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ASPAS

VIOLÊNCIA NA TELINHA
Daniel Castro


"Governo proíbe desenho violento antes das 20h", copyright Folha de S. Paulo, 17/8/01

"Pela primeira vez na história recente, o governo brasileiro está censurando um desenho animado considerado violento.

Em despacho publicado no ‘Diário Oficial’ de anteontem, o Ministério da Justiça classificou como impróprio para menores de 12 anos o desenho animado japonês ‘Power Stone’.

Os 26 primeiros capítulos da série, produzidos no ano passado, foram comprados pela TV Globo, que pretendia exibi-los na sua programação infantil, de manhã. Se a classificação do ministério for mantida, o programa não poderá ir ao ar antes das 20h.

‘Power Stone’ tem linguagem gráfica semelhante à de produções como ‘Pokémon’ e ‘Digimon’ e é tão violento como ‘Dragon Ball Z’ -no ar na Band (18h) e na Globo (de manhã).

Na internet, o seriado japonês é descrito como uma saga de adolescentes lutadores, especializados em artes marciais. Alguns personagens são descendentes de ninjas. O protagonista, Falcon, ‘destrói o mal com movimentos rápidos e socos violentos’.

A Globo pode recorrer do veto do Ministério da Justiça, mas teria que assumir compromisso de cortar cenas violentas, o que mutilaria o desenho. Também pode ignorar a classificação, pois a portaria do governo que obriga as emissoras a cumprirem os horários determinados pelo ministério está suspensa pela Justiça.

A Globo não se manifestou."

 

PROGRAMAÇÃO INFANTIL
Leila Reis

"Televisão acorda para o público infantil", copyright O Estado de S. Paulo, 18/8/01

"Hoje devem começar as chamadas do infantil O Sítio do Pica-Pau Amarelo, inspirado nos personagens de Monteiro Lobato, que a Globo promete para outubro. A volta das aventuras da boneca Emília, que passaram pela TV ao vivo na extinta Tupi e em videoteipe na própria Globo, é um alento para aqueles que acham que criança merece algo mais do que desenhos japoneses, loirinhas simpáticas e novelinhas cucarachas.

O fato é que desde que a Cultura interrompeu a produção do Castelo Rá-Tim-Bum (que deu à emissora dez pontos de média no Ibope em horário nobre) garotada um pouco mais exigente está meio órfã. O retorno ao vídeo do Sítio - que, em princípio, será de qualidade - indica que o público infantil voltou a fazer parte das preocupações das emissoras. As crianças que, nos anos 80, foram alçadas à condição de súditos do reinado das rainhas Xuxa, Angélica, Mara Maravilha, etc. - saíram do foco para dar lugar aos adolescentes. Foi assim que o público teenager tornou-se a obsessão dos canais que, nos últimos anos, gastaram rios de dinheiro disputando apresentadores com bom trânsito nesse universo.

Até Xuxa largou os baixinhos para dedicar-se aos maiorzinhos. Sérgio Groissman foi parar no Altas Horas, da Globo, Babi assumiu o Programa Livre, do SBT, Adriane Galisteu ganhou o É Show, na Record, Luciano Hulk arranjou um Caldeirão e Otaviano Costa ficou no Superpositivo, da Band.

Hoje a situação está mudando. O SBT que já garantiu bons índices com a argentina Chiquititas, hoje se surpreende com o bom desempenho da mexicana Carinha de Anjo (18 pontos de média, na Grande São Paulo). Com a consulta científica ao mercado (pesquisa), a Globo deve ter recebido sinais de que o consumidor infantil quer algo dirigido explicitamente para ele, daí o investimento na ficção com o enredo imaginado por Monteiro Lobato.

Mais sintomático ainda desse despertar para a infância foi a Record oferecer uma fatia do seu horário nobre para a produção independente Acampamento Legal que, desde segunda-feira, substitui o dramalhão Samantha, da Venezuela.

Uma espécie de Malhação mais pobre - que mistura atividade física e discussão de problemas como menstruação e o ‘ficar’ com garotos - associada a bruxarias (o núcleo do mal é formado por feiticeiras trapalhonas, quase engraçadas) e mensagens ‘educativas’, Acampamento Legal tem segurado a mesma média de Samantha (cinco pontos na Grande São Paulo) com um elenco quase todo desconhecido e um texto meio mal arrumado. A despeito das dificuldades, a nova série infanto-juvenil não deixa de ser uma aposta construtiva da Record por algumas razões.

A óbvia é que substitui uma produção enlatada que nada tinha a ver com o telespectador, além de criar oportunidade de trabalho para o artista nacional. Mas a mais importante, no entanto, é dar chance a profissionais se formarem aprendendo a fazer uma TV independente e, quem sabe, um pouco mais criativa."

 

IBOPE
Marcelo Carneiro

"Mais números", copyright Veja, 22/8/01

"Um novo serviço do Ibope, que será oferecido a partir do ano que vem, já está deixando agitadas as emissoras de TV. O instituto vai ampliar sua medição de audiência em tempo real. Hoje, ela é realizada apenas na Grande São Paulo. Dados do restante do país são atualizados a cada dez dias. A partir de 2002, o acompanhamento 24 horas passará a ser feito também no Rio de Janeiro, no Recife e em Porto Alegre. Os números paulistanos continuarão a ter o maior peso, já que a cidade concentra uma enorme porcentagem das verbas de publicidade em TV. Mas, num cenário em que a disputa por cada ponto de audiência é renhida, qualquer informação extra pode transformar-se em ferramenta de marketing. O apresentador Gugu Liberato, por exemplo, já faz seu show dominical de olho colado nos contadores do Ibope. Não perde uma chance de cantar, ao vivo, suas vitórias em São Paulo. Isso é proibido por contrato e resultou em punição para o SBT no domingo 12: os aparelhos de audiência do canal sofreram um ‘apagão’ temporário. ‘Quando inventamos essa medição, no começo dos anos 90, os canais nem queriam pagar por ela’, diz Flávio Ferrari, diretor do Ibope. ‘Hoje é diferente. Com a ampliação do serviço, quem souber fazer uma programação que contemple o gosto dos espectadores de várias regiões poderá conquistar nichos, consolidar lideranças ou diminuir uma vantagem da concorrência.’"



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