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OBSERVATÓRIO NA TV

 

Edição de Marinilda Carvalho

Amigos, esta seção está crescendo. Nas próximas semanas, será definitivamente linkada (ou remetida automaticamente) à página do Observatório da Imprensa TV. Passam a sair aqui os artigos veiculados na mídia relacionados a Qualidade na TV – tema de crescente interesse para quem faz e quem assiste ao programa de Alberto Dines.

Outra novidade: todas as mensagens enviadas ao programa e não-respondidas no ar, por impossibilidade técnica ou falta de tempo hábil, ficarão neste espaço, abaixo dos artigos.

Será um desafio interessante para o O. I. Online dar retorno ao telespectador do programa. Isto é que é um canal de mão dupla, realmente interativo!

OBSERVATÓRIO NA TV

TVE e TV Cultura, terças-feiras, 22h30

Você pode participar ao vivo

DDG: (0800) 216-689
Fax: (021) 221-0566

E-mail: obstv@tvebrasil.com.br

Videoconferência: veja instruções em http://200.18.184.210/participa/participe.htm

 

23/3/99
Panelas, marketing e
jornalismo descartáveis

Alberto Dines

O número de jornais impressos vem diminuindo em todo o mundo. Por isso, no momento em que na maior cidade brasileira é lançado um novo jornal só podemos nos alegrar. Mas será que devemos nos alegrar mesmo? Veja por exemplo este comercial.

Qual é exatamente o produto que está sendo lançado? Panelas importadas ou um novo jornal para defender os interesses da população de baixa renda? Mas o pior é que este não é o primeiro caso de lançamento de um veículo popular atrelado a um concurso de panelas. A moda começou aqui, no Rio de Janeiro, há menos de um ano, quando foi lançado o Extra, do grupo Globo. Acontece que o jornal lançado ontem nas bancas, o Agora S. Paulo, é do Grupo Folhas, adversário encarniçado do grupo Globo.

Este o grande problema. Os grupos jornalísticos se enfrentam e se digladiam em matéria política, mas comportam-se de maneira idêntica perante o público. Agem dentro dos mesmos princípios. Com o mesmo desprezo pelos seus compromissos sociais. A competição jornalística no Brasil não está criando diversidade, nem alternativas. Em vez de estabelecer novos padrões, reforçam-se as experiências anteriores. Não porque são boas, mas porque deram certo. Esse marketing de resultados está criando um jornalismo descartável. E se o processo avança como promete, breve o Quarto Poder será representado não por uma pena ou um teclado, mas por uma bateria de panelas. Então será difícil mudar sua imagem.

(*) Editorial do programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA NA TV nº 47, de 23/3/99

PARA COMEÇO DE CONVERSA
Editoriais de A.D. na TV

Folha não convive
com a divergência
(*)

Quem movimenta a sociedade? Quem alimenta a sociedade com informações para que ela faça os seus juízos? No regime democrático esse papel cabe à imprensa. Ela reflete a opinião pública e ao mesmo tempo deve acioná-la.

Os meios de comunicação gozam de um status especial: na sua maioria são propriedade de empresas privadas, mas a sua atividade está garantida pela Constituição. Portanto, além dos balanços financeiros para os acionistas os veículos têm contas a prestar a sociedade. Se o país é democrático a mídia deve comportar-se democraticamente, admitindo a crítica e as divergências. Mesmo quando ocorrem dentro da própria mídia. Se a imprensa adota comportamentos arrogantes e violentos, ela os consagra e acaba por convertê-los em paradigma. A Folha de S.Paulo demitiu na semana passada um dos seus articulistas sob a alegação de que havia publicado "inverdades" na edição on line do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA e também porque o articulista "alimentava divergências" com a direção.

Ora, uma inverdade contesta-se com a verdade. E alimentar divergências é próprio da democracia. A Folha, como empresa privada, tem o direito de escolher os seus métodos. Este programa, porque é uma prestação de serviço à cidadania, manterá os seus compromissos de tratar todos os veículos de forma igual. O assunto encerra-se aqui. A partir de hoje, temos uma nova Observadora: Lúcia Abreu, que começou como repórter de O Globo e depois ancorou diversos telejornais na Rede Manchete.

(*) Editorial do programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA na TV nº 46, 16/3/99

Todo dia é
dia da mulher (*)

A mulher esteve muito presente nas primeiras páginas dos jornais, nas capas das revistas e nos programas de TV. Parecia que enfim chegamos ao paraíso do equilíbrio entre os sexos. A explicação é simples: ontem, segunda-feira, foi o Dia Internacional da Mulher. Mas hoje, terça, a mulher foi expulsa do noticiário. Voltou aos cadernos femininos. O problema das efemérides é que depois da festa volta tudo ao que era. No próximo domingo ou sábado à noite, para atrair a leitora e telespectadora, os jornais e telejornais voltarão a apresentar aquilo que pensam ser o chamariz para atrair o público feminino – gente famosa, milagres médicos, trivialidades e abobrinhas. Essa é uma distorção que começa na mídia e termina no cotidiano da nossa sociedade: a mulher-leitora ou telespectadora ainda é vista como incapaz de se interessar pelos assuntos ditos sérios que interessam aos homens. Nesse Dia Internacional da Mulher ficou evidente também que os homens continuam na Idade Média – só se interessam por certas mulheres, certos ângulos de certas mulheres. Ou pelo que certas mulheres têm a contar sobre o que fizeram com certos homens. Apesar de alguns avanços dentro das redações, onde as mulheres hoje desempenham papel destacado, a mídia ainda é basicamente machista.

(*) Editorial do programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA na TV nº 45, 9/3/99

CARTAS
Programa nº 47
Dines e a Folha

Carta para Alberto Dines e Renata Lo Prete (ombudsman Folha de S.Paulo). Sou brasileiro, 27 anos, e, apesar de não ter formação superior, sou bem-informado. Bem-informado? Descubro, lendo sua coluna no Jornal do Brasil, que o senhor foi demitido da Folha de S.Paulo. Não tenho o dom da escrita como vocês bons jornalistas, por isso tentarei expressar minha indignação da melhor maneira possível. Eu leio, quando posso: CartaCapital, Jornal do Brasil, IstoÉ, Veja, Folha de S.Paulo, Época e O Globo.

Em 1988, a revista Veja vendeu ao Brasil a informação de que Fernando Collor de Mello era um caçador de marajás. Venceu a eleição do ano seguinte... No começo de 1998, previa-se uma crise igual à da Ásia no Brasil, entre junho e agosto do mesmo ano. Ela começou em setembro, mas foi "mantida" quase oculta... Fernando Henrique Cardoso foi reeleito... Estes são só dois exemplos.

