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ECONOMIA & NEGÓCIOS
Democratizamos a informação econômica
Luiz Fernando Ferreira Levy (*)
A história da Gazeta Mercantil pode ser resumida como sendo a da busca permanente da confiabilidade do leitor. Nós, aqui no jornal, falamos diariamente com as pessoas que decidem e formam a opinião nacional. E isso é, ao mesmo tempo, muito gratificante e uma grande responsabilidade, que assumimos com prazer e profissionalismo. Credibilidade é a palavra-chave do nosso projeto e um foco permanente das nossas atividades.
Consideramos nosso leitor, que ao mesmo tempo é também nosso anunciante, um parceiro. Nestes 80 anos de jornal, crescemos e democratizamos a informação econômica em no país. Publicamos atualmente, além da edição nacional, 20 jornais regionais. Eles são encartados diariamente em todos os estados brasileiros. Os nossos 453 jornalistas, em sua grande maioria, são a prata da casa em todo o Brasil. Todos eles são treinados e preparados para entender nosso projeto, sua estratégia e as nossas crenças, que se refletem diariamente naquilo que publicamos e que eles produzem com isenção e independência.
Se durante longo período de nosso país, e a exemplo dele, vivemos momentos difíceis e complicados, nós, em momento algum, deixamos de acreditar em nosso projeto, de investir e ampliar o número de produtos e de avançar para o Mercosul, mediante a criação do Fórum Empresarial Gazeta Mercantil, além de lançarmos uma edição semanal do jornal, em inglês. Hoje, a Gazeta Mercantil é uma empresa profissionalizada, com presença nacional horizontalizada e verticalizada por intermédio dos seus jornais.
Também editamos a Gazeta Mercantil Latino-Americana, cujos exemplares em inglês e espanhol semanalmente chegam a todos os países do Mercosul, México e Estados Unidos e, mais recentemente, a Portugal e Espanha.
Nossa presença na internet é crescente e trará, dentro dos próximos meses, grandes novidades na estruturação da Gazeta Mercantil, ampliando nossos negócios e consolidando a nossa posição de líder em informações econômicas na América Latina.
No momento, estamos discutindo parcerias, alianças e até associações, visando ampliar a qualidade e o volume de serviços aos nossos leitores. Ultimamente também estamos aprendendo a esperar as avalanches passarem, pois sabemos que elas provocam muito barulho e estragos, mas que, no final, nos dão consciência de que os caminhos percorridos dão o tom dos caminhos futuros.
(*) Diretor-presidente da Gazeta Mercantil
BRASIL 500 ANOS
Pelo respeito à Constituição
Davy Lincoln Rocha (*)
O depoimento do índio Gildo Jorge Terena se coaduna com as estarrecedoras cenas transmitidas várias vezes durante a semana que se seguiu às comemorações dos 500 Anos do Descobrimento, em Porto Seguro (BA). Esses incidentes, somados à desalentada viagem da "Nau Capitânea", retratam bem a realidade de nosso país.
Com muita tristeza assisti a um coronel da PM baiana justificando, com arrogante orgulho, diga-se de passagem, a selvageria protagonizada contra o grupo de manifestantes que foi violentamente submetido ao constrangimento de não poder exercer o legítimo e constitucional direito de protesto.
O militar mencionado disse, com a prepotência comum aos que ainda se julgam em meio a um Estado movido pela força bruta, que apenas impediu que os manifestantes se aproximassem do presidente da República, pois poderiam atrapalhar as comemorações.
Meu único alento, diante da barbárie encenada pelo truculento algoz da cidadania foi, nos dias seguintes, assistir, também pela TV, a notícia de que um colega, procurador da República na Bahia, havia instaurado procedimento para apurar as responsabilidades pela prática dos crimes de constrangimento ilegal e de cárcere privado praticados à luz das câmeras de TV, sem a menor cerimônia. Sem dizer que assistimos a um soldado da PM empurrar violentamente e sem o menor motivo, uma senadora da República, Heloísa Helena.
Impende que ao arremedo de troglodita seja apresentado o Código Penal, o que, com certeza, será feito pelo procurador que determinou a instauração do procedimento investigatório. Por isso me orgulho do Ministério Público cujo quadro tenho a honra de integrar.
