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CLASSIFICAÇÃO
ETÁRIA
Nova guerra no entretenimento
Após alguns meses de calmaria, a controvérsia sobre censura etária no setor de entretenimento dos Estados Unidos está esquentando novamente no Congresso americano e entre os críticos do sistema vigente.
A Câmara dos Deputados planejou, no dia 21 de junho, apresentar uma legislação originalmente escrita pelo senador Joseph Lieberman, democrata de Connecticut, que daria à Comissão Federal do Comércio (FTC) poder para regular o atual sistema de classificação. A legislação, de acordo com Christopher Stern e Sharon Waxman [The Washington Post, 21/6/01], veio à tona um dia depois de uma ampla coalizão de especialistas médicos declarar que o sistema de classificação vigente não é bom o bastante.
Especialistas em desenvolvimento médico infantil solicitaram ao Congresso e à indústria de entretenimento que criem um novo sistema de classificação etária que englobe filmes, TV, música e videogames, e que indiquem um grupo independente para monitoração. Em carta assinada pela Associação Médica Americana, pela Associação Psicológica Americana e por uma dúzia de especialistas, a coalizão afirma que "há muitos sistemas de classificação". "Os pais têm grande dificuldade em dominar as sutilezas do sistema. O fato de a classificação ser decidida por critérios diferentes e desconhecidos por diferentes emissoras, colabora para a confusão". A carta cita um estudo publicado na edição de junho da revista Pediatrics que mostra que os pais acham o atual sistema de censura etária inconsistente e impreciso.
Grupos como a Motion Picture Association of America (MPAA), a Recording Industry Association of America (RIAA) e a National Association of Broadcasters (NAB) opuseram-se ao sistema único classificatório, afirmando ser logisticamente difícil tal conciliação. Jack Valenti, presidente da MPAA, que representa a indústria do cinema, criticou o projeto de lei por achá-lo inconstitucional e contraproducente. "Não se pode ter qualquer agência do governo interferindo na Primeira Emenda, que garante liberdade de expressão", disse Valenti.
A Coalizão Criativa, que reúne atores e executivos do entretenimento, enviou carta ao Congresso na semana passada, desestimulando o apoio à legislação. O ator William Baldwin, presidente da coalizão, disse que a indústria do entretenimento deveria se autopoliciar mais, mas que a auto-regulação é a resposta – não a intervenção do governo.
ORIENTE MÉDIO
Cobertura deformada
Os judeus, novamente, são assassinos de criancinhas. Foi
essa a imagem que a BBC passou na cobertura do "massacre de
inocentes" palestinos durante recente intifada em Belém.
É o que acha Daniel Doron [The Jerusalem Post, 21/6/01],
segundo quem a BBC fez reviver antiga difamação anti-semita
e apresentou-a como fato comprovado por restos arqueológicos
de uma "atrocidade vil" ocorrida há muito tempo.
Quando se trata de acusar judeus de assassinato de crianças,
a BBC se dispõe facilmente a espalhar mentiras.
Mike Hanna, da CNN, também, afirmou Doron, "não escapou da ‘Síndrome do Pinóquio’" ao relatar que uma bomba foi atirada contra um jipe de "manifestantes" árabes. Mentira, diz Doron: a bomba foi atirada por palestinos contra o veículo de judeus e, como lente de câmera não ruboriza, a mentira de Hanna vingou.
Para Doron, não é raro surpreender jornalistas fazendo tudo o que podem para condenar "a democrática Israel e escamotear o regime repressivo árabe", utilizando-se, para tanto, de mentiras "descaradas", acusa o repórter israelense. A BBC e a CNN sempre falam de violência "irrompendo", como se surgisse do nada. Algumas vezes mencionam a agressão árabe, mas sempre culpam Israel, mesmo quando está claramente agindo em autodefesa. Noticiam falsas alegações árabes, incluindo afirmações "históricas" encaradas como fatos, sem análise ou questionamento. Já as afirmações de israelenses, mesmo se baseadas em fatos, são sempre tratadas como alegações.
Para Doron, a BBC e a CNN assiduamente promoveram a mentira de que israelenses mataram crianças a sangue frio, repetindo incessantemente imagens da criança acidentalmente morta em um embate perto de Gaza. Nem se incomodaram em apurar o que realmente aconteceu.
Na opinião de Doron, Israel deveria exigir um pedido de desculpas público e disciplina de editores e repórteres que põem vidas em perigo ao estimular a violência. Ou então, prega, deveria exigir a saída dos jornalistas do país. E encerra: "Deixem que espalhem suas mentiras nos territórios amigos das ditaduras militares árabes, cuja causa anti-Israel ajudaram tão passionalmente a promover."

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