Será que eu e outros milhares de pessoas que lêem algumas das publicações acima mencionadas são bem-informadas? Estupefato, leio na mesma nota que o senhor teve sua coluna censurada pela Folha, ano passado, pouco antes das eleições. Como um jornal que há 79 anos tenta explicar este país censura um texto de seu colaborador, além de não distribuir o mesmo para os outros jornais dos quais ele também é colaborador?

Uma amiga está se formando em Jornalismo no final deste ano. Em uma de nossas várias conversas, ela soltou a seguinte "pérola": "Ora, você acha que a imprensa é livre para investigar, que o editor vai deixar passar alguma notícia que possa causar problemas para alguns políticos que conhecem o dono do veículo?... Você não viu o Quarto Poder?"

Será que podemos comparar o jornalismo a tudo que não funciona neste país? A violência não diminui porque a polícia é corrupta. Os serviços públicos não funcionam porque as pessoas são corruptas e incompetentes. O país não funciona porque não se tem ordem na casa (Congresso Nacional). Será que o jornalismo é isso? Nos informa somente o que é do seu interesse? Interesses esses que fazem com que jornais como a Folha, do qual sou assinante, e que ajudava a formar a minha opinião quanto às questões do Brasil e do mundo, censurem os textos de seus colunistas.

Senhor Alberto Dines, sou grato ao senhor pelo OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Espero que o programa não deixe de existir. Para a senhora Lo Prete, desejo realmente sua manifestação quanto a este assunto. A Folha perdeu a credibilidade comigo. Eu não sou nada para vocês, apenas mais um leitor, e não um empresário de elite formador de opinião, mas serei um leitor a menos deste periódico. A Folha, assim como O Estado de S.Paulo, censuram textos de seus colunistas, são máquinas da ditadura em constante manutenção... Ditadura e censura continuam, em um país onde até hoje nada se fez de concreto contra a seca do Nordeste, mas que ostenta a segunda maior frota de aviões particulares do mundo...

Marcos Renkert, Rio de Janeiro

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Fala-se muito em liberdade de imprensa, mas, na realidade que existe mesmo é a liberdade das empresas proprietárias dos jornais, televisões e rádios. Prova disso está no que ocorreu com o nosso caríssimo Alberto. Os jornalistas somente são livres para pedir demissão ...

Luís Carlos

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Foi uma perda muito grande a saída de Dines da Folha. Faço jornalismo na PUC-Minas e estou muito desanimada com o campo de trabalho. Se Dines, que é um profissional renomado, perdeu seu emprego, o que será de nós?

Stefania Ribeiro Alves

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Creio que não é a primeira vez que a própria imprensa comete uma injustiça com você. Estamos passando por um momento muito complicado em relação ao processo de comunicação de massa. Alguns bons profissionais estão fora do mercado, outros se acham, ou melhor, se intitulam "jornalistas" e passam mensagens que chamam de "matérias". Na medida em que perdemos oportunidades (raras) de ler bons artigos de profissionais comprometidos com a comunicação real dos fatos e com as mudanças dessa sociedade, deixamos de refletir e questionar as coisas que estão movendo essa nação, essa gente.

Vale ressaltar que a importância da formação de um bom profissional não passa, apenas, pelo conhecimento acadêmico, mas, sobretudo, pela experiência, pela vivência, pelo dia-a-dia, pelo saber fazer e compreender o papel da imprensa na sociedade. Parabéns pela importância do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Afinal, não estamos lendo mais jornais como antes!! Nem estamos assistindo à TV como antes, nem ouvindo rádio como antes...

Teresa Leonel, Recife

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Sou calouro do curso de direito na Unesp, em Franca, e há cerca de quatro meses venho acompanhando o site e o programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Desde então, descobri essa ilha de informação e crítica da imprensa brasileira. Gostaria de manifestar aqui o meu profundo respeito e admiração por jornalista Alberto Dines que, a meu ver, tem carreira brilhante e consegue se manifestar de maneira imparcial e precisa. Fiquei muito impressionado com sua demissão da Folha, visto que considerava este um jornal de grande confiabilidade e qualidade. Gostaria de saber em qual outro órgão de imprensa, excetuando este OBSERVATÓRIO, Dines escreve.

Walter Noronha

Nota: Dines está escrevendo aos sábados na página de Opinião do JB.

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Caro Dines, admirador do seu trabalho, sinto-me desinformado sobre as razões que levaram ao seu afastamento da Folha. Naturalmente, é sua ética, e não a modéstia que o impede de reconhecer que, agora, a notícia é você, meu caro. Como leitor e telespectador do OBSERVATÓRIO venho reclamar esclarecimento sobre o fato. Seguramente, há milhares de outras pessoas querendo o assunto na pauta do OBSERVATÓRIO.

Rogelio Casado, Manaus

Nota: O esclarecimento completo está no OBSERVATÓRIO online, em <www2.uol.com.br>

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Caro Dines, receba minha solidariedade. É no mínimo discutível a forma como o ocorreu sua demissão da Folha. Gostaria que comentasse no programa o fato de o jornal que se gaba de ser o mais "pluralista, imparcial e independente" da grande imprensa estar envolvido em episódios como este, que levam ao questionamento de sua conduta e de sua linha editorial.

Jorge Ribeiro Neto, jornalista, Indaiatuba, SP

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É louvável que os senhores tenham preocupações com o que as TVs abertas estão colocando no ar. Há muito lixo é óbvio. Lembrem-se, vamos discutir em um nível aceitável, deixamos de lado a causa particular de atacar a tudo e a todos. Refiro-me ao Sr. Augusto Nunes, não o conheço, mas acho-o muito preconceituoso com suas colocações. Se ele foi criado em ambiente cultural abastado, ótimo, mas por questões de justiça não deve discriminar a quem quer que seja. Se existem programas ruins é por que há público para vê-los.

Conclusão: há que se tomar medidas, claro e louvável, agora, vamos instruir a população, "malhar" não resolve o problema, defender pontos de vista preconceituosos, racistas etc. muito menos. Lembrem-se de que a TVE é um órgão governamental, os que lá trabalham são servidores públicos ou recebem pelo erário. Por que não aproveitar o espaço para debates de assuntos mais justos, instrutivos e de interesse geral, não apenas aqueles que interessam a poucos "intelectuais", que, volto a enfatizar, primam (nem todos é claro), pelo preconceito às classes de menor nível de instrução e condições de vida? Vamos mostrar e dar à população um serviço público de qualidade, e não utilizar seu veículo de comunicação para o debate que deve ser efetuado em lugar próprio, o Congresso nacional.