No mais, temos todos a lamentar que um presidente da República que, na época das vacas magras, nos tempos de sociólogo, sentiu na carne o peso do autoritarismo, não tenha, até agora, vindo a público para, pelo menos, lamentar o terrível atentado ao Estado Democrático de Direito (que, segundo o coronel truculento, foi praticado para protegê-lo), quando o certo seria que ele, presidente, determinasse a apuração dos fatos.
No mais, vamos torcer para que ao final dos próximos 500 anos a Constituição Federal seja respeitada e cumprida.
Ao índio Gildo [ver depoimento abaixo], minha mensagem: não desista da tua pátria, meu irmão, ela não tem culpa do governo que tem.
(*) Procurador da República em Joinville
Depoimento de Gildo Jorge Terena (*)
Gildo Terena ficou conhecido por ter caminhado, de joelhos e com os braços abertos, em direção à tropa de choque da PM baiana, que atacou manifestantes no dia 22 de abril de 2000, em Santa Cruz de Cabrália, BA.
Nome: Gildo Jorge Roberto
Data de Nascimento: 19/12/1982
Residência: Aldeia Campo Novo – Rondonópolis – MT (**)
"Nós somos índios reconhecemos nossa aldeia, reconhecemos o que é dor de um cortado que alguém corta em nós. Estou aqui falando através de todos os povos nativos do Brasil que esteve aqui na nossa marcha querendo outros 500. Com esses outros 500 que nós entramos, foi difícil colocar na minha consciência o que o governo fez para nós. Foi difícil entender o que ele queria para nós, e fomos massacrados. Eu mesmo, a minha pessoa eu coloquei a disposição da tropa de choque para que pudessem acabar comigo mas que não acabassem com o povo que estão em extinção. Doeu em mim, eu vi mulher chorando sem saber de nada. Doeu em mim, ver crianças olhando com desespero, eu sabia que eu era um ser humano, mas não um animal para ser tratado com bombas, com os cavalos. Eu olhei para mim, eu coloquei primeiramente a Deus no meu caminho que me protegesse de todo o mal que ia acontecer comigo, eu abri as minhas mãos, pedi a orientação do Pai, que Ele pudesse me proteger. Aí com humilhação de todos os povos em mim, me pus, me humilhei dizendo: parem com isso! Não sabemos o que estão fazendo, nós não sabemos o que está acontecendo com nós, nós estamos apenas protestando com faixas, com cartazes, com camisas dos outros 500 anos que queríamos. Doeu em mim, joelhei ali implorando Paz, implorando paz, só que ninguém me ouviu porque eu sou um, sou um ser humano não governante. Aí eu implorando, cheguei na frente de todos os batalhões, pedi que não fizesse aquilo mais, porque nós ia parar para que nós não pudesse ser massacrado mais uma vez no entrando os outros 500 anos de novo. Aí eu senti como se fosse os Cabral entrando na nossa terra brasileira, eu senti de novo outros 500 anos que eu ia sentir de massacre e violência para meu povo. Eu coloquei de joelhos, andei mais de cinco metros de joelhos, pedi para que eles parassem. Eu fui andando, andando de joelhos, eu cheguei na frente deles, eles diziam o soldado, que estava só cumprindo a missão deles. Aí quando eu levantei, vi um daqueles colocando mais um, mais uma bomba, para jogar pro lado do meu povo, eu abri os meus braços, que eles eram prá jogar em mim e não neles e nisso eu fui empurrado pela bomba e eu caí no chão sem defesa nenhuma, sem agressão nenhuma, eu tentei levantar e fui pisoteado pelo batalhão. Senti como se fosse animal depois. Eu chorei, eu não agüentei ver em mim que um índio pisado, pisado no começo de uma nova era dos 500 anos. Eu chorei, chorei me perguntando, o que eles estavam fazendo. É doído, é doído em mim. É doído ver meu povo triste de longe, de todo o Brasil, foi para protestar com paz. Chegando lá com violência, foram embora, não de cabeça baixa, mas esperando os outros 500 que não possam ser assim. E eu agradeço a todos que tem o coração índio, que tem um coração de espírito, de espírito que vê o outro índio, ou não índio, negro ou branco que possa olhar como ser humano aquele que pede esmola, aquele que não tem onde morar. Aquele que sente racismo, que possa sentir em si que nós temos coração e só isso eu quero deixar para vocês. Meu muito obrigado."
