QUALIDADE NA TV

CORRESPONDENTE JOVEM
Um pouco de irreverência na TV

Há alguns anos, Ashleigh Banfield era uma apresentadora local de Dallas que às vezes arriscava cantar em uma banda de rythm & blues chamada Tommy Hyatt and the Haywires. Na semana passada, ela falava de Islamabad, no Paquistão, como a principal correspondente além-mar da MSNBC.

Assim, tornou-se talvez a personalidade dos noticiários mais comentada desde 11 de setembro. Sua posição pouco usual surpreende pela pouca experiência internacional e pela idade. Trata-se de uma jovem apresentadora para um público jovem, que não quer a formalidade de Peter Jennings ou Jim Lehrer. Ashleigh divide o palco com correspondentes de guerra experientes, como Christiane Amanpour, da CNN, e Bob Simon, da CBS. A ascensão da moça deixa algumas pessoas pouco à vontade, até na própria NBC. Segundo Jim Rutenberg [The New York Times, 29/10/01], muitos acham que a âncora de 33 anos atingiu o topo rápido demais.

Erik Sorenson, presidente da MSNBC, disse que aqueles que julgam sua emissora pelo tamanho da audiência não estavam avaliando corretamente, pois o público jovem é o interesse prioritário da empresa e, o mais importante, dos anunciantes. "Ela é uma ótima comunicadora e tem a idade da audiência que queremos", disse Sorenson. A "campanha" de Ashleigh começou na cobertura das eleições presidenciais do ano passado. Alguns admiraram sua irreverência e a inovação que trouxe à imagem da mulher na TV noticiosa americana.

Com os ataques de 11 de setembro, Ashleigh ganhou ainda mais projeção. Coberta de poeira, continuou reportando do World Trade Center durante todo o dia. A jovem é atualmente a jornalista mais visível da nova geração da TV americana, com um estilo leve, voltado para espectadores despreocupados com as autoridades e interessados mais em "infoentretenimento" do que em acordos de paz no Oriente Médio. A fórmula, pelo que indicam os índices de audiência, está funcionando.