Jorge José Povala, Brasília, DF

A força da denúncia

Será que a imprensa não perdeu sua força em relação a denúncias? Vejamos os casos de políticos que estão sendo empossados, mesmo sabendo que são corruptos. A imprensa notícia tantas banalidades que perdeu a força que tinha, ou será que os políticos são cada vez mais caras-de-pau e não estão nem aí para o que é veiculado pela imprensa?

Cristina Barbosa

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Primeiramente gostaria de parabenizá-los pelo excelente programa. Sobre a mídia e a denúncia, através de matérias investigativas ou não, acredito que a partir do momento em que um fato passa a ser muito divulgado, "rendendo" pautas e pautas para um veículo de comunicação, estendendo-se exaustivamente, mesmo que traga a cada abordagem algo de novo, os próprios jornalistas acabam por encerrá-lo, acreditando que tornou-se cansativo tanto escrever como ler sobre esse determinado fato.

Será esse o papel da imprensa? Quem sabe no país tudo não seja demasiado lento, fazendo com que se demore a obter a solução tão desejada? Não seria papel do cidadão cobrar uma agilidade maior dos órgãos competentes no que diz respeito às soluções, e da imprensa no que diz respeito às informações e à pressão?

Henry Milléo, jornalista, Ponta Grossa, PR-

Sociedade vs TV Zôo

A atitude da TV Globo que divulgou em detalhes como a Polícia Federal fez para localizar os seqüestradores e o dinheiro, foi tão danosa quanto a sugestão do Ratinho, que propôs um 0900. Apresentar suspeitos como culpados, ensinar a seqüestrar são ações que estimulam o seqüestro. A atitude do Ratinho é lastimável, pois transforma qualquer um em seqüestrável, a atitude da Globo transforma qualquer marginal em seqüestrador profissional. Casos de seqüestros, crises, como chamam os técnicos, exigem postura profissional da imprensa. A polícia também não pode embarcar repórter em helicóptero para acompanhar o estouro de um cativeiro; repórter não pode interferir. Aliás, no passado até os repórteres se ofereceram para serem trocados por reféns, situação muito mais grave que o deslize atual do Ratinho. O Ratinho tem uma desculpa, é seu gênero de ignorante, bronco, não é considerado uma elite. A Globo, 4ª maior rede de TV do mundo, influencia muito mais, pois é considerada elite, formadora de opinião.

César, Curitiba, PR

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Concordo plenamente com aqueles que discutem a má qualidade das notícias. Lamentável! Esta é a parte ruim da imprensa, que mancha a imagem daqueles que ainda têm respeito pelo leitor/telespectador. Podemos destacar a TV Cultura, com sua programação digna, na qual nós brasileiros somos valorizados como cidadãos.

Simone, São Paulo

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A democracia supõe participação do povo, e tem na imprensa ética e fiel à verdade seu principal canal de conhecimento e controle. Mas se esta imprensa passa fatos que lhe convêm ou dá enfoque diferente ao que realmente acontece, buscando construir artificialmente a opinião pública, não se torna ela a maior ameaça à democracia e ao próprio estado de direito? Não seria o caso de se desenvolver algum mecanismo de controle da imprensa e da mídia escrita e televisada para resguardar os outros direitos fundamentais constitucionais, além da liberdade de imprensa como derivada da liberdade de expressão?

Bruno Leite de Almeida, Rio de Janeiro

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Toda a sociedade participa do espetáculo da notícia - desde o repórter que pergunta à mãe que teve o filho cruelmente chacinado o que ela está sentindo até a mãe que, mesmo transtornada, esforça-se visivelmente para arrancar dos olhos aquelas lágrimas que, naquele momento, não querem vir.

Guacira Sampaio Rocha

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Acho que estes últimos acontecimentos amplamente investigados e divulgados pela mídia e maciçamente apoiados pela população, já absolutamente esgotada e indignada com o descaso em relação ao dinheiro público, provam que o caminho está certo e não deve ser desviado sob hipótese alguma. Ao contrário, não podemos deixar esse esforço ser em vão. Como foi dito no programa pela maioria dos presentes, a mídia vem aglutinando forças populares, empresariais e governamentais no sentido de mudar uma situação de podridão que vem envenenando nossa sociedade há várias décadas. Isso demonstra o poder que esse conjunto apresenta, podendo inclusive enfrentar obstáculos mais difíceis, como foi citado pelo jornalista Milton Jung: a sociedade coesa, apoiada pelos veículos de comunicação também unidos aos mesmos propósitos é, com certeza, muito mais forte do que qualquer megavilão político. Espero que possamos virar esse milênio com uma nova sociedade fundamentada em princípios éticos e exercendo, de uma vez por todas, a nossa plena cidadania.

Lucia Beatriz Chaimsohn

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É um absurdo o que a IstoÉ aprontou: culpou a própria mulher do Wellington pelo seqüestro (ou pelo menos insinuou). Merece um severíssimo processo do casal e punição do governo.

Antonio Fernandez, São Paulo

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Meu nome é Arnaldo Hase, tenho 22 anos e sou jornalista. Toda a história do seqüestro de Wellington é muito mal contada. O fato de o irmão da dupla famosa ter sido libertado num domingo, sinceramente, causa-me muito estranhamento. Mais medíocre ainda, mas totalmente esperada, foi a cobertura de Globo e SBT. Claro, isso só existe porque nossa educação é um caos e isso vende. Se tivéssemos um povo politizado, preocupado realmente com os rumos desse país, que anda mal das pernas, a dimensão de casos assim seria bem menor.

Agora, não dá pra confundir, nem de longe, o Ratinho com o que chamamos de imprensa. Essa falta de informação mancha nossa profissão, mas temos que deixar claro como água que jornalismo é uma coisa, e freak show é outra. Mas Ratinho, deixemos claro, é uma extensão do Notícias Populares. Em minha opinião, nada disso pode ser confundido com jornalismo. Talvez tudo seja reflexo de que, como temos uma história até certo ponto recente de liberdade de imprensa, temos uma população despreparada para usá-la em todos os sentidos. Mas é um problema de amplitudes tão grandes que peço a todos na mesa que dêem sua opinião.

Arnaldo Hase, Ponta Grossa, PR

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Tive a grata satisfação de assistir ao programa, especialmente à discussão com Pedro Simon. Gostaria de saber quais as ONGs citadas pelo jornalista Milton Jung que estão procurando mobilizar a sociedade civil para um controle social da mídia. Acho extremamente importante a mobilização para conscientizar a população através das instituições formadoras de opinião pública (especialmente escolas, APMs, igrejas, sindicatos etc.) para formar opinião e exercer pressão sobre o Congresso. Acho que seu programa e site poderão ter papel decisivo nisso, e gostaria de me colocar à disposição para discutir tecnologia e métodos de ampliar seu alcance, e desta forma ampliar o debate e a participação nessa questão, que considero a mais fundamental de todas que estão colocadas na pauta política deste ano.

