados está criando um jornalismo descartável. E se o processo
avança como promete, breve o Quarto Poder será representado não por
uma pena ou um teclado, mas por uma bateria de panelas. Então será
difícil mudar sua imagem.
(*) Editorial do programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA TV
nº 47, de 23/3/99
PARA COMEÇO DE CONVERSA
Editoriais de A.D. na
TV
Folha não convive com a divergência (*)
Quem movimenta a sociedade? Quem alimenta a sociedade com
informações para que ela faça os seus juízos? No regime democrático
esse papel cabe à imprensa. Ela reflete a opinião pública e ao mesmo
tempo deve acioná-la.
Os meios de comunicação gozam de um status especial: na sua
maioria são propriedade de empresas privadas, mas a sua atividade
está garantida pela Constituição. Portanto, além dos balanços
financeiros para os acionistas os veículos têm contas a prestar a
sociedade. Se o país é democrático a mídia deve comportar-se
democraticamente, admitindo a crítica e as divergências. Mesmo
quando ocorrem dentro da própria mídia. Se a imprensa adota
comportamentos arrogantes e violentos, ela os consagra e acaba por
convertê-los em paradigma. A Folha de S.Paulo demitiu na
semana passada um dos seus articulistas sob a alegação de que havia
publicado "inverdades" na edição on line do OBSERVATÓRIO DA
IMPRENSA e também porque o articulista "alimentava divergências"
com a direção.
Ora, uma inverdade contesta-se com a verdade. E alimentar
divergências é próprio da democracia. A Folha, como empresa
privada, tem o direito de escolher os seus métodos. Este programa,
porque é uma prestação de serviço à cidadania, manterá os seus
compromissos de tratar todos os veículos de forma igual. O assunto
encerra-se aqui. A partir de hoje, temos uma nova Observadora: Lúcia
Abreu, que começou como repórter de O Globo e depois ancorou
diversos telejornais na Rede Manchete.
(*) Editorial do programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA na TV
nº 46, 16/3/99
Todo dia é dia da mulher (*)
A mulher esteve muito presente nas primeiras páginas dos jornais,
nas capas das revistas e nos programas de TV. Parecia que enfim
chegamos ao paraíso do equilíbrio entre os sexos. A explicação é
simples: ontem, segunda-feira, foi o Dia Internacional da Mulher.
Mas hoje, terça, a mulher foi expulsa do noticiário. Voltou aos
cadernos femininos. O problema das efemérides é que depois da festa
volta tudo ao que era. No próximo domingo ou sábado à noite, para
atrair a leitora e telespectadora, os jornais e telejornais voltarão
a apresentar aquilo que pensam ser o chamariz para atrair o público
feminino – gente famosa, milagres médicos, trivialidades e
abobrinhas. Essa é uma distorção que começa na mídia e termina no
cotidiano da nossa sociedade: a mulher-leitora ou telespectadora
ainda é vista como incapaz de se interessar pelos assuntos ditos
sérios que interessam aos homens. Nesse Dia Internacional da Mulher
ficou evidente também que os homens continuam na Idade Média – só se
interessam por certas mulheres, certos ângulos de certas mulheres.
Ou pelo que certas mulheres têm a contar sobre o que fizeram com
certos homens. Apesar de alguns avanços dentro das redações, onde as
mulheres hoje desempenham papel destacado, a mídia ainda é
basicamente machista.
(*) Editorial do programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA na TV
nº 45, 9/3/99
CARTAS
Programa nº
47 Dines e a Folha
Carta para Alberto Dines e Renata Lo Prete (ombudsman Folha de
S.Paulo). Sou brasileiro, 27 anos, e, apesar de não ter formação
superior, sou bem-informado. Bem-informado? Descubro, lendo sua
coluna no Jornal do Brasil, que o senhor foi demitido da
Folha de S.Paulo. Não tenho o dom da escrita como vocês bons
jornalistas, por isso tentarei expressar minha indignação da melhor
maneira possível. Eu leio, quando posso: CartaCapital,
Jornal do Brasil, IstoÉ, Veja, Folha de S.Paulo, Época e O
Globo.
Em 1988, a revista Veja vendeu ao Brasil a informação de
que Fernando Collor de Mello era um caçador de marajás. Venceu a
eleição do ano seguinte... No começo de 1998, previa-se uma crise
igual à da Ásia no Brasil, entre junho e agosto do mesmo ano. Ela
começou em setembro, mas foi "mantida" quase oculta... Fernando
Henrique Cardoso foi reeleito... Estes são só dois exemplos.
Será que eu e outros milhares de pessoas que lêem algumas das
publicações acima mencionadas são bem-informadas? Estupefato, leio
na mesma nota que o senhor teve sua coluna censurada pela
Folha, ano passado, pouco antes das eleições. Como um jornal
que há 79 anos tenta explicar este país censura um texto de seu
colaborador, além de não distribuir o mesmo para os outros jornais
dos quais ele também é colaborador?
Uma amiga está se formando em Jornalismo no final deste ano. Em
uma de nossas várias conversas, ela soltou a seguinte "pérola":
"Ora, você acha que a imprensa é livre para investigar, que o editor
vai deixar passar alguma notícia que possa causar problemas para
alguns políticos que conhecem o dono do veículo?... Você não viu o
Quarto Poder?"
Será que podemos comparar o jornalismo a tudo que não funciona
neste país? A violência não diminui porque a polícia é corrupta. Os
serviços públicos não funcionam porque as pessoas são corruptas e
incompetentes. O país não funciona porque não se tem ordem na casa
(Congresso Nacional). Será que o jornalismo é isso? Nos informa
somente o que é do seu interesse? Interesses esses que fazem com que
jornais como a Folha, do qual sou assinante, e que ajudava a
formar a minha opinião quanto às questões do Brasil e do mundo,
censurem os textos de seus colunistas.
Senhor Alberto Dines, sou grato ao senhor pelo OBSERVATÓRIO DA
IMPRENSA. Espero que o programa não deixe de existir. Para a
senhora Lo Prete, desejo realmente sua manifestação quanto a este
assunto. A Folha perdeu a credibilidade comigo. Eu não sou
nada para vocês, apenas mais um leitor, e não um empresário de elite
formador de opinião, mas serei um leitor a menos deste periódico. A
Folha, assim como O Estado de S.Paulo, censuram textos
de seus colunistas, são máquinas da ditadura em constante
manutenção... Ditadura e censura continuam, em um país onde até hoje
nada se fez de concreto contra a seca do Nordeste, mas que ostenta a
segunda maior frota de aviões particulares do mundo...