(*) Íntegra do depoimento pronunciado no ato público de solidariedade na cidade de Rondonópolis no dia 24 de abril de 2000, na Praça dos Carreiros, às 17h.
(**) Os indígenas desta aldeia moram há 16 anos na periferia de Rondonópolis, e lutam há um ano e meio pela demarcação de suas terras em Mato Grosso.
Festa furada
Vera Silva (*)
Apesar das discussões quanto à qualidade do Aurélio, precisei revisitá-lo nesses dias de 500 anos de Brasil. Explico-me: comecei a temer um processo de degeneração neuronal tal o número de vezes que li e ouvi a palavra "revisitar" em lugar de "revisar". Estaria eu ficando gagá?
Quero esclarecer que o trabalho em psicologia não leva à proficiência em língua portuguesa, embora possamos, por amor à língua pátria, manter o mínimo de conhecimento necessário para o bem pensar. Mas, como cresci lendo Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e outros nos jornais cariocas, sempre achei que quem escreve em jornal sabe escrever, por isso a preocupação com os meus neurônios.
Mas, o Aurélio registra que revisitar não é o mesmo que rever, revisar.
Talvez, pensei, seja por isso que a festa dos 500 anos foi um fracasso. Em vez de revisar o achamento do Brasil, os marqueteiros revisitaram cartas e cenas do achamento. Só podia dar no que deu, confusão. A festa para dar certo precisaria ser feita do outro lado do Atlântico. Deste lado a festa deveria revisar os escritos sob a visão dos que perderam o domínio sobre suas terras e suas vidas, aqueles que têm os dois pés na cozinha, na selva, no campo, na periferia das cidades, mas que, ao contrário de Irene, precisam pedir licença para entrar no século 21.
Pouca história
Quanto aos jornais, tenho tempo apenas para um por dia, o Correio Braziliense, que fez um revisão daqueles tempos e da sociedade portuguesa antes do achamento. Ficou fácil compreender o porquê do mau comportamento dos portugueses que aqui chegaram: uma cultura ainda num estado de preconceito, ignorância, falta de higiene, alto índice de doenças, ausência de respeito aos direitos humanos, escravidão de crianças, etc. Navegadores tão ambiciosos quanto intrépidos, aliados a governantes déspotas, encontraram aqui um povo simples que habitava o paraíso, que logo trataram de destruir, porque não podiam compreendê-lo.
Mas a TV, meu Deus, que vexame! A Globo fez um festão, comandado pela marcação do relógio dos 500 anos. Felizmente, ele já sumiu do cenário. Sugestão: construir um relógio que marque as horas que passam sem que haja justiça social neste país. Os índios, por certo, fariam a guarda de honra, ao invés de flechá-lo.
As outras TVs acompanharam a festa oficial e fizeram lindos documentários, com muito pouca revisão da história e muita revisitação aos arquivos do achador.
Sinônimo de mas
O pior é que a novela continua. A imprensa e o governo esperam muita compreensão e bom comportamento por parte do MST e dos índios, afinal, democracia não se faz com baderna, leia-se passeatas, flechas, facões e outras armas do mesmo tipo. Faz-se com o que, pergunto?
Os jornalistas não podem usar o discurso do patrão e do governo como se fosse seu ou deixarão de ser jornalistas e passarão a ser assessores de imprensa do Poder. Se a exclusão existe e se é tão terrível a ponto de transformar crianças em segurança de traficantes, é lícito pedir compreensão e bons modos aos excluídos? É moral pedir mansidão aos que são violentados pela miséria? É ético ignorar que, pela omissão, a classe média, da qual os jornalistas em sua maioria fazem parte, tem mantido no poder os exploradores, os corruptos, os indignos? Quando o governante de plantão classifica de fascistas os que protestam contra a exclusão, é correto publicar as suas declarações sem discutir-lhes a imoralidade?
Estou revendo meus conceitos de bom jornalista nesses dias: bom jornalista é aquele que bem pensa e bem vive. Se mal escreve é porque mal lê e, por isso, mal ouve, mal fala, mal vê, como disse Monteiro Lobato. Para ser bom jornalista, bom psicólogo, bom médico, bom jurista, é preciso ser cidadão.
Ia me esquecendo do até porque. O que quer dizer isto? Quer dizer que quem fala vai até os últimos porquês dos fatos? Ou será que o utiliza como sinônimo de mas? Oh, dúvida cruel!
