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ASPAS

MURDOCH & GLOBO
Renato Cruz

"Murdoch está prestes a concluir acordo para fundir Sky e DirecTV", copyright O Estado de S. Paulo, 16/8/01

"A News Corp., do megaempresário de comunicações Rupert Murdoch, pode anunciar nos próximos dias o acordo para unir as operações latino-americanas do serviço de TV por assinatura Sky. Segundo fontes que acompanham a negociação, a empresa finaliza os últimos detalhes do negócio com seus sócios na região, as Organizações Globo, a mexicana Televisa e a norte-americana Liberty. O anúncio era esperado pelo mercado para a sexta-feira passada, quando houve reunião entre os sócios. A Globo informa que as negociações ainda se encontram em andamento e que não comentará o assunto devido a cláusulas de confidencialidade. O acordo abriria caminho para a fusão entre a Sky e a DirecTV, controlada pela Hughes.

Se houver fusão, a nova empresa controlaria cerca de 92% do mercado brasileiro de Direct To Home (DTH), sistema de TV paga via satélite. O único concorrente seria a TecSat, que atende a cerca de 100 mil assinantes. A tecnologia DTH corresponde a uma fatia de 32% do mercado brasileiro de TV por assinatura. Se forem somados os assinantes da Sky e da DirecTV aos clientes da Globo Cabo, também das Organizações Globo, o grupo controlaria cerca de 73% do mercado de TV paga no País, que fechou o primeiro trimestre com 3,529 milhões de assinantes. No final de março, a Globo Cabo tinha 1,524 milhão de clientes.

A News Corp. deve assumir o controle das operações latino-americanas, o que facilitaria a aprovação da fusão entre DirecTV e Sky pelas autoridades regulatórias. A informação foi confirmada por uma fonte da Televisa, segundo a agência Reuters. No Brasil, o negócio precisa ser aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Globo controla hoje 54% da brasileira NetSat, responsável pelo serviço Sky. A unificação das operações latino-americanas permitiria que a Globo passasse a ter uma participação minoritária na nova empresa, facilitando a aprovação do negócio no País. A Globo também possui 30% da Sky Latin America, que opera em vários países da América Latina, com as exceções do Brasil e do México. No México, a controladora da Sky é a Televisa, com 60%.

O diretor de marketing e novos negócios da TecSat, Paulo Roberto Hisse de Castro, afirma que o Cade deveria atentar para a questão dos canais exclusivos no mercado de DTH para que a competição fosse garantida no caso de fusão entre Sky e DirecTV. ‘Se a exclusividade de canais fosse eliminada, o consumidor não seria prejudicado.’ Castro defende que todos os canais transmitidos pela Sky e a DirecTV também estejam disponíveis aos clientes da TecSat, para que a empresa se mantenha competitiva. ‘Somos uma empresa brasileira, com capital e tecnologia nacionais. Isso deve ser levado em conta’, afirma o executivo.

A Anatel vendeu dez licenças para o serviço de DTH, mas somente três empresas - Sky, DirecTV e TecSat - oferecem TV por assinatura via satélite.

Outras companhias utilizam a licença para distribuir sinais de rádio ou oferecer conteúdo televisivo para empresas, utilizado em programas de treinamento de pessoal.

Além das negociações com a News Corp., a General Motors (GM), que possui 30% da Hughes, também estuda uma proposta de compra da DirecTV apresentada pela EchoStar. A oferta da EchoStar prevê o pagamento de US$ 29,8 bilhões em ações. A união entre a EchoStar e a Sky enfrentaria dificuldades para ser aprovada pelas autoridades regulatórias norte-americanas."



TV PAGA
João Caminoto

"Consultoria prevê dificuldades para TV paga no País", copyright O Estado de S. Paulo, 16/8/01

"A consultoria internacional Pyramid Research, especializada em telecomunicações, avalia que as operadoras de TV paga no Brasil terão tempos difíceis pela frente. No início deste mês, a Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatur a (ABTA) anunciou que a base de assinantes de TV paga no país havia crescido 3% durante o primeiro trimestre de 2001, atingindo 3,5 milhões assinantes. A ABTA considerou esse pequeno crescimento positivo diante da desaceleração da economia, mas alertou que o restante do ano poderia ser marcado por um crescimento muito pequeno ou nulo.

A Pyramid, num estudo sobre o tema, afirmou que as assinaturas de TV paga estão fortemente relacionadas aos ciclos econômicos do país pois o servico é considerado um bem de luxo, e portanto é um dos primeiros serviços de comunicação ser cortado em tempos difíceis. Segundo a consultoria, o ritmo do crescimento das assinaturas tem acompanhado o crescimento do PIB. ‘A política de racionamento de energia adotada pelo governo brasileiro também vai acentuar a desaceleração do crescimento de assinaturas’, segundo avaliação da consultoria."



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