Marcos Renkert, Rio de Janeiro
xxx
Fala-se muito em liberdade de imprensa, mas, na realidade que
existe mesmo é a liberdade das empresas proprietárias dos jornais,
televisões e rádios. Prova disso está no que ocorreu com o nosso
caríssimo Alberto. Os jornalistas somente são livres para pedir
demissão ...
Luís Carlos
xxx
Foi uma perda muito grande a saída de Dines da Folha. Faço
jornalismo na PUC-Minas e estou muito desanimada com o campo de
trabalho. Se Dines, que é um profissional renomado, perdeu seu
emprego, o que será de nós?
Stefania Ribeiro Alves
xxx
Creio que não é a primeira vez que a própria imprensa comete uma
injustiça com você. Estamos passando por um momento muito complicado
em relação ao processo de comunicação de massa. Alguns bons
profissionais estão fora do mercado, outros se acham, ou melhor, se
intitulam "jornalistas" e passam mensagens que chamam de "matérias".
Na medida em que perdemos oportunidades (raras) de ler bons artigos
de profissionais comprometidos com a comunicação real dos fatos e
com as mudanças dessa sociedade, deixamos de refletir e questionar
as coisas que estão movendo essa nação, essa gente.
Vale ressaltar que a importância da formação de um bom
profissional não passa, apenas, pelo conhecimento acadêmico, mas,
sobretudo, pela experiência, pela vivência, pelo dia-a-dia, pelo
saber fazer e compreender o papel da imprensa na sociedade. Parabéns
pela importância do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Afinal, não
estamos lendo mais jornais como antes!! Nem estamos assistindo à TV
como antes, nem ouvindo rádio como antes...
Teresa Leonel, Recife
xxx
Sou calouro do curso de direito na Unesp, em Franca, e há cerca
de quatro meses venho acompanhando o site e o programa
OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Desde então, descobri essa ilha de
informação e crítica da imprensa brasileira. Gostaria de manifestar
aqui o meu profundo respeito e admiração por jornalista Alberto
Dines que, a meu ver, tem carreira brilhante e consegue se
manifestar de maneira imparcial e precisa. Fiquei muito
impressionado com sua demissão da Folha, visto que
considerava este um jornal de grande confiabilidade e qualidade.
Gostaria de saber em qual outro órgão de imprensa, excetuando este
OBSERVATÓRIO, Dines escreve.
Walter Noronha
Nota: Dines está escrevendo aos sábados na página de
Opinião do JB.
xxx
Caro Dines, admirador do seu trabalho, sinto-me desinformado
sobre as razões que levaram ao seu afastamento da Folha.
Naturalmente, é sua ética, e não a modéstia que o impede de
reconhecer que, agora, a notícia é você, meu caro. Como leitor e
telespectador do OBSERVATÓRIO venho reclamar esclarecimento
sobre o fato. Seguramente, há milhares de outras pessoas querendo o
assunto na pauta do OBSERVATÓRIO.
Rogelio Casado, Manaus
Nota: O esclarecimento completo está no OBSERVATÓRIO
online, em <www2.uol.com.br>
xxx
Caro Dines, receba minha solidariedade. É no mínimo discutível a
forma como o ocorreu sua demissão da Folha. Gostaria que
comentasse no programa o fato de o jornal que se gaba de ser o mais
"pluralista, imparcial e independente" da grande imprensa estar
envolvido em episódios como este, que levam ao questionamento de sua
conduta e de sua linha editorial.
Jorge Ribeiro Neto, jornalista, Indaiatuba, SP
xxx
É louvável que os senhores tenham preocupações com o que as TVs
abertas estão colocando no ar. Há muito lixo é óbvio. Lembrem-se,
vamos discutir em um nível aceitável, deixamos de lado a causa
particular de atacar a tudo e a todos. Refiro-me ao Sr. Augusto
Nunes, não o conheço, mas acho-o muito preconceituoso com suas
colocações. Se ele foi criado em ambiente cultural abastado, ótimo,
mas por questões de justiça não deve discriminar a quem quer que
seja. Se existem programas ruins é por que há público para vê-los.
Conclusão: há que se tomar medidas, claro e louvável, agora,
vamos instruir a população, "malhar" não resolve o problema,
defender pontos de vista preconceituosos, racistas etc. muito menos.
Lembrem-se de que a TVE é um órgão governamental, os que lá
trabalham são servidores públicos ou recebem pelo erário. Por que
não aproveitar o espaço para debates de assuntos mais justos,
instrutivos e de interesse geral, não apenas aqueles que interessam
a poucos "intelectuais", que, volto a enfatizar, primam (nem todos é
claro), pelo preconceito às classes de menor nível de instrução e
condições de vida? Vamos mostrar e dar à população um serviço
público de qualidade, e não utilizar seu veículo de comunicação para
o debate que deve ser efetuado em lugar próprio, o Congresso
nacional.
Jorge José Povala, Brasília, DF
A força da denúncia
Será que a imprensa não perdeu sua força em relação a denúncias?
Vejamos os casos de políticos que estão sendo empossados, mesmo
sabendo que são corruptos. A imprensa notícia tantas banalidades que
perdeu a força que tinha, ou será que os políticos são cada vez mais
caras-de-pau e não estão nem aí para o que é veiculado pela
imprensa?
Cristina Barbosa
xxx
Primeiramente gostaria de parabenizá-los pelo excelente programa.
Sobre a mídia e a denúncia, através de matérias investigativas ou
não, acredito que a partir do momento em que um fato passa a ser
muito divulgado, "rendendo" pautas e pautas para um veículo de
comunicação, estendendo-se exaustivamente, mesmo que traga a cada
abordagem algo de novo, os próprios jornalistas acabam por
encerrá-lo, acreditando que tornou-se cansativo tanto escrever como
ler sobre esse determinado fato.
Será esse o papel da imprensa? Quem sabe no país tudo não seja
demasiado lento, fazendo com que se demore a obter a solução tão
desejada? Não seria papel do cidadão cobrar uma agilidade maior dos
órgãos competentes no que diz respeito às soluções, e da imprensa no
que diz respeito às informações e à pressão?