Sergio Storch,

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Antes de mais nada, obrigado por vocês existirem. Gostaria de saber - já que, em minha opinião, num país de ratinhos, leões, tchans e outros bichos pouco resta a fazer pela cultura televisiva brasileira - o que aconteceria com nossa política, caso a mídia televisiva desse a mesma ênfase que deu ao seqüestro do irmão desconhecido da dupla famosa ao seqüestro do patrimônio público brasileiro via privatizações fraudulentas, viciadas e impatrióticas. Obrigado e um abraço a todos e em especial ao Dines, um grande profissional.

Paulo Rubini, Colatina, ES

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Gostaria de saber o que vocês acham de as autoridades competentes procurarem proibir a exibição de notícias sérias em programas apresentados por pessoas que não têm formação jornalística, para barrar este sensacionalismo barato que invade diariamente nossas casas. Gugu, Ratinho, Faustão, Leão etc. deveriam ser proibidos de exibir notícias em seus programas, e mais ainda de comentá-las.

Jailson Rodrigues de Sousa, estudante de Filosofia, Ceará

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A crise da mídia impressa ou eletrônica é a crise da ética. Desde que o marketing elegeu o consumo de massa depurou a mensagem pelo sentido estético. Um estético cada vez menos condutor, mais volátil pela maioria da audiência, consumo e/ou do Ibope. A máxima diz: "A maioria é burra"... e a conclusão é óbvia. Mas não só a mídia está em crise, e nem só por ela vivenciamos uma crise. A crise ética também é, senão principalmente, política.

William Silveira

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O comportamento da imprensa em direção ao sensacionalismo é resultado da pobreza cultural e de valores humanos da sociedade ou o sensacionalismo leva a um aumento da pobreza cultural e de valores? Isto vale não só para o Brasil, mas também no mundo, neste final de século?

Adriana Abelhão, São Paulo

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O tratamento que a mídia dá a acontecimentos sérios demonstra o nivelamento por baixo que esta quer dar aos brasileiros. Sobre as leis de fiscalização do papel da televisão na sociedade, não existem devido aos interesses dos grandes grupos que controlam a política nacional. Saudações históricas.

Cesar Batista

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Em minha opinião, a degradação da imprensa é reflexo da cultura do próprio povo brasileiro, que valoriza o sensacionalismo, e que atualmente é explorado pela maioria dos meios de comunicação em busca de maiores índices de audiência.

Paulo Soares, São Paulo

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Deve ser revista a liberdade de imprensa. Confunde-se ainda hoje o que se discutia poucos anos atrás. Os consumidores de informação, em sua grande maioria, não estão aptos a assimilar e separar informações consideradas podres. A Lei de Imprensa deve ser revista novamente, sem lobbies e se possível plenamente imparcial.

Luís Antônio Venâncio

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Por que o seqüestro de quem quer que seja pode interessar a um cidadão comum? Tenho sérias dúvidas se esses seqüestros não são realizadas pelas empresas de comunicação, pois elas não têm coragem de colocar no ar as verdadeiras notícias. Em síntese, todos se aproveitaram desse seqüestro e de todos os fatos banais (bom lembrar o nascimento da Sasha) para mascarar as verdadeiras notícias. O que acontece então? Quando o Ratinho (na sua inocência burra!) escancara essa realidade sem saber, os jornalistas cultos (ou aqueles que se acham de vanguarda) o criticam, enquanto se preparam para fazer uma matéria sobre o bebê que fala com formigas ou o seqüestro de quem quer que seja.

Por que toda a imprensa não se critica (inclusive a TVE, apesar de estarem fazendo uma belíssima análise sobre o assunto) e começa a fazer uma análise mais crítica do que realmente afeta a sociedade, falando a verdade sobre o PC, os precatórios, os fiscais de SP, os interesses do ACM? É a hipocrisia criticando a burrice... É uma pena!

Ricardo Schuck Rocha, estudante de Relações Públicas da UFRGS

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Quanto ao programa do Ratinho, vejo-o como uma projeção do que a imprensa vem fazendo com o povo brasileiro, pois em vez de informar (o que seria nada mais do que a sua obrigação) está desinformando. Aquilo é uma das diversas formas de exploração da ignorância do povo. Como aquilo, existem vários, basta assistir TV no domingo. O Oscar não me deixa mentir...

Edson Filho

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Não é possível fazer uma lei que proíba programas de entretenimento de fazer coberturas jornalísticas, assim como alguém que não é formado em Medicina não pode medicar? Dessa maneira, qualquer programa de televisão teria que ter autorização para fazer jornalismo, e se não tivesse um comportamento ético, teria sua autorização cassada por um conselho de jornalismo, assim como existe o Conselho Regional de Medicina.

Marsan

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Que país é este? Que TV é essa a que estamos assistindo? Hoje, tive o desprazer de assistir a uma parte da novela das sete da Rede Globo, mais ou menos às 19h30, na qual em uma das cenas o ator Cláudio Marzo diz uma frase absurda: "... Não quero ter um filho fresco em casa." Não é a primeira novela que utiliza esse tipo de linguagem "pobre". Em Malhação, os adolescentes se deparam com o culto ao sexo livre. Ser virgem "não tá com nada" ... e o grande problema de todos os jovens, no programa, é com quem "ficar" e como "fazer sexo". Quem transa com quem e quem é o próximo da lista!! Os diálogos são recheados de gírias, poucas palavras e muita agressão. Pergunto: que tipo de educação passamos a nossos filhos? Qual é o verdadeiro sentido de cidadania que deveríamos passar a eles? Como podemos exigir mais dos textos/redações dos alunos nas escolas e universidades? Qual é o nosso papel enquanto imprensa? Estamos exercendo, de fato, essa função? Precisamos debater, mobilizar a sociedade, representantes das diversas categorias, para buscar alternativas para essas questões que passam, necessariamente, pela regulamentação da comunicação de massa. Não é censura, nem a ausência do direito de expressão, mas sobretudo o compromisso com a educação do país. É preciso ter limites, regulamento, pontuação e punição para meios de comunicação que abusam do poder da mídia para influenciar de forma negativa a sociedade como um todo. Como jornalista e publicitária acredito, cada vez mais, que não podemos sentar e esperar que algo seja feito. Temos o compromisso e a responsabilidade com a informação e a formação da sociedade. Esse tema deve voltar à pauta do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA com a participação do ministro das Comunicação, Pimenta da Veiga, por exemplo.

