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QUALIDADE NA TV
ASPAS
TV & VIOLÊNCIA
Folha de S.Paulo
"Violência na TV", editorial, copyright Folha de S. Paulo, 18/8/00
"‘Prenda os suspeitos de sempre’. A frase, que consta do filme ‘Casablanca’, se aplica a situações em que uma autoridade qualquer precisa demonstrar fazer alguma coisa, mas não tem condições de agir ou não sabe como. E a televisão, quando se trata de apontar causas da violência, é sempre uma suspeita conveniente.
É claro que há uma correlação entre a violência existente na sociedade e a presente na TV. O erro comum, contudo, é tentar atribuir a uma delas um princípio de causalidade absoluta. Afirmar que a sociedade é violenta por causa da TV é tão exato quanto asseverar o seu contrário. Pode–se ir ainda mais longe e dizer que a violência de uma alimenta a da outra.
Essa constatação não implica, é óbvio, que se deva renunciar de vez a qualquer forma de controle social sobre a TV. Na medida em que ela é uma concessão pública, está já contratualmente sujeita a uma regulação do Estado. Resta saber se convém que a intervenção do poder público atinja a programação.
Hoje, felizmente, são poucas as vozes que defendem o retorno da censura. Os liberais tendem a afirmar que o mercado já promove uma seleção. Uma TV que abuse do mau gosto enfrentará respostas negativas do público e/ou dos anunciantes e se veria obrigada a rever seus conteúdos. Outros, apoiados na evidência empírica de que programas discutíveis não só permanecem nas grades das emissoras como proliferam, propõem a auto–regulamentação do setor. Nessa categoria parece incluir–se o ministro da Justiça, José Gregori.
Em tese a idéia da auto–regulamentação é boa. Mas as dificuldades para implementá–la revelam que a questão não é trivial. Ademais, programas notoriamente apelativos registram picos de audiência em seus momentos mais infelizes. Isso não significa que o espectador concorde com o que é apresentado nem que vá imitar aquilo a que assiste.
Pode–se ir mais longe e, já correndo o risco de cair no relativismo, afirmar que é impossível definir a priori o que é um bom programa. Na ‘Ilíada’, de Homero, o clássico por excelência, existem passagens de uma brutalidade tal que o pior da moderna indústria cultural ainda não ousou copiar. É claro que é um despropósito comparar Homero ao estado atual da televisão, mas não é uma idéia menos estouvada acreditar que se possa criar um código de normas que, aplicado, transformaria em arte o que, muitas vezes, não passa de apologia da violência."
CRIANÇA ESPERANÇA
Roberta Pennafort e Sônia Apolinário
"Promotoria exige da Globo contas de campanha", copyright O Estado de S. Paulo, 16/8/00
"A promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público Estadual requisitou à Rede Globo informações sobre a destinação do dinheiro arrecadado pela campanha Criança Esperança nos últimos cinco anos. De acordo com o MPE, embora nunca tenha havido denúncia de irregularidade, a sociedade precisa saber da campanha, que se realiza há 15 anos.
A direção da emissora disse ao Estado, por meio da Central Globo de Comunicação (CGCom), estranhar a iniciativa, porque o dinheiro é repassado diretamente ao Unicef. ‘A Globo promove um show e veicula as chamadas para doações diretamente na conta do Unicef’, afirmou a emissora.
Em Brasília, o Unicef confirmou isso e informou que presta contas anualmente. O diretor de setor privado do Unicef, Jair Grava, disse que a entidade está aberta a qualquer investigação. Nos últimos 12 anos, disse, o Criança Esperança arrecadou cerca de US$ 40 milhões (R$ 72 milhões), o que já financiou 4.570 projetos.
A promotora Patrícia Pimentel de Oliveira disse que não existe lei que obrigue a Globo a prestar contas. ‘Mas, como o MP é defensor da sociedade, achamos que já era hora de saber quais são as entidades beneficiadas.’ O MP informou que recebe telefonemas de pessoas que desejam saber como é usado o dinheiro arrecado.
A promotora e coordenadora de Apoio à Infância e Juventude do MP, Maria Amélia Barreto Peixoto, acredita que não deverá problemas. ‘Se existisse alguma distorção, ela já teria aparecido, afinal, são 15 anos.’ (Colaborou Chico Araújo)"
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