Henry Milléo, jornalista, Ponta Grossa, PR-
Sociedade vs TV Zôo
A atitude da TV Globo que divulgou em detalhes como a Polícia
Federal fez para localizar os seqüestradores e o dinheiro, foi tão
danosa quanto a sugestão do Ratinho, que propôs um 0900. Apresentar
suspeitos como culpados, ensinar a seqüestrar são ações que
estimulam o seqüestro. A atitude do Ratinho é lastimável, pois
transforma qualquer um em seqüestrável, a atitude da Globo
transforma qualquer marginal em seqüestrador profissional. Casos de
seqüestros, crises, como chamam os técnicos, exigem postura
profissional da imprensa. A polícia também não pode embarcar
repórter em helicóptero para acompanhar o estouro de um cativeiro;
repórter não pode interferir. Aliás, no passado até os repórteres se
ofereceram para serem trocados por reféns, situação muito mais grave
que o deslize atual do Ratinho. O Ratinho tem uma desculpa, é seu
gênero de ignorante, bronco, não é considerado uma elite. A Globo,
4ª maior rede de TV do mundo, influencia muito mais, pois é
considerada elite, formadora de opinião.
César, Curitiba, PR
xxx
Concordo plenamente com aqueles que discutem a má qualidade das
notícias. Lamentável! Esta é a parte ruim da imprensa, que mancha a
imagem daqueles que ainda têm respeito pelo leitor/telespectador.
Podemos destacar a TV Cultura, com sua programação digna, na qual
nós brasileiros somos valorizados como cidadãos.
Simone, São Paulo
xxx
A democracia supõe participação do povo, e tem na imprensa ética
e fiel à verdade seu principal canal de conhecimento e controle. Mas
se esta imprensa passa fatos que lhe convêm ou dá enfoque diferente
ao que realmente acontece, buscando construir artificialmente a
opinião pública, não se torna ela a maior ameaça à democracia e ao
próprio estado de direito? Não seria o caso de se desenvolver algum
mecanismo de controle da imprensa e da mídia escrita e televisada
para resguardar os outros direitos fundamentais constitucionais,
além da liberdade de imprensa como derivada da liberdade de
expressão?
Bruno Leite de Almeida, Rio de Janeiro
xxx
Toda a sociedade participa do espetáculo da notícia - desde o
repórter que pergunta à mãe que teve o filho cruelmente chacinado o
que ela está sentindo até a mãe que, mesmo transtornada, esforça-se
visivelmente para arrancar dos olhos aquelas lágrimas que, naquele
momento, não querem vir.
Guacira Sampaio Rocha
xxx
Acho que estes últimos acontecimentos amplamente investigados e
divulgados pela mídia e maciçamente apoiados pela população, já
absolutamente esgotada e indignada com o descaso em relação ao
dinheiro público, provam que o caminho está certo e não deve ser
desviado sob hipótese alguma. Ao contrário, não podemos deixar esse
esforço ser em vão. Como foi dito no programa pela maioria dos
presentes, a mídia vem aglutinando forças populares, empresariais e
governamentais no sentido de mudar uma situação de podridão que vem
envenenando nossa sociedade há várias décadas. Isso demonstra o
poder que esse conjunto apresenta, podendo inclusive enfrentar
obstáculos mais difíceis, como foi citado pelo jornalista Milton
Jung: a sociedade coesa, apoiada pelos veículos de comunicação
também unidos aos mesmos propósitos é, com certeza, muito mais forte
do que qualquer megavilão político. Espero que possamos virar esse
milênio com uma nova sociedade fundamentada em princípios éticos e
exercendo, de uma vez por todas, a nossa plena cidadania.
Lucia Beatriz Chaimsohn
xxx
É um absurdo o que a IstoÉ aprontou: culpou a própria
mulher do Wellington pelo seqüestro (ou pelo menos insinuou). Merece
um severíssimo processo do casal e punição do governo.
Antonio Fernandez, São Paulo
xxx
Meu nome é Arnaldo Hase, tenho 22 anos e sou jornalista. Toda a
história do seqüestro de Wellington é muito mal contada. O fato de o
irmão da dupla famosa ter sido libertado num domingo, sinceramente,
causa-me muito estranhamento. Mais medíocre ainda, mas totalmente
esperada, foi a cobertura de Globo e SBT. Claro, isso só existe
porque nossa educação é um caos e isso vende. Se tivéssemos um povo
politizado, preocupado realmente com os rumos desse país, que anda
mal das pernas, a dimensão de casos assim seria bem menor.
Agora, não dá pra confundir, nem de longe, o Ratinho com o que
chamamos de imprensa. Essa falta de informação mancha nossa
profissão, mas temos que deixar claro como água que jornalismo é uma
coisa, e freak show é outra. Mas Ratinho, deixemos claro, é
uma extensão do Notícias Populares. Em minha opinião, nada
disso pode ser confundido com jornalismo. Talvez tudo seja reflexo
de que, como temos uma história até certo ponto recente de liberdade
de imprensa, temos uma população despreparada para usá-la em todos
os sentidos. Mas é um problema de amplitudes tão grandes que peço a
todos na mesa que dêem sua opinião.
Arnaldo Hase, Ponta Grossa, PR
xxx
Tive a grata satisfação de assistir ao programa, especialmente à
discussão com Pedro Simon. Gostaria de saber quais as ONGs citadas
pelo jornalista Milton Jung que estão procurando mobilizar a
sociedade civil para um controle social da mídia. Acho extremamente
importante a mobilização para conscientizar a população através das
instituições formadoras de opinião pública (especialmente escolas,
APMs, igrejas, sindicatos etc.) para formar opinião e exercer
pressão sobre o Congresso. Acho que seu programa e site poderão ter
papel decisivo nisso, e gostaria de me colocar à disposição para
discutir tecnologia e métodos de ampliar seu alcance, e desta forma
ampliar o debate e a participação nessa questão, que considero a
mais fundamental de todas que estão colocadas na pauta política
deste ano.
Sergio Storch,
xxx
Antes de mais nada, obrigado por vocês existirem. Gostaria de
saber - já que, em minha opinião, num país de ratinhos, leões,
tchans e outros bichos pouco resta a fazer pela cultura televisiva
brasileira - o que aconteceria com nossa política, caso a mídia
televisiva desse a mesma ênfase que deu ao seqüestro do irmão
desconhecido da dupla famosa ao seqüestro do patrimônio público
brasileiro via privatizações fraudulentas, viciadas e impatrióticas.
Obrigado e um abraço a todos e em especial ao Dines, um grande
profissional.
Paulo Rubini, Colatina, ES
xxx
Gostaria de saber o que vocês acham de as autoridades competentes
procurarem proibir a exibição de notícias sérias em programas
apresentados por pessoas que não têm formação jornalística, para
barrar este sensacionalismo barato que invade diariamente nossas
casas. Gugu, Ratinho, Faustão, Leão etc. deveriam ser proibidos de
exibir notícias em seus programas, e mais ainda de
comentá-las.