Teresa Leonel

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Lendo as panelas

Contribuindo com esse excepcional programa que serve como norte para nós que militamos na indústria, o IVC dos Estados Unidos já impõe que se retire da informação jurada o acréscimo de circulação oriundo de anabolizantes. Quando jornais em suas edições permitem trocar cupons impressos por ingressos para estádios, certamente, analfabetos podem estar entre aqueles reportados no IVC como leitores - de circulação paga. Mesmo revista quando distribuem CDs podem estar vendendo a cegos, que apenas querem ouvir os discos adquiridos a preço reduzido. Claro que vale para panelas adquiridas a preço reduzido por famílias de baixa renda - possivelmente não-leitores. Campanhas, independentemente dos aspectos ligados à redação como comentado, certamente pode estar induzindo a erro anunciantes em função da circulação reportada, que nada ou pouco tem a ver com a quantidade de leitores esperados (consumidores de seus produtos). Não digo, por ser especialista em Circulação, que não sejam absolutamente relevantes os comentários que envolvem redação, mas considero, sim, que os grandes lesados nessa questão podem ser anunciantes e agencias que se pautam nos números publicados no IVC como circulação paga - esperadamente leitores.

Luiz Caldeyra, Rio de Janeiro

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O fato de os jornais venderem panelas e outros itens talvez não mereça tanta ênfase. Isto porque um jornal tem necessariamente que operar um extenso esquema de distribuição - por que não otimizar seu uso e veicular outros produtos que funcionem como atração? O problema principal seria o declínio da leitura, da capacidade da abstração, do desejo de refletir sobre a realidade com a ajuda das opiniões dos jornalistas e preferivelmente do confronto entre eles. Isto por conta da terrível hegemonia da televisão - um meio que adotou uma linguagem primitiva, imediatista e esquizóide. Mas, nem isso é verdade de todo: afinal, este é um programa de televisão.

Paulo Braga, Rio de Janeiro

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O governo usou o jornal para vender a reeleição de Fernando Henrique A Globo usou o jornal para travar a candidatura de Marta Suplicy. O jornal vende o que à elite comercial, dona e patrocinadora mais interessa. Qual é a surpresa por estarem vendendo panelas????!!!!!!

Raime Reis

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Num país onde a Tiazinha lança CD e não canta, onde o Tchan fatura milhões, onde um seqüestro é utilizado pare gerar audiência, chego à conclusão de que oferecer panelas para quem compra jornal é muito legal. Agora, se a panela não for de boa qualidade, as donas de casa devem sair às ruas e bater panelas para protestar contra tudo isso, inclusive as panelas!!!

Álvaro Narciso, São Paulo

Foco em Maluf

1 - Todos, pelo menos em SP, sabem (ou pelo menos ouvem) há anos que a fiscalização da Prefeitura é foco crônico de corrupção. Todos, pelos menos em SP, sabem que o esquema de "loteamento" de administrações regionais entre os partidos de situação foi levado à sua mais baixa (diria sórdida) expressão no governo de Paulo Maluf na Prefeitura. Por que o ex-prefeito está sendo poupado pela mídia?

2 - Por que só agora a mídia e o Ministério Público preocuparam-se com o problema? Por que a surdez ao "clamor das ruas"? Será porque o prefeito é fraco politicamente e vende bastante jornal e dá bastante Ibope?

3 - Se há corrupto passivo, há o ativo. Não haverá um pacto entre a população e a burocracia no sentido de "deixar a lei para lá" que a gente resolve com o fiscal??? Até que ponto a sociedade é corrupta também?

Tem mais, mas não vai dar tempo...

Arnaldo Luís Pereira

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O que acha Dines da matéria Light, da última Veja SP, sobre a corrupção na Prefeitura de São Paulo, que em momento algum associou os fatos ao malufismo, embora os principais vereadores envolvidos e o Pitta sejam do PPB????

César Augusto Gilii

Pit bull

Gostaria de discutir o papel da mídia na questão relacionada às leis contra o cão de raça pit bull. Mais uma vez surge um bode expiatório, quando o Congresso está decidindo questões importantes para a estrutura do país.

Renato Bueno

O fantástico CD do papa

Sei que este assunto não está em pauta, mas queria deixar registrada minha indignação quanto à forma com que a Rede Globo, mais precisamente a equipe de produção do programa Fantástico, trata seus telespectadores. Domingo, dia 21, nas diversas chamadas em que fez à matéria sobre o lançamento do CD do papa João Paulo II, a emissora não cansou de repetir que João Paulo II é "o primeiro papa da história a gravar um CD". Ora, diz isso como se nos primórdios da Igreja Católica a tecnologia do compact disc fosse exclusividade do Vaticano entre os humanos. Este é apenas um dos tantos exemplos de como a Rede Globo se esquece de que aos domingos, no horário nobre, não há apenas aficcionados por ficção sintonizados naquela que tinha de tudo para ser a melhor emissora de TV do país.

Cláudio Messias, repórter do jornal Voz da Terra, Assis, SP

O tempo e a mídia

Pergunta para o jornalista Alberto Dines: Não seria o caso de os veículos de comunicação darem mais destaque às fontes das previsões meteorológicas, se eximindo de eventuais erros decorrentes das limitações técnicas dos institutos?

Pergunta para qualquer um dos debatedores: quais os limites éticos que devem pautar o trabalho de um jornalista esportivo, em especial os comentaristas? Seria mais honesto com o leitor/ouvinte/telespectador que o comentarista divulgasse o time para o qual torce, mesmo que isso comprometa sua credibilidade, ou deve ocultar o fato, buscando se equilibrar em uma isenção quase utópica?

Pergunta para o jornalista Alberto Dines: Sou comentarista esportivo em um programa de rádio AM no interior de Minas e com freqüência debatemos a questão da (im)parcialidade no jornalismo esportivo. Na minha opinião, o que mais agrava a situação é o fato de os grandes eventos esportivos serem transmitidos por TVs abertas, em especial Globo e Bandeirantes, que, sendo canais de repercussão nacional, privilegiam bairristicamente suas praças, respectivamente o Rio de Janeiro e São Paulo. Haveria luz no fim deste túnel? O torcedor mineiro, ou paranaense, por exemplo, poderia um dia acompanhar uma transmissão menos tendenciosa?

Frederico de Castro Perillo, jornalista, Lagoa da Prata, MG

Jô discrimina a China

Para mim foi chocante e desconcertante o comportamento do apresentador Jô Soares pela deselegância com que se referiu à China e ao povo chinês, durante o programa apresentado 22/3, tendo a cerimônia de premiação do Oscar como tema e Rubens Ewald Filho como entrevistado. Quando o entrevistado disse que a cerimônia teria sido assistida por um bilhão de pessoas, incluindo-se os chineses, o apresentador demonstrou sua incredulidade diante deste fato, ao mesmo tempo em que passou a exibir, diante das câmeras, comportamento depreciativo em relação chineses, tendo conseguido arrancar gargalhadas da platéia presente.