(*) Psicóloga
ANGOLA
Jornalista vai a julgamento
Emanuel da Mata (*)
André Mossamo começou a ser julgado no dia 26 de abril no tribunal provincial do Kuanza Norte. O jornalista é acusado pelo Ministério Público de ter desviado documentos secretos e classificados do gabinete do governador, Manuel Pedro Pacavira. O documento a que se refere a acusação é uma carta dirigida ao presidente da República, José Eduardo dos Santos, assinada pelo governador. Em tribunal a acusação vai tentar provar que o conteúdo da carta está num esboço de notícia que há cinco meses a policia nacional, depois de uma busca, encontrou na banca do jornalista. Segundo Mossamo, o esboço da notícia provavelmente havia de ser enviado para a sede do jornal Folha 8, para publicação.
João Faria, advogado do jornalista, diz que já solicitou o adiamento do julgamento para 7 de maio, por ter sido avisado oficialmente muito tarde. Por dificuldades de comunicação, o requerimento a solicitar o adiamento foi "enviado por telegrama" ao juiz que vai julgar o caso. O adiamento foi também solicitado pelo advogado do antigo chefe de gabinete do governador, igualmente acusado de ter passado ao jornalista a carta, considerada secreta e classificada.
Por ordem da policia nacional, o jornalista e o antigo chefe de gabinete do governador estiveram detidos preventivamente durante 106 dias. Em 17 de março os dois foram condicionalmente libertados. Todas as semanas André Mussamo e o ex-funcionário são obrigados a se apresentar ao tribunal, e estão proibidos de sair do perímetro da pequena vila de Cazengo, no Kuanza Norte. O jornalista teve seus vencimentos cortados desde que foi para a cadeia. Algumas ONGs mobilizadas pela Open Society prestam ajuda ao jornalista e a sua família, para que consigam superar as dificuldades criadas pelas autoridades no Kuanza Norte.
Ao longo dos últimos cinco meses, André Mossamo e família viram as autoridades entrarem em sua residência para confiscar o aparelho telefônico. A Angola Telecom cortou o fio que transportava o sinal de telefone da caixa publica até sua residência. Viram também ser confiscada a motorizada do jornalista, a que se seguiu o confisco do fogão de cozinha, sem que em qualquer das ocasiões fosse exibida autorização judicial.
A carta do governador Manuel Pacavira era dirigida ao presidente angolano, José Eduardo dos Santos. Até agora não foi tornado publico seu conteúdo, mas fontes na província dizem que na carta o governador solicitava ao presidente da República ajuda financeira para realizar algumas obras sociais na província.
O governador Manuel Pacavira está envolvido pela segunda vez (directa ou indirectamente) em menos de um mês numa disputa em tribunal com jornalistas. No inicio de abril levou a tribunal os jornalistas Americo Gonçalves e Graça Campos (director e editor) do semanário Angolense, por difamação. O tribunal deu razão ao governador, condenando os dois jornalistas a três e quatro meses de pena efectiva e ao pagamento de multa equivalente a US$ 40 mil. Os jornalistas viram, à última hora, seu advogado desistir do caso. Com ajuda de um defensor oficioso solicitaram recurso e aguardam em liberdade a decisão do tribunal supremo.
A aguardar recurso em liberdade estão também os jornalistas Aguiar dos Santos, director do semanário Agora, e Rafael Marques, jornalista independente, acusados de proferir injurias e difamação contra o presidente da República. Os dois jornalistas escreveram no semanário Agora artigos de opinião, em que questionavam o desempenho do presidente nos últimos 25 anos, responsabilizando-o pelo fraco desenvolvimento do pais. E atribuíam ao chefe de Estado e a Jonas Savimbi, da guerrilha Unita, a responsabilidade pelo fracasso de todos os acordos de paz em Angola. Neste processo, a lei angolana não permite a apresentação da prova dos factos, quando o queixoso é o presidente da República ou um outro chefe de Estado. Pelo que todas as provas que os jornalistas tentaram apresentar durante o julgamento não foram sequer incluídas nos autos.
(*) Jornalista angolano. E-mail <emata@snet.co.ao>
RONDÔNIA
Calote no Alto Madeira
Íntegra do apelo enviado ao Sindicato dos Jornalistas de Rondônia pelos profissionais do jornal Alto Madeira, sem salário há dois anos, distribuído nas redações dos jornais locais.
Ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia
Nós, trabalhadores da redação do Alto Madeira, vimos pela presente implorar ao Sindicato dos Jornalistas de Rondônia participação no processo de resguardo das garantias de que nossos esforços sejam recompensados pelas jornadas cumpridas, como determina a legislação trabalhista vigente.
Como já é do conhecimento da ampla maioria dos jornalistas militantes em Porto Velho (RO), há mais de dois anos não recebemos salários como pagamento pelos serviços prestados no Alto Madeira. Não bastasse isto, sofremos cobranças diárias pela qualidade do produto final. No sábado passado, dia 15, o diretor-superintendente da empresa, Luiz Tourinho, disse em alto e bom som aos trabalhadores da área de informática que têm que trabalhar, e que os que não concordarem "podem passar no setor de pessoal" para acertar as contas. Entretanto, o pagamento das verbas rescisórias, ele deixou claro e aos gritos, demorará de 10 a 20 anos, pois utilizará todos os meios que sua inteligência permitir para retardar a liberação dos recursos.
Como se pode ver, uma tênue linha separa esta situação da escravidão. Triste para um país que comemora 500 anos de existência. Rogamos então, senhor presidente, sua intervenção para que esta carta, que não vai assinada por razões óbvias, chegue aos seguintes órgãos e instituições: Fenaj; OAB; CUT; Partido dos Trabalhadores; Ministério do Trabalho; Delegacia Regional do Ministério do Trabalho; Ministério Público da Justiça do Trabalho; Governo do Estado de Rondônia; Prefeitura de Porto Velho; Federação do Comércio; Câmara dos Deputados; Senado Federal; Congresso Nacional.
O objetivo, senhor presidente, é fazer com que haja, no prazo de tempo mais urgente, sensibilidade para que seja buscada uma solução para o pagamento dos salários dos trabalhadores em geral. Famílias estão em fase de separação em razão da crise econômica, pessoas doentes não conseguem comprar medicamentos, ou não têm mais como assesgurar alimentação, e transferem as famílias para casas de parentes. O pagamento, se é que assim pode ser chamado, são "vales" de R$ 5, R$ 10, e às vezes R$ 50.
É necessário agir e, para isto, contamos com sua intervenção. Omitir-se diante destes fatos, certamente nenhum dos órgãos citados o fará. Portanto, contamos com sua ajuda para salvar os trabalhadores do Alto Madeira e salvar também o jornal, que é um patrimônio da região, com seus 83 anos de atividade, e importante mercado de trabalho para jornalistas. Por sua participação, em que confiamos desesperadamente, nosso agradecimentos.
CARTAS
Brasília na TV
As massas cumprem a missão de encher a Esplanada no aniversário da TV Globo. Brasília é pura escusa. Um tal de Roberto ilumina o circo compartilhado. Poder Público gera amores com o Poder Capital. Shows de canções fracas, bilhetes gritando a decadência da cultura, herança de dor portátil nas cabeças sem sonhos. 500 anos de sossego perplexo, máquina da escravidão. Alagados sejamos então da fúria do fracasso histórico.
O Marinho, baiando no barco dos milhões endividados do mar Americano, presenteia música e futebol. Cultura cega, com a morte do senso comum. Esplanada morrendo com o desempenho dos Grandes. Finos Ministros gritando ao povo, eu não faço parte dessa festa. Álcool para lubrificar a massa maldita e sofrida. Transportes de sobra para o espetáculo, mas fugindo ao dia-a-dia, afinal trabalho não tem.
Procuremos afiar nossas vidas e discriminemos as drogas da Globo, que estão nos aprisionando, para jogar o futebol dos milhões. Ou então, encerremos a farsa com o Hino Nacional. Chamemos os cantores para sorrir a ironia da bobeira associada. Cortemos a transmissão logo para que o álcool não tome conta das brigas da loucura instalada.
Brasília 40. Quantos beijos do Poder conseguiste? Esquecimento ignorante. Presente ao nível da gente. Ano de escusas para o festejo da TV Poder, na capital dos reais disfarçados de dólares déspotas. Dançamos sua dança, assassinados e sem asas.
Javier Martinez, estudante de Comunicação Social
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