Jailson Rodrigues de Sousa, estudante de Filosofia,
Ceará
xxx
A crise da mídia impressa ou eletrônica é a crise da ética. Desde
que o marketing elegeu o consumo de massa depurou a mensagem pelo
sentido estético. Um estético cada vez menos condutor, mais volátil
pela maioria da audiência, consumo e/ou do Ibope. A máxima diz: "A
maioria é burra"... e a conclusão é óbvia. Mas não só a mídia está
em crise, e nem só por ela vivenciamos uma crise. A crise ética
também é, senão principalmente, política.
William Silveira
xxx
O comportamento da imprensa em direção ao sensacionalismo é
resultado da pobreza cultural e de valores humanos da sociedade ou o
sensacionalismo leva a um aumento da pobreza cultural e de valores?
Isto vale não só para o Brasil, mas também no mundo, neste final de
século?
Adriana Abelhão, São Paulo
xxx
O tratamento que a mídia dá a acontecimentos sérios demonstra o
nivelamento por baixo que esta quer dar aos brasileiros. Sobre as
leis de fiscalização do papel da televisão na sociedade, não existem
devido aos interesses dos grandes grupos que controlam a política
nacional. Saudações históricas.
Cesar Batista
xxx
Em minha opinião, a degradação da imprensa é reflexo da cultura
do próprio povo brasileiro, que valoriza o sensacionalismo, e que
atualmente é explorado pela maioria dos meios de comunicação em
busca de maiores índices de audiência.
Paulo Soares, São Paulo
xxx
Deve ser revista a liberdade de imprensa. Confunde-se ainda hoje
o que se discutia poucos anos atrás. Os consumidores de informação,
em sua grande maioria, não estão aptos a assimilar e separar
informações consideradas podres. A Lei de Imprensa deve ser revista
novamente, sem lobbies e se possível plenamente imparcial.
Luís Antônio Venâncio
xxx
Por que o seqüestro de quem quer que seja pode interessar a um
cidadão comum? Tenho sérias dúvidas se esses seqüestros não são
realizadas pelas empresas de comunicação, pois elas não têm coragem
de colocar no ar as verdadeiras notícias. Em síntese, todos se
aproveitaram desse seqüestro e de todos os fatos banais (bom lembrar
o nascimento da Sasha) para mascarar as verdadeiras notícias. O que
acontece então? Quando o Ratinho (na sua inocência burra!) escancara
essa realidade sem saber, os jornalistas cultos (ou aqueles que se
acham de vanguarda) o criticam, enquanto se preparam para fazer uma
matéria sobre o bebê que fala com formigas ou o seqüestro de quem
quer que seja.
Por que toda a imprensa não se critica (inclusive a TVE, apesar
de estarem fazendo uma belíssima análise sobre o assunto) e começa a
fazer uma análise mais crítica do que realmente afeta a sociedade,
falando a verdade sobre o PC, os precatórios, os fiscais de SP, os
interesses do ACM? É a hipocrisia criticando a burrice... É uma
pena!
Ricardo Schuck Rocha, estudante de Relações Públicas da
UFRGS
xxx
Quanto ao programa do Ratinho, vejo-o como uma projeção do que a
imprensa vem fazendo com o povo brasileiro, pois em vez de informar
(o que seria nada mais do que a sua obrigação) está desinformando.
Aquilo é uma das diversas formas de exploração da ignorância do
povo. Como aquilo, existem vários, basta assistir TV no domingo. O
Oscar não me deixa mentir...
Edson Filho
xxx
Não é possível fazer uma lei que proíba programas de
entretenimento de fazer coberturas jornalísticas, assim como alguém
que não é formado em Medicina não pode medicar? Dessa maneira,
qualquer programa de televisão teria que ter autorização para fazer
jornalismo, e se não tivesse um comportamento ético, teria sua
autorização cassada por um conselho de jornalismo, assim como existe
o Conselho Regional de Medicina.
Marsan
xxx
Que país é este? Que TV é essa a que estamos assistindo? Hoje,
tive o desprazer de assistir a uma parte da novela das sete da Rede
Globo, mais ou menos às 19h30, na qual em uma das cenas o ator
Cláudio Marzo diz uma frase absurda: "... Não quero ter um filho
fresco em casa." Não é a primeira novela que utiliza esse
tipo de linguagem "pobre". Em Malhação, os adolescentes se
deparam com o culto ao sexo livre. Ser virgem "não tá com
nada" ... e o grande problema de todos os jovens, no programa, é com
quem "ficar" e como "fazer sexo". Quem transa com quem e quem é o
próximo da lista!! Os diálogos são recheados de gírias, poucas
palavras e muita agressão. Pergunto: que tipo de educação passamos a
nossos filhos? Qual é o verdadeiro sentido de cidadania que
deveríamos passar a eles? Como podemos exigir mais dos
textos/redações dos alunos nas escolas e universidades? Qual é o
nosso papel enquanto imprensa? Estamos exercendo, de fato, essa
função? Precisamos debater, mobilizar a sociedade, representantes
das diversas categorias, para buscar alternativas para essas
questões que passam, necessariamente, pela regulamentação da
comunicação de massa. Não é censura, nem a ausência do direito de
expressão, mas sobretudo o compromisso com a educação do país. É
preciso ter limites, regulamento, pontuação e punição para meios de
comunicação que abusam do poder da mídia para influenciar de forma
negativa a sociedade como um todo. Como jornalista e publicitária
acredito, cada vez mais, que não podemos sentar e esperar que algo
seja feito. Temos o compromisso e a responsabilidade com a
informação e a formação da sociedade. Esse tema deve voltar à pauta
do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA com a participação do ministro
das Comunicação, Pimenta da Veiga, por exemplo.
Teresa Leonel
xxx
Lendo as panelas
Contribuindo com esse excepcional programa que serve como norte
para nós que militamos na indústria, o IVC dos Estados Unidos já
impõe que se retire da informação jurada o acréscimo de circulação
oriundo de anabolizantes. Quando jornais em suas edições permitem
trocar cupons impressos por ingressos para estádios, certamente,
analfabetos podem estar entre aqueles reportados no IVC como
leitores - de circulação paga. Mesmo revista quando distribuem CDs
podem estar vendendo a cegos, que apenas querem ouvir os discos
adquiridos a preço reduzido. Claro que vale para panelas adquiridas
a preço reduzido por famílias de baixa renda - possivelmente
não-leitores. Campanhas, independentemente dos aspectos ligados à
redação como comentado, certamente pode estar induzindo a erro
anunciantes em função da circulação reportada, que nada ou pouco tem
a ver com a quantidade de leitores esperados (consumidores de seus
produtos). Não digo, por ser especialista em Circulação, que não
sejam absolutamente relevantes os comentários que envolvem redação,
mas considero, sim, que os grandes lesados nessa questão podem ser
anunciantes e agencias que se pautam nos números publicados no IVC
como circulação paga - esperadamente leitores.