Evidentemente, trata-se de comportamento motivado por estereótipo com provável origem na discriminação racial contra os chineses, porque seria pouco provável que tal comportamento tivesse origem na ignorância do apresentador em relação à China e ao povo chinês. Ora, todos sabemos que a China e o seu povo são repositórios de uma das mais ricas e antigas civilizações humanas, sem esquecer que foram os chineses que nos legaram grandes inventos da humanidade, como o papel, a pólvora e a bússola, por exemplo. Sem falar em outros legados como o macarrão, a soja, a acumputura artes marciais etc. Os princípios e as técnicas da medicina chinesa, que é milenar, vêm sendo objetos de estudos pela medicina moderna. (...) A China é uma das potências nucleares do mundo depois da derrocada da ex-URSS. Os chineses tiveram as primeiras lições de tecnologia nuclear com os franceses, porém, conseguiram chegar ao domínio de todo o ciclo da tecnologia nuclear muito antes dos seus mestres. (...) Os chineses já possuem, em seu arsenal nuclear, mísseis balísticos equipados com ogivas de cargas múltiplas de última geração (por isso, os americanos acusam os chineses de espionagem. (...)

Em poucos anos de abertura econômica, a economia chinesa vem registrando expressivas taxas de expansão (dois dígitos), indicando estar a caminho de se tornar uma das potências econômicas do século 21, sendo provável que venha a desbancar e substituir o Japão, como potência econômica asiática, no próximo século. A China e os chineses não são tão insignificantes assim, como foi insinuado pelo deboche do apresentador. (...) Mas, penso que os apresentadores televisivos, inclusive os humoristas, e os jornalistas, em geral, deveriam ter comportamento ético, respeitando todos os povos, credos e culturas, ainda que estes se apresentem exóticos, e geográfica e culturalmente estejam muito distantes da gente. Por que os chineses são menos do que a gente ? Será que a "descompostura" do apresentador foi motivada pelo contágio sofrido pela proximidade com o Ratinho, seu colega de emissora?

E. Ando, São Paulo

Programa nº 46

Omissões

Fico indignado ao assistir a este programa e ouvir os senhores admitirem que se omitem. Hoje é claro que a corrupção está em toda parte, convido vocês a darem uma volta pela cidade de SP, para juntos encontrarmos casas de jogo do bicho - pelas quais policiais passam e nada fazem; ou então encontrarmos pontos de droga, que todos sabem onde estão e nada se faz; alguém ganha com essa impunidade, isso é lógico. O sr. César Maia admite que sabe da existência da corrupção, e o que fez ele no Rio? Simplesmente se entregou ao jogo político. Fico entristecido de ser, como todo brasileiro, humilhado e passado para trás por essa pouca vergonha que é o jogo político.

Salve João Alves, Abi Ackel, Garnero etc. etc. Se a gente que é povo não fala, quem fala? Pena que não adiante nada. À juíza, meus parabéns pela coragem, mas o jogo do bicho continua no Rio.

Gil Almeida

Experiência e soberania

Tenho observado ter-se tornado uma constante nos programas da TV os comentários quanto à baixa média de idade dos profissionais das nossas redações. Assim como venho notando ser esse fenômeno, para a grande maioria dos jornalistas ouvidos, um dos principais fatores da perda de qualidade do nosso jornalismo. Mas este não é um fenômeno verificado apenas nessa atividade. Em todos os setores, a substituição do profissional mais experiente por jovens quase que recém-saídos dos bancos escolares deixou de ser uma simples tendência e torna-se a realidade. Evidente que as causas são muitas. Salários menores sim, mulheres em lugar de homens sim, mesmo que Dora Kramer tenha outras explicações. As empresas estão optando por redução da folha de pagamento e utilizando-se do trabalho feminino por ser esta mão-de-obra menos problemática com relação às exigências salariais e de ocupação de postos estratégicos. E as exceções apenas confirmam a regra.

Mas os prejuízos têm sido enormes - não pela incapacidade profissional das mulheres ou dos jovens de modo geral. Perde-se a experiência, a maturidade, o equilíbrio emocional, características adquiridas com o tempo, com a vivência. E como isto vem ocorrendo em todas as áreas, todos estão igualmente perdendo. Sou jornalista há mais de 20 anos. Estive sempre ligado à comunicação empresarial, trabalhando em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. Hoje mantenho uma pequena empresa, na verdade, uma figura jurídica que me permite (a duras penas) um trabalho free-lance de sobrevivência. Mas, com isto, estou circulando pelos bastidores de empresas. Constato que postos estratégicos estão sendo ocupados por pessoas cada vez mais novas. Competentes muitas vezes, mas nem sempre. Mas na sua totalidade, pessoas sem consistência no que se refere às relações humanas, sem experiências de vida mais profundas, sem memória - e nem tiveram tempo para isto ainda. São pessoas auto-confiantes ao extremo, ansiosas, precipitadas e irreverentes. Tomam decisões precipitadas e alicerçadas em análises superficiais. Não têm senso crítico para discernir quanto ao modismo de certas informações, que manipulam como verdades absolutas. E isto tem reflexo no comportamento das empresas e de seu pessoal.

Sangue novo, disposição para o trabalho, destemor diante de desafios são importantes, e os jovens têm de sobra. Mas o ponto de equilíbrio tem faltado. Os profissionais mais experientes estão sendo alijados das decisões, quando não do próprio mercado de trabalho. E, como Percival de Souza, partem para outras atividades. Isto tem ocorrido não só com jornalistas. De forma alguma posso fazer campanha contra a presença dos jovens no mercado de trabalho.

Mas fico preocupado quando vejo instituições financeiras - públicas e privadas - comandadas por jovens executivos. Quando vejo nas TVs e jornais jovens impulsivos na vanguarda da nossa Justiça.... Assusta-me ver jovens repórteres de TV e jornal emitindo opiniões apressadas e impensadas, travestidos de Paladinos da Justiça, defensores do Bem, quase super-heróis. Outros, menos sinceros, fazem disto seu marketing pessoal, com implicações bem mais funestas.