Luiz Caldeyra, Rio de Janeiro
xxx
O fato de os jornais venderem panelas e outros itens talvez não
mereça tanta ênfase. Isto porque um jornal tem necessariamente que
operar um extenso esquema de distribuição - por que não otimizar seu
uso e veicular outros produtos que funcionem como atração? O
problema principal seria o declínio da leitura, da capacidade da
abstração, do desejo de refletir sobre a realidade com a ajuda das
opiniões dos jornalistas e preferivelmente do confronto entre eles.
Isto por conta da terrível hegemonia da televisão - um meio que
adotou uma linguagem primitiva, imediatista e esquizóide. Mas, nem
isso é verdade de todo: afinal, este é um programa de
televisão.
Paulo Braga, Rio de Janeiro
xxx
O governo usou o jornal para vender a reeleição de Fernando
Henrique A Globo usou o jornal para travar a candidatura de Marta
Suplicy. O jornal vende o que à elite comercial, dona e
patrocinadora mais interessa. Qual é a surpresa por estarem vendendo
panelas????!!!!!!
Raime Reis
xxx
Num país onde a Tiazinha lança CD e não canta, onde o Tchan
fatura milhões, onde um seqüestro é utilizado pare gerar audiência,
chego à conclusão de que oferecer panelas para quem compra jornal é
muito legal. Agora, se a panela não for de boa qualidade, as donas
de casa devem sair às ruas e bater panelas para protestar contra
tudo isso, inclusive as panelas!!!
Álvaro Narciso, São Paulo
Foco em Maluf
1 - Todos, pelo menos em SP, sabem (ou pelo menos ouvem) há anos
que a fiscalização da Prefeitura é foco crônico de corrupção. Todos,
pelos menos em SP, sabem que o esquema de "loteamento" de
administrações regionais entre os partidos de situação foi levado à
sua mais baixa (diria sórdida) expressão no governo de Paulo Maluf
na Prefeitura. Por que o ex-prefeito está sendo poupado pela
mídia?
2 - Por que só agora a mídia e o Ministério Público
preocuparam-se com o problema? Por que a surdez ao "clamor das
ruas"? Será porque o prefeito é fraco politicamente e vende bastante
jornal e dá bastante Ibope?
3 - Se há corrupto passivo, há o ativo. Não haverá um pacto entre
a população e a burocracia no sentido de "deixar a lei para lá" que
a gente resolve com o fiscal??? Até que ponto a sociedade é corrupta
também?
Tem mais, mas não vai dar tempo...
Arnaldo Luís Pereira
xxx
O que acha Dines da matéria Light, da última Veja
SP, sobre a corrupção na Prefeitura de São Paulo, que em momento
algum associou os fatos ao malufismo, embora os principais
vereadores envolvidos e o Pitta sejam do PPB????
César Augusto Gilii
Pit bull
Gostaria de discutir o papel da mídia na questão relacionada às
leis contra o cão de raça pit bull. Mais uma vez surge um bode
expiatório, quando o Congresso está decidindo questões importantes
para a estrutura do país.
Renato Bueno
O fantástico CD do papa
Sei que este assunto não está em pauta, mas queria deixar
registrada minha indignação quanto à forma com que a Rede Globo,
mais precisamente a equipe de produção do programa
Fantástico, trata seus telespectadores. Domingo, dia 21, nas
diversas chamadas em que fez à matéria sobre o lançamento do CD do
papa João Paulo II, a emissora não cansou de repetir que João Paulo
II é "o primeiro papa da história a gravar um CD". Ora, diz isso
como se nos primórdios da Igreja Católica a tecnologia do compact
disc fosse exclusividade do Vaticano entre os humanos. Este é apenas
um dos tantos exemplos de como a Rede Globo se esquece de que aos
domingos, no horário nobre, não há apenas aficcionados por ficção
sintonizados naquela que tinha de tudo para ser a melhor emissora de
TV do país.
Cláudio Messias, repórter do jornal Voz da Terra,
Assis, SP
O tempo e a mídia
Pergunta para o jornalista Alberto Dines: Não seria o caso de os
veículos de comunicação darem mais destaque às fontes das previsões
meteorológicas, se eximindo de eventuais erros decorrentes das
limitações técnicas dos institutos?
Pergunta para qualquer um dos debatedores: quais os limites
éticos que devem pautar o trabalho de um jornalista esportivo, em
especial os comentaristas? Seria mais honesto com o
leitor/ouvinte/telespectador que o comentarista divulgasse o time
para o qual torce, mesmo que isso comprometa sua credibilidade, ou
deve ocultar o fato, buscando se equilibrar em uma isenção quase
utópica?
Pergunta para o jornalista Alberto Dines: Sou comentarista
esportivo em um programa de rádio AM no interior de Minas e com
freqüência debatemos a questão da (im)parcialidade no jornalismo
esportivo. Na minha opinião, o que mais agrava a situação é o fato
de os grandes eventos esportivos serem transmitidos por TVs abertas,
em especial Globo e Bandeirantes, que, sendo canais de repercussão
nacional, privilegiam bairristicamente suas praças, respectivamente
o Rio de Janeiro e São Paulo. Haveria luz no fim deste túnel? O
torcedor mineiro, ou paranaense, por exemplo, poderia um dia
acompanhar uma transmissão menos tendenciosa?
Frederico de Castro Perillo, jornalista, Lagoa da Prata,
MG
Jô discrimina a China
Para mim foi chocante e desconcertante o comportamento do
apresentador Jô Soares pela deselegância com que se referiu à China
e ao povo chinês, durante o programa apresentado 22/3, tendo a
cerimônia de premiação do Oscar como tema e Rubens Ewald Filho como
entrevistado. Quando o entrevistado disse que a cerimônia teria sido
assistida por um bilhão de pessoas, incluindo-se os chineses, o
apresentador demonstrou sua incredulidade diante deste fato, ao
mesmo tempo em que passou a exibir, diante das câmeras,
comportamento depreciativo em relação chineses, tendo conseguido
arrancar gargalhadas da platéia presente.
Evidentemente, trata-se de comportamento motivado por estereótipo
com provável origem na discriminação racial contra os chineses,
porque seria pouco provável que tal comportamento tivesse origem na
ignorância do apresentador em relação à China e ao povo chinês. Ora,
todos sabemos que a China e o seu povo são repositórios de uma das
mais ricas e antigas civilizações humanas, sem esquecer que foram os
chineses que nos legaram grandes inventos da humanidade, como o
papel, a pólvora e a bússola, por exemplo. Sem falar em outros
legados como o macarrão, a soja, a acumputura artes marciais etc. Os
princípios e as técnicas da medicina chinesa, que é milenar, vêm
sendo objetos de estudos pela medicina moderna. (...) A China é uma
das potências nucleares do mundo depois da derrocada da ex-URSS. Os
chineses tiveram as primeiras lições de tecnologia nuclear com os
franceses, porém, conseguiram chegar ao domínio de todo o ciclo da
tecnologia nuclear muito antes dos seus mestres. (...) Os chineses
já possuem, em seu arsenal nuclear, mísseis balísticos equipados com
ogivas de cargas múltiplas de última geração (por isso, os
americanos acusam os chineses de espionagem. (...)
Em poucos anos de abertura econômica, a economia chinesa vem
registrando expressivas taxas de expansão (dois dígitos), indicando
estar a caminho de se tornar uma das potências econômicas do século
21, sendo provável que venha a desbancar e substituir o Japão, como
potência econômica asiática, no próximo século. A China e os
chineses não são tão insignificantes assim, como foi insinuado pelo
deboche do apresentador. (...) Mas, penso que os apresentadores
televisivos, inclusive os humoristas, e os jornalistas, em geral,
deveriam ter comportamento ético, respeitando todos os povos, credos
e culturas, ainda que estes se apresentem exóticos, e geográfica e
culturalmente estejam muito distantes da gente. Por que os chineses
são menos do que a gente ? Será que a "descompostura" do
apresentador foi motivada pelo contágio sofrido pela proximidade com
o Ratinho, seu colega de emissora?
E. Ando, São Paulo
Programa nº 46
Omissões
Fico indignado ao assistir a este programa e ouvir os senhores
admitirem que se omitem. Hoje é claro que a corrupção está em toda
parte, convido vocês a darem uma volta pela cidade de SP, para
juntos encontrarmos casas de jogo do bicho - pelas quais policiais
passam e nada fazem; ou então encontrarmos pontos de droga, que
todos sabem onde estão e nada se faz; alguém ganha com essa
impunidade, isso é lógico. O sr. César Maia admite que sabe da
existência da corrupção, e o que fez ele no Rio? Simplesmente se
entregou ao jogo político. Fico entristecido de ser, como todo
brasileiro, humilhado e passado para trás por essa pouca vergonha
que é o jogo político.
Salve João Alves, Abi Ackel, Garnero etc. etc. Se a gente que é
povo não fala, quem fala? Pena que não adiante nada. À juíza, meus
parabéns pela coragem, mas o jogo do bicho continua no Rio.
Gil Almeida
Experiência e soberania
Tenho observado ter-se tornado uma constante nos programas da TV
os comentários quanto à baixa média de idade dos profissionais das
nossas redações. Assim como venho notando ser esse fenômeno, para a
grande maioria dos jornalistas ouvidos, um dos principais fatores da
perda de qualidade do nosso jornalismo. Mas este não é um fenômeno
verificado apenas nessa atividade. Em todos os setores, a
substituição do profissional mais experiente por jovens quase que
recém-saídos dos bancos escolares deixou de ser uma simples
tendência e torna-se a realidade. Evidente que as causas são muitas.
Salários menores sim, mulheres em lugar de homens sim, mesmo que
Dora Kramer tenha outras explicações. As empresas estão optando por
redução da folha de pagamento e utilizando-se do trabalho feminino
por ser esta mão-de-obra menos problemática com relação às
exigências salariais e de ocupação de postos estratégicos. E as
exceções apenas confirmam a regra.
Mas os prejuízos têm sido enormes - não pela incapacidade
profissional das mulheres ou dos jovens de modo geral. Perde-se a
experiência, a maturidade, o equilíbrio emocional, características
adquiridas com o tempo, com a vivência. E como isto vem ocorrendo em
todas as áreas, todos estão igualmente perdendo. Sou jornalista há
mais de 20 anos. Estive sempre ligado à comunicação empresarial,
trabalhando em empresas nacionais e multinacionais de grande porte.
Hoje mantenho uma pequena empresa, na verdade, uma figura jurídica
que me permite (a duras penas) um trabalho free-lance de
sobrevivência. Mas, com isto, estou circulando pelos bastidores de
empresas. Constato que postos estratégicos estão sendo ocupados por
pessoas cada vez mais novas. Competentes muitas vezes, mas nem
sempre. Mas na sua totalidade, pessoas sem consistência no que se
refere às relações humanas, sem experiências de vida mais profundas,
sem memória - e nem tiveram tempo para isto ainda. São pessoas
auto-confiantes ao extremo, ansiosas, precipitadas e irreverentes.
Tomam decisões precipitadas e alicerçadas em análises superficiais.
Não têm senso crítico para discernir quanto ao modismo de certas
informações, que manipulam como verdades absolutas. E isto tem
reflexo no comportamento das empresas e de seu pessoal.
Sangue novo, disposição para o trabalho, destemor diante de
desafios são importantes, e os jovens têm de sobra. Mas o ponto de
equilíbrio tem faltado. Os profissionais mais experientes estão
sendo alijados das decisões, quando não do próprio mercado de
trabalho. E, como Percival de Souza, partem para outras atividades.
Isto tem ocorrido não só com jornalistas. De forma alguma posso
fazer campanha contra a presença dos jovens no mercado de trabalho.
Mas fico preocupado quando vejo instituições financeiras -
públicas e privadas - comandadas por jovens executivos. Quando vejo
nas TVs e jornais jovens impulsivos na vanguarda da nossa
Justiça.... Assusta-me ver jovens repórteres de TV e jornal emitindo
opiniões apressadas e impensadas, travestidos de Paladinos da
Justiça, defensores do Bem, quase super-heróis. Outros, menos
sinceros, fazem disto seu marketing pessoal, com implicações bem
mais funestas.
Sinto saudades de um Carlos Castello Branco, de um Nelson
Rodrigues, de um Sérgio Porto (há muitos outros). Jornalistas com
bagagem profissional, cultural e de vida pouco encontradas hoje.
Sérios, polêmicos, irreverentes, mas responsáveis, cientes do poder
da mídia e das conseqüências das inconseqüências profissionais.
Seguir-lhes o exemplo é válido. Falta explicar o quanto esses e
tantos outros nomes ilustres do nosso jornalismo viveram a vida e a
sua profissão. Muito mais do que ocupar lugar no mercado de trabalho
(merecido, sem dúvida), essa onda jovem está assumindo a
responsabilidade de formar opinião pública, direcionar gerações,
alterar hábitos e costumes, criar uma nova cultura. A sociedade que
não valoriza a sabedoria de seus membros mais idosos, não dá
importância devida ao passado dessas pessoas, não se interessa pelas
suas próprias origens com toda a certeza não saberá se preparar para
o futuro. Viverá à mercê de influências externas, não terá
personalidade, não terá soberania para decidir.