Sinto saudades de um Carlos Castello Branco, de um Nelson Rodrigues, de um Sérgio Porto (há muitos outros). Jornalistas com bagagem profissional, cultural e de vida pouco encontradas hoje. Sérios, polêmicos, irreverentes, mas responsáveis, cientes do poder da mídia e das conseqüências das inconseqüências profissionais. Seguir-lhes o exemplo é válido. Falta explicar o quanto esses e tantos outros nomes ilustres do nosso jornalismo viveram a vida e a sua profissão. Muito mais do que ocupar lugar no mercado de trabalho (merecido, sem dúvida), essa onda jovem está assumindo a responsabilidade de formar opinião pública, direcionar gerações, alterar hábitos e costumes, criar uma nova cultura. A sociedade que não valoriza a sabedoria de seus membros mais idosos, não dá importância devida ao passado dessas pessoas, não se interessa pelas suas próprias origens com toda a certeza não saberá se preparar para o futuro. Viverá à mercê de influências externas, não terá personalidade, não terá soberania para decidir.

Certamente, estudar este fenômeno com mais profundidade não é função da Imprensa, cabe aos nossos sociólogos e antropólogos. Mas denunciar esta distorção sim. Cobrar o estudo, sim. Só para terminar, e como curiosidade, o único setor da sociedade não afetado pelo fenômeno é a política. Já perceberam isto? Os velhos políticos continuam no comando dos partidos, nos cargos públicos, à frente do nosso legislativo. E por um outro fenômeno que igualmente merece estudos, os jovens que assumem a vida pública, em pouco tempo, comportam-se exatamente como seus colegas mais velhos. Neste campo, o sangue novo não predomina, ao contrário, contamina-se. Um processo de aculturamento inverso ocorre. E, infelizmente, também aqui ficamos sem o tão desejado ponto de equilíbrio.

João Carlos Schlederm, São Bernardo do Campo, SP

 

Cariocas vs paulistas

Pergunta para o jornalista Alberto Dines: Será que a imprensa carioca, ao rivalizar provincianamente com a paulista, refletindo a disputa entre os estados, não oculta, involuntariamente, os problemas do Rio, tornando-se cúmplice de sua decadência?

Pergunta para qualquer um dos participantes: A eleição de um governador (Anthony Garotinho), radialista, que conhece bem a mídia, pode ajudar na reversão deste quadro de esvaziamento da imprensa carioca?

Pergunta para o jornalista Alberto Dines: A suposta decadência da imprensa e da economia carioca é um fenômeno particular ou afeta todos os outros estados, em especial, o meu, Minas Gerais, confirmando desta forma a supremacia absoluta da economia e o poder da imprensa paulistana? Até que ponto esta soberania de SP é nociva aos interesses do cidadão brasileiro?

Frederico de Castro Perillo, jornalista, Lagoa da Prata, MG

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Assisti ao programa de 16/3 e gostaria de fazer algumas observações em relação ao que se discutiu relativamente à predominância da mídia de São Paulo sobre a do Rio de Janeiro. Várias razões para essa concentração foram apresentadas durante o programa, com destaque para aquelas relacionadas ao mercado publicitário paulista e à pujança econômica daquele estado, argumentações válidas, evidentemente. Porém, não decisivas.

A partir da abertura democrática, com a permissão de eleições, inicialmente para governadores e, posteriormente, para presidente da República, foi possível observar uma clara distinção das opções politico-ideológicas entre o eleitorado fluminense - mais à esquerda - e o paulista - mais conservador. Em 1982, o Rio de Janeiro teve a petulância de eleger para o governo do estado o Sr. Leonel Brizola, àquela altura a figura mais conflitante com o regime militar. Em 1989, o Rio de Janeiro votou maciçamente para presidente da República em Brizola no primeiro turno e em Lula no segundo turno, contra o candidato do poder econômico (Globo inclusive) Collor de Mello, que obteve expressiva votação em São Paulo. Mais uma vez, o eleitorado do Rio mostrou rebeldia em relação ao poder econômico, que controla a mídia, e nadou contra a correnteza do sistema. Em 1994, mesmo sob o impacto do Plano Real e a comoção da intervenção militar nos morros da capital para "combater o descalabro da violência no estado", o Rio de Janeiro ofereceu polpudos índices percentuais de votos ao candidato da esquerda, Lula, contrariando, mais uma vez, o projeto político elaborado pelas elites econômicas do país que queria impor Fernando Henrique, para o que trabalharam e investiram. Mais uma vez, São Paulo depositou seus votos no candidato do sistema, garantindo a continuidade do neoliberalismo, iniciado por Collor e radicalizado até hoje pelo presidente reeleito.

É preciso registrar que São Paulo elegeu nessas duas últimas décadas figuras como Jânio Quadros e Maluf, com apenas um rompante de esquerdismo com Erundina. O PT, apesar de nascido no ABC paulista, não conseguiu, à exceção de Erundina, emplacar outras figuras em cargos de governador e prefeito. Poderíamos tomar também os números das eleições de 1998, com o Rio elegendo, mais uma vez, um candidato de coligação das esquerdas.

Não falemos da eleição para presidente, pois seus resultados já vêm sendo qualificados como ilegítimos por figuras respeitáveis como Carlos Heitor Cony, Mino Carta, entre outros, que os caracterizam como estelionato eleitoral. Mesmo assim, Lula teve novamente no Rio de Janeiro grande quantidade de votos, ao contrário do que ocorreu em São Paulo. Filme repetido.

Coincidiu com esse desenrolar de votações dos cariocas na esquerda e dos paulistas com a direita um gradual movimento de transferência - forçada - da formação de opinião para São Paulo, posto que é muito mais interessante aos formadores de opinião propagar para o resto do país um perfil paulista, mais conservador e afinado com o jeito neoliberal de ser, do que espelhar a filosofia do carioca mais contestadora, cosmopolita, questionadora e, como os números das eleições demonstram, sempre pendente para linhas ideológicas mais à esquerda. Em 1989, quase o Rio de Janeiro, junto com Rio Grande do Sul, principalmente, muda os planos dos donos do Brasil e impõe um candidato progressista ao país.

A decadência de empresas jornalísticas com JB e Manchete tem a ver com má administração. Isente-se o Rio de Janeiro desses fiascos. Lamente-se muito o fechamento da rádio Jornal do Brasil AM, marcada na história da redemocratização do Brasil quando ajudou a desmistificar o escândalo da Pró-Consult. A Rede CBN passou a ser ancorada em São Paulo, onde há concorrentes como Eldorado, Bandeirantes, Jovem Pan. No Rio de Janeiro, com o fim da JB AM, a emissora do sistema Globo atua sozinha no segmento de rádio 100% jornalística.

O movimento da mídia para São Paulo é, antes de mais nada, um projeto ideológico de fazer predominar o pensamento único neoliberal, com o qual o paulista está afinado. Obviamente que tratamos de estatísticas. Logo, nem todo paulista é de direita e nem todo carioca de esquerda.