Certamente, estudar este fenômeno com mais profundidade não é
função da Imprensa, cabe aos nossos sociólogos e antropólogos. Mas
denunciar esta distorção sim. Cobrar o estudo, sim. Só para
terminar, e como curiosidade, o único setor da sociedade não afetado
pelo fenômeno é a política. Já perceberam isto? Os velhos políticos
continuam no comando dos partidos, nos cargos públicos, à frente do
nosso legislativo. E por um outro fenômeno que igualmente merece
estudos, os jovens que assumem a vida pública, em pouco tempo,
comportam-se exatamente como seus colegas mais velhos. Neste campo,
o sangue novo não predomina, ao contrário, contamina-se. Um processo
de aculturamento inverso ocorre. E, infelizmente, também aqui
ficamos sem o tão desejado ponto de equilíbrio.
João Carlos Schlederm, São Bernardo do Campo, SP
Cariocas vs paulistas
Pergunta para o jornalista Alberto Dines: Será que a imprensa
carioca, ao rivalizar provincianamente com a paulista, refletindo a
disputa entre os estados, não oculta, involuntariamente, os
problemas do Rio, tornando-se cúmplice de sua decadência?
Pergunta para qualquer um dos participantes: A eleição de um
governador (Anthony Garotinho), radialista, que conhece bem a mídia,
pode ajudar na reversão deste quadro de esvaziamento da imprensa
carioca?
Pergunta para o jornalista Alberto Dines: A suposta decadência da
imprensa e da economia carioca é um fenômeno particular ou afeta
todos os outros estados, em especial, o meu, Minas Gerais,
confirmando desta forma a supremacia absoluta da economia e o poder
da imprensa paulistana? Até que ponto esta soberania de SP é nociva
aos interesses do cidadão brasileiro?
Frederico de Castro Perillo, jornalista, Lagoa da Prata,
MG
xxx
Assisti ao programa de 16/3 e gostaria de fazer algumas
observações em relação ao que se discutiu relativamente à
predominância da mídia de São Paulo sobre a do Rio de Janeiro.
Várias razões para essa concentração foram apresentadas durante o
programa, com destaque para aquelas relacionadas ao mercado
publicitário paulista e à pujança econômica daquele estado,
argumentações válidas, evidentemente. Porém, não decisivas.
A partir da abertura democrática, com a permissão de eleições,
inicialmente para governadores e, posteriormente, para presidente da
República, foi possível observar uma clara distinção das opções
politico-ideológicas entre o eleitorado fluminense - mais à esquerda
- e o paulista - mais conservador. Em 1982, o Rio de Janeiro teve a
petulância de eleger para o governo do estado o Sr. Leonel Brizola,
àquela altura a figura mais conflitante com o regime militar. Em
1989, o Rio de Janeiro votou maciçamente para presidente da
República em Brizola no primeiro turno e em Lula no segundo turno,
contra o candidato do poder econômico (Globo inclusive) Collor de
Mello, que obteve expressiva votação em São Paulo. Mais uma vez, o
eleitorado do Rio mostrou rebeldia em relação ao poder econômico,
que controla a mídia, e nadou contra a correnteza do sistema. Em
1994, mesmo sob o impacto do Plano Real e a comoção da intervenção
militar nos morros da capital para "combater o descalabro da
violência no estado", o Rio de Janeiro ofereceu polpudos índices
percentuais de votos ao candidato da esquerda, Lula, contrariando,
mais uma vez, o projeto político elaborado pelas elites econômicas
do país que queria impor Fernando Henrique, para o que trabalharam e
investiram. Mais uma vez, São Paulo depositou seus votos no
candidato do sistema, garantindo a continuidade do neoliberalismo,
iniciado por Collor e radicalizado até hoje pelo presidente
reeleito.
É preciso registrar que São Paulo elegeu nessas duas últimas
décadas figuras como Jânio Quadros e Maluf, com apenas um rompante
de esquerdismo com Erundina. O PT, apesar de nascido no ABC
paulista, não conseguiu, à exceção de Erundina, emplacar outras
figuras em cargos de governador e prefeito. Poderíamos tomar também
os números das eleições de 1998, com o Rio elegendo, mais uma vez,
um candidato de coligação das esquerdas.
Não falemos da eleição para presidente, pois seus resultados já
vêm sendo qualificados como ilegítimos por figuras respeitáveis como
Carlos Heitor Cony, Mino Carta, entre outros, que os caracterizam
como estelionato eleitoral. Mesmo assim, Lula teve novamente no Rio
de Janeiro grande quantidade de votos, ao contrário do que ocorreu
em São Paulo. Filme repetido.
Coincidiu com esse desenrolar de votações dos cariocas na
esquerda e dos paulistas com a direita um gradual movimento de
transferência - forçada - da formação de opinião para São Paulo,
posto que é muito mais interessante aos formadores de opinião
propagar para o resto do país um perfil paulista, mais conservador e
afinado com o jeito neoliberal de ser, do que espelhar a filosofia
do carioca mais contestadora, cosmopolita, questionadora e, como os
números das eleições demonstram, sempre pendente para linhas
ideológicas mais à esquerda. Em 1989, quase o Rio de Janeiro, junto
com Rio Grande do Sul, principalmente, muda os planos dos donos do
Brasil e impõe um candidato progressista ao país.
A decadência de empresas jornalísticas com JB e Manchete tem a
ver com má administração. Isente-se o Rio de Janeiro desses fiascos.
Lamente-se muito o fechamento da rádio Jornal do Brasil AM, marcada
na história da redemocratização do Brasil quando ajudou a
desmistificar o escândalo da Pró-Consult. A Rede CBN passou a ser
ancorada em São Paulo, onde há concorrentes como Eldorado,
Bandeirantes, Jovem Pan. No Rio de Janeiro, com o fim da JB AM, a
emissora do sistema Globo atua sozinha no segmento de rádio 100%
jornalística.
O movimento da mídia para São Paulo é, antes de mais nada, um
projeto ideológico de fazer predominar o pensamento único
neoliberal, com o qual o paulista está afinado. Obviamente que
tratamos de estatísticas. Logo, nem todo paulista é de direita e nem
todo carioca de esquerda.
"Manter um jornal em circulação custa muito dinheiro", disse o
Dr. Barbosa Lima Sobrinho. Imagine-se manter um rede de TV.