"Manter um jornal em circulação custa muito dinheiro", disse o Dr. Barbosa Lima Sobrinho. Imagine-se manter um rede de TV. Conclui-se que só rico pode ter TV, jornal ou rádio. E rico é neoliberal. Portanto, que o país pense como os paulistas e imagine o carioca apenas como um exemplar exótico. É nisso que a mídia, mera ramificação do poder econômico, trabalha. Parabéns pelo Observatório.

Gilmar Ribeiro, Petrópolis, RJ

 

Mulher

Quando se diz que o público e o leitorado feminino é tratado com superficialidade e com intenções meramente comerciais não seria o caso de atribuir boa parte da culpa às próprias mulheres que, afinal, se constituem na grande maioria nas editorias de cadernos ditos femininos?

Frederico de Castro Perillo

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Pergunta dirigida a Miriam Leitão ou Dora Kramer: na 'guerra' pela notícia, pelo furo, pela boa informação, as jornalistas do sexo feminino levam vantagem em relação aos jornalistas homens pelo simples fato de serem mulheres, ou seja, pela facilidade de trânsito entre fontes masculinas, que são maioria no meio político?

Pergunta para Paulo Markum: em seu ponto de vista, a imprensa abordou de forma adequada o chamado Dia Internacional da Mulher, contextualizando a data, apontando os avanços e retrocessos do feminismo, debatendo seriamente a questão da mulher neste final de século ou também ficou na superficialidade comercial das outras datas comemorativas como dia das mães etc.?

Frederico de Castro Perillo

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Seria interessante abordar o constante crescimento do número de mulheres que conseguem aprovação em concursos públicos de alto nível, como o de juiz em São Paulo. No último, as mulheres conseguiram mais de 50% das vagas e ainda ficaram nas primeiras colocações. Nestes concursos as mulheres mostram que, quando concorrendo sem discriminação, conseguem alcançar postos importantes que antes eram essencialmente ocupados por homens.

Cleonice Aparecida Silva Pinto

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Excelente programa! Parabéns! A introdução do tema de hoje foi especialmente feliz: concisa, direta e abrangente sem se estender muito. Considero um sério problema a forma como a TV trata especialmente as mulheres desportistas: toda reportagem sobre uma mulher que atingiu o sucesso no esporte sempre começa da mesma forma: "Fulana de tal é fera na quadra (ou na piscina ou no tatami), mas não deixou de ser feminina: gosta de usar batom, etc. etc." Ora, o que os hábitos de beleza normais para a maioria das mulheres têm a ver com a carreira e a profissão das desportistas? Este tipo de abordagem é uma tremenda falta de consideração ao trabalho das atletas; isto desmerece seu esforço.

Liza Meller

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A questão não se fixa somente na discriminação contra as mulheres, mas sim um total desrespeito com todos indivíduos pela banalidade que diariamente é vinculada na mídia, e com uma grande parte de uma imprensa trabalhando em prol da desinformação do povo: da parte das mulheres com cadernos e matérias banais, e da parte dos homens com 10 páginas de futebol e 1 de economia, política, cotidiano etc. Parabéns à TV Cultura, que ainda nos dá o prazer de ligar a televisão e adquirir informação e dicernimento de assuntos realmente interessantes, e realçando o real papel da imprensa!!!!!

Rodrigo Antunes, Londrina, PR

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Parabéns pelo programa. Quanto ao tópico de hoje, vejo dois problemas. O primeiro vem do fato de fotógrafos e cameramen serem em sua esmagadora maioria homens, o que acaba causando uma forma masculina de observar o mundo. Outra questão é o fato de como a mulher atleta ou esportista é tratada pela mídia, sempre com textos como "A campeã fulana não perde a feminilidade", seguido (na TV) de cenas em câmera lenta da atleta com uma música MPB suave como fundo, ou seja, a mulher é tratada de forma diferenciadamente machista pela mídia.

Alex Moura, Rio de Janeiro

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Para que não se cometa injustiça neste debate, fato que seria, com certeza, uma raridade partindo de vocês, lembrem que emissoras de TV como a Cultura constantemente discutem as questões relacionadas à mulher. Não apenas no Dia Internacional da Mulher. Hoje mesmo, antes do programa de vocês entrar no ar, o jornalismo da TV Cultura voltava a falar sobre o tema. O mesmo aconteceu ao meio-dia no 60 Minutos. E assim será durante toda esta semana e sempre que houver assuntos relevantes a serem tratados sobre a mulher (e como tem?). Puxando a sardinha para o meu lado: lembro que hoje, mesmo depois do Dia Internacional da Mulher estivemos debatendo o assunto no CBN – Edição Nacional, programa da CBN que vai ao ar das 17h às 19h. Amanhã voltaremos a falar sobre os direitos da mulher. Ou seja, jamais pretenderemos limitar o assunto "Mulher" ao dia 8 de março. Parabéns pelo debate.

Milton Jung

Jornalistas salvam
condenado à morte

Li a matéria no JB, achei boa mas com poucos dados, aí assisti ao OBSERVATÓRIO na TVE, achei que a discussão foi boa. No sábado pesquisei na Internet, puxei o jornal (um dos quatro) da universidade americana. Na Hélio Alonso solicitei a tradução dos artigos a uma amiga. No nosso jornal (Fala Vladimir, do DCE Vladimir Herzog, das Faculdades Integradas Hélio Alonso) será transcrita a matéria do JB. Na próxima edição espero ampliar a informação com as traduções. Estamos tentando equilibrar prática com fundamentos e ética.

Geraldo Araújo de Castro

Cadernos culturais

Peço novamente um programa sobre a editoria dos cadernos culturais e a ética que os coordena, pois alguns entrevistados nunca caem de moda, usando todos os meios para não cair. Isto influencia novas gerações, que desconhecem o currículo ético dessas pessoas. Sou um leitor ardoroso de Adorno, que acho um profeta para entendermos os mitos de cristal criados depois dos anos 50, que servem apenas para vender falsos produtos e personagens.

Eric Ponty

Entrevistas

Caro Alberto Dines, pela primeira vez entrei neste site, e ainda não estou familiarizada com todas as possibilidades que ele oferece. Gostaria de saber se estão disponíveis as entrevistas veiculadas pelo programa OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, exibido semanalmente na TV Cultura. Como assinante do JB, continuarei a ler sua coluna aos sábados, mesmo discordando de algumas opiniões.

Beth

Nota do O.I.: Os compactos de todos os programas estão disponíveis em http://200.18.184.210/video.htm.

 

Veja também

Compactos dos programas O. I. na TV



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