Conclui-se que só rico pode ter TV, jornal ou rádio. E rico é
neoliberal. Portanto, que o país pense como os paulistas e imagine o
carioca apenas como um exemplar exótico. É nisso que a mídia, mera
ramificação do poder econômico, trabalha. Parabéns pelo
Observatório.
Gilmar Ribeiro, Petrópolis, RJ
Mulher
Quando se diz que o público e o leitorado feminino é tratado com
superficialidade e com intenções meramente comerciais não seria o
caso de atribuir boa parte da culpa às próprias mulheres que,
afinal, se constituem na grande maioria nas editorias de cadernos
ditos femininos?
Frederico de Castro
Perillo
xxx
Pergunta dirigida a Miriam Leitão ou Dora Kramer: na 'guerra'
pela notícia, pelo furo, pela boa informação, as jornalistas do sexo
feminino levam vantagem em relação aos jornalistas homens pelo
simples fato de serem mulheres, ou seja, pela facilidade de trânsito
entre fontes masculinas, que são maioria no meio político?
Pergunta para Paulo Markum: em seu ponto de vista, a imprensa
abordou de forma adequada o chamado Dia Internacional da Mulher,
contextualizando a data, apontando os avanços e retrocessos do
feminismo, debatendo seriamente a questão da mulher neste final de
século ou também ficou na superficialidade comercial das outras
datas comemorativas como dia das mães etc.?
Frederico de Castro Perillo
xxx
Seria interessante abordar o constante crescimento do número de
mulheres que conseguem aprovação em concursos públicos de alto
nível, como o de juiz em São Paulo. No último, as mulheres
conseguiram mais de 50% das vagas e ainda ficaram nas primeiras
colocações. Nestes concursos as mulheres mostram que, quando
concorrendo sem discriminação, conseguem alcançar postos importantes
que antes eram essencialmente ocupados por homens.
Cleonice Aparecida Silva
Pinto
xxx
Excelente programa! Parabéns! A introdução do tema de hoje foi
especialmente feliz: concisa, direta e abrangente sem se estender
muito. Considero um sério problema a forma como a TV trata
especialmente as mulheres desportistas: toda reportagem sobre uma
mulher que atingiu o sucesso no esporte sempre começa da mesma
forma: "Fulana de tal é fera na quadra (ou na piscina ou no tatami),
mas não deixou de ser feminina: gosta de usar batom, etc. etc." Ora,
o que os hábitos de beleza normais para a maioria das mulheres têm a
ver com a carreira e a profissão das desportistas? Este tipo de
abordagem é uma tremenda falta de consideração ao trabalho das
atletas; isto desmerece seu esforço.
Liza Meller
xxx
A questão não se fixa somente na discriminação contra as
mulheres, mas sim um total desrespeito com todos indivíduos pela
banalidade que diariamente é vinculada na mídia, e com uma grande
parte de uma imprensa trabalhando em prol da desinformação do povo:
da parte das mulheres com cadernos e matérias banais, e da parte dos
homens com 10 páginas de futebol e 1 de economia, política,
cotidiano etc. Parabéns à TV Cultura, que ainda nos dá o prazer de
ligar a televisão e adquirir informação e dicernimento de assuntos
realmente interessantes, e realçando o real papel da
imprensa!!!!!
Rodrigo Antunes,
Londrina, PR
xxx
Parabéns pelo programa. Quanto ao tópico de hoje, vejo dois
problemas. O primeiro vem do fato de fotógrafos e cameramen serem em
sua esmagadora maioria homens, o que acaba causando uma forma
masculina de observar o mundo. Outra questão é o fato de como a
mulher atleta ou esportista é tratada pela mídia, sempre com textos
como "A campeã fulana não perde a feminilidade", seguido (na TV) de
cenas em câmera lenta da atleta com uma música MPB suave como fundo,
ou seja, a mulher é tratada de forma diferenciadamente machista pela
mídia.
Alex Moura, Rio de
Janeiro
xxx
Para que não se cometa injustiça neste debate, fato que seria,
com certeza, uma raridade partindo de vocês, lembrem que emissoras
de TV como a Cultura constantemente discutem as questões
relacionadas à mulher. Não apenas no Dia Internacional da Mulher.
Hoje mesmo, antes do programa de vocês entrar no ar, o jornalismo da
TV Cultura voltava a falar sobre o tema. O mesmo aconteceu ao
meio-dia no 60 Minutos. E assim será durante toda esta semana
e sempre que houver assuntos relevantes a serem tratados sobre a
mulher (e como tem?). Puxando a sardinha para o meu lado: lembro que
hoje, mesmo depois do Dia Internacional da Mulher estivemos
debatendo o assunto no CBN – Edição Nacional, programa da CBN que
vai ao ar das 17h às 19h. Amanhã voltaremos a falar sobre os
direitos da mulher. Ou seja, jamais pretenderemos limitar o assunto
"Mulher" ao dia 8 de março. Parabéns pelo debate.
Milton Jung
Jornalistas salvam condenado à morte
Li a matéria no JB, achei boa mas com poucos dados, aí
assisti ao OBSERVATÓRIO na TVE, achei que a discussão foi
boa. No sábado pesquisei na Internet, puxei o jornal (um dos quatro)
da universidade americana. Na Hélio Alonso solicitei a tradução dos
artigos a uma amiga. No nosso jornal (Fala Vladimir, do DCE
Vladimir Herzog, das Faculdades Integradas Hélio Alonso) será
transcrita a matéria do JB. Na próxima edição espero ampliar
a informação com as traduções. Estamos tentando equilibrar prática
com fundamentos e ética.
Geraldo Araújo de
Castro
Cadernos culturais
Peço novamente um programa sobre a editoria dos cadernos
culturais e a ética que os coordena, pois alguns entrevistados nunca
caem de moda, usando todos os meios para não cair. Isto influencia
novas gerações, que desconhecem o currículo ético dessas pessoas.
Sou um leitor ardoroso de Adorno, que acho um profeta para
entendermos os mitos de cristal criados depois dos anos 50, que
servem apenas para vender falsos produtos e personagens.
Eric Ponty
Entrevistas
Caro Alberto Dines, pela primeira vez entrei neste site, e ainda
não estou familiarizada com todas as possibilidades que ele oferece.
Gostaria de saber se estão disponíveis as entrevistas veiculadas
pelo programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, exibido semanalmente
na TV Cultura. Como assinante do JB, continuarei a ler sua
coluna aos sábados, mesmo discordando de algumas opiniões.
Beth
Nota do O.I.: Os compactos de todos os programas estão
disponíveis em http://200.18.184.210/video.htm.
Veja também
Compactos dos programas
O. I. na